sábado, 2 de novembro de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Moacir Cordeiro Leite, um padre sempre perto do povo!

Iniciei o Mês de Outubro, falando sobre o grande Missionário - fundador da Congregação da Missão e das Filhas da Caridade – São Vicente de Paulo, que, com Sta. Luíza de Marilac e, mais tarde, com o Beato, Frederico Ozanam, deixaram as bases sólidas das Missões em todo o mundo, desde o século 16. Havíamos terminado setembro, com festejos a S.Vicente em Bela Cruz. Usamos o espaço que nos foi concedido para dizer que Sacerdotes, Religiosos e Leigos somos convidados, como discípulos e missionários, à Missão.

            Na 2ª Semana, em meu aniversário, falei da Associação de Missionários e Missionárias do Nordeste, AMMINE, exemplificando com minha participação, durante dez anos, como pregador de Santas Missões Populares.

            Na 3ª semana aprofundei a Mensagem do Papa Francisco ao comentar no 3º Domingo do Mês de Outubro, o Dia Mundial das Missões, no 98º Ano de sua instituição pelo Papa Pio XI, aos 14 de Abril de 1926.

            Na 4ª semana do Mês Missionário, comentei sobre o testemunho real e concreto do Pe. José Maria Costa, na arquidiocese de Fortaleza, por muitas dioceses do Brasil e até no exterior. Transmiti-o até, na Missa de Domingo, 27, na Comunidade Rural de Jardim e arredores, na Zona Rural da Paróquia de Aratuba, onde o próprio Padre Zemaria trabalhou em comunhão com o Padre Moacir Cordeiro Leite, seu companheiro de Missão, que estava completando 87 anos de idade, com 57 de Sacerdócio. É sobre este herói, que quero encerrar o Mês Missionário, apresentando-o como mais um exemplo de ação e desprendimento, na sequência histórica de tantos missionários no mundo.

            Na concelebração que presidi - entre o Padre Moacir e o Padre Juan – comparei o meu querido irmão, Padre Moacir, que conheço tão bem, com outros sacerdotes, místicos e desprendidos, de que fala a pré-história, as idades: Antiga e Média sobre trapistas, cenobitas, cartuchos, eremitas e tantos monges que tiveram vida solitária e que foram verdadeiros testemunhos de fé e oração e de vida contemplativa, conhecidos e admirados ainda hoje.

            Citei algum exemplo que conheço: Monte Athos, na Grécia, Comunidade Ecumênica em Taizé na França, o Ermo de Francesco, em Assis, na Itália e até o CONIC (Comissão Nacional de Igrejas Cristãs) no Brasil, como exemplos de vida religiosa onde se respeita o modo de viver das primeiras comunidades cristãs, anunciadas nos Atos dos Apóstolos, 4,32 “onde tudo era de todos”.  

Moacir, no CPOR

Conheci o Moacir, quando éramos seminaristas, iniciando o Curso de Filosofia, em 1960, no Seminário Provincial de Fortaleza. Conheci sua família que morava na Aldeota, à Rua Pinto Madeira que, pelo fato de ali morarem, eram tidos como gente rica. Nasceu em Papara, Município de Maranguape, onde iniciara seus estudos. Família grande, muita gente pra estudar, era melhor centralizá-los na Capital. Em Fortaleza tinham várias opções de Escolas e até, possibilidade de entrar no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. Dali, ingressou num Curso Superior de Matemática na Faculdade dos Irmãos Maristas, no já histórico e famoso Colégio Cearense, onde se afeiçoou à JUC: Juventude Universitária Católica.  Foi um pulo para ingressar no Seminário Maior de Fortaleza que, à época, tinha os Padres Lazaristas na direção, com alguns professores, Padres Diocesanos, como o Santo Padre Paulo Ponte. No ano de 1959, Moacir já fez seu 1º Ano de Filosofia no Seminário da Prainha. Em 1960, fez o seu 2º Ano de Filosofia Foi quando eu entrei no 1º Ano de Filosofia no mesmo Seminário. Conhecemo-nos e comecei a admirá-lo. Ele já era mais adulto e amadurecido que eu. Eu concluíra apenas o 1º e 2º graus.

            Eu vinha do interior. Nunca tinha ido a Fortaleza. Admirava o Moacir como alguém mais sábio, mais experiente e tinha de mim, toda a atenção. Logo, os “novatos” e alguns, já veteranos fomos envolvidos pela comunicação fácil de Moacir, que nos foi fazendo entender que a formação dada pelo Seminário da Prainha era antiquada. Os Padres lazaristas não nos atualizavam com a abertura da Igreja para o Concílio Ecumênico que o Papa João XXIII pré-anunciava. Tínhamos que buscar fora, outra linha de orientação. O que se apresentava como melhor era o Seminário Regional do Nordeste que nos acolheria a partir de Janeiro de 1961. Tínhamos que garantir vaga por lá.

            O Pe. Paulo Ponte, nosso professor, padre diocesano, ex-aluno do Colégio Pio Brasileiro, fora colega do Padre Marcelo Carvalheira, em Roma, fez o contato inicial com ele, que era o Reitor, e garantiu-nos as vagas, de modo que nos sentimos motivados e acolhidos, indo um grupo de 26 seminaristas das várias Dioceses Cearenses para o Seminário de Olinda, em Pernambuco.

            Em Olinda nos deparamos com outros colegas do Moacir que também saíram das Universidades e estavam no Seminário: Romeu Padilha, Israel, Arakén Tabajara, Roldão Santos, Roberto Mota, Dr. Paulo (não lhe lembro a especialidade), um médico veterinário (também não lembro o nome) que, no meio de nós outros, iam nos ajudando e sendo ajudados no que, mutuamente, íamos aprendendo e dando vida à comunidade tão bem orientada.

            O Seminário Regional do Nordeste recebeu alunos do Nordeste, em geral, da Amazônia, e até do Centro Sul do país. Tinha uma equipe diretora e de professores – Padres e Leigos - de peso. Além do Reitor, Pe. Marcelo Carvalheira, tinha como Diretor Espiritual, o Padre Arnaldo Cabral, os irmãos Padres: Zeferino e Zildo Rocha. Almeri Bezerra, Luís Gonzaga Sena, Luís Carlos, Arnaldo Moreira, Marcelo Santos, José Comblin, Eduardo Hoonaert, Humberto Plumen e outros sacerdotes, formados em Roma e pela Europa, somavam-se a outros professores leigos, que também lecionavam em Universidades de Recife: Newton Sucupira, Ariano Suassuna, Vamiréh Chacon e outros. Todos empenhados em fazer daquele Seminário Regional, transformado em Instituto de Teologia do Recife – ITER – com o aval, o direcionamento e as bênçãos do Profeta Dom Helder Câmara e do Concílio Vaticano II, o que esperar?

            Com pouco tempo, estávamos entrosados com Olinda e Recife, com seus Colégios, dando aulas de religião, em contato com a Ação Católica, em todas as vogais: Juventude Agrária, Estudantil, Independente, Operária e Universitária. Era intensa nossa participação na vida interna do Seminário e na vida externa da Catequese. O Moacir era o traço de união entre nós, Marcelino, Leunam, Benedito e eu, alunos do Seminário e a Secretaria de Educação do Estado, pois ele era nomeado Professor de 200 aulas de Religião e dividia o ganho conosco que ajudávamos. 

Será que o Padre Moacir poderia ser diferente do que sempre foi e dar um contratestemunho de tudo o que ele aprendeu e praticou? Não cabe apatia num Santo Homem, como ele. Sua vivencia e convivência no meio dos mais simples e pobres, nos sertões secos do nordeste, dando água para quem tem sede, ouvindo os “clamores do povo” (Ex.3,7-14), dando-lhe uma mensagem de esperança, o tornam merecedor de todas as homenagens nestes seus 87 anos de nascimento, com 57 de sacerdócio, sempre a serviço da Missão que o Senhor lhe confiou. Além de tê-lo visitado, como fiz em Assis, “no ermo onde ele mora”, e rever de perto o “o eremitério” que ele vive no seu dia-a-dia, quero externar-lhe a minha admiração, minha amizade e dar-lhe os meus parabéns.

Garanto-lhe ser muito pouco o que estas duas páginas caberiam sobre você.                                                  











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