sexta-feira, 1 de novembro de 2024

IDEIAS & NOTICIAS

 

      ROMARIAS EM                     GUARACIABA DO NORTE

Desde menino, testemunhei o povo falar em dois destinos de romarias em nossa terra. Um era Sussuanha para onde muitos acorriam a pedir graças a Nossa Senhora da Saúde. O outro, no caminho para Reriutaba, onde fora assassinada a jovem Isabel que fazia uma romaria para Sussuanha.

Estou voltando a este assunto porque sempre tive uma atenção especial à Sussuanha, era o único distrito, aonde podíamos ir à pé, para as novenas de Nossa Senhora da Saúde. Sentia também que  meus pais tinham um carinho especial por aquele lugar. Escolheram a Sussuanha para casar, num período da tradicional festa de Nossa Senhora da Saúde. Casaram fugidos, como se dizia à época. Longe dos pais que não concordavam com o casamento. Eles eram primos. Os pais eram irmãos. E foram muito felizes. Contemporâneos me disseram que meus pais eram sempre apaixonados. Pena que a convivência durou pouco. Minha mãe morreu de parto do sexto filho que foi o Laerte.

Sussuanha, tem portanto, um marco especial para mim. Naquele tempo todos iam à Sussuanha a pé. Não havia carros. Na cidade, talvez uns dois. Na  Sussuanha, o caminhão do seu Zeca Marinho. Ir à pé também fazia parte da promessa.

Meu pai fazia parte da Banda de Música e minha mãe era integrante do coro da Igreja e ambos acompanhavam o vigário, Padre Antonino, para as celebrações nas capelas. Uma razão óbvias: À época todas as celebrações da Igreja eram em Latim. Então as cantoras tinham que aprender os cânticos, em Latim. E a Banda tinha que fazer o acompanhamento junto às cantoras. Era para aqueles dois grupos que as Igrejas tinham um lugar especial de destaque: O Côro da Igreja.

Foi ao lado da Igreja da Sussuanha que as cantoras e a Banda de Música tiraram uma fotografia, no dia da criação do Coro Santa Cecília, em 21 de novembro de 1946, conforme está em nosso livro GUARACIABA DO NORTE -Nossas Ruas, Nossa História. Dentre os que aparecem nesta foto acho que estão ainda entre nós a Prazerinha Cori e a Madrinha Zilmar. Bem no centro, de chapéu preto, está meu pai José Raimundo Gomes Sobrinho. Ao seu lado, minha mãe. Ao lado de minha mãe, a sua irmã Dolores. Ajoelhada, bem ao centro, a Tia Eunice. No chão, sentadas, estão De Lourdes, Tia Aucília, Madrinha Zilmar e Sefisa Cori.  Ao lado do meu pai, Raimundo Carvalho, ao lado um desconhecido e a seguir a Raimundinha Cori, mãe da Célia e sogra do Zeneudo.

Fui rever a Sussuanha em 5 de outubro. A Igreja, de uma limpeza impressionante. Muito bem cuidada. Até a pracinha em frente me pareceu muito bem zelada. Fiquei feliz e ver.

  
              A Igreja de Sussuanha                        O altar a Nossa Senhora da Saúde

HÁ 95 ANOS, UM BÁRBARO FEMINICÍDIO

Helder Mello

Na sexta-feira 11 de outubro de 2024 recordamos os 95 anos do feminicídio que ceifou a vida de Isabel Maria da Conceição, mais conhecida como “Finada Isabel”.

Quem trafega na Ladeira das Pedras, que liga os municípios de Guaraciaba do Norte e Reriutaba não deixa passar desapercebida a visão da modesta capelinha próxima ao mirante de exuberante beleza natural.

Ela está ali para marcar como uma espécie de cenotáfio, o local onde a jovem de 28 anos, Isabel, foi assassinada pelo seu marido ‘Zé Passarinho’, diante do filho de 3 anos quando a família rumava de Santa Cruz (hoje Reriutaba) para a cidade de Campo Grande (hoje Guaraciaba do Norte) em direção ao distrito de Sussuanha.

O marido movido por machismo, com ódio no coração por Isabel ter cortado sua vasta e bela cabeleira ficou inebriado de ciúmes e traçou o plano maligno.

Convenceu ela e o filho de pegarem um jumentinho e subirem a Serra da Ibiapaba para assistirem as novenas de Nossa Senhora da Saúde em Sussuanha.

Isabel até que desconfiou da religiosidade repentina do marido que repudiava a sua devoção à fé católica, porém esta para não contrariar mais o marido após o corte dos cabelos, já tendo sofrido mais tratos, resolveu ir esta viagem.

Na localidade, onde hoje se encontra a Capela, eles resolveram apear do jumento e dormir para rumar na manhã seguinte ao destino, porém enquanto dormia Isabel foi esfaqueada na presença do filho e teve seu corpo jogado talhado abaixo.

Zé Passarinho abandona a criança e volta para o povoado mentindo dizendo que foram atacados por uma onça.

Mas milagrosamente o menino retorna para casa no lombo do jumento (primeiro milagre atribuído à Santa  popular) e conta o acontecido. O pai é preso e passa alguns anos na cadeia de Campo Grande, sempre lamentando o crime até que este sumiu da cadeia a portas fechadas (segundo milagre atribuído a ela).

Nos anos 50 foi erguida a primeira capela que foi reconstruída em 2004.

Em 2007 quando fui Diretor do Teatro João Barreto recebemos a Sra. Maria da Penha e realizamos uma caminhada até lá pelo direito das mulheres vítimas de violência.

Santa Isabel, Rogai por nós!

OBS. A capelinha, hoje existente, foi construída com o apoio do Professor José Teodoro Soares, à época  Reitor da UVA a pedido da ÚNICAUnião dos Conterrâneos e Amigos de Guaraciaba do Norte.











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