SEMINÁRIO DE SOBRAL: CEM ANOS (II)
No meu
Comentário da Semana passada, iniciei dizendo que faria, nos 04 finais de
semana de fevereiro, uma reflexão continuada, comemorativa dos cem anos de
existência do Seminário S. José de Sobral, sedeado no Bairro Betânia instituído
pelo maior benfeitor da Sede Diocesana, D. José Tupinambá.
Acrescentava
também que, o Seminário de Sobral nos formava para A VIDA e para o TRABALHO,
tanto para exercer o Ministério Sacerdotal, como para ocupar funções outras,
Profissionais, a que se sentissem chamados.
Deixamos isto bem claro,
em duas edições preparatórias, alusivas a este Centenário que vamos comemorar
daqui a uma Semana – 15 de fevereiro – para externar toda a nossa
gratidão pelo muito que aprendemos e somos: tanto na Vida Sacerdotal de alguns,
como no Trabalho Profissional da maioria.
Já externamos nossa
gratidão a Dom José, em nossa 1ª Reflexão, através do Canto de dor de D.
Edmilson Cruz, que também está vivendo seu ano Centenário e queremos continuar,
no final deste Comentário de hoje, com o nosso não menos Poeta, Pe. Oswaldo
Chaves, sobre seu ‘Velho Seminário’.
Todos nós, Padres ou não,
entendemos o que se passa conosco ou que lembranças nos advêm à mente, ao
refletirmos sobre a nossa convivência na Betânia. As memórias que fizemos em
duas edições: “Seminário da Betânia – 90 anos – AD VITAM: 65 declarações de
amor” e “Seminário da Betânia” – 96 anos – AD LABOREM: Nossa caminhada
profissional” nos prepararam para a Celebração Centenária que faremos,
virtualmente, no próximo Sábado, 15/02. Eu mesmo - em depoimento dado na 1ª
edição, AD VITAM – dizia que “deixávamos nossos irmãos originários de sangue,
no passado, para nos unirmos à nossa ‘Nova Família’ no Seminário São José de
Sobral, para conviver com outros ‘irmãos’ de diversas origens geográficas, de
famílias diferentes, durante 06-07 anos seguidos, nove meses a cada ano, para
viver numa ‘verdadeira Escola de Tempo Integral’ como tanto se fala hoje”.
No preâmbulo da 1ª
Edição, AD VITAM, um dos Betanistas, de 1º time, Francisco José Aguiar Moura
não se tornou Sacerdote, mas fez Engenharia Civil, entrando, de cheio, no mundo
do Trabalho.
Casou com Dona Ângela
Paula Pessoa, com quem viveu 35 anos, devido ao falecimento dela, deixando-lhe
com duas filhas, três Netas e a responsabilidade de cuidar delas. Depois de
organizar sua vida profissional e familiar, sentiu o chamado inicial de Deus
para o sacerdócio e, 13 anos depois, ainda alimenta a possibilidade, faltando
apenas o acolhimento e o convite de um Bispo. O que seria muito bom, pois o
retornaria ao 1º objetivo: a vocação à VIDA sacerdotal. O tempo está passando e
mesmo com pleito nosso, dos Betanistas, em prol do nosso colega, não obtivemos
nenhuma resposta.
Mas, o que disse Aguiar
Moura no preâmbulo de nossa 1ª Edição? “Nada de mais importante para uma
entidade que marcou a VIDA de muitos e contribuiu sobremaneira para a História
da Igreja de Sobral, em 1º lugar, mas com respingos benfazejos no Brasil e no
mundo. Todos que por ali passamos, ordenados ou não, ficamos marcados pelas
lições aprendidas, especialmente, no que concerne à disciplina, ao estudo, ao
fervor religioso, aliados à prática desportiva, constituindo-se num conjunto
harmonioso que determinou a nossa formação, cujos frutos nos acompanham por
toda a VIDA.
Essa história não podia
se perder no tempo, pois, como sabemos, há um hiato entre o velho e o novo
seminários, de modo que o velho, que encerrou suas atividades em 1967, tenderia
a sumir, juntamente com sua última geração.
Este livro vem preencher
essa lacuna que ficaria pela finitude de nossa vida e documentar para as
gerações futuras a história do Seminário. Nele o leitor atento encontrará
aspectos históricos, pessoais e jocosos do sagrado modus vivendi daquela casa
de formação do clero da Diocese de Sobral, menina dos olhos de D. José
Tupinambá da Frota, seu fundador”.
Ali acima, depois de
recordar o Canto de dor de Dom Edmilson, disse que iria encerrar meu Comentário
de hoje, com a poesia de outro grande poeta, Betanista, Padre Osvaldo Chaves.
Um dos nossos “monstros sagrados” que marcou a sua história entre nós, com a
sua sabedoria, seu testemunho de fé e
de exemplo, sempre
elogiado durante sua VIDA e sempre lembrado depois da morte. Antes de
apresentar seu soneto, Velho Seminário, peço que ele mesmo se apresente, como o
fazia a cada 1º dia de aula, em qualquer das salas que ele entrasse para dar
sua 1ª aula. Quem nos narra é Juarez Leitão,
Betanista da gema,
profissionalmente, bem sucedido e, por certo, o melhor aluno e admirador do
Mestre Osvaldo Chaves, que assim se apresentava:
“Eu
sou o Padre Osvaldo Carneiro Chaves, professor de vernáculo. Nosso objetivo
principal nesta sala e na vida é ser feliz. Todos nós humanos temos um
compromisso com a felicidade. Deus nos quer ver felizes. Felizes por nossos
sentimentos, por nossa condição humana, por nossa fé, por nossa vocação. Este é
o nosso local de trabalho. Estudar é um trabalho. Somos operários, vocês e eu,
laborando na procura do conhecimento”.
Será que o que dizia o
Padre Osvaldo é diferente do que temos falado sobre a instituição do Seminário
de Sobral: AD VITAM e AD LABOREM? Confiramo-lo, debruçando-nos sobre o soneto
de sua autoria:
Velho
Seminário
(extraído de
Exíguas – pág. 157)
“Quando eu te vejo assim tão solitário,
Tenho a impressão de ver amargo pranto
Rolar em fios do teu rosto santo,
Herói de pedra, velho Seminário.
Como uma enorme interjeição de espanto
Interrogas ao céu do teu fadário:
E tudo é mudo ao grito funerário
Que parte do teu peito. No entretanto,
Consola-te: Talvez teu largo seio
De mil recordações já estava cheio,
E os últimos alunos te deixaram
Para museu de tantos, tantos anos
De sonhos, ilusões e desenganos
De todos quantos já por ti passaram”.
BORDADOS PEDAGÓGICOS
DA PROFª NAZARÉ ANTERO
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