Pra que ensinar o povo a pensar?
Mesmo com a
incompreensão de muitos, insisto em comentar a respeito de Tema que muito me
agrada: o Deus Libertador ou o Deus da Misericórdia por imitar também o Papa
Francisco, que neste Ano Santo sugere como reflexão: Somos Peregrinos da Fé,
convidando-nos a uma caminhada de fé, oração e reconciliação.
Nesta linha
de reflexão, abordei em várias ocasiões, desde seminarista, passando pela
Filosofia e Teologia, e hoje em dia, o tema da libertação, a partir da
escravidão do Egito, até a remissão dos pecados, através de Jesus Cristo.
Preparamo-nos para entender e repassar tudo isto, com nossos competentes professores do Seminário de Olinda. Já neste ano de 2025 retornei ao assunto, pelo menos, por duas vezes, referindo-me a um convertido Tcheco, o Padre Tomás Halik, prometendo ainda voltar a ele, oportunamente. Estou fazendo
hoje porque ocupei os 02
sábados anteriores com Semana Santa e Páscoa, até citando um dos ensinamentos
do Padre Halik, por causa da Páscoa, que repito agora: “muitos pescadores de
homens hoje têm sentimentos semelhantes aos dos pescadores galileus nas margens
do Lago de Genezaré,
quando encontraram Jesus
pela 1ª vez: Nossas mãos e redes estão vazias. Trabalhamos a noite toda e
nada pescamos”. Quantos de nós não nos vemos em situações semelhantes? De
mãos vazias sem nada terem pescado?
No meu Comentário antes
da Semana Santa eu afirmei que o Padre Tomás Halik era ‘a referência atual
da Teologia da Libertação, teórica e prática, tanto quanto, durante muito tempo
brilharam e se expuseram Teólogos da Libertação aqui na América Latina e pelo
mundo’.
Para falar deste Teólogo da Libertação – de uma história tão bonita de conversão e prática missionária – referi-me a vários outros, pessoalmente, por mim conhecidos e tidos como professores e, através de suas obras teológicas, para aprofundar mais meus conhecimentos. Um deles, que conheci em Roma, é o Frei Betto, da Ordem de São Domingos, que é um bom teólogo atualizado, com várias obras escritas, que me chega agora através do seu Jesus Rebelde, da editora Vozes. Traz-nos uma reflexão inquietante para fazer-nos pensar.
Em vez de manter-nos do
lado preconceituoso a respeito do seu modo de refletir a Teologia Libertadora e
Redentora, chamando-a de “comunista”, aprofundemo-nos em suas colocações para
ver se ele tem ou não, razão.
Ele se dirige, de início,
à própria CNBB, com algumas colocações para serem refletidas e aprofundadas com
a evidencia dos fatos.
O
Catolicismo no Brasil, até 1950, era confissão religiosa majoritária com 93,5%
da população, segundo o IBGE. Em 1910, o mesmo órgão de pesquisa afirmava que
os Católicos baixáramos 64,6%, enquanto os evangélicos subiam para 30%. Os
prognósticos para 2030 preveem de 35 a 40% de Católicos e os
evangélicos,
de 38 a 40%. Numa visão, um tanto imprecisa ainda, os Católicos e Evangélicos,
respectivamente, decrescem e aumentam, proporcionalmente. Porque será que isso
está acontecendo?
É o próprio Frei Betto quem vai tentar responder. Ou ele mesmo - que é um estudioso constante da Teologia e que tem um apurado senso crítico sobre o trabalho catequético e evangelizador dos líderes cristãos - arrisca um palpite lógico, baseado em perene meditação. Mas, porque o Catolicismo tem retrocedido? Frei Betto tenta responder, apresentando algumas razões: a 1ª delas é o descuido da hierarquia da Igreja Católica, nos últimos 60 anos, ao ter fragilizado tanto o apoio às Comunidades Eclesiais de Base – CEBs – uma expressiva Pastoral em todo o Brasil.
Uma 2ª razão foi o desaparecimento da Ação Católica, à mesma época, pelo mesmo motivo que as CEBs e o MEB se foram: o golpe militar de 1964. O golpe reprovava também a documentação do Concílio Ecumênico, as Pastorais da Terra, que se desenvolviam na Amazônia, no Pantanal, na Mata Atlântica e pelo Nordeste adentro, apoiando a luta sindical, a pastoral da família, etc., ao ponto de estimular, apoiar, programar e financiar viagens de católicos conservadores a Roma, para falar com o Papa contra a modernização da Igreja. Dá pra entender? Era levar a Igreja à agonia mortal, conclui Fr. Betto.
Ele fala deste triste momento histórico brasileiro, com conhecimento de causa. Ele e seus confrades da Ordem Dominicana sofreram torturas, perseguições, prisões e até mortes. Quando ele se refugiava por Portugal, Fr. Tito por Roma e depois em Lyon, na França, Fr. Zamagna era meu colega em Roma, eu mesmo cursava Sociologia Religiosa e Comunicação Social na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, em homenagem a uma das pilastras da Congregação de São Domingos Gusmão. Falo da sua abordagem, muito pertinente, com forte conhecimento. Era um momento dificílimo. Todo brasileiro que a gente encontrava, podia ser um ‘espião da ditadura’ a nos espreitar. Havia até colega, Padre, imagine! /portando “passaporte diplomático” fornecido pela ditadura. Sua colocação, infelizmente, é verdadeira, Frei Betto.
E tem mais: quando você pergunta onde estão os leigos formados em Universidades Católicas, fazendo a diferença dentro da sociedade, participando apostolicamente, entre trabalhadores no campo, estudantes, intelectuais, operários e universitários, eles estão evangelizando? Ou eles engrossam as fileiras de notórios políticos corruptos, legitimadores da opressão social?
Para
um clero que sempre temeu “o protagonismo dos leigos”, tê-los inconscientes,
sem debaterem e sem contestarem nada é a felicidade maior, é a paz reinando nas
comunidades. Pra que ensinar o povo a pensar? As
elites, os patrões, os falsos líderes políticos, os compradores de consciência
vão fixar na cabeça do povo que “a gente se deve encostar num pau que tenha
sombra”.
E os tais chefes dizendo:
“vocês nem pensem. Nós pensaremos por vocês’. Se o clero atual não vive a
renovação conciliar, não acompanha as avaliações da Igreja Sinodal, não reflete
sobre a realidade social de suas comunidades, discorda de qualquer pregação ou
catequese que distinga e entenda a junção de Fé e Política, como é que está a
formação de nossos seminaristas se preparando para a Missão que os aguarda?
Estão tendo um diálogo inter-religioso, ou estão tendo uma visão preconceituosa
das outras confissões religiosas? Como é que estão encarando o ecumenismo tão
bem estudado pelo Concílio e adotado como algo respeitoso, dialogável e
aceitável?
Não podemos parar a
Missão da Igreja, muito menos, negligenciá-la. A Igreja de Jesus Cristo é uma
só. Não admite divisão. Ele nos garantiu: “eu estarei convosco todos os
dias, até a consumação dos séculos”. Com Jesus, iniciamos um novo tempo,
por isso não devemos enfatizar o Antigo Testamento em detrimento do Novo; o
diabo mais que Deus; o Deus da punição mais que o Deus do amor; o pecado mais
que a graça.
Muitas Igrejas estão,
politicamente, alinhadas ao conservadorismo, à naturalização da desigualdade
social, à exaltação das riquezas. Incutem nos fiéis a “servidão voluntária”.
Fazem uma leitura equivocada da Bíblia ao tirar o texto do contexto,
infelizmente, até muitos de nós, os católicos. Você já leu algo de Frei Betto,
ou ouviu falar dele sem o estigma do preconceito? Por isso é que se diz,
sabiamente: “ninguém ama o que não conhece”. Siga tal princípio!...
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