VENDO E REVENDO ATRAÇÕES DA SERRA DA IBIAPABA
Nesta Semana Santa, tivemos
um roteiro especial na Serra da Ibiapaba, no norte do Ceará. É o Planalto que
une o Ceará ao Piauí. Ali a natureza fez tudo de bom. O clima é uma grande atração.
Fomos encontrar, em Tianguá,
um grupo de amigos, residentes em Teresina que queria conhecer ou rever a nossa
região. E, ao final ficaram encantados.
De lá fomos à bela e
histórica cidade de Viçosa do Ceará. Vimos o seu belo patrimônio no coração da
cidade, aos pés da padroeira N. S. da Assunção.
Visitamos a famosa Casa dos
Licores e fomos ver o belo cenário a partir do alto da Igreja do Céu. Almoçamos
no acolhedor restaurante.
À noite, excelente momento musical com os nossos visitantes, ao
violão de Daniel Domingues, no Zaza's. Muitas vozes e excelentes melodias.
A manhã da sexta feira foi na encantadora Bica do Ipu e depois
subimos para os mirantes da serra, aos parques ecológicos de Guaraciaba do
Norte.
Os passeios não impediram a
presença aos atos litúrgicos da Paróquia, encenações da Paixão e a Procissão de
Passos e do Senhor Morto. As encenações foram muito bem apresentadas. Pareciam
profissionais.
Comentário de uma devota
senhora de nossa Paróquia: Os pregadores falam muito, mas ninguém entende nada.
Mesmo os que falam português. Só o bispo fala para ser entendido.
O empresário Engenheiro Francisco Furtado nos recebeu
em seu condomínio onde grandes mansões estão sendo construídas, com belas
vistas do sertão. É o MIRANTE RANCHO DA SERRA (veja o vídeo)
O nosso grupo era composto pelos amigos da DALLAS
COMUNICAÇÃO, empresa de publicidade de grande sucesso em Teresina e no Piauí: José
Maria, Janete, Thelma e Gabriela, com seu marido Antônio Brandão, Jocélio,
Myrtes e eu
Ouvi o depoimento de uma Empresária com investimento
na cidade, há 10 anos, ao justificar a sua opção por Guaraciaba do Norte.
Sendo ela de Crateús, surpreendeu-me ao dizer que a
nossa terra tem a metade da população de sua terra e o dobro do PIB. E está
satisfeita.
As estradas? 90% muito boas. Mas nas proximidades de
Reriutaba, depois da descida da serra e depois do açude Araras, a caminho de
Santa Quitéria há muitos buracos.
Mas, no geral, foi excelente viagem. As atrações da
Ibiapaba são convincentes. O tempo foi pouco para vermos ou revermos a Gruta,
as Floriculturas, o Santuário de São Benedito e o Mosteiro de Guaraciaba do
Norte. Para o próximo passeio.
MEMÓRIAS
DA DITADURA
“ASILO CONTRA LA OPRESIÓN”
- E os dólares?
Ao ouvirmos
esta pergunta do guarda da fronteira depois de lhe respondermos que
pretendíamos permanecer três dias no Chile, Ruth e eu nos olhamos sem nada
entender, como se nos perguntássemos: dólares? Que dólares?
Percebendo,
talvez, nossa cara de espanto, ele logo explicou que, para entrar no Chile,
cada turista precisava apresentar uma quantidade de dólares correspondente ao
total de dias que ficaria no país, tendo como base um determinado valor diário,
que não lembro de quanto. Ignorávamos isso e não tínhamos um dólar sequer.
Solução? Pedirmos ajuda àquela brasileira antipática que embarcara no ônibus
conosco em Buenos Aires e que se encontrava um pouco atrás na fila. Ela nos
emprestou os dólares e a Ruth, praticamente, forçou que ela aceitasse seu
relógio como garantia. Atravessada a fronteira e nos sentindo seguros no país
que tem no seu hino nacional a frase “asilo contra la opresión”, abrimos
mutuamente o jogo: Ruth e eu revelamos que estávamos vindo ao Chile para pedir
asilo e ela que vinha visitar o noivo asilado. Devolução de dólares e relógio,
seguida de risos, contações de histórias e alívio geral.
Nossa
companheira de viagem nada tinha de antipática. Sua atitude reservada no
percurso argentino traduzia a cautela de quem estava consciente dos riscos que
corríamos naquele país que ainda tinha em Alejandro Lanusse o general de
plantão da ditadura que se iniciara ali em 1966, dois anos depois do mau
exemplo dado pelo Brasil. Na realidade, naquele momento, o Chile era um dos
poucos países sul-americanos onde um governo democrático não havia sido
substituído por uma ditadura através de golpe militar.
Não houve
problema de segurança durante toda a viagem. Havíamos decidido comprar nossas
passagens do Rio para Buenos Aires e, chegando na capital argentina, fazer a
aquisição do trecho para Santiago. Ao embarcarmos na rodoviária Novo Rio, às
vésperas do carnaval de 1973, queríamos dar a impressão de que éramos um casal
de namorados indo passar uns dias na capital portenha. Nada de especialmente
suspeito, portanto, pois tratava-se de um deslocamento corriqueiro entre dois
regimes ditatoriais.
Logo que o
ônibus deu partida, Ruth puxou uma conversa sobre nossos sentimentos quanto
àquela viagem. Foram muitos, mas três ficaram gravados: alívio, saudade e
esperança. Alívio, pela diminuição das tensões que vivêramos nos
últimos meses, embora tivéssemos preocupação com o momento da saída do Brasil e
com a travessia da Argentina; saudade dos familiares e amigos que,
secretamente e correndo riscos, tinham nos dado apoio e aconchego em Alcântara,
Vila da Penha, Senador Camará e Umuarama. Quanto à esperança, ela era
principalmente a de voltarmos a viver em uma democracia, provisoriamente no
Chile e definitivamente no Brasil.
Ficamos
surpresos com a emoção que sentimos ao atravessarmos a sisuda cidade de São
Paulo, onde tínhamos morado por algum tempo. Parafraseando o compositor Cândido
das Neves, em sua canção Lágrimas, sentíamos o que não sabíamos dizer. Quando
mais adiante, passamos por um trecho do Vale do Ribeira, o passado nos trouxe
muitas lembranças e o presente nos cutucou com apreensivas interrogações.
Na passagem da
cidade brasileira de Uruguaiana para a de Passo de los Libres, na Argentina,
foi de grande tensão o tempo decorrido entre o momento em que o motorista
recolheu os documentos dos passageiros, até voltar do posto de fronteira
dizendo que estava tudo em ordem. Embora contida, era grande nossa alegria ao
recebermos de volta nossos documentos...falsos. Enquanto atravessávamos a
cidade argentina fronteiriça, a Ruth ia sussurrando no meu ouvido: livres,
no Passo de los Libres, livres, no Passo de los Libres, livres, no Passo de los
Libres.
O trajeto até
Buenos Aires não apresentou qualquer incidente. Dalí, rumo à fronteira do
Chile, na província de Mendoza, nos encantamos com a beleza da região, que
aumentava à medida que nos aproximávamos da majestosa Cordilheira do Andes.
Isso diminuía nossas preocupações com mais um controle de documentos.
Transposta a fronteira do Chile, mais confiantes, passamos a interagir com
companheiros de viagem. Coincidência das coincidências, conheci, então, um
chileno chamado Juan e, também como eu, quintanista de medicina, que estudava
em Buenos Aires e estava indo passar uns dias de férias em Santiago.
Chegando em
Santiago, pedimos ao Juan uma sugestão de hotel barato e ele se dispôs a nos
levar até uma pousada que ele conhecia. Embarcamos juntos em um táxi e fomos
com ele até lá. Enquanto pegávamos nossas malas, Juan foi à recepção, voltando
em seguida e nos dizendo que nossa vaga estava assegurada. Nos desejou boa
sorte e despediu-se com um abraço afetuoso. No procedimento de registro, ao
perguntarmos pelo preço da tarifa, o recepcionista nos respondeu que nossa
diária já tinha sido paga por aquele rapaz que viera conosco. Este foi o
primeiro gesto de solidariedade que recebemos de um chileno, mas estava longe
de ser o último.
Quando nos
preparávamos para subir a escada de acesso ao nosso alojamento, dois homens que
estavam ao nosso lado na recepção, começaram a gritar um com outro e, em
seguida, a se esmurrar. Atingido por um soco no rosto, um deles literalmente
desabou no chão. Enquanto o recepcionista dizia que ia chamar a polícia, Ruth e
eu, “gatos escaldados”, pegamos nossas malas e saímos de fininho para o nosso
quarto.
Depois de uma
noite de sono reparador, amanhecemos cheios de energia e boas expectativas. Com
informações pedidas ao recepcionista, nos dirigimos às 11 horas para o
restaurante da Universidade Federal do Chile com o plano de procurar estudantes
brasileiros que pudessem nos orientar sobre pedido de asilo, pois não tínhamos
qualquer contato naquele país. Nos postamos na entrada principal do restaurante
e não demorou muito para que entrassem dois rapazes falando português. Nos
apresentamos a eles, explicando que tínhamos chegado no dia anterior em busca
de refúgio; eles nos deram o endereço de uma associação de brasileiros que
havia sido criada para dar apoio a pessoas em nossa situação. Fomos,
imediatamente, procurá-la. Ao chegarmos lá, a moça que trabalhava como
atendente nos perguntou se podíamos indicar o nome de alguém que desse
referências sobre nós, coisa que nos pareceu razoável para prevenir
infiltrações de agentes da ditadura. Dissemos que, no período da nossa
clandestinidade no sudeste do Brasil, tínhamos ouvido falar que um casal de
conterrâneos do Ceará teria vindo para o Chile e demos os nomes da Ângela e do
Paulo Lincoln. “São meus vizinhos”, disse ela, levantando-se e, deixando de
lado a atitude reservada do início da conversa, nos deu um abraço, completando:
“peguem suas coisas e venham encontrar-se comigo às 17 horas, quando termina
meu expediente, que levo vocês à casa deles”.
Antes da hora
marcada estávamos lá; pouco tempo depois, pegamos um pequeno ônibus,
completamente lotado, que os chilenos chamavam carinhosamente de Guagua (bebê
em português) e, felizes, fomos sacolejando nele até o bairro Macul, onde
moravam muitos refugiados brasileiros. Era comecinho da noite quando chegamos à
casa da Ângela e do Paulo Lincoln. A surpresa deles, os abraços
apertados, a solidariedade sem barreiras e a hospitalidade cearense
transformaram em festa aquele reencontro de amigos.
A leveza
proporcionada pela sensação de liberdade, as primeiras impressões sobre o Chile
e as providências para nos integrarmos à nova vida, no entanto, ficam para uma
outra historieta.
(*) JOÃO DE PAULA MONTEIRO FERREIRA, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial, grande liderança estudantil nos anos da ditadura.
Desculpem o atraso desta publicação, mas precisávamos compartilhar o passeio pela Ibiapaba!
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