domingo, 20 de abril de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO


VENDO E REVENDO ATRAÇÕES DA SERRA DA IBIAPABA

Nesta Semana Santa, tivemos um roteiro especial na Serra da Ibiapaba, no norte do Ceará. É o Planalto que une o Ceará ao Piauí. Ali a natureza fez tudo de bom. O clima é uma grande atração.

Fomos encontrar, em Tianguá, um grupo de amigos, residentes em Teresina que queria conhecer ou rever a nossa região. E, ao final ficaram encantados.

De lá fomos à bela e histórica cidade de Viçosa do Ceará. Vimos o seu belo patrimônio no coração da cidade, aos pés da padroeira N. S. da Assunção.

Visitamos a famosa Casa dos Licores e fomos ver o belo cenário a partir do alto da Igreja do Céu. Almoçamos no acolhedor restaurante.

Viajamos até Guaraciaba do Norte pela rodovia que contorna as cidades de Ubajara, Ibiapina e São Benedito. O tempo não nos permitia parar para ver a Gruta.

À noite, excelente momento musical com os nossos visitantes, ao violão de Daniel Domingues, no Zaza's. Muitas vozes e excelentes melodias.

A manhã da sexta feira foi na encantadora Bica do Ipu e depois subimos para os mirantes da serra, aos parques ecológicos de Guaraciaba do Norte. 

Os passeios não impediram a presença aos atos litúrgicos da Paróquia, encenações da Paixão e a Procissão de Passos e do Senhor Morto. As encenações foram muito bem apresentadas. Pareciam profissionais.

Comentário de uma devota senhora de nossa Paróquia: Os pregadores falam muito, mas ninguém entende nada. Mesmo os que falam português. Só o bispo fala para ser entendido.

Os ecoparques, verdadeiros mirantes da serra, são grandes atrações.  De cada um avistam-se cidades e vilas que estão abaixo, no sertão. Urubu e Parque Tucano estão bem estruturados para receber.

O empresário Engenheiro Francisco Furtado nos recebeu em seu condomínio onde grandes mansões estão sendo construídas, com belas vistas do sertão. É o MIRANTE RANCHO DA SERRA (veja o vídeo)


Nossos visitantes ficaram encantados com nossa cidade, limpa, bem sinalizadas, desenvolvida e com excelentes serviços e alta qualidade no atendimento. Que conservem e aperfeiçoem.

O nosso grupo era composto pelos amigos da DALLAS COMUNICAÇÃO, empresa de publicidade de grande sucesso em Teresina e no Piauí: José Maria, Janete, Thelma e Gabriela, com seu marido Antônio Brandão, Jocélio, Myrtes e eu

Ouvi o depoimento de uma Empresária com investimento na cidade, há 10 anos, ao justificar a sua opção por Guaraciaba do Norte.

Sendo ela de Crateús, surpreendeu-me ao dizer que a nossa terra tem a metade da população de sua terra e o dobro do PIB. E está satisfeita.

As estradas? 90% muito boas. Mas nas proximidades de Reriutaba, depois da descida da serra e depois do açude Araras, a caminho de Santa Quitéria há muitos buracos.

Mas, no geral, foi excelente viagem. As atrações da Ibiapaba são convincentes. O tempo foi pouco para vermos ou revermos a Gruta, as Floriculturas, o Santuário de São Benedito e o Mosteiro de Guaraciaba do Norte. Para o próximo passeio.


MEMÓRIAS DA DITADURA

“ASILO CONTRA LA OPRESIÓN”

João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- E os dólares?

Ao ouvirmos esta pergunta do guarda da fronteira depois de lhe respondermos que pretendíamos permanecer três dias no Chile, Ruth e eu nos olhamos sem nada entender, como se nos perguntássemos: dólares? Que dólares?

Percebendo, talvez, nossa cara de espanto, ele logo explicou que, para entrar no Chile, cada turista precisava apresentar uma quantidade de dólares correspondente ao total de dias que ficaria no país, tendo como base um determinado valor diário, que não lembro de quanto. Ignorávamos isso e não tínhamos um dólar sequer. Solução? Pedirmos ajuda àquela brasileira antipática que embarcara no ônibus conosco em Buenos Aires e que se encontrava um pouco atrás na fila. Ela nos emprestou os dólares e a Ruth, praticamente, forçou que ela aceitasse seu relógio como garantia. Atravessada a fronteira e nos sentindo seguros no país que tem no seu hino nacional a frase “asilo contra la opresión”, abrimos mutuamente o jogo: Ruth e eu revelamos que estávamos vindo ao Chile para pedir asilo e ela que vinha visitar o noivo asilado. Devolução de dólares e relógio, seguida de risos, contações de histórias e alívio geral.

Nossa companheira de viagem nada tinha de antipática. Sua atitude reservada no percurso argentino traduzia a cautela de quem estava consciente dos riscos que corríamos naquele país que ainda tinha em Alejandro Lanusse o general de plantão da ditadura que se iniciara ali em 1966, dois anos depois do mau exemplo dado pelo Brasil. Na realidade, naquele momento, o Chile era um dos poucos países sul-americanos onde um governo democrático não havia sido substituído por uma ditadura através de golpe militar.

Não houve problema de segurança durante toda a viagem. Havíamos decidido comprar nossas passagens do Rio para Buenos Aires e, chegando na capital argentina, fazer a aquisição do trecho para Santiago. Ao embarcarmos na rodoviária Novo Rio, às vésperas do carnaval de 1973, queríamos dar a impressão de que éramos um casal de namorados indo passar uns dias na capital portenha. Nada de especialmente suspeito, portanto, pois tratava-se de um deslocamento corriqueiro entre dois regimes ditatoriais.

Logo que o ônibus deu partida, Ruth puxou uma conversa sobre nossos sentimentos quanto àquela viagem. Foram muitos, mas três ficaram gravados: alívio, saudade e esperança. Alívio, pela diminuição das tensões que vivêramos nos últimos meses, embora tivéssemos preocupação com o momento da saída do Brasil e com a travessia da Argentina; saudade dos familiares e amigos que, secretamente e correndo riscos, tinham nos dado apoio e aconchego em Alcântara, Vila da Penha, Senador Camará e Umuarama. Quanto à esperança, ela era principalmente a de voltarmos a viver em uma democracia, provisoriamente no Chile e definitivamente no Brasil.

Ficamos surpresos com a emoção que sentimos ao atravessarmos a sisuda cidade de São Paulo, onde tínhamos morado por algum tempo. Parafraseando o compositor Cândido das Neves, em sua canção Lágrimas, sentíamos o que não sabíamos dizer. Quando mais adiante, passamos por um trecho do Vale do Ribeira, o passado nos trouxe muitas lembranças e o presente nos cutucou com apreensivas interrogações.

Na passagem da cidade brasileira de Uruguaiana para a de Passo de los Libres, na Argentina, foi de grande tensão o tempo decorrido entre o momento em que o motorista recolheu os documentos dos passageiros, até voltar do posto de fronteira dizendo que estava tudo em ordem. Embora contida, era grande nossa alegria ao recebermos de volta nossos documentos...falsos. Enquanto atravessávamos a cidade argentina fronteiriça, a Ruth ia sussurrando no meu ouvido: livres, no Passo de los Libres, livres, no Passo de los Libres, livres, no Passo de los Libres.

O trajeto até Buenos Aires não apresentou qualquer incidente. Dalí, rumo à fronteira do Chile, na província de Mendoza, nos encantamos com a beleza da região, que aumentava à medida que nos aproximávamos da majestosa Cordilheira do Andes. Isso diminuía nossas preocupações com mais um controle de documentos. Transposta a fronteira do Chile, mais confiantes, passamos a interagir com companheiros de viagem. Coincidência das coincidências, conheci, então, um chileno chamado Juan e, também como eu, quintanista de medicina, que estudava em Buenos Aires e estava indo passar uns dias de férias em Santiago.

Chegando em Santiago, pedimos ao Juan uma sugestão de hotel barato e ele se dispôs a nos levar até uma pousada que ele conhecia. Embarcamos juntos em um táxi e fomos com ele até lá. Enquanto pegávamos nossas malas, Juan foi à recepção, voltando em seguida e nos dizendo que nossa vaga estava assegurada. Nos desejou boa sorte e despediu-se com um abraço afetuoso. No procedimento de registro, ao perguntarmos pelo preço da tarifa, o recepcionista nos respondeu que nossa diária já tinha sido paga por aquele rapaz que viera conosco. Este foi o primeiro gesto de solidariedade que recebemos de um chileno, mas estava longe de ser o último.

Quando nos preparávamos para subir a escada de acesso ao nosso alojamento, dois homens que estavam ao nosso lado na recepção, começaram a gritar um com outro e, em seguida, a se esmurrar. Atingido por um soco no rosto, um deles literalmente desabou no chão. Enquanto o recepcionista dizia que ia chamar a polícia, Ruth e eu, “gatos escaldados”, pegamos nossas malas e saímos de fininho para o nosso quarto.

Depois de uma noite de sono reparador, amanhecemos cheios de energia e boas expectativas. Com informações pedidas ao recepcionista, nos dirigimos às 11 horas para o restaurante da Universidade Federal do Chile com o plano de procurar estudantes brasileiros que pudessem nos orientar sobre pedido de asilo, pois não tínhamos qualquer contato naquele país. Nos postamos na entrada principal do restaurante e não demorou muito para que entrassem dois rapazes falando português. Nos apresentamos a eles, explicando que tínhamos chegado no dia anterior em busca de refúgio; eles nos deram o endereço de uma associação de brasileiros que havia sido criada para dar apoio a pessoas em nossa situação. Fomos, imediatamente, procurá-la. Ao chegarmos lá, a moça que trabalhava como atendente nos perguntou se podíamos indicar o nome de alguém que desse referências sobre nós, coisa que nos pareceu razoável para prevenir infiltrações de agentes da ditadura. Dissemos que, no período da nossa clandestinidade no sudeste do Brasil, tínhamos ouvido falar que um casal de conterrâneos do Ceará teria vindo para o Chile e demos os nomes da Ângela e do Paulo Lincoln. “São meus vizinhos”, disse ela, levantando-se e, deixando de lado a atitude reservada do início da conversa, nos deu um abraço, completando: “peguem suas coisas e venham encontrar-se comigo às 17 horas, quando termina meu expediente, que levo vocês à casa deles”.

Antes da hora marcada estávamos lá; pouco tempo depois, pegamos um pequeno ônibus, completamente lotado, que os chilenos chamavam carinhosamente de Guagua (bebê em português) e, felizes, fomos sacolejando nele até o bairro Macul, onde moravam muitos refugiados brasileiros. Era comecinho da noite quando chegamos à casa da Ângela e do Paulo Lincoln. A surpresa deles, os abraços apertados, a solidariedade sem barreiras e a hospitalidade cearense transformaram em festa aquele reencontro de amigos.

A leveza proporcionada pela sensação de liberdade, as primeiras impressões sobre o Chile e as providências para nos integrarmos à nova vida, no entanto, ficam para uma outra historieta.

                                                                                           (*) JOÃO DE PAULA MONTEIRO FERREIRA, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial,                                                       grande liderança estudantil nos anos da ditadura.

  Desculpem o atraso desta publicação, mas precisávamos compartilhar o passeio pela Ibiapaba!











 

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