GOLPISTAS PRETENDIAM “MATAR MEIO MUNDO”
As últimas
publicações da Policia Federal revelam que a intenção era matar meio mundo.
São revelações do Agente da Policia Federal Wladimir Matos Soares, de uma tal “equipe
de operações especiais”
Diz que só
esperavam a canetada sair para ir ajudar a defender o Palácio e o Presidente. E mais, ele diz que o grupo estava disposto a matar
meio mundo de gente para garantir a permanência do Presidente.
“Os
generais se venderam ao PT no ultimo minuto que a gente ia tomar tudo”. E ainda há os que
defendem tais golpistas, pedindo anistia para os demolidores dos prédios
símbolos da democracia.
Ouvindo as
gravações, percebe-se a grande fome de poder. Eles estavam dispostos a tudo. As
gravações estão no site do ICL e qualquer pessoa poderá ouvir tudo.
Eu fico
triste observando pessoas supostamente inteligentes, apoiando os
golpistas. Muitos que apoiavam o Trump
estão voltando dos Estados Unidos com mãos abanando.
No domingo,
às 17 horas, os ex-Perseguidos Políticos, no Ceará, estarão reunidos para
apoiar e assinar um documento indicando o Dr. Marcelo Uchoa para Presidência da
Comissão Wanda Sidou.
Se for
escolhido e indicado pelo Governador, ficarei muito honrado em ser substituído
por um jovem e competente Professor Universitário e Membro da Comissão Federal
de Anistia.
Finalmente,
depois de tantos anos, a Universidade Federal do Ceará concedeu, mesmo post
mortem o título de graduação a Bergson Gurjão Farias, morto no Araguaia, pela
ditadura de 64.
A solenidade
deveria acontecer na concha Acústica, mas por causa da grande chuva que caiu
sobre Fortaleza, aconteceu na Sala de Reuniões do Conselho Universitário.
O Magnífico
Reitor Custódio Almeida presidiu a solenidade com a presença de seus principais
assessores e com a presença de grande número de contemporâneos do homenageado e
significativa presença de universitários
Bergson foi líder estudantil enquanto estudava química na Universidade
Federal do Ceará (UFC), ocupando a vice-presidência do Diretório Central
do Estudantes (DCE) da universidade.
O ato
significa muito mais um momento de reflexão sobre o que significa uma ditadura.
Muitos outros foram presos e torturados. Outros tinham que viver na
clandestinidade, com outros nomes, para escapar.
Muitos
perseguidos conseguiram fugir e abrigar-se em outros países, sobrevivendo com o
apoio de pessoas que não concordavam com a ditadura.
Semanalmente,
aqui neste espaço, o ex-líder universitário João de Paula Monteiro Ferreira,
hoje Médico e Consultor Empresarial, tem contado fatos vividos nos tempos da
ditadura. É bom lê-los.
No Chile,
por exemplo, onde conseguiram abrigo, com a queda de Allende e a ditadura que
se seguiu, recebiam refeições que vizinhos lhes repassavam pelas brechas entre
a parede e o telhado.
Boas notícias
tenho recebido de Sobral, da F5, a Faculdade de Direito do INTA. Professores
que participaram do encontro conosco estão aplicando, com êxito, o que
exercitaram em nosso encontro.
O que a
Professora Vânia Pontes está fazendo é algo inédito e extraordinário. Ela está
preparando os Professores antes de encaminhá-los às salas de aula. Isto faz uma grande diferença.
Alunos que
percebem os Professores preparados para a docência e os tratando com respeito demonstram
muito mais gosto de retornar diariamente à Faculdade.
Os
professores estão descobrindo que, na cidade há outros locais que são fontes de
aprendizagem. Um professor levou seus alunos à Agencia Municipal de Meio
Ambiente – AMA, de Sobral. Um sucesso. (Confira o Vídeo – Visita dos alunos...)
São muitos
os modelos de professores que, sem preparo, vão para as salas de aula. Uns só
fazem ler os livros. Outros só sabem escrever no quadro para os alunos
copiarem. Outros, arrogantes. E por aí vai...
O Papa Leão
XIV surpreende, positivamente, a cada dia. Há uma satisfação geral. Seria muito
bom que seus comportamentos servissem de exemplo para muitos padres e bispos.
Recomendo
que vejam, no NETFLIX, o filme sobre o livro UM HOMEM DE PALAVRA, relacionado
ao Papa Francisco. Nele se toma conhecimento das brilhantes ideias do Papa.
Coincidência?
Em 2015, escrevi um livro sobre o empresário Vicente Emídio da Silveira,
nascido no distrito de Serrota, em Senador Sá, com o título: UM HOMEM DE
PALAVRA, publicado em 2015
À época,
quando o escrevi, ouvi vários empresários que muito elogiavam o personagem
principal do livro e todos destacavam o cumprimento de seus compromissos. Daí
um título.
É incrível
a posição da grande imprensa nacional em relação às conquistas do Governo na
viagem à China. É silencio total ou ênfase em pequenos detalhes insignificantes
e até ridículos. Torcem contra o país?
Os
comentaristas se acham donos do conhecimento. Só eles sabem. Só eles têm ideias
para a economia, para a política, para tudo. E seus candidatos nas eleições.
O ICL,
veiculo mais acreditado no país, está com uma serie de documentários sobre o
milionário pastor Silas Malafaia, aquele que já esteve ao lado de todos os
Presidentes.
Com os
boletos dos “fieis” possui jatinho de luxo e carro de quatrocentos mil, para os
seus passeios. Faz verdadeiras extorsões em nome da fé. Distribui envelopes com
a quantia pré estabelecida a ser entregue.
O meu amigo
Silveiro Oliveira, com quem tive o privilégio de trabalhar, na Secretaria de
Educação de Croatá, organizou, com seus próprios recursos, um Museu com
riquezas culturais do município. Será assunto de nossa próxima coluna.
MEMÓRIAS
DA DITADURA
NÃO
NASCEMOS RACISTAS
-
Porque quero ficar da cor bonita do meu amigo.
Foi
o que respondeu aquele alemãozinho de um seis para sete anos de idade, que
tomava sol, deitado na calçada da vila onde havíamos sido alojados na véspera,
ao ser perguntado pela nossa intérprete, a nosso pedido, porque estava fazendo
aquilo.
A
opinião daquela criança nos surpreendeu, nos encantou e nos colocou muitas
interrogações. Qual era seu significado para os habitantes daquele lugar? Qual
o seu alcance? Representaria uma mudança na posição dos alemães que foram tão
afetados pela questão racial, algumas décadas antes? Ou era apenas uma daquelas
manifestações da pureza infantil que os adultos não demoram a erradicar? Não
tivemos respostas para tais interrogações naquele momento.
Aliás,
estávamos cheios de perguntas sobre nossa vida e sobre aquele país onde, por
circunstâncias imprevisíveis, iríamos passar um período relevante da nossa
juventude. O que era mesmo aquela
Alemanha? Quanto tempo viveríamos ali? O que poderíamos esperar da vida naquela
nova realidade?
Tínhamos
muitas interrogações, mas nenhuma dúvida sobre nossa opção pela oferta de
acolhimento da RFA- República Federal Alemanha, que nos deu integral apoio a
partir do momento daquela decisão. A sua embaixada no Chile nos entregou
passaportes especiais de refugiados e nos deu proteção desde a saída do Refúgio
de Padre Hurtado até nosso embarque seguro no avião que nos retirou do
Chile.
Ao
desembarcarmos em Bruxelas, naquele dia 9 de janeiro de 1974, já no aeroporto
nos defrontamos com uma realidade bem diferente daquela em que vivêramos. A
começar pela tecnologia. Fingers, máquinas de enxugar mãos, dispositivos
automáticos de venda de camisinhas, refrigerantes e cigarros, por exemplo, eram
coisas que ainda não tinham chegado aqui. A globalização ainda era lenta àquela
época.
Em
Bruxelas, fizemos conexão com um voo (pilotado por uma loura alta e muito
simpática que não soubemos se era belga ou alemã) para Colônia, cidade da
Alemanha situada no Vale do Reno. Ali nos aguardava um carro que nos levou para
Unna-Massen, local de triagem para refugiados, no qual passamos quatro dias. Em
seguida, viajamos para Bövinghausen, bairro periférico da cidade de Dortmund,
onde fomos alojados em uma vila que abrigava refugiados do leste europeu, mas
que fora aberta provisoriamente aos perseguidos pela ditadura de Pinochet.
Ocupamos o pavimento térreo de um sobradinho de dois andares, com três cômodos,
todo mobiliado, simples, mas bastante confortável.
Bövinghausen
era um lugar seguro, calmo e agradável. Passamos a frequentar ali um curso
básico de alemão. Nas horas livres, fazíamos caminhadas em um campo que se
situava atrás da vila e praticávamos natação em uma piscina aquecida de um
ginásio fechado, próximo à nossa casa.
Recebemos
muitas manifestações de atenção e solidariedade por parte de vários segmentos
da sociedade local, que nos ajudava na nossa inserção em seu cotidiano e nos
convidava para seus festejos. Foi aí que tivemos a primeira participação em um
carnaval alemão. Isto se deu em um baile carnavalesco de um clube local. A
festa começou com os casais dançando ...valsas, mas tornou-se mais animada
quando a orquestra, regida por um maestro com batuta e tudo, passou a tocar
ritmos parecidos com rancheiras e mazurcas. Usando nosso inglês-de-colégio,
perguntamos ao maestro se ele poderia tocar músicas brasileiras e fomos logo
brindados com o repertório que ele possuía: caímos na dança ao som do Tico-Tico
no Fubá, da Aquarela do Brasil e da Banda, acompanhados de muitos entusiasmados
alemães.
Depois
de quase três meses em Bövighausen, fomos transferidos para a cidade de Bochum,
pois aceitáramos um convite da sua universidade para fazermos um curso de
alemão de duração de um ano, essencial para aprovarmos um exame de
proficiência, requerido para que continuássemos com os nossos estudos
superiores.
Ao
chegarmos em Bochum, já encontramos uma colônia de chilenos e de outros
refugiados latino-americanos. mas com poucos brasileiros. Logo fizemos bom
relacionamento com esta comunidade e passamos a integrar a sua rede de apoios
mútuos.
A
propósito da convivência com os latino-americanos, lembro-me de uma ocasião em
que, ao aproximar-me do Nelson, um salvadorenho baixinho e muito engraçado, que
estava debruçado na sacada do prédio onde funcionava o nosso curso de alemão,
olhando para uma obra de construção civil lá embaixo, ele virou-se para mim,
dizendo: “acho ótimo ficar aqui observando estes lourões carregando sacos de
cimento na cabeça, pois na minha terra só quem faz isso são os crioulos como
eu”. E deu uma risada.
O
curso de alemão oferecido pela universidade de Bochum reunia pessoas de
praticamente todos os continentes. Ali havia alunos do norte da África, do
Oriente Médio, da Ásia, da América Latina e de quase toda a Europa. Aquela
convivência propiciava um intercâmbio cultural muito rico, que nos tornava
conscientes de sermos habitantes de um planeta com grande diversidade humana, o
que contribuía para nos sentirmos diferentes e complementares.
Fizemos
boas amizades com os colegas. Duas polonesas que tinham parentes vivendo no
Paraná, tinham muito interesse no Brasil e me contaram muitas coisas sobre a
Polônia, tida a época como um país socialista. Os relatos delas
impressionaram-me muito, pois davam conta da falta de liberdade e da
ingerência da União soviética nas políticas do país.
Importante
solidariedade recebemos também de portugueses e de espanhóis que trabalhavam na
indústria automobilística na região do Ruhr, entorno da cidade universitária
que era Bochum. Entre estas pessoas havia também refugiados políticos, pois em
Portugal e na Espanha ainda sobreviviam regimes fascistas surgidos antes da
Segunda Guerra Mundial. Eles sentiam-se identificados conosco pelas semelhanças
culturais e pelo fato de virmos de países dominados por ditaduras militares,
com teor fascista. Participávamos de suas atividades de luta pela democracia na
península ibérica e das comemorações das festas nacionais de seus países.
Ruth
e eu tivemos grande ajuda do casal Gertrudes e Michael, que fazia parte de uma
rede de cidadãos criada para dar apoio aos refugiados vindos do Chile. Gertrud
era uma secretária bilingue e Michael um alto executivo de empresas. Recebemos
deles excelentes orientações sobre a região do Ruhr que eles conheciam muito
bem; agiam como se fossem nossos cicerones em passeios a lugares muito bonitos
e pacientemente nos contavam sua história e esclareciam fatos daqueles
momentos. Na montagem da nossa residência em Bochum, a Gertrudes ajudou muito a
Ruth na decoração, enquanto o Michael trabalhava comigo na instalação dos
móveis. Estávamos fazendo este serviço e ele constatou que as buchas que
trouxera para fixação de parafusos nas paredes não seriam suficientes, ficando
constrangido por termos que interromper as atividades até o sábado seguinte,
quando teria novamente folga; sugeri, então colocarmos palitos de fósforo nos
buracos e quando ele viu que os parafusos ficaram bem firmes, quase pirou de
admiração. Para ele, acostumado com o planejamento eficaz, era difícil imaginar
a capacidade brasileira de improvisação no uso de colas, cordões, arames e
outros recursos do tipo para fazer gambiarras capazes de substituir vários
arranjos tecnológicos.
Muito
relevante também foi o desprendimento e a ajuda que a Ruth e eu recebemos do
Gerardo Alcoforado, um cearense do Crato, filólogo especializado em alemão,
muito respeitado no mundo acadêmico pelos seus profundos conhecimentos e muito
querido por estudantes, funcionários e professores da universidade pelo seu
modo aberto de ser. O Gegê, como era carinhosamente chamado, nunca quis receber
nada pelo serviço que nos prestou de tradução dos nossos documentos para o
alemão. Ele tornou-se um grande amigo nosso.
E
por falar em cearense, tivemos também na Alemanha um porto seguro, como
tivéramos no Chile, do casal Ângela-Paulo Lincoln. De Colônia, onde já estavam
relativamente bem instalados, eles nos orientavam sobre os passos iniciais a
serem dados, por meio de telefonemas e por carta (um antigo instrumento de
comunicação) e batalhavam para conseguir nossa transferência para lá, onde as
oportunidades eram melhores do que as de Bochum, onde tivemos a alegria de
recebê-los, junto com a Daniela, algumas vezes.
Em
Bövinghausen eram recebidos principalmente refugiados do leste europeu, fugidos
de regimes socialistas, em Bochum eram mais os perseguidos por ditaduras de
extrema direita. Deste modo, a República Federal da Alemanha abrigava pessoas
de políticas e ideologias opostas. A própria nação alemã estava dividida em
dois países, a parte leste sob influência soviética e a parte oeste, sob
influência ocidental, com relações tensas entre elas, agravadas pelas disputas
da Guerra Fria, travada entre os Estados Unidos e a União Soviética. A
democracia na RFA, retomada após o término da Segunda Guerra Mundial, tinha
muitos desafios pela frente por conta de sua complexa situação nacional e pela
necessidade de superar o passado nazista.
As
atividades dos brasileiros de denúncia dos crimes da ditadura militar, o exame
de alemão, o recomeço de nossos cursos e nossa mudança para Colônia, ficam para
uma próxima historieta.
dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico, consultor Empresarial, importante liderança universitária, à época da ditadura de 64
Maranguape, 12.05.25

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