sábado, 24 de maio de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A caridade evangélica: estrada principal para caminhar

Nesta sequência de Comentários semanais que estou fazendo sobre a eleição do Cardeal Prevost, tornando-se Leão XIV, tenho dito que Sua Santidade, antes de ser um continuador do Papa Francisco é sucessor de Pedro e tem em Leão XIII, sua maior inspiração para comandar a Igreja neste momento da história. É que, Leão XIII, há 154 anos escreveu a 1ª Encíclica que dava início à Doutrina Social da Igreja, intitulando-a de Rerum Novarum, que ‘defendia os princípios morais da dignidade e inviolabilidade da pessoa, bem como suas questões operárias e seus direitos de trabalhadores’.

 Acrescentei em meu comentário que, para Prevost escolher chamar-se Francisco II, ou João XXIV, como se chegou a sugerir, não teria efeito igual ao escolhido pelo novo Papa, em sua homenagem a Leão XIII, que dera o chute inicial à Doutrina Social da Igreja, seguida dali pra frente pelos demais Papas.

Chegou o momento de Leão XIV dar um salto de qualidade: ele não só entendeu que as coisas novas já passaram, como se aperfeiçoaram: elas agora são digitais. Estão “nas pontas dos dedos”. Um “click” faz a diferença. A Igreja é chamada a responder a outra revolução industrial: ao desenvolvimento da inteligência artificial, que traz novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho.

 Em conversa com os Cardeais que participaram do Conclave, explicou-lhes o porquê de sua escolha de “assumir o nome de Leão XIV: porque Leão XIII indicara o caminho da Doutrina Social da Igreja a ser percorrido, mesmo nesta era dominada por desequilíbrios econômicos e novos desafios”.

 Atualmente, como naquela época do final do século XIX, o mundo do trabalho é um dos pilares que sustentam o tecido social. Relendo a Encíclica do Papa Pecci, isto é, Leão XIII, focada nas condições das massas operárias e situando essas reflexões no contexto atual, podemos projetar uma espécie de Rerum digitalium: uma releitura das “coisas digitais”, seguindo o caminho traçado por Leão XIII à luz das profundas mudanças trazidas pelas novas tecnologias, de tal modo que a Rerum Novarum é uma mensagem cristã que encontra a modernidade e transmite um recado a homens e mulheres de hoje.

 Apesar de parecer tanto tempo, a Encíclica de Leão XIII transcende as décadas e o limiar do terceiro milênio. Temos que buscar o que o cristianismo nos está garantindo: a vida eterna. Temos de empreender todos os esforços para alcançar a verdadeira vida do homem: a vida eterna. Aquela que lhe será garantida no Mundo Vindouro. Nós acreditamos nisto?

 O Papa Leão XIII nos deixou em sua Encíclica e o Papa Leão XIV está corroborando e assinando com ele: ‘quer você tenha riquezas e outros bens terrenos em abundancia, ou que não os tenha, isso não importa para a felicidade eterna; mas o bom ou mau uso desses bens, isso é o que mais importa’.

 Enquanto o Papa Leão XIII dizia: “não é justo nem humano exigir do homem tanto trabalho a ponto de sua mente se tornar entorpecida por excesso de fadiga e seu corpo enfraquecer. Como sua natureza, a atividade humana é limitada e circunscrita dentro de limites bem estabelecidos, além dos quais ele não pode ir. O exercício e o uso a aprimoram sob a condição, porém, de que seja suspensa de tempos em tempos para dar lugar ao descanso. O trabalho, portanto, não deve ser prolongado além dos limites das próprias forças”.

O Papa Leão XIV reforça o que diz o seu predecessor e aponta a caridade evangélica como estrada principal para caminhar neste 3º milênio, além da lógica dos algoritmos, imprescindível na sustentação familiar.

 Será que precisamos de mais argumento para justificar a preocupação de Leão XIV, no aprofundamento dessa reflexão que não pode parar? Os Papas que o antecederam – de Leão XIII a Francisco – não deixaram apagar a mecha acesa, inicialmente. Mantiveram-na fumegando, alimentando a chama da Doutrina Social da Igreja. Não estaria na hora do passo de qualidade que Leão XIV está propondo?

 A Igreja não parou de fazer ouvir a sua voz diante das coisas novas, típicas da era moderna, e exorta para que façamos todos os esforços para que se possa afirmar uma civilização autêntica, na busca do desenvolvimento humano, integral e solidário.

 Em 15/05 de1931, o Papa era Pio XI. Nos 40 anos da Rerum Novarum ele escreveu a Encíclica Quadragesimo Anno, comemorando a data, num contexto histórico da crise, chamada de Wall Street, nos EEUU, que abalou o Mundo Industrial. Nesta nova Encíclica, Pio XI definiu a Rerum Novarum como uma “Carta Magna” da ordem social que, no fim do século XIX definira o sistema industrial da época, como dividido em duas classes: ‘uma minoria que gozava de quase todo conforto e uma maioria, composta da imensa multidão de trabalhadores, oprimidos por uma penúria ruinosa”.

 O Papa Pio XI, enquanto citava o início da Doutrina Social da Igreja, abria mais horizontes de reflexão sobre “o imperialismo internacional do dinheiro que tem causado danos à economia, sobretudo à economia popular”.

 A Rerum Novarum tornou-se, como que, o paradigma: era a referencia maior para os Papas continuarem seu processo de ensinamento doutrinário social. No seu 50º Aniversário, o Papa era Pio XII. Em 1941 – num tempo parecido com o nosso, da atualidade, marcado pelas guerras e por rumores de guerra – no Pentecostes, em sua mensagem radiofônica (o Vaticano já tinha os “Mass Media”), Sua Santidade os utilizou para lançar um recado forte ao Mundo, referindo-se à Encíclica Jubilar como “uma fonte que, se hoje pode ser, parcialmente, coberta por uma avalanche de acontecimentos diversos e mais fortes, amanhã, uma vez removidas as ruínas deste furacão mundial, quando começar a obra de reconstrução de uma nova ordem social, implorada como digna de Deus e do homem, infundirá novo impulso vigoroso e uma nova onda de crescimento em todo o florescimento da cultura humana”.

 Pio XII, menos incisivo do que seus predecessores, e até dos Papas, seus posteriores, não deixou passar em branco, sua participação. No entanto, nos 70 anos da Rerum Novarum, o Papa era o Santo João XXIII, e em tão curto tempo de seu Pontificado, convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II e brindou-nos com a Encíclica Mater et Magistra, chamando a atenção em seu texto, para duas palavras-chave: Comunidade e Socialização, em que ele convoca a Igreja para colaborar e construir uma comunhão autêntica. Foi um programa escrito que o Concílio estudou e tirou normas pra vivenciar na Igreja.

João XXIII e sua Mater et Magistra, com o Concílio. Paulo VI e sua voz profética em Octogesima Adveniens. João Paulo II e suas: Laborem Exercens e Centesimus Annus. Bento XVI e Francisco (a 4 mãos) em Caritas in Veritate e as outras Encíclicas de Francisco, poderiam formar um bloco para o “próximo comentário” na conclusão do pensamento proposto por Leão XIV se já não está na hora de refletir sobre a Rerum Digitalium, dada a atualidade de Tema tão controverso e cada vez mais recorrente. Todos os dias, a cada momento, somos instados a responder a alguns curiosos que não estão acompanhando o progresso das ciências e tecnologias. Essa linguagem digital é preocupante!...






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