sexta-feira, 9 de maio de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA


Leão XIV é indício de programa do novo Papa

Nesta quarta-feira, 14 de maio, faz dois meses exatos, que o Papa Francisco foi internado no Hospital Gemelli, convalesceu com bronquite e com problemas de respiração, teve alta hospitalar, indo para a sua hospedaria, na Casa Santa Marta, aparecia na Basílica e Praça de São Pedro para ver e saudar o povo, até a Festa da Páscoa, no Domingo, 27 de abril, falecendo às duas e meia da manhã, hora de Roma, (sete e meia, no Brasil), 2ª feira, dia 28.

            Nestes quase dois meses, a comoção dominou todo o Mundo, mobilizou autoridades de todos os continentes, seus funerais e visitas se estenderam pela Praça e Basílica de São Pedro, pelas ruas de Roma, até a Basílica de Santa Maria Maior, onde foi sepultado, sempre com celebrações de Santas Missas, agora com um tempo necessário pra realização do famoso Conclave de escolha do sucessor.

             Mantive este blog do Leunam, vemserprofessorcomprazer, alimentado de comentários e de notícias sobre os eventos e aguardando o desenrolar das votações com as sucessivas “fumaças pretas e branca” que, visivelmente e com emoção se sucedem na chaminé da Capela Sistina no Vaticano.

            Inúmeros Chefes de Estado, políticos de todas as tendências ideológicas estiveram presentes e até se pronunciaram, nem sempre sabendo distinguir o que significa ser Papa do ser político, a ponto de o Presidente Norte-Americano se apresentar como “papável”, envergando as indumentárias papais. A vaidade ou o seu narcisismo, nada democrata ou republicano o fizeram candidatar-se a uma função, nada compatível com a Missão de chefe da Igreja.

            Nestes dias, antes e durante o Conclave, muitos se angustiaram diante da demora em aparecer a fumaça da chaminé da Capela Sistina. Não entendiam porque tanto mistério, tanto isolamento: nem os Senhores Cardeais se comunicavam com o lado de fora do Vaticano, nem os que estavam fora se contatavam com os de dentro. A gente esquece que a Igreja é de origem Divina e que fora instituída pela força e sabedoria do próprio Espírito Santo, que é invocado, o tempo todo, enquanto dura o Conclave.

            Pelo nosso conhecimento de “eleições” pelo mundo, especialmente, no Brasil, numa eleição corre muito dinheiro, muita mentira, fake news’, falcatruas, compra de votos e outras irregularidades que depõem contra e até anulam as próprias eleições. Dado o mau costume de suas realizações, sempre se põe em dúvida a lisura de seus resultados, mesmo num sistema eleitoral como o nosso, eletronicamente realizado, apurado e, rapidamente, declarado válido. Mesmo assim, há muitas suspeitas de enganação, roubos e contagens falhas.

            Daí, a pergunta: qual a diferença entre as eleições de “políticos” para governarem instituições públicas, e a eleição de um Papa para dirigir a Igreja? A resposta me parece muito simples, porém cheia de controvérsias. Pensa-se que tais “eleições” são iguais. No entanto, se realizam por caminhos diferentes.

            As eleições de políticos acontecem no âmbito de interesses materiais, de favoritismos pessoais, na condição do “é dando que se recebe”, com pagamento à vista. A eleição de um Papa acontece no âmbito da fé, na presença do Espírito Santo, da oração, com garantia de prêmio, a prazo, no final da obra feita, na consecução da vida eterna. Há uma grande diferença, portanto: na ‘função pública, materialmente, a promessa de retorno é pra já. Na Missão da Igreja, a promessa do retorno é só na vida eterna; são duas áreas, inteiramente diferenciadas’. Aqui estamos na torcida, aguardando a “fumaça branca” saída daquela chaminé, que não é desejo só de homens. Eles têm a luz do Espírito.

            Assim nossa fé nos garante. Esse ritual que estamos presenciando, uma vez mais, acontecendo, faz cerca de oitocentos anos, desde o Papa Gregório X, em 1274. Ele instituiu a base dos atuais Conclaves, através da Constituição Apostólica Ubi periculum. Isto se deveu à sucessão do Papa Clemente IV, que demorara demais. Para prevenir de que as escolhas dos Sumos Pontífices não se prolongassem tanto (03 anos) o Papa quis amenizar tal perigo, assinando uma Constituição normativa para que tais reuniões fossem mais conclusivas.

            Foi nessa expectativa que nos ligamos à Capela Sistina no Estado Cidade do Vaticano, onde estavam trancados a chave, em Conclave, 133 Cardeais de toda a Igreja, espalhados pelo mundo nos mais variados costumes, culturas e línguas que - em quatro escrutínios: três de fumaça preta e uma de branca - fizeram urgir a alegria geral: “Habemus Papam”.

            Com este anuncio, o protodiácono Cardial Angelo Mamberti indicou a eleição do 267º sucessor de Pedro, na pessoa do Cardial Norte Americano, Robert Prevost, que escolheu ser chamado de Papa Leão XIV

A despeito de sua origem americana (nasceu em Chicago a 14/09/1955) não podemos ter nenhum preconceito com ele: como Frade da Ordem Agostiniana dedicou grande parte de sua ação missionária, à América Latina, especificamente, no Peru, conseguindo a cidadania Latino-americana que se somava à Americana de origem. Era chamado de “Cardial de duas nacionalidades” e, de certo modo, desconhecido no cenário global. Isso já o torna mais apto a ser o chefe da Igreja, pois fala fluentemente: inglês, espanhol, italiano, português e francês.

            Além de poliglota é graduado em Matemática na Universidade Villanova, de Pensilvânia (EEUU). É especialista em Direito Canônico na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, em Roma (entre 1982 e 1985) mesma época em que eu voltava àquela Universidade para especializar-me em Comunicação Social. Ele é um grande aficionado esportivo de modo especial pelo Tênis. Sua vocação sacerdotal nasceu em casa, pois seu pai era catequista, que o estimulou a ser “coroinha”, ao mesmo tempo em que frequentava uma escola paroquial. Será que o pequeno coroinha, estudante da escola paroquial iria imaginar que um dia assumiria o posto de Sumo Pontífice da Igreja Católica?

            Será que eu, 15 anos mais velho que ele, encontrando-o naqueles corredores, salas de aula, biblioteca, auditórios não me aproximaria dele, pensando que ele um dia, seria o chefe da minha Igreja, como seu 267º Papa?

            Nestes três últimos dias, enquanto concluía este texto para enviar ao meu colega e companheiro Leunam, de inúmeros anos de caminhada, algumas pessoas me questionavam sobre o nome do novo Papa: Porque Leão XIV? Não é um nome diferente? Porque Leão? Tenho respondido aquilo que, de fato, penso na orientação que o novo nome dá, ou o significado que tem, para a Missão do Papa, o sentido, a mensagem que o nome quer passar. Por exemplo: será que o nome de Francisco não nos levou mais a São Francisco?

            O último Papa, chamado Leão, foi de número XIII. E quem foi Leão XIII? Aquele que deu início à Doutrina Social da Igreja, em 1891, com a Encíclica Rerum Novarum = Das coisas novas. E que coisas novas eram estas? Era a Igreja oficial, falando das injustiças e desigualdades da Revolução Industrial. Não seria isto um programa concreto a ser abordado?

            A escolha do nome Leão XIV é um indício de programa do novo Papa, à imitação do seu predecessor, há mais de 130 anos atrás. Não é fantástico? Este tema poderá ser aprofundado, é claro. Voltaremos a ele.





 

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