Leão XIV é indício de programa do novo Papa
Nesta quarta-feira, 14 de maio,
faz dois meses exatos, que o Papa Francisco foi internado no Hospital Gemelli,
convalesceu com bronquite e com problemas de respiração, teve alta hospitalar,
indo para a sua hospedaria, na Casa Santa Marta, aparecia na Basílica e Praça
de São Pedro para ver e saudar o povo, até a Festa da Páscoa, no Domingo, 27 de
abril, falecendo às duas e meia da manhã, hora de Roma, (sete e meia, no
Brasil), 2ª feira, dia 28.
Nestes
quase dois meses, a comoção dominou todo o Mundo, mobilizou autoridades de
todos os continentes, seus funerais e visitas se estenderam pela Praça e
Basílica de São Pedro, pelas ruas de Roma, até a Basílica de Santa Maria Maior,
onde foi sepultado, sempre com celebrações de Santas Missas, agora com um tempo
necessário pra realização do famoso Conclave de escolha do sucessor.
Mantive este blog do Leunam, vemserprofessorcomprazer, alimentado de comentários e de notícias sobre os eventos e aguardando o desenrolar das votações com as sucessivas “fumaças pretas e branca” que, visivelmente e com emoção se sucedem na chaminé da Capela Sistina no Vaticano.
Inúmeros
Chefes de Estado, políticos de todas as tendências ideológicas estiveram
presentes e até se pronunciaram, nem sempre sabendo distinguir o que significa ser Papa do ser político, a ponto de o Presidente Norte-Americano se
apresentar como “papável”, envergando as indumentárias papais. A vaidade
ou o seu narcisismo, nada democrata ou republicano o fizeram candidatar-se a
uma função, nada compatível com a Missão de chefe da Igreja.
Nestes
dias, antes e durante o Conclave, muitos se angustiaram diante da demora em
aparecer a fumaça da chaminé da Capela Sistina. Não entendiam porque tanto
mistério, tanto isolamento: nem os Senhores Cardeais se comunicavam com o lado
de fora do Vaticano, nem os que estavam fora se contatavam com os de dentro. A
gente esquece que a Igreja é de origem Divina e que fora instituída pela força
e sabedoria do próprio Espírito Santo, que é invocado, o tempo todo, enquanto
dura o Conclave.
Pelo
nosso conhecimento de “eleições” pelo mundo, especialmente, no Brasil, numa
eleição corre muito dinheiro, muita mentira, ‘fake news’, falcatruas, compra de votos e outras
irregularidades que depõem contra e até anulam as próprias eleições. Dado o mau
costume de suas realizações, sempre se põe em dúvida a lisura de seus
resultados, mesmo num sistema eleitoral como o nosso, eletronicamente
realizado, apurado e, rapidamente, declarado válido. Mesmo assim, há muitas
suspeitas de enganação, roubos e contagens falhas.
Daí,
a pergunta: qual a diferença entre as eleições de “políticos” para
governarem instituições públicas, e a eleição de um Papa para dirigir a Igreja?
A resposta me parece muito simples, porém cheia de controvérsias. Pensa-se que
tais “eleições” são iguais. No entanto, se realizam por caminhos diferentes.
As
eleições de políticos acontecem no âmbito
de interesses materiais, de favoritismos pessoais, na condição do “é dando que se recebe”, com pagamento
à vista. A eleição de um Papa acontece no âmbito
da fé, na presença do Espírito Santo, da oração, com garantia de prêmio, a
prazo, no final da obra feita, na consecução da vida eterna. Há uma grande
diferença, portanto: na ‘função pública,
materialmente, a promessa de retorno é pra já. Na Missão da Igreja, a promessa
do retorno é só na vida eterna; são duas áreas, inteiramente diferenciadas’.
Aqui estamos na torcida, aguardando a “fumaça branca” saída daquela chaminé,
que não é desejo só de homens. Eles têm a luz do Espírito.
Assim
nossa fé nos garante. Esse ritual que estamos presenciando, uma vez mais,
acontecendo, faz cerca de oitocentos anos, desde o Papa Gregório X, em 1274.
Ele instituiu a base dos atuais Conclaves, através da Constituição Apostólica Ubi
periculum. Isto se deveu à sucessão do Papa Clemente IV, que
demorara demais. Para prevenir de que as escolhas dos Sumos Pontífices não se
prolongassem tanto (03 anos) o Papa quis amenizar tal perigo, assinando uma
Constituição normativa para que tais reuniões fossem mais conclusivas.
Foi
nessa expectativa que nos ligamos à Capela Sistina no Estado Cidade do
Vaticano, onde estavam trancados a chave, em Conclave, 133 Cardeais de toda a Igreja, espalhados pelo mundo
nos mais variados costumes, culturas e línguas que - em quatro escrutínios: três
de fumaça preta e uma de branca - fizeram urgir a alegria geral: “Habemus Papam”.
Com
este anuncio, o protodiácono Cardial Angelo Mamberti indicou a eleição
do 267º sucessor de Pedro, na pessoa do Cardial Norte Americano, Robert
Prevost, que escolheu ser chamado de Papa Leão XIV.
A despeito de sua origem americana (nasceu em
Chicago a 14/09/1955) não podemos ter nenhum preconceito com ele: como Frade da
Ordem Agostiniana dedicou grande parte de sua ação missionária, à América
Latina, especificamente, no Peru, conseguindo a cidadania Latino-americana que
se somava à Americana de origem. Era chamado de “Cardial de duas
nacionalidades” e, de certo modo, desconhecido no cenário global. Isso já o
torna mais apto a ser o chefe da Igreja, pois fala fluentemente: inglês,
espanhol, italiano, português e francês.
Além
de poliglota é graduado em Matemática na Universidade Villanova, de Pensilvânia
(EEUU). É especialista em Direito Canônico na Pontifícia Universidade São
Tomás de Aquino, em Roma (entre 1982 e 1985) mesma época em que eu voltava
àquela Universidade para especializar-me em Comunicação Social. Ele é um grande
aficionado esportivo de modo especial pelo Tênis. Sua vocação sacerdotal nasceu
em casa, pois seu pai era catequista, que o estimulou a ser “coroinha”, ao
mesmo tempo em que frequentava uma escola paroquial. Será que o pequeno
coroinha, estudante da escola paroquial iria imaginar que um dia assumiria o
posto de Sumo Pontífice da Igreja Católica?
Será
que eu, 15 anos mais velho que ele, encontrando-o naqueles corredores, salas de
aula, biblioteca, auditórios não me aproximaria dele, pensando que ele um dia,
seria o chefe da minha Igreja, como seu 267º Papa?
Nestes
três últimos dias, enquanto concluía este texto para enviar ao meu colega e
companheiro Leunam, de inúmeros anos de caminhada, algumas pessoas me
questionavam sobre o nome do novo Papa: Porque Leão XIV? Não é um nome
diferente? Porque Leão? Tenho respondido aquilo que, de fato, penso na
orientação que o novo nome dá, ou o significado que tem, para a Missão do Papa,
o sentido, a mensagem que o nome quer passar. Por exemplo: será que o nome de
Francisco não nos levou mais a São Francisco?
O
último Papa, chamado Leão, foi de número XIII. E quem foi Leão XIII? Aquele que
deu início à Doutrina Social da Igreja, em 1891, com a Encíclica Rerum
Novarum = Das coisas novas. E que coisas novas eram estas? Era a
Igreja oficial, falando das injustiças e desigualdades da Revolução Industrial.
Não seria isto um programa concreto a ser abordado?
A
escolha do nome Leão XIV é um indício de programa do
novo Papa, à imitação do seu predecessor, há mais de 130 anos atrás. Não é
fantástico? Este tema poderá ser aprofundado, é claro. Voltaremos a ele.
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