sábado, 3 de maio de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

CROATÁ: 37 ANOS DE EMANCIPAÇÃO

EDIÇÃO DE 03 DE MAIO

Hoje está de parabéns o município de Croatá, na Serra da Ibiapaba. Tive a oportunidade de ser o primeiro Secretário de Educação, onde realizamos muitas ações diferenciadas.

Foi o primeiro município a pagar salário mínimo a Professores; foi o primeiro a criar a sua própria Secretaria de Educação; também foi o primeiro a realizar Concurso Público.

 Em 1989, o salário dos professores equivalia a dez por cento do Salário mínimo vigente. Foi também o primeiro a realizar um Seminário para ouvir a opinião da comunidade.

 Foi também o primeiro município a realizar capacitação dos Professores recém aprovados, adotando a filosofia de Paulo Freire.

 Aquelas inciativas deram bons resultados e tornaram Croatá um município diferente.

 A escola criativa gerou uma população criativa. A Orquestra Filarmônica Estrelas da Serra é um exemplo extraordinário. Dela, já saíram brilhantes profissionais.

               PARABÉNS, CROATÁ NOS SEUS 37 ANOS DE EMANCPAÇÃO.

Tenho insistido no abuso de palavrões por parte de parlamentares da direita e pelos militares porque as gerações passadas usavam de palavrões às escondidas. Eram os nomes feios.

 Lembro que os Senadores e Deputados eram pessoas de alta credibilidade, independente do partido a que pertencessem.

 Agora boa parte não se faz respeitar porque também não respeitam os outros e até mulheres são tratadas com palavrões.

 Certos palavrões são tão ou mais ofensivos do que fez o Deputado Glauber, expulsando um provocador que atingiu a sua mãe, enferma.  Os palavrões dos parlamentares envergonham o país.

 É bom que os eleitores estejam atentos a isto para não perderem mais os seus votos, escolhendo políticos desqualificados que querem afirmar-se pelas agressões e palavrões.

 Não se sabe de nenhum desses maus parlamentares que tenham apresentado um Projeto relevante. Exibem-se com palavrões ou artifícios que os façam aparecer.

 A postura do eleitor de votar em qualquer um é irresponsável. É preciso analisar as propostas dos candidatos. Normalmente, os progressistas tem ideias e projetos.

 Os deputados dos palavrões demonstram não ter recebido orientações em seus lares. Foram criados sem as mínimas orientações de civilidade.  Podem observar.

 No dia 1 de maio o Instituto Poliglota prestou homenagens a várias pessoas que lutaram pela redemocratização do país. A iniciativa vai-se repetir em outros momentos.

 O evento tem participação e apoio da Comissão Especial Wanda Sidou. O evento ajuda a relembrar o que aconteceu para que jamais se repita.

A plateia no Restaurante Babel, Arte e Gastronomia ouvindo Maria Luiza e celebrando o reconhecimento.

A propósito o Advogado Marcelo Uchoa, Conselheiro da Comissão Federal de Anistia e indicado pela OAB para a Comissão Wanda Sidou, escreveu interessante artigo no jorna O POVO.

 Ele faz uma distinção importante entre a Anistia para os que litaram pela redemocratização do país e a Anistia proposta para os que tentaram destruir os monumentos de Brasília, símbolos da democracia.

 Há muitos professores realizando trabalhos interessantes em suas salas de aula. São iniciativas pessoais que poderiam ser multiplicadas. Outros há que por timidez, não são capazes de ousar.

 Muito triste quando uma Professora vira noticia nacional por uma ação negativa. Um aluno foi obrigado a tomar uma colher de molho de pimenta, como castigo.

 Pior ainda é que ele foi castigado porque uma colega o dedurou, dando uma ideia de que aquela é uma prática comum na sala de aula.

 Ao meio dia de hoje a família estará reunida para celebrar, com um almoço, o aniversário de Wilson Diógenes, casado com a nossa irmão Neiva. 

                                                                                                                                   O casal é pai de Cinthia e Wilson Júnior. Avós de Beatriz, Fernanda e Lucas.

Nesta semana terei dois compromissos em Sobral. À tarde, no Curso de Direito, f5, a convite da Diretora Professora Doutora Vania Pontes.

 À noite, no Curso de Letras da UVA, a convite da Professora Doutora Guida Pontes, num encontro com todos os seus alunos que leram o meu livro PROFESSOR COM PRAZER.

 Será um momento para ouvir os comentários sobre o livro e tirar eventuais dúvidas dos acadêmicos que se preparam para a docência.

 Para minha alegria, as duas Professoras que me convidaram foram minhas alunas e estão se saindo muito bem em suas atividades pedagógicas e profissionais.

EM SOBRAL

 

MEMÓRIAS DA DITADURA

MAIS UMA DITADURA!

dr. João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- Aviões da Força Aérea Chilena estão bombardeando o Palácio de La Moneda!

  Ao ouvirmos esta notícia no rádio, naquele meio-dia de 11 de setembro de 1973, Tereza, Ruth e eu (o Pedro tinha ido trabalhar) subimos ao muro da casa onde morávamos, distante uns cinco quilômetros da sede do governo, sob ataque, a tempo de avistar os aviões que a bombardeavam, além de enormes rolos de fumaça que subiam do solo, quase alcançando as nuvens. Estrondos de bombas e barulhos de tiros vinham de muitos lugares. As rádios noticiavam combates em vários bairros.

 No começo da noite, foi divulgado um comunicado de uma Junta Militar afirmando que tomara o poder e decretando estado de guerra, com toque de recolher em todo o Chile. Era o esperado e triste desfecho de mais um golpe contra a democracia na América Latina.

                                                                                        Bombas sobre o Palácio de La Moneda

Durante 10 dias o isolamento foi completo, com proibição de saída às ruas para qualquer finalidade. Quem descumprisse essa ordem podia ser alvejado por patrulhas militares que se deslocavam por toda parte. Casas eram invadidas, vasculhadas, muitas saqueadas e pessoas fuziladas sumariamente no interior delas e nas ruas. Tiros continuaram a ser ouvidos por muito tempo, embora mais espaçados do que no primeiro dia. As rádios, já tomadas pelos golpistas, conclamavam os chilenos a denunciarem aliados do governo deposto e estrangeiros de várias origens, caluniados como invasores do Chile.

 Impossibilitados de sair para comprar alimentos, só não passamos fome devido à solidariedade da Dona Esther, nossa vizinha, que nos dava comida por cima do muro.

 Passada uma dezena de dias, o toque de recolher foi levantado para o período diurno. Então, Pedro e eu fomos à casa da Ângela e do Paulo Lincoln, em Macul, numa tentativa de restabelecer o contato perdido desde o dia do golpe. A porta da frente estava arrebentada e todos os compartimentos vandalizados, o que se podia ver também em outras casas de brasileiros naquele bairro. O ambiente era de terra arrasada.

 Saímos dali rapidamente, abatidos pelo que víramos, cheios de preocupações e sem nada sabermos sobre o destino dos nossos amigos. Em seguida, começamos a peregrinar por embaixadas em busca de refúgio.  Os deslocamentos precisavam ser feitos com muita cautela, pois ainda imperava o estado de guerra. Não era raro vermos pelas ruas cadáveres de pessoas assassinadas na noite anterior. Em público, uma regra básica era não falarmos para não sermos identificados pelo sotaque brasileiro.

 Infelizmente, todas as representações estrangeiras que conseguimos visitar já estavam cercadas por forças militares. Mas continuávamos tentando. Um dia, ao comprar pão na padaria, O Pedro foi avisado por sua dona que policiais (carabineiros, como chamavam os chilenos) tinham feito uma batida no bairro e tentado entrar em nossa casa, que estava fechada. Procurada por nós, Dona Esther, confirmou esta história e disse que não nos falou a respeito disso para não nos causar apreensão. Disse que ficássemos tranquilos, pois informara aos carabineros que nos conhecia bem e que éramos estudantes sem qualquer atividade política.

 A Tereza e o Pedro. em uma ida à sede da Cruz Vermelha, souberam que a ONU conseguira negociar com a Junta Militar a abertura de um local para acolher refugiados, devido a pressões internacionais motivadas por protestos contra a perseguição a estrangeiros. De início, a Ruth e eu ficamos em dúvida sobre a consistência desta alternativa, propondo a continuação da busca por embaixadas, mas acabamos convencidos pelos dois a experimentá-la. Na manhã seguinte, bem cedo, nós quatro fomos para uma casa onde tinha sido montado um escritório do ACNUR- Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Depois de cadastrados, recebemos orientação para aguardarmos junto com outros refugiados a chegada de um transporte que, no fim da tarde, nos levou ao Seminário de Padre Hurtado, situado em Melipilla, lugarejo na região metropolitana de Santiago, onde fomos alojados sob proteção da ONU.

 Acomodados com relativa segurança nas instalações do que tinha sido um seminário católico, tivemos alguma tranquilidade para procurarmos compreender o que estava se passando no Chile. Nossa primeira constatação foi do elevadíssimo grau de violência das forças repressoras. O ódio dos golpistas exacerbou-se diante da resistência que lhes foi oposta em vários lugares, a exemplo dos trabalhadores dos chamados cordões industriais e de moradores de poblaciones (favelas) da periferia.

 Além de Santiago, a luta dos defensores do governo democrático ocorreu em outras cidades e no campo, prolongando-se por vários dias e lhes custando muitas vidas. Contribuiu também para aumentar a ira dos fascistas o fato de o Presidente Allende ter rechaçado suas pressões para renunciar ao seu cargo e de os ter enfrentado de arma na mão, tendo ao seu lado apenas sua guarda pessoal. Ao sacrificar a vida em defesa de seu governo, Allende marcou para sempre como traidores os comandantes militares sublevados que, dias antes, tinham jurado lealdade ao seu mandato constitucional. Pouco antes de morrer, o Presidente conseguiu dizer pelo rádio:

 

Não vou renunciar. Pagarei com a minha vida a lealdade do povo. Serão estas as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, darei uma lição de moral que castigará a infâmia, a covardia e a traição”.

 A tradição democrática que distinguia o Chile entre os países latino-americanos e era motivo de orgulho para os chilenos, foi sempre honrada pelo governo de Salvador Allende, mas solapada desde o momento de sua eleição por forças extremistas internas apoiadas pelos EUA. É verdade que alguns pequenos grupos de extrema esquerda também se postaram à margem do processo democrático, mas suas ações não tiveram relevância na dinâmica do poder, servindo apenas de um pretexto a mais para os golpistas. O que determinou a abolição da democracia foi a atividade persistente de grupos fascistas, a exemplo do Pátria y Libertad, que fizeram de tudo para tumultuar os procedimentos democráticos e para minar as bases de funcionamento da economia.

 Alguns erros foram cometidos pelo governo e pela Unidad Popular, coligação política que lhe sustentava, no entanto, eles não foram a causa da ruptura institucional, tendo, na pior das hipóteses, apenas dado combustível extra à propaganda daqueles que estavam decididos a eliminar a proposta de construção do caminho chileno para um socialismo democrático, desde o momento em que ela foi vitoriosa nas urnas. Para os estadunidenses, que se sentiam ludibriados por uns barbudos cubanos que adotaram o socialismo após uma revolta liberal, qualquer intento reformista na América Latina tinha que ser impedido. Se isso aconteceu no Brasil, quando o Presidente João Goulart, progressista, mas grande proprietário de terras, propôs a realização de tímidas reformas sociais, porque não ocorreria no Chile, onde o programa de governo ousara apresentar-se com aquele nome apavorante?

 A brutalidade do golpe de Pinochet criou um ícone de desrespeito aos direitos humanos quando transformou o Estádio Nacional de campo de futebol em campo de concentração. Cerca de sete mil pessoas estiveram ali, aprisionadas sob terríveis condições físicas e psicológicas, sofrendo privações de todo tipo e sendo submetidas a torturas e fuzilamentos. Algumas foram assassinadas com crueldade, como o famoso cantor, compositor e violonista, Victor Jara que, antes de ser morto, teve os dedos das mãos cortados.

  O sonho de grande parte da população chilena de construir uma sociedade menos desigual pelo caminho democrático foi transformado em pesadelo por um golpe militar dos mais abjetos.

 Foi grande também a tristeza para nós brasileiros que estávamos no Chile. O golpe comandado pelo general Pinochet, pôs a nu o apoio que a ditadura brasileira vinha dando à trama para derrubar o governo de Allende deste o seu início. Instalada a ditadura, agentes da repressão vieram do Brasil e se juntaram ao corpo diplomático local para trabalharem conjuntamente com os militares chilenos na identificação de refugiados brasileiros para prendê-los e torturá-los. Militares e policiais do Brasil chegaram a participar de interrogatórios violentos de seus compatriotas. Durante o golpe, alguns brasileiros foram mortos e outros dados como desaparecidos. Além disso, juntamente com os EUA, a ditadura brasileira socorreu economicamente a Junta Militar com vultosos empréstimos e generosos acordos comerciais.

O golpe comandado por Pinochet diferenciou-se por seu caráter brutal, mas, no resto, seguiu o velho protocolo de derrubada de governos democráticos na América Latina: prisão e tortura de opositores; censura dos meios de comunicação; proscrição de partidos políticos, de sindicatos de trabalhadores e de entidades estudantis; fechamento do parlamento e restrições ao judiciário etc. No terreno econômico, as medidas iniciais também seguiram o receituário tradicional, enfeitado com algumas bijouterias dos chamados Chicagos Boys: arrocho salarial, cortes de gastos sociais, privatizações, desnacionalizações

 Acompanhando do refúgio de Padre Hurtado estas primeiras medidas da Junta Militar, nos chamou a atenção sobre como elas repetiam algo que vivêramos no Brasil com o golpe de seus colegas militares: a prática como governantes era o contrário do discurso como opositores.  Alguns exemplos: o clamor por liberdade converteu-se em censura das comunicações e eliminação de adversários, a exaltação à pátria transformou-se em entrega das riquezas nacionais a potências estrangeiras, forças de centro, como a democracia cristã, trocaram a moderação pelo golpismo, enfim, a democracia foi substituída pela ditadura.

 As dúvidas sobre a Junta Militar respeitar ou não a inviolabilidade daquele refúgio, a vida ali durante quatro meses, a convivência com algumas centenas de pessoas oriundas dos mais diversos países da América Latina e a perspectiva de acolhida por outros países são assuntos que ficam para outra historieta.

                                                            (*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial,                                                                   importante liderança universitária  nos anos 60

PARA OS QUE TENTARAM CONTRA A DEMOCRACIA EM 8 DE JANEIRO











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