O entendimento, o diálogo e a prática da democracia estão
longe.
No meu último Comentário
da Semana passada referi-me à declaração (sob reserva) do fim da Pandemia da
Covid 19, pela O.M.S., embora, da minha parte, continuasse o temor da pandemia
política permanecer sem finalizar.
Até os mais de três anos de sua duração, as férias de
professores e alunos, famílias e outros grupos que as quisessem gozar, eram
tidas como perigosas e desaconselhadas. Tinha-se que aguardar os momentos
favoráveis.
As festas juninas, tradicionalmente alegres, aceitas,
popularmente, como a alegria de todos, estavam contidas no medo do contágio e
muito desanimadas, como, em geral, estavam outros momentos em que nos podíamos
encontrar: na comunidade familiar, religiosa, escolar, recreativa, esportiva ou
outras que já lembramos em nosso comentário anterior.
O mês de junho, com suas festas folclóricas – de Santo Antônio, S. João e São Pedro -, as quadrilhas, as fogueiras, as festinhas familiares, tudo até se poderia comemorar, mas de maneira virtual; nada de aglomerações. Era uma nova maneira de ‘normalidade’. As famosas férias com que sonhávamos e queríamos realizar estavam, pelo menos, temporariamente, suspensas. O mês de junho já ia criando o clima para a folga maior que nos daria o mês de julho.
Tínhamos
um histórico de férias, até
bem divulgado e aceito como uma necessidade pra todo mundo. Sabíamos que era
uma palavra de origem latina (feria –
feriae) que significava “dia festivo”
e que para os antigos cristãos, todos os dias da semana eram “festivos”, pois, em cada um deles se
renovavam os louvores a Deus, sendo que, o 1º dia, o Domingo, era o mais alegre, ou o mais ‘festivo’ por se tratar do Dia do
Senhor – o “dominus” em latim – a partir da Ressurreição de Cristo.
Depois
desse 1º grande dia da semana vinham os outros dias: a 2ª féria, a 3ª féria, a
4ª féria e assim por diante, como “dias
festivos”, subsequentes ao “Dia do
Senhor”. A palavra férias,
portanto, além de ter origem latina é também de origem cristã, sempre
significando “dia festivo” para a
gente comunicar as glórias de Deus e viver a alegria de filhos do Senhor.
Somente
a língua portuguesa conservou, para nominar os dias da semana, essa origem da
língua mãe e do cristianismo: 2ª feira, 3ª feira, 4ª feira e assim por diante.
As demais línguas, mesmo as filhas do latim – espanhol, francês, italiano – não
seguiram essa nomenclatura. Preferiram a linguagem pagã ou homenagear os deuses
do Olimpo Grego, como a Lua, na 2ª feira; Júpiter, na 5ª; Vênus, na 6ª, só para
lembrar alguns. Até mesmo o Domingo
é chamado dia do sol, como em
Inglês – Sunday – fugindo
assim àquela origem latino-cristã de que falávamos.
Mais
ou menos, passada a Covid, o Brasil voltou, de ponta-a-ponta, a festejar “o maior São João do Mundo”, tanto nas
famosas e tradicionais Capitais do Forró, como em ‘novas e pretensas capitais’
por toda parte. Liberou geral. Aviões, navios, ônibus, trens, carros
particulares, praias, banhos de rio ou açudes, foi gente saindo de todo canto
pra qualquer parte, até mesmo para o exterior. Ninguém pensou em despesas ou em
gastos, tanto os que tinham o próprio dinheiro, como os que tinham facilidade
com o dinheiro público. Será mentira ou calúnia? Será que não ouvimos os lucros
auferidos, os resultados em milhões, em todo canto por onde se estenderam os
folguedos e aventuras?
Será
que não ouvimos notícias ou não vimos brasileiros “encalhados” no meio de
guerras, sem saberem as línguas para se comunicarem, sem vôos de volta, até
mendigando aviões da FAB para retornarem ou serem repatriados?
Parece-me
que a Pandemia da Covid amenizou bastante, mas a Pandemia Política está cada
vez mais enraizada. O entendimento, o diálogo e a
prática da democracia estão longe de fazerem parte de nossa vida nacional.
No
contexto internacional também temos acompanhado a má vontade dos homens que
detêm o poder, de se entenderem, dialogarem e encontrarem as respostas e saídas
para tantas dificuldades, inclusive, para as guerras. Paz não está em seus
destinos, por mais que o Papa Francisco e seu sucessor, o Papa Leão XIV se
tenham empenhado na consecução desse objetivo.
A
propósito, o Papa Leão XIV está de férias, desde a tarde do Domingo passado,
dia 06 de julho, em Castel Gandolfo – 25 km de Roma - incluindo os dias 15 a
17 de Agosto, Festa da Assunção de Nossa Senhora, revezando-se com desobrigas
pastorais, durante a temporada, na Paróquia Pontifícia de Vilanova, na Catedral
de Albano, com o Angelus na Praça da Liberdade, além de outras audiências
menores e encontros pessoais com visitantes agendados, tendo plena liberdade de
atender a algum compromisso diplomático que a Cidade Estado do Vaticano solicite
de Sua Santidade.
Esse
seu precioso tempo nas Vilas Pontifícias se deve ao fato de que o Verão Europeu
é muito quente, sobretudo entre julho e agosto, de 38 a 40º e em todos os
países é grande a mobilização em busca de lugares mais amenos. Portanto, afora
algum agendamento oficial no S.C.V. a que ele tenha de comparecer, como Sumo
Pontífice, S.SS. permanecerá no gozo de suas férias.
Se
todos têm direito a férias, por que não, o Papa? Francisco teve seus motivos
para renunciá-las. Foi uma opção sua. Talvez a exaustão de seu trabalho, o
tenham levado um pouco mais cedo, apesar da idade: 87 anos. O Papa Leão XIV
está com 69. Começando a tirar férias, quem sabe, irá aos 89.
Quem
tira férias tem obrigação de render mais e produzir muito mais, em seu retorno
à atividade funcional. Ninguém se deve orgulhar por não tirar férias. Quem
nunca sai de férias vai cansando, desanimando, diminuindo a produção ativa,
apanha uma estafa e pode até morrer.
Enquanto
o Papa está de férias, sua Agenda rotineira no Vaticano fica suspensa, por
exemplo: as audiências gerais das quartas feiras, a Oração do Angelus, ao meio
dia dos Domingos e outras atividades, mesmo na Basílica ou na Praça de São
Pedro. Como eu disse acima S.SS. atenderá em Roma algum compromisso diplomático, previamente, agendado. Não abandona
a Santa Sé.
Eu
disse agora mesmo que ‘Francisco teve
seus motivos para renunciar essas férias’ para serem gozadas pessoalmente,
mas disse também em meu Comentário de 21 de Junho, que o mesmo ‘Francisco cedera o espaço em Castel
Gandolfo, onde o Estado do Vaticano tem um dos mais potentes telescópios do
mundo, para dar-lhe mais utilidade e mais socialização: ser uma Escola Superior
de Astronomia, onde 24 jovens astrônomos, representando 22 países analisaram as
descobertas através dos três primeiros anos de uso do Telescópio Espacial James
Webb, inaugurado no Natal de 2021 e convidaram o Papa Leão XIV, matemático e
cientista que é, para tomar conhecimento do reto uso de tal equipamento
científico, permitido e criado por seu antecessor’.
Nem é preciso dizer que o Papa Leão XIV abraçou o engenho e a causa de seu Papa modelo e, quem sabe, até o tenha admirado mais pelo reto e bom uso do potente equipamento “socializado”, do que por ter usado toda aquela grande área agrícola, jardinada, produtora de leite para manter a tradição papal secular de seu descanso de verão. Francisco continua a ser mais merecedor de nossa simpatia e admiração pelo grande Pontífice que conquistou o Mundo.


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