AÇÃO CATÓLICA É TEMA DE ESTUDO E PESQUISA
EDIÇÃO DE 12/07/25
Lançamos a ideia e realizamos com muito êxito um evento que virou modelo para muitos municípios cearenses. Alguns continuam realizando.
A ideia da volta é perfeitamente viável e interessante. À época, decidimos suspender porque começou-se a perceber influências de política partidária. E não era o objetivo.
A maioria dos encontros aconteceu no Hotel Sol Nascente, obra de José Maria Melo, que foi desativado e demolido, sem motivo, na gestão anterior.
Ainda realizamos um encontro no Grêmio quando conseguimos, com a ajuda de muita gente, recuperá-lo. Infelizmente, está sem condições, novamente. Mas será recuperado pelos sócios.
O Grêmio possuía 50 mesas e 200 cadeiras que lhe foram doadas por Lucinda Azevedo e ninguém sabe que rumo tomaram. É bom reavê-las. Havia também um grande freezer.
O caro ex-aluno e hoje Professor universitário Raul Castro participou de uma conversa na Rádio e TV Atitude Popular, nesta quinta-feira, pela manhã.
Na oportunidade, sob a coordenação de Luiz Regadas, conversamos sobre o relacionamento entre Professor e Aluno na Sala de Aula.
Nesta edição estamos reproduzindo o Programa que consideramos interessante para todos os Professores, pela relevância do tema.
O movimento para criação de um ginásio em Guaraciaba do Norte começou pelos estudando que, à época já estudavam fora, por falta de oportunidades em nossa cidade.
Havia exigência de que fosse criada uma fundação para manutenção do Ginásio, daí nasceu a Fundação Presidente Kennedy. É importante que os mais jovens saibam.
Para criar um fundo de apoio, saímos, Abner, Elisiário, Ferreirinha, eu outros, por todo o município, num Jeep do Fanuca, com um serviço de alto falante, pedindo o apoio da comunidade.
Cada apoiador assinava uma Nota Promissória. Aquela era a nossa contribuição para que os conterrâneos tivessem chance de estudar, sem precisar sair do município. O povo colaborou. E deu certo.
Aí abaixo pode ver nomes de muitos conterrâneos de vários pontos do município, no ano de 1964 que fizeram nascer a Fundação Presidente Kennedy, em homenagem ao ex-Presidente recém assassinado.
O dr. Mariano Freitas, médico com importante história na política, está pesquisando sobre o MEB -Movimento de Educação de Base e sobre a Ação Católica, instituições da Igreja.
O MEB fazia alfabetização de adultos pelo rádio. Sobre o assunto, tive longa conversa sobre a minha participação no MEB/Fortaleza.
Sobre Ação Católica, conversou com o Mons. Assis Rocha, Mestre e Doutor em Comunicação Social, hoje residente em sua terra natal, Bela Cruz. Dr. Mariano encantou-se com a conversa.
Tentando pressionar o Governo brasileiro sobre a situação do ex-presidente Bolsonaro, Trump taxou o Brasil. Não sabe que aqui quem faz julgamento é o judiciário, um poder independente.
O Senador, filho do ex-Presidente, está fazendo ameaças com bombas atômicas sobre o Brasil. O outro está nos Estados Unidos procurando punições para o país. Patriotismo?
A decisão do Presidente americano criou uma situação embaraçosa para a oposição que usava bonés de bajulação. Será que defenderão os empresários que serão taxados?
É impressionante o crescimento do alcance do ICL NOTICIAS. Programas noticiosos via Youtube estão com altíssima audiência e credibilidade. Noticiários de alta qualidade.
Os noticiosos de 8 da manhã e cinco da tarde, começando com o ICL URGENTE, com Rodrigo Viana, são de alta qualidade e de uma forma descontraída.
A grande vantagem é que sendo no Youtube, podemos ver o noticiário na hora que for conveniente a cada um. Basta procurar no Youtube.
A Congregação Mariana de Guaraciaba do Norte está celebrando os seus 86 anos de atuação junto à comunidade católica do município.
Ao longo de sua história teve grande influência na formação cristã de jovens de nossa terra. Guardo na memória que a Congregação tinha muita importância nas celebrações religiosas.
Na Festa de Agosto, a noite da Congregação era a mais esperada. Os Marianos todos de branco com a tradicional Fita Azul. Formavam uma certa elite na comunidade religiosa.
No passado eram dois grupos: Os Marianos e as Filhas de Maria. Hoje formam um só grupo. torcemos para que cresçam sempre como exemplos para a comunidade.
MEMÓRIAS DA DITADURA
GRÂNDOLA, VILA MORENA
Dr. João de Paula Monteiro Ferreira (*)- Falas bem o português. És de Espanha ou
de Itália?
Foi o que me perguntou
aquele português dono de uma vendinha próxima de um pequeno povoado de zona
rural, no norte de Portugal. Eu chegara ali com quatro colegas da faculdade de
medicina, em uma viagem em que saíramos de Colônia com destino a Almada, cidade
da região metropolitana de Lisboa para fazermos um estágio de férias em uma
clínica pediátrica.
Chegados da Espanha no
fim daquela tarde, acampáramos à margem de um riacho perto dali. Ao anoitecer,
visualizamos uma luzinha no alto de uma suave encosta que ladeava o vale em que
estávamos e para lá nos dirigimos à procura de algo para jantar. Encontramos
atrás de um balcão de tijolos a pessoa que me fez aquela pergunta e que depois
que lhe respondi que era brasileiro, desculpou-se, dizendo: “sou mesmo um parvo, como
não identifiquei alguém do Brasil, país que muito admiro e onde tenho
familiares residindo”. Em seguida, chamou sua
esposa e uma filha adolescente a quem nos apresentou calorosamente. Lamentou
que para comer só poderia oferecer sardinhas fritas com batatas e nos fez uma
proposta: nós pagaríamos por elas, mas o vinho tinto que as acompanharia seria
por conta dele. O resultado foi que sua família e nós cinco, ficamos até às
três horas da manhã comendo as gostosas sardinhas portuguesas, tomando um
excelente vinho da casa e conversando sobre Portugal, Brasil e Alemanha, onde
eles tinham parentes trabalhando. Quando o português de iniciantes dos meus
colegas alemães não bastava, eu dava uma mãozinha na tradução.
A ideia daquele estágio
de férias em Portugal, começara bem lá atrás e enfeixava um aglomerado de
interesses. O principal, sem dúvida, era a oportunidade de aprendizagem de
medicina em um contexto de prática social, mas havia também uma grande
curiosidade sobre a transição para a democracia que ocorria naquele país que
vivera a experiência mais longa de uma ditadura de extrema direita na Europa
durante o Século XX. E claro, também a possibilidade de curtir um pouco as
belas praias de Portugal. Para mim, tinha mais um: privado das coisas do Brasil
havia mais de quatro anos, afogueava-me o desejo de usufruir da proximidade
linguística e de outros elementos culturais que aquele país tem em comum com o
nosso.
O interesse por
assuntos portugueses entre alguns estudantes da Faculdade de Medicina da
Universidade de Colônia era notável. Após a Revolução dos Cravos que derrubara
a ditadura salazarista em 1974, fora criada em 1975 por seu Diretório Acadêmico
a Sociedade Amílcar Cabral, cujo nome homenageava o líder da luta pela
independência da Guiné Bissau e de Cabo Verde. O propósito desta organização,
da qual participei, era ajudar financeiramente aqueles dois países africanos
que eram os mais pobres entre os que haviam conquistado a independência. Aliás,
àquela época, era muito aguçada a sensibilidade política da juventude alemã,
ainda traumatizada pela experiência de seus pais e avós com o nazismo. Sua
disposição de ajudar causas democráticas e de justiça social em outros países
era muito grande, como era a vigilância com a política em seu país.
Muitos estudantes
alemães acompanhavam de perto o destino das ex-colônias portuguesas e o que
acontecia na metrópole, desde o dia em que capitães das Forças Armadas de
Portugal se rebelaram contra o regime fascista, usando como código para
deflagrar suas ações a bela canção Grândola, Vila Morena, que se tornou o hino
da insurreição vitoriosa.
Aquele estágio para
cinco estudantes do 5º ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Colônia,
no período de 02.08.77 a 03.09.77 na Clínica Popular de Pediatria de Cova da
Piedade, freguesia de Almada, fora conseguido por um amigo meu que se
encontrava refugiado em Portugal.
Dorothee, Johana, Thomas e
Ludger, meus companheiros de
viagem, eram colegas muito próximos, pertencentes a um grupo de estudo que
criáramos em 1975, logo que retomei meus estudos de medicina em Colônia. Havia
uma amizade muito sólida entre nós. A viagem foi planejada para termos o deslocamento
de ida como um prazer adicional. O percurso através da Bélgica, França e
Espanha foi traçado inteiramente por estradas vicinais, coincidindo em muitos
trechos com a chamada Route Vert, com paradas conforme a vontade do grupo. Viajamos em uma Kombi emprestada por uma
amiga da Johana, que a havia adaptada para dormitório de três pessoas e com
todos os equipamentos de suporte para acampar. Compramos uma pequena barraca
complementar, suficiente para abrigar duas pessoas.
Saímos de Colônia no
início da segunda quinzena de julho, com boa folga de tempo para a data de
início do estágio. Acampávamos costumeiramente em áreas rurais, onde
pernoitávamos, tomávamos café da manhã e caso houvesse alguma atração local
prolongávamos a estadia. Encontramos lagos, onde nadávamos, fazendas onde
parávamos algum tempo e comprávamos queijos e vinhos. Na ida atravessamos
lugarejos, vilas, algumas cidades de tamanho médio, mas evitamos entrar nas
grandes. Na Bélgica e na França nada nos pareceu muito diferente do que
conhecíamos na Alemanha, mas na Espanha nos chamou a atenção a diversidade
arquitetônica e, principalmente, as marcas da longa presença árabe em algumas
áreas por onde passamos.
Nosso estágio na Clínica
Popular de Pediatria foi supervisionado pelo Dr. Francisco Marques Açucena,
médico jovem, competente e atencioso, que desde o primeiro dia esteve muito
próximo de cada um de nós, orientando, dando suporte e tirando nossas dúvidas.
O trabalho da clínica era muito direcionado para o envolvimento dos pais no
atendimento às crianças. Grupos de mães recebiam orientação sobre a prevenção
de doenças, identificação dos primeiros sinais das mais frequentes, cuidados
básicos de saúde e primeiros socorros. Como estudantes de medicina,
participávamos deste trabalho integrando uma equipe multidisciplinar
constituída por médico, profissionais de enfermagem, de assistência social e de
nutrição. Na sistemática de atenção primária, cuidávamos dos casos mais simples
e fazíamos o devido encaminhamento dos mais complexos. Fomos convidados para
algumas reuniões noturnas dos funcionários que estavam estruturando o que eles
chamavam de Colectivo de Colaboradores. Mesmo com algumas escapadas à noite
para nos deliciarmos com os famosos frutos do mar de Portugal em companhia de
funcionários da clínica, aquele mês foi de muito trabalho, de intenso
engajamento em atividades comunitárias e de rica aprendizagem de uma medicina
humanizada.
Em 04 de setembro,
deixamos aquele país que estava vivendo o quarto ano de grandes mudanças
políticas e sociais, desde que abolira um regime ditatorial que o sufocara por
mais de quatro décadas. Portugal ainda não chegara a uma situação de robustez
em sua governança, sendo governado por uma coalizão de forças
sociais-democratas e democratas liberais minoritárias, após um período de
intensos embates políticos e ideológicos entre as forças que haviam sido reprimidas
pela ditadura salazarista. O ambiente político era de plena liberdade e de
grande efervescência de ideias, formulações de propostas, proposições de
projetos de desenvolvimento, com tudo o que caracteriza um regime democrático,
mas a situação econômica ainda não era boa, só vindo a estabilizar-se na década
de 1980. As forças de extrema direita que haviam exercido uma longa tirania,
como costuma acontecer após serem derrotadas, tinham se recolhido, esperando
oportunidades de aparecerem com alguns disfarces no futuro.
A volta por
autoestradas, foi rápida, com pernoites em Madrid e Barcelona. Atravessamos os
Pirineus por Andorra, entramos na França pelo Sudeste, passamos nos arredores
de Lyon, cruzamos a Suíça e entramos na Alemanha pelo Sudoeste, levando poucas
horas da fronteira até Colônia, onde a Mariana, antecipando em quase dois meses
a previsão do obstetra, chegaria no dia 10, pouco depois que a Ruth voltara das
férias que passara com amigos nossos em Paris.
João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial, Expressiva liderança universitária, no tempo da ditadura de 64.
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