Os cristãos são chamados a levar a esperança!
Desde o meu Comentário da Semana no dia 04/10
– 1º sábado do Mês Missionário - que nos estamos preparando para celebrar o Dia
Mundial das Missões, criado há 99 anos, ao tempo em que o Papa era Pio XI, para
ser comemorado todos os anos no penúltimo Domingo do Mês de Outubro. Não é sem
razão que ele ficou conhecido como o Papa Missionário.
Expressou
toda a sua Vocação Missionária, escrevendo em 1926, uma importante Encíclica: a
Rerum
Ecclesiae com os principais Objetivos Missionários, programados
para seu pontificado, publicando-a na Festa de Pentecostes do dia 14 de abril
de 1926.
O
Papa Pio XI vivia tão intensamente sua vocação missionária que, 04 anos antes
de lançar o ensinamento da sua Encíclica Rerum Ecclesiae, já o
praticava. Fez um surpreendente gesto que chamou a atenção de todos os que
estavam na Basílica de São Pedro, na Missa do Pentecostes de 1922: parou no meio de seu sermão, tirou o ‘soli
Deo’, transformou numa ‘sacola’ e pediu ajuda aos cardeais, bispos, presbíteros
e fiéis ali presentes para as iniciantes Pontifícias Obras
Missionárias (POMs) que
continuam na Igreja até hoje.
Deu-nos
o exemplo. Uniu teoria e prática, ensinamento e realidade. O importante não é
falar, apenas. É agir também. Praticar. E assim foi feito. Até que, na 1ª metade da década de 1960,
houve o Concílio Ecumênico Vaticano II. Entre seus inúmeros Documentos está uma
Declaração: Nostra aetate, i.é:
“em nosso tempo”. Consolidou o que a
Igreja - já tendo o pioneirismo de Leão XIII com o início de sua Doutrina
Social, e a Vocação Missionária de Pio XI, com suas P.O.Ms. - entrou, de cheio,
no trabalho de conscientização post-conciliar, em prol do seu relacionamento
com as demais religiões, abrindo caminhos de diálogo, respeito e colaboração, e
assumindo, mais fortemente o penúltimo Domingo de Outubro para se celebrar
todos os anos, o Dia Mundial das Missões, com a tradicional Mensagem do Santo
Padre. Amanhã é a 99ª.
De lá para cá, todos os anos, no
penúltimo Domingo do Mês Missionário, os Santos Padres nos foram transmitindo
uma Mensagem, lembrando a data.
O
Papa Francisco nos deixou aos 21 de abril deste ano. No entanto, já nos havia
deixado sua mensagem escrita para este dia 19 de outubro e o novo Papa, Leão
XIV a acatou. Teceu seu comentário, respeitando seu antecessor e vai esperar
para fechar a Mensagem Centenária do Dia Mundial das Missões, no penúltimo
Domingo de Outubro de 2026, que será no dia 18/10. Aguardem!
A
tradição das Encíclicas, Declarações ou Cartas Apostólicas emanadas dos Papas é
de “orar” e “agir”. É dar a “doutrina” e a “prática”. Não foi assim que Jesus
ensinou? "Ide e pregai”. O Papa
Francisco, citando a ‘Evangelii
Gaudium’ nos ensinou em sua catequese: “Sede uma Igreja em saída. Ouçam o sussurro do Espírito: vem e vai.
Quem segue Cristo não pode deixar de tornar-se missionário e sabe que Jesus
caminha com ele, fala com ele, respira com ele. Sente Jesus vivo com ele, no
meio da tarefa missionária”.
Por
causa do Jubileu ou deste Ano Santo que fora preparado e já estava sendo
vivenciado sob a orientação do Pontificado de Francisco, ele já havia
providenciado para este Dia Mundial das Missões, a 99ª Mensagem a ser levada ao
Mundo, bem dentro do espírito e do clima jubilar: “missionários da esperança
entre os povos”. Divide este Tema Geral em 03 grandes tópicos: 1º) Seguindo
os passos de Cristo, nossa esperança. 2º) Os cristãos como portadores e
construtores de esperança entre os povos. 3º) Renovar a missão da esperança. Em
poucas palavras, expliquemos o que quis dizer, Francisco:
-
Para seguir os passos de Cristo, nossa esperança, não esqueçamos que Ele é o
exemplo supremo de missionário da esperança. Sua vida, morte e ressurreição são
a garantia de um futuro cheio de esperança, mesmo nos momentos de escuridão.
-
Os cristãos são chamados a levar a esperança, servindo
os mais necessitados e vivendo as alegrias e os sofrimentos dos outros.
-
A Igreja é convidada a renovar sua missão de transmitir a esperança, alimentada
pela oração, pelos sacramentos e pela comunhão fraterna, em uma dinâmica
comunitária.
O
Papa Francisco, carismático como era, conclui sua Mensagem, como sempre,
desafiando-nos
“a respeitar a necessidade que todos os
povos têm de recomeçar das próprias
raízes e salvaguardar os valores das respectivas culturas”. E ainda nos pergunta: “quem são os destinatários privilegiados do
anuncio evangélico? A resposta é clara; encontramo-la no próprio Evangelho: os
pobres, os humildes e os doentes, aqueles que, muitas vezes, são desprezados e
esquecidos, aqueles que não te podem retribuir” (Lc.14,13-14).
O sucessor de Francisco, Leão XIV, em menos de 06 meses, já mostrou a que veio. Na escolha do seu nome, na preocupação com a paz no mundo, na atualização das secretarias de estado para a era digital, no respeito a seu antecessor, inclusive agora, acatando a Mensagem para o Dia Mundial das Missões e, como eu já disse, ali acima, deixando-a para a de número CEM, no próximo ano, enfim, o Papa Leão XIV está na medida certa como Pontífice. Já preocupa alguns maus cristãos que querem saber quanto está ele, ganhando da Igreja, por ser Papa. Mas isto é uma preocupação de pagãos, que os falsos cristãos estão aprendendo com os negacionistas e os polarizadores políticos.
Para
todos estes – maus cristãos e maus políticos – há 15 dias, na Solenidade
Litúrgica de S. Francisco, o grande exemplo de missionário, desde o século XII,
o Santo Padre assinou sua 1ª Exortação
Apostólica, intitulada Dilexi te (Eu te amei) –
sobre o amor aos pobres - como seu 1º Documento Magisterial. É o início de uma
série de Declarações que guiará seu Papado.
O Papa Leão, citando os
60 anos da Nostra aetate, a que nos referimos há pouco, disse que
nos 50 anos de tal Declaração (portanto faz 10 anos) o Papa Francisco destacou
a atualidade de tal Documento, recordando
que a via do diálogo requer conhecimento, respeito e estima recíprocos e que o
mundo olha aos que creem, pedindo respostas eficazes para a paz, a fome, a
pobreza, as crises ambientais e a violência, sobretudo aquela praticada em nome
da fé”.
Esta
declaração pontifícia é fundamental para se viver o ecumenismo e o respeito
pelas demais religiões; e como um complemento dado pelo Papa Leão ao comentário
do Papa Francisco e ao documento conciliar, rezou assim:
Senhor Jesus,
Tu, que na diversidade és um só
E olhas com amor para cada pessoa,
Ajuda-nos a nos reconhecermos como irmãos e irmãs,
chamados a viver, rezar, trabalhar e sonhar juntos.
Vivermos em um mundo cheio de beleza,
Mas também ferido por profundas divisões.
Às vezes, as religiões, em vez de nos unirem,
Tornam-se causa de confronto.
Dá-nos o teu Espírito para purificar os nossos corações,
Para que possamos reconhecer o que nos une
E a partir daí, aprender novamente a escutar
e a colaborar sem destruir.
Que os exemplos concretos de paz,
Justiça e fraternidade nas religiões
Nos inspirem a acreditar que é possível viver
E trabalhar juntos, para além de nossas diferenças.
Que as religiões não sejam usadas como armas ou muros,
Mas vividas como pontes e profecia:
Tornando possível o sonho do bem comum,
Acompanhando a vida, sustentando a esperança
E sendo fermento da unidade em um mundo fragmentado.
Amém.

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