BOAS MANEIRAS SE FAZEM NECESSÁRIAS, ATUALMENTE.
EDIÇÃO DE 11.10.25
Tenho a
satisfação de começar esta coluna de hoje, parabenizando o grande amigo
Monsenhor ASSIS ROCHA, hoje residente em sua terra natal Bela Cruz.
Somo amigos
desde 1955, quando entrei no Seminário Menor de Sobral, com a intenção de me
ternar padre. Era o sonho de muitos meninos da época. E, praticamente, a única
alternativa para estudar.
Estudamos
juntos nos Seminário de Sobral e de Olinda. Ele, mais velho, estava sempre dois
anos à frente. Concluiu os cursos de Filosofia e Teologia, mas não se ordenou
padre, como desejava.
O Bispo de
Sobral, recém chegado, Dom Walfrido Teixeira Vieira, consultou o Conselho
Presbiteral sobre a ordenação do Assis. Alguns padres foram contra e o Assis
foi para a Diocese de Afogados da Ingazeira.
Lá era
Bispo o nosso ex Reitor que nos conhecia a todos muito bem. Era Dom Francisco
Austregésilo de Mesquita que ganhou um excelente sacerdote com quem trabalhou
por 35 anos.
Assis tem
Mestrado e Doutorado em Comunicação Social, feitos em Roma. Na época da
ditadura de 64, apoiava os brasileiros exilados na Europa, contribuindo com o
trabalho de Dom Helder Câmara.
Quando
soube de seu retorno ao Ceará, em combinação com o então Reitor da UVA e nosso
ex colega de Seminário JOSÉ TEODORO SOARES, fui a Bela Cruz para trazer o Assis
para a UVA/Sobral.
E deu
certo. Assis assumiu a Rádio Universitária e depois foi nomeado Pró-Reitor de
Comunicação onde fez um trabalho que sempre gostou: Rádio. Começamos juntos, há
anos, nas Rádio Clube de Pernambuco e Rádio Olinda.
Hoje o
Assis vive em Bela Cruz, sua terra natal, e escreve, semanalmente para o nosso
Blog vemserprofessorcomprazer, O COMENTÁRIO DA SEMANA. Hoje posso
afirmar, é um dos melhores padres que conheço.
No ultimo
dia 7, foi celebrado o aniversário do Dr. Marcelo Uchoa, advogado, Professor,
membro da Comissão Federal de Anistia. Queríamos tê-lo na Presidência da Comissão
Especial Wanda Sidou, mas os ex presos e perseguidos políticos sofreram um
golpe.
O grupo,
composto de pessoas que foram presas, torturadas e perseguidas pela ditadura,
não foi ouvido na indicação do Presidente da Comissão que, oficialmente, cuida
deles. O Governador estaria ciente? Tudo parece ter sido feito às pressas.
“Riacho Seco,
a comunidade imaginária que, pelo Rádio, intimidou a ditadura!” é o título do
livro que estou escrevendo, contando a minha trajetória na Educação, desde a
perseguição e demissão pela ditadura.
São muitos momentos de experiências. A ida para São Luís, após a demissão aqui no Ceará. As experiências de capacitação de Professores e Diretores na TVE do Maranhão e do Amazonas.
Quando a perseguição da ditadura me descobriu, tive que sair para outras atividades em publicidade, jornais, direção de emissoras, cursos de pequena duração na Universidade, SENAC e outros órgãos.
Vinte anos depois, a volta ao Ceará para Secretarias de Educação em Croatá, Poranga, Guaraciaba do Norte, Guaiúba, Graça, SEDUC e, finalmente, na Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA.
Pela UVA, levamos a nossa experiência de formação de alfabetizadores, com o Método de Paulo Freire, em Cabo Verde, África, durante dois anos. Uma parceria do Programa Alfabetização Solidária.
São mais de 50 anos de experiências positivas em várias áreas da Educação: Gestão, Sala de Aula, Formação de Professores em diversos municípios. O livro poderá ser útil aos que são ligados à Educação.
Tive a
oportunidade de rever o documentário produzido pela Globo sobre o dia 8 de
janeiro de 2013, com as destruições feitas pelos golpistas nos palácios da
Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Parecia ação de irracionais. Quebrando tudo, sem limites. Nada de patriotismo. Quem vê ou revê aquelas ações, jamais defenderá anistia para aquele povo. Não sabiam o que estavam fazendo?
Se não houver punição agora, os atos se repetirão, mais cedo ou mais tarde. É como quem assiste com atenção o filme AINDA ESTOU AQUI. Jamais perdoará os torturadores. São ações revoltantes.
Tive oportunidade de rever o filme, ouvindo, com muita tenção os diálogos e percebi que, no cinema, havia perdido muita coisa. Nem sempre o som facilita ouvir bem.
Por sinal, fui novamente ao Ideal para o lançamento de um livro. Muita gente presente. Fiquei, mais ou menos, no meio e nada captei dos oradores. A caixa de som, em vez de ficar voltada para quem precisava ouvir, estava colada em quem falava.
No passado, a Igreja Católica criou a AÇÃO CATÓLICA com uma metodologia que deu muito certo: VER, JULGAR E AGIR. Todos os debates com a lideranças seguiam este método.
O Objetivo da Ação Católica era inserir os leigos nas ações pastorais da Igreja. Atuava por meio dos vários segmentos: Operário, Agricultores, Estudantes, Universitários e jovens Independentes.
Aquilo gerava participação. Todos os jovens eram envolvidos nos debates. E ali iam-se formando lideranças. A mesma metodologia, adotada em sala de aula, dá certo. Sempre apliquei, com êxito.
Infelizmente, a maioria prefere a Educação bancária de que falava Paulo Freire. É aquela em que só o Professor fala, depositando conhecimentos na cabeça dos que querem aprender.
Até o formato da sala de aula se repete há anos. Os alunos em carteiras organizadas em filas em que uns ficam atras dos outros, sem nenhuma comunicação. Eu sempre adotei o Círculo e deu certo.
Pode até parecer uma coisa ultrapassada, mas aquelas aulas de Civilidade e Boas Maneiras foram muito importantes. Hoje se fazem muito necessárias.
Os mais jovens não usam BOM DIA, BOA TARDE, DESCULPE, COM LICENÇA, ATÉ LOGO, e outros costumes que favoreciam o relacionamento. Pedir a bênção, nem se fala. Saiu da moda.
Quando cumprimentamos alguém, estamos demonstrando o reconhecimento da presença daquela pessoa. Significa que notamos e registramos a sua presença com o nosso cumprimento. Quem não o faz é considerado mal educado.
No Congresso Nacional, pelo que se observa, parece que as BOAS MANEIRAS estão proibidas ou foram substituídas por palavrões? É um mal exemplo para as famílias.
Percebe-se, nesta legislatura, que há deputados e senadores que não sabem quais as suas funções no Congresso Nacional. Votam apenas a favor de Projetos que lhes interessam ou aos seus patrocinadores. É preciso substituí-los.
OPINIÃO
POR QUE NÃO ANISTIAR OS INIMIGOS DA PÁTRIA!
Sem a anistia, o que poderá
acontecer no país? Esses criminosos voltarão com toda força para revitalizar as
suas políticas de perseguição à democracia, ao Estado de Direito de
Democrático, e exaltar, com mais fanatismo, a Ditadura, o racismo, e a ideologia
de gênero. O que significaria para as camadas sociais mais vulneráveis tão
discriminadas e excluídas historicamente das relações de poder? Ressignificar o
negacionismo, as fake News como bandeira de suas informações venenosas; a
repressão com a indústria bélica armando os segmentos que defendem tais
políticas de segurança; armar o povo contra o povo.
Seria continuação da disseminação do
ódio. No lugar da pacificação, o ódio; no lugar da tolerância, a discórdia, no
lugar da vida, a morte. Qual foi a obra do ex-presidente, atual presidiário,
Jair Messias Bolsonaro, no seu mandato de quatro anos? Ódio, intolerância e
morte. Vamos assistir a esse filme novamente, com outros personagens adeptos
das mesmas ideias, portanto, do mesmo naipo?
Na Resenha da Juliana Martins Pereira
sobre o livro Necropolítica de Achille Mbembe, o direito de matar estar nas
entranhas desse ódio de “nós” contra o “outro”.
“O direito de matar está
estreitamente relacionado às “relações de inimizade” elegendo de forma
ficcional grupos inimigos. Percebemos que esse mecanismo foi o primeiro a
operar no governo bolsonarista que elegeu os povos indígenas para essa
categoria, colocando-os como aqueles que impossibilitam o “progresso”. Os que
devem viver e os que devem morrer são selecionados segundo grupos biológicos,
apresentando o racismo como sua máxima expressão. No livro existe uma
constatação completa de guerra, que se dá através da fusão entre um estado
racista, assassino e suicidário. A vida do outro – geralmente animalizado,
historicamente destituído de humanidade”.
O que nós assistimos no Brasil de
2018-2022, foi um cenário parecido com as ideias de Achille Mbembe, reproduzido
na Resenha da autora. Se os cúmplices dessa tragédia histórica serem
anistiados, como pretende a ala direita do Congresso Nacional, como fica a
Justiça brasileira diante da nossa Nação? Com que cara o Brasil vai olhar para
o Mundo da Democracia? Com que cara o(a) eleitor(a) consciente vai votar nos
políticos, em 2026?
O Presidente Luís Inácio Lula da Silva
tem se dedicado em acabar os incêndios que os bolsonaristas acenderam para
queimar com atitudes antidemocráticas a dignidade de nosso povo, juntamente com
o Supremo Tribunal Federal. Como Lula se comportou na abertura da Assembleia
Geral da ONU? Destacando-se com
sabedoria de um grande estadista. Qual foi a relação do presidente Donald Trump
com o Presidente do país punido por altas taxas incentivadas pelo filho do
ex-presidente presidiário? Rolou um clima de respeito e admiração a partir do
excelente discurso do presidente três vezes eleito democraticamente pelo voto
popular.
Dessa “química” da Assembleia
da ONU surgiu o diálogo, estratégia que marca o Presidente Lula em toda a sua
vida política. Ele diz sempre “sou um homem do diálogo”, portanto, “não tenho
inimigos”. Nessa segunda-feira (6/10) o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com o presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, por videoconferência, deixando os bolsonaristas
enraivecidos. Algumas passagens desse
diálogo.
Veja o que diz Trump: ”nesta
manhã tive uma conversa telefônica muito boa, com o Presidente Lula do Brasil.
Discutimos muitas coisas, mas principalmente focada na Economia e no Comercio
entre os nossos países. Teremos novas discussões e nos encontraremos em um
futuro não muito distante tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Gostei
muita da ligação --- Irão muito bem juntos!”
A BBC News Brasil noticiou o teor das
reivindicações e Lula; “Lula pediu a Trump a retirada da tarifa de 40% imposta
aos produtos brasileiros e das medidas restritivas aplicadas contra autoridades
brasileiras, como a cassação de vistos e aplicação de sanções financeiras
contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo a BBC News Brasil apurou com uma fonte do Palácio do Planalto, a
videoconferência aconteceu a pedido do lado americano. De acordo com essa
fonte, durante a conversa desta segunda-feira, Lula foi quem sugeriu que ele e
Trump se encontrassem pessoalmente. O presidente americano teria concordado em
seguida”. (BBC News Brasil; bbc.com/portuguese/articles – 6/12.2025}.
É esse diálogo que o Deputado Federal
Eduardo Bolsonaro temia que acontecesse. Não queria juntamente com os seus
milicianos e partidários, pois, essa atitude põe em jogo o projeto de anistia
que eles tanto desejam, e a descontinuidade do autoritarismo.
Não a anistia é também um não a esse
Congresso retrógrado controlado pela extrema direita fascista, pela direita
conservadora e pelo grupo político do Central, ricos e poderosos, que se
comporta como cameleão mudando de cor toda hora dependendo dos interesses em
jogo. Qual foi o comportamento da grande maioria da Câmara dos Deputados
Federais diante da votação da Pec da Impunidade? Se o povo não fosse para as ruas naquele
domingo festivo de 23 de setembro o Senado Federal teria também entrado nesse
barco furado.
Isso já são indicativos e alerta para o
brasileiro e a brasileira a pensar sobre as eleições de 2026. Dizer não a esses
deputados que defendem o crime sem punição, a ditadura e o negacionismo. No Estado do Ceará foram 17 parlamentares que
precisam ser cassados pelo voto popular.
NÃO A ANISTIA AOS INIMIGOS DO POVO BRASIEIRO!
Referência
eletrônica - Juliana Martins Pereira, «MBEMBE, Achille.
Necropolítica. 3. ed. São Paulo: n-1 edições, 2018. 80 p.», Horizontes
Antropológicos [online], 55 | 2019, posto online no dia 03 dezembro 2019,
consultado o 06 outubro 2025. URL: http://journals.openedition.org/horizontes/3977
(*) Manoel
Alves de Sousa, Professor Universitário e Escritor
Fortaleza, 7 de outubro de 2025.
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