Pegando “carona” neste
título, atribuído a mim - acerca de 50 anos - quero referir-me ao “meu primeiro
amor de padre”, vivendo meu 1º Paroquiato em Amaraji, Paróquia de São José da Boa
Esperança, na Arquidiocese de Olinda e Recife, em Pernambuco, quando lá chegara
por esse Tempo do Natal.
Havia findado o velho ano litúrgico, com a Festa de
Cristo Rei do Universo, no último Domingo do Ano, pra no Domingo seguinte, 1º
do Advento, dar início ao Novo ano litúrgico; exatamente como agora.
Estou vivendo de saudades e de muitas memórias.
Tenho-me deparado com muitos papéis amarelados, pelo tempo, e surgem as
reminiscências. Não há mais Paróquia para cuidar e eu tenho mexido com papéis
envelhecidos e que me arrebentam de nostalgias e me levam a externá-las.
É
o que me está ocorrendo, neste instante, relendo e tentando cantar, letra e
música de Marcelo Gomes e Joãozinho Gouveia, intituladas Vida de um Sertanejo com a respectiva e imediata resposta
que dei, mesmo reconhecendo que “Alguma
coisa é verdade/, nisto que você me escreve/, no entanto, vejo é bondade/, daí,
tal resposta breve”. Repasso aos leitores: proposta e resposta
a fim de que todos entendam as ‘mensagens
proféticas’ desse tão antigo diálogo.
Pela
contemporaneidade destas mensagens, quero acrescentar mais duas, dos mesmos
autores, integrantes do nosso Grupo de Jovens, à época, intituladas: Louvor
ao Sertão, ao visitar Afogados da Ingazeira e Homenagem a Dom Helder
no encerramento da Festa de São José, Padroeiro de Amaraji.
Vida de um Sertanejo
(Por Marcelo Gomes e Joãozinho Gouveia – Paróquia de
Amaraji – PE – de 1978 a 1983)
Vemos coisas neste mundo Ele
é um poliglota
Muito fáceis de explicar: Formado
em Sociologia
Uma
é o amor profundo E
é pouca gente que nota
E a outra, eu vou falar. Que
ele conhece a Psicologia
Começou no sertão pobre Por
esse mundo afora
Em Bela Cruz do Ceará Ele
é conhecedor
Nasceu um menino nobre Pois
quando criança de outrora
Muito raro de se encontrar. Ele foi um sonhador:
Ele tem na sua testa De
ser um sacerdote
Uma estrela divina Pra
viver peregrinando
E ele nunca protesta/Aquilo que Até o dia de sua morte
Lhe foi dado com muita estima O Evangelho viver pregando
Todos vão compreender Teu
semblante, Padre Assis
A história que eu fiz É
de uma maneira descomunal
Pois é fácil perceber Faz
o povo ser feliz,
Que é do Francisco de Assis. Olhando a todos por igual.
Saiu de sua terra tão linda Comumente aprovado
Pro Seminário de Sobral És
delírio da Cidade
E depois foi pra Olinda Pois
todos têm observado
Tornar o seu sonho, real; Teu
ar de felicidade
Se ordenando foi pra Afogados Tenha sempre esse bom senso
E de uma Rádio foi diretor Para tudo construir
Pelos jovens foi estimado Pois
com esse amor imenso
Porque a todos ele amou Pelo
povo de Amaraji
Doze anos foram passados Serás
lembrado por nosso Deus
Pro Recife ele voltou E
por Aquele que ressurgir
Depois de ter observado Pois
todos contam como procedeu
Que sua vontade era de ser Pastor E o que fizeste por aqui
Por isso tendo em mente Que
Deus lhe dê na terra
De numa Igreja ele parar Tudo
que deseja ter
Mas um Colégio Polivalente E esse “espírito de guerra”
Em Paratibe foi comandar. Continue
até morrer
Pra Amaraji foi enviado Nosso
Vigário tem 12 anos
O filho do sertão de
vida sacerdotal
Por Cristo é abençoado E
que nesse mundo profano
Vamos aceitá-lo como irmão Ele é fenomenal
Onde hoje faz dois anos Ele
tem na sua história
Que aqui se fixou A
mais bela criatura
Por isso eu digo, não me engano É completa de vitorias
Muitas coisas realizou E
também de desventura
Tem a alma de nortista
O caboclo de Bela Cruz
E nos lugares é benquisto
Porque tudo de bom conduz
OBRIGADO Ceará
Por nos ter enviado
Este vigário que está
Sendo muito estimado
RESPOSTA DO PADRE ASSIS – NO MESMO DIA –
1978 a 1983 – EM AMARAJI – PE.
Diz Cristo em seu Evangelho, Marcelo, jamais
pensei
Sem pedir favor nem juros, Em também poder
rimar;
Frase que aplico a Marcelo: Você me ajudou,
eu sei,
“Tudo é puro para os puros”. Começando a me
inspirar.
Se você me acha bom Veja só
meus pobres versos
Não é porque eu seja, De quem
não tem experiência,
Você foi quem quis dar tom São pensamentos
imersos,
A uma alma sertaneja. Vazios de
muita ciência.
Alguma coisa é verdade Todavia eu
quis fazê-los,
Nisto que você me escreve Mesmo sem
sabedoria;
No entanto, vejo é bondade, O importante é
convertê-los
Daí tal resposta breve. Em diálogo
e alegria.
Não sou músico nem poeta, Minha missão é
sublime:
Pra dizer-lhe em igual tom, Tentar, com
todos, contato.
Se, às vezes, sou profeta Que eu fale,
ou ande ou rime,
É com palavra sem som. Sem pôr a
“caça” no mato.
Marcelo é inteligente, O Bom
Pastor é aquele
Músico, poeta e ator; Que
cuida bem do rebanho
Se elogiou este vivente, De Cristo, é
claro; não dele,
Transmitiu-lhe mais amor. Não importa o
tamanho.
Não é favor o que eu faço, Atualmente
Amaraji,
E sim, uma obrigação; Antes,
porém, Afogados...
Luto para criar laço Depois?
Quando? Onde ir?
E, entre todos, a união. Seguir
os velhos... cansado...
Tenho “espírito de guerra” É assim minha
Missão:
Mas o que quero é a paz; Estar sempre
preparado;
Se, neste mundo, a gente erra Ter a todos como
irmão,
Vem Cristo e nos satisfaz. Sem algo
especial, de lado.
Foi Ele quem me mandou: Sem família
constituída,
“Ide por todo este mundo”... Sem terras, sem
bens, sem nada.
Quem pra vida despertou, Só uma coisa: a
vida
O seguiu em um segundo. Para todos na
caminhada.
Todos somos convidados AGRADEÇO sua
mensagem,
A seguir o seu caminho: Suas
palavras de louvor,
Os mais simples e os letrados, De incentivo e de
coragem
Com ele não estão sozinhos. Nesta luta pelo
amor.
Você também está n’Ele, Remeto tudo
pra Cristo,
Quando compõe e versos faz, Com quem fazemos um
elo;
A inspiração parte d’Ele, Minha
esperança é só nisto:
Nunca vem de satanás. Surgirão
outros... Marcelo!
LOUVOR AO SERTÃO – DE MARCELO E
JOÃOZINHO – VISITANDO AFOGADOS
Como filhos do Nordeste Aqui se faz bom
baião,
Não podia ser diferente: Aqui se dança
forró,
Terra de cabra da peste Aqui se passa
precisão,
Produz sempre boa gente; Porém não se vive só,
Tanto faz Zona da Mata Luta-se pela
união,
Quanto faz Zona Agreste Confia-se no
vizinho,
Do mar até o Sertão Tem-se o
outro como irmão,
Não há quem nos moleste. Dá-se ao outro carinho.
De todas as Zonas citadas Como viver egoísmo?
Uma nos fala ao coração; Ou dar golpe do baú?
Se bem que todas amadas, Nesta terra sem racismo,
Respeitamos o Sertão Do Vale do
Pajeú?
Pela luta que se trava Sua Capital?
AFOGADOS,
Pela fome do irmão Linda,
alegre e hospitaleira,
Pela gente sempre brava Feita uma ilha em
todos os lados,
Que busca sua união. Gente bela e
prazenteira.
Nunca viemos aqui Rodeada de cidades:
Nunca saímos da Mata, Tabira, Iguaracy,
Somos do povo dali, Carnaíba e
Solidão,
Cujo amor ninguém desata. São José, Irajaí,
Mas não podemos deixar Tuparetama e Triunfo,
De sempre reconhecer Jabitacá e
Calumbi,
Que o Sertão ensina a amar, Serra
Talhada e Bom Nome
Compor, lutar e vencer. Prestam homenagem
aqui.
HOMENAGEM A DOM HELDER - PELO GRUPO DE JOVENS
DE AMARAJI
(Encerramento
da Festa de S. José – 19.03.1983 – Letra e Música de Marcelo)
São José da Boa Esperança
Tem o prazer de receber
O mensageiro que se lança
A ensinar e a aprender
Dom Helder, nossa alegria
Explode como Sinfonia.
Não são pensamentos profundos
Como os que estão colocados
Na Sinfonia dos Dois Mundos
Por Vossa Excelência ensinados
Entendemos com muito amor
A “Audácia do Criador”.
Enquanto o “Homem meu Irmão”
Ao mesmo tempo fraco e forte
Foi traidor da Criação
Tendo como saldo, a morte,
Mas, se o Espírito soprar
Não duvide “Quem vai Ganhar”.
Dificuldades surgirão:
Peste, guerra, fome e vingança
Jamais amedrontarão
O homem que sempre avança
Contra toda a inconsciência
Da “Espiral da Violência”.
Enquanto alguém procura o dia,
Ainda se lance e se afoite
Cristo nos deu a alegria
De nascer no meio da noite,
Pois quanto mais for sombreada,
Mais bonita é sua madrugada.
Dom Helder nós de Amaraji
Somos gratos pela visita;
Estamos prontos para servir
Nessa Igreja onde milita,
Procurando cada vez mais ter
“Mil Razões para Viver”.