sábado, 20 de dezembro de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

             MONS. ASSIS ROCHA                             NA ACADEMIA  DE LETRAS DE BELA CRUZ

              
Sem me ter dado conta da importância de um convite que recebi para participar na Câmara Municipal de Bela Cruz, às 19 horas, de 03.04.25, da Fundação da ABCCEL (Academia Belacruzense de Ciências, Cultura, Estudos e Letras) em que eu faria parte da Solenidade, como Acadêmico, ocupando a Cadeira de número 05, cujo Patrono teria sido meu colega e irmão sacerdote, Padre Aureliano Diamantino da Silveira, só podia mesmo me assustar.

            Com a recepção da “pelerine acadêmica” (aquela mantilha que cobre os ombros e fecha na frente), do Diploma, da medalha e de incentivo às letras, às artes, às ciências e à preservação cultural, o Acadêmico tem que colaborar com artigos, poesias e outras curiosidades que levem a Academia em frente.

            Nestes oito meses de vida, já tivemos encontros em Praças Públicas, em locais históricos e estamos com uma publicação, a cada dois meses, de um “Jornal Literário Científico e Cultural”, chamado “o CAJU” por ser a fruta que melhor caracteriza nossa região. Nesse contexto todo, ainda estou assustado.

            No entanto, já que o Convite era pra valer, não me quis ficar por fora e ainda pecar por omissão, que é uma falta gravíssima. Em vez de deixar pra lá, empenhei-me em conhecer melhor o que me pediam e a aprofundar a reflexão.

            Descobri que não é, simplesmente, uma homenagem aos que já se foram. Um dia também iremos nós e vamos tornar imortais aquelas cadeiras e o que elas representam. E o ciclo, jamais fechará. Temos que perenizá-lo.

            Dada a “antiguidade” que têm as Academias no Mundo – desde o Jardim de Akademo, um bosque de imponentes oliveiras nas imediações de Athenas, capital da Grécia – onde o Filósofo Platão instalou sua célebre Escola, à qual deu o nome de Akademia no ano 387 a.C. em homenagem ao seu antigo dono.

            Ali ele instalou uma estrutura escolar composta de uma biblioteca, uma residência e um jardim a que chamavam de Academia, em honra de Akademo, o salvador de Helena na guerra de Tróia. Essa história é muito antiga (do séc. 4º a.C.) e nem se pode comparar com a nossa história que tem pouco mais de 05 séculos de conhecida. Já dá para se perceber a diferença entre uma Academia desde sua história, na origem, para uma academia originada agora.

            Pelo conhecimento que tive de Universidades bem antigas, lá do início, e as Universidades ou Academias daqui do Novo Mundo, a diferença é enorme. É o que eu dizia, há poucos dias, falando do Monte Athos, na Grécia: “foi uma questão de oportunidades”. Eu as tive e aproveitei. Agradeço a Deus.

            Sou agradecido também a Deus por “estar chegando tarde à ABCCEL” por ser melhor do que nunca, ter chegado a ela. Como diz a sabedoria popular: antes tarde do que nunca. Aqui estamos quase na reta final ou na prorrogação, mas chegando. Interessante! A Academia Brasileira de Letras chegou depois de ter chegado a Academia Cearense de Letras, respectivamente: A.B.L.: 20/07/1897 e A.C.L.: 15/08/1894.

            Três anos antes de nascer a Academia Brasileira de Letras (1897), a Academia Cearense de Letras (1894) já escolhera um lema latino, de pura ousadia: “Forti nihil difficile” i.é. “nada é difícil ao forte”.

            Não há porque não adotarmos este “lema”, escolhido pela Academia Cearense de Letras há 131 anos, completados em agosto último, na Festa de Nossa Sra. da Assunção, Padroeira de Fortaleza, como lema nosso, da afiliada Academia Belacruzense de Letras, já abençoada pela Sra. da Conceição.

            Nestes últimos dias, devido à vivencia dos tempos litúrgicos do Advento e Natal, sempre na presença de Maria, foi-nos pedida uma mensagem natalina.

            Eu a escrevi para ser reproduzida no nosso “Jornal O CAJU” em sua edição do Natal. Conforme me apresentei acima, sou colega e irmão no sacerdócio do Patrono da Cadeira de Nº 05 que ocupo na ABCCEL, que é o Padre Aureliano Diamantino da Silveira. Mas, o que esperava o redator Marcos Guito, de mim, ao pedir-me uma ‘Mensagem de Natal’? Será que ele pensava naqueles antigos ‘chavões’ de ‘feliz natal e próspero ano novo’ que nada mais dizem? Ou eu iria enveredar pela sabedoria popular de Zé Dantas e Luís Gonzaga, em seu Folclore Nordestino, que diz: “Natá só presta em casa e São João no Arraiá”? Escolhi três Natais que passei ‘longe de casa’ e, por certo foram os melhores de minha vida: 1973, em Paris, Capital da França; 1974, em Grenoble, perto de Lyon, sul da França e em 1975, em Munique, na Alemanha.

            Nestes 03 últimos anos – 2023, 2024 e 2025 – temo-nos comunicado via blogs, telefonemas ou vídeos, recordando os bons momentos em que nos solidarizávamos no exílio em que eles viviam e lhes fazíamos companhias fraternas e ouvíamos suas lamúrias, próprias de quem se sentia exilado e longe de casa. Já se vão 50 anos. Algumas vezes, a saudade nos aproximou, pessoalmente. É que tudo é muito caro e longe e nossas opções de sobrevida não são lá das melhores.

            Éramos dois sacerdotes: o Pe. José Maria, filho de Santana do Acaraú e        eu, Pe. Assis Rocha, de Bela Cruz. Ambos estudávamos na Universidade São Tomás de Aquino, dos Padres Dominicanos, em Roma. Não éramos exilados políticos. O Padre Zé Maria estava reciclando sua Teologia Pastoral e eu estu-dando e me especializando em Ciências e Comunicações Sociais.

            Por causa de nossas opções pastorais, aqui no Brasil, estagiávamos em atividades que fossem compatíveis com nossas reflexões acadêmicas, daí, escolhermos aqueles que, longe de suas famílias, poderiam ter, ao menos no Natal, uma atmosfera mais saudável, mais semelhante aos seus lares, junto às pessoas que mais lhe queriam bem. Íamos ao encontro deles.

            Apesar de, esporadicamente, nos encontrarmos, escolhíamos o Tempo do Natal, para um contato maior e mais significativo, devido ainda ser mais feliz pela aproximação do Dia de Ano em que se celebrava a Confraternização Universal. Será que motivações como estas não justificam qualquer esforço ou empenho para tais realizações? Se a Confraternização Universal nos desliga das guerras ou nos pede um maior entendimento entre os povos e o reino da paz, porque nós nos desunimos tanto, mesmo sendo de origem cristã? Porque tantos brasileiros, fora do Brasil, expulsos daqui por polarizações políticas, tinham de ficar isolados, castigados e impedidos de se alegrarem no Natal, tantas vezes vivenciado no Brasil, quando aqui estavam e, à época, longe, impedidos de se confraternizarem, por causa de um capricho da ditadura?

            Porque, dois Padres, que não eram fugidos do Brasil, estavam livres no exterior, até podendo voltar quando terminassem os estudos, não poderiam passar um Natal diferente e dar tanta alegria a irmãos brasileiros, só por puro preconceito ou por não terem uma Igreja Paroquial para reuni-los e por isso, os deixarem sem a alegria do Natal? Não seria um absurdo?

            Por isso eu digo: “Natal que presta, não é só o que se celebra em casa. É o que se festeja com amigos distantes; com quem pareça não ter fé. A fé é um dom de Deus. Foi por ela que eu e meu irmão Padre Zé Maria, ‘in memoriam’, celebramos os melhores e mais belos Natais de nossas vidas há mais de 50 anos”. Nunca nos arrependemos de tê-los celebrado longe de casa.




Um comentário:

  1. Prezado Mons. Assis Rocha. Parabéns pela eleição à Academia. Homenagem muito justa. Votos de paz, bem e muitas felicidades. Alex Sandro

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