MONS. ASSIS ROCHA NA ACADEMIA DE LETRAS DE BELA CRUZ

Sem me ter dado conta da importância de um convite que recebi
para participar na Câmara Municipal de Bela Cruz, às 19 horas, de 03.04.25, da
Fundação da ABCCEL (Academia Belacruzense
de Ciências, Cultura, Estudos e Letras) em que eu faria parte da
Solenidade, como Acadêmico, ocupando a Cadeira de número 05, cujo Patrono teria
sido meu colega e irmão sacerdote, Padre Aureliano Diamantino da Silveira, só
podia mesmo me assustar.
Com
a recepção da “pelerine acadêmica” (aquela mantilha que cobre os ombros e fecha
na frente), do Diploma, da medalha e de incentivo às letras, às artes, às
ciências e à preservação cultural, o Acadêmico tem que colaborar com artigos,
poesias e outras curiosidades que levem a Academia em frente.
Nestes
oito meses de vida, já tivemos encontros em Praças Públicas, em locais
históricos e estamos com uma publicação, a cada dois meses, de um “Jornal
Literário Científico e Cultural”, chamado “o CAJU” por ser a fruta que melhor
caracteriza nossa região. Nesse contexto todo, ainda estou assustado.
No
entanto, já que o Convite era pra valer, não me quis ficar por fora e ainda
pecar por omissão, que é uma falta gravíssima. Em vez de deixar pra lá,
empenhei-me em conhecer melhor o que me pediam e a aprofundar a reflexão.
Descobri
que não é, simplesmente, uma homenagem aos que já se foram. Um dia também
iremos nós e vamos tornar imortais
aquelas cadeiras e o que elas representam. E o ciclo, jamais fechará. Temos que
perenizá-lo.
Dada
a “antiguidade” que têm as Academias no Mundo – desde o Jardim de Akademo, um
bosque de imponentes oliveiras nas imediações de Athenas, capital da Grécia –
onde o Filósofo Platão instalou sua célebre Escola, à qual deu o nome de
Akademia no ano 387 a.C. em homenagem ao seu antigo dono.
Ali
ele instalou uma estrutura escolar composta de uma biblioteca, uma residência e
um jardim a que chamavam de Academia, em honra de Akademo, o salvador de Helena
na guerra de Tróia. Essa história é muito antiga (do séc. 4º a.C.) e nem se
pode comparar com a nossa história que tem pouco mais de 05 séculos de
conhecida. Já dá para se perceber a diferença entre uma Academia desde sua
história, na origem, para uma academia originada agora.
Pelo
conhecimento que tive de Universidades bem antigas, lá do início, e as
Universidades ou Academias daqui do Novo Mundo, a diferença é enorme. É o que
eu dizia, há poucos dias, falando do Monte Athos, na Grécia: “foi uma questão de oportunidades”. Eu as
tive e aproveitei. Agradeço a Deus.
Sou
agradecido também a Deus por “estar chegando tarde à ABCCEL” por ser melhor do que nunca, ter chegado a ela. Como diz a
sabedoria popular: antes tarde do que
nunca. Aqui estamos quase na reta final ou na prorrogação, mas
chegando. Interessante! A Academia Brasileira de Letras chegou depois de ter
chegado a Academia Cearense de Letras, respectivamente: A.B.L.: 20/07/1897 e
A.C.L.: 15/08/1894.
Três
anos antes de nascer a Academia Brasileira de Letras (1897), a Academia
Cearense de Letras (1894) já escolhera um lema latino, de pura ousadia: “Forti
nihil difficile” i.é. “nada é
difícil ao forte”.
Não
há porque não adotarmos este “lema”, escolhido pela Academia Cearense de Letras
há 131 anos, completados em agosto último, na Festa de Nossa Sra. da Assunção,
Padroeira de Fortaleza, como lema nosso, da afiliada Academia Belacruzense
de Letras, já abençoada pela Sra.
da Conceição.
Nestes
últimos dias, devido à vivencia dos tempos litúrgicos do Advento e Natal,
sempre na presença de Maria, foi-nos pedida uma mensagem natalina.
Eu
a escrevi para ser reproduzida no nosso “Jornal
O CAJU” em sua edição do Natal. Conforme me apresentei acima, sou colega e
irmão no sacerdócio do Patrono da Cadeira de Nº 05 que ocupo na ABCCEL, que é o Padre Aureliano
Diamantino da Silveira. Mas, o que esperava o redator Marcos Guito, de mim, ao
pedir-me uma ‘Mensagem de Natal’?
Será que ele pensava naqueles antigos ‘chavões’ de ‘feliz natal e próspero ano
novo’ que nada mais dizem? Ou eu iria enveredar pela sabedoria popular de Zé
Dantas e Luís Gonzaga, em seu Folclore
Nordestino, que diz: “Natá só presta
em casa e São João no Arraiá”? Escolhi três Natais que passei ‘longe de casa’ e, por certo foram
os melhores de minha vida: 1973, em Paris, Capital da França; 1974, em
Grenoble, perto de Lyon, sul da França e em 1975, em Munique, na Alemanha.
Nestes
03 últimos anos – 2023, 2024 e 2025 – temo-nos comunicado via blogs,
telefonemas ou vídeos, recordando os bons momentos em que nos solidarizávamos
no exílio em que eles viviam e lhes fazíamos companhias fraternas e ouvíamos
suas lamúrias, próprias de quem se sentia exilado e longe de casa. Já se vão 50
anos. Algumas vezes, a saudade nos aproximou, pessoalmente. É que tudo é muito
caro e longe e nossas opções de sobrevida não são lá das melhores.
Éramos
dois sacerdotes: o Pe. José Maria, filho de Santana do Acaraú e eu, Pe. Assis Rocha, de Bela Cruz.
Ambos estudávamos na Universidade São Tomás de Aquino, dos Padres Dominicanos,
em Roma. Não éramos exilados políticos. O Padre Zé Maria estava reciclando sua
Teologia Pastoral e eu estu-dando e me especializando em Ciências e
Comunicações Sociais.
Por
causa de nossas opções pastorais, aqui no Brasil, estagiávamos em atividades
que fossem compatíveis com nossas reflexões acadêmicas, daí, escolhermos
aqueles que, longe de suas famílias, poderiam ter, ao menos no Natal, uma
atmosfera mais saudável, mais semelhante aos seus lares, junto às pessoas que
mais lhe queriam bem. Íamos ao encontro deles.
Apesar
de, esporadicamente, nos encontrarmos, escolhíamos o Tempo do Natal, para um
contato maior e mais significativo, devido ainda ser mais feliz pela
aproximação do Dia de Ano em que se celebrava a Confraternização Universal.
Será que motivações como estas não justificam qualquer esforço ou empenho para
tais realizações? Se a Confraternização Universal nos desliga das guerras ou
nos pede um maior entendimento entre os povos e o reino da paz, porque nós nos
desunimos tanto, mesmo sendo de origem cristã? Porque tantos brasileiros, fora
do Brasil, expulsos daqui por polarizações políticas, tinham de ficar isolados,
castigados e impedidos de se alegrarem no Natal, tantas vezes vivenciado no
Brasil, quando aqui estavam e, à época, longe, impedidos de se
confraternizarem, por causa de um capricho da ditadura?
Porque,
dois Padres, que não eram fugidos do Brasil, estavam livres no exterior, até
podendo voltar quando terminassem os estudos, não poderiam passar um Natal
diferente e dar tanta alegria a irmãos brasileiros, só por puro preconceito ou
por não terem uma Igreja Paroquial para reuni-los e por isso, os deixarem sem a
alegria do Natal? Não seria um absurdo?
Por
isso eu digo: “Natal que presta, não é só
o que se celebra em casa. É o que se festeja com amigos distantes; com quem
pareça não ter fé. A fé é um dom de Deus. Foi por ela que eu e meu irmão Padre
Zé Maria, ‘in memoriam’, celebramos os melhores e mais belos Natais de nossas
vidas há mais de 50 anos”. Nunca nos arrependemos de tê-los celebrado longe de casa.

Prezado Mons. Assis Rocha. Parabéns pela eleição à Academia. Homenagem muito justa. Votos de paz, bem e muitas felicidades. Alex Sandro
ResponderExcluir