quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A AÇÃO CATÓLICA MUDOU A VIDA DE MILHARES DE JOVENS!

Desde a década de 1950, adolescentes ainda, no Seminário Menor de São José, em Sobral, Leunam e eu, além dos estudos curriculares, fomos convidados a colaborar com o Economato do Seminário, que tinha a condução do professor e Padre José Linhares Ponte, numa tentativa de ir logo pondo em prática, aquilo que aprendíamos.

Outra atividade que também íamos praticando foi a consecução de um espaço com uma “radiola”, sua arrumação e zelo constantes da “sala de audiência musical”, organização da discoteca, ao ponto de mais tarde, nascer o serviço de alto-falante da amplificadora Rádio Itamaraty, que transmitia de seu Gabinete Musical “Pe. Austregésilo de Mesquita” (em homenagem ao Reitor).

Terminado o Curso Científico, ou 2º grau, fomos para o Seminário de Olinda, em Pernambuco, no início da década de 1960, o chamado Seminário Maior onde se estudava Filosofia, Teologia, Mariologia, Sagradas Escrituras, Direito Canônico, Canto Gregoriano, Liturgia, Grego e outras “disciplinas instrumentais” que muito colaborariam na formação do futuro Padre, por ex.: Comunicação, Pastoral e Catequese, como parte prática dos estudos. Era a parte mais adulta de nossa aprendizagem, como havíamos iniciado em Sobral.

Agora, na juventude, abriam-se mais nossos horizontes. Estávamos amadurecendo e cada vez mais chamados a praticar o que aprendíamos. Esta era a orientação para todos os seminaristas. Tínhamos que nos ocupar.  Como já tínhamos sido encaminhados, quando adolescentes, agora era para entrar, sem medo, na ação. Leunam e eu começamos a estudar Comunicação no CECOSNE (Centro de Comunicação Social do Nordeste) e a fazer, com outros colegas, catequese em escolas e a ter contato com a Ação Católica.

Além disso, nós dois, procurávamos Emissoras de Rádio pra apresentar programas e conseguimos: na Rádio Olinda, na Rádio Clube de Pernambuco e, nas férias, na Rádio Pajeú, da Diocese de Afogados da Ingazeira, com o MEB.

O Leunam não se tornou Padre, mas o contato com o MEB – Afogados, abriu-lhe uma nova perspectiva de trabalho e ele se tornou especialista em educação, comunicação e ‘professor com prazer’ como o faz, tão bem até hoje.

Teve o Professor Paulo Freire, como sua maior inspiração e é o nosso melhor especialista, vivo entre nós, para abordar o Movimento de Educação de Base.

Eu me tornei Padre. Na 2ª feira, 04/08, estou completando 57 anos de Sacerdócio.  Além dos estudos específicos para ser padre, especializei-me em “Religiosidade Popular no Nordeste”. Sou graduado em Sociologia e em Comunicação Social e me dediquei a vida inteira a comunicar a verdade, a Palavra de Deus, por dez anos, ininterruptos, na Associação Missionária do Nordeste – AMINE -. Fui pró-reitor da Pro reitoria de Articulação e Comunicação da UVA, até completar 70 anos e sou Padre emérito, dos meus 75 anos pra cá. Tenho 84.

No 1º momento, como pró-reitor, dirigi a Rádio Universitária que, todos os dias, em cadeia com as Rádios Educadora, Tupinambá e Ressurreição apresentava programas, como: “Padre Assis, quem pergunta quer saber”! Pergunte e responderemos” e “Pro-reitorias em ação” sempre em conexão com os ouvintes, via telefone e, eventualmente, por cartas, p’ros habitantes do campo.

Para o Jornal Correio da Semana, da Diocese, durante uns 12 anos, escrevi cerca de 600 artigos e, depois de 2015, quando fiz 75 anos, já era hora de parar. Não podia mais “combater o bom combate” Tinha que “terminar a carreira”. Só me restava “guardar a fé” como dizia São Paulo em II Tim 4,7-8.

Tinha que parar tudo. Como continuar, se as forças já estavam no fim? Comecei uma nova missão: escrever. Para isto, basta a cabeça funcionar. O esforço físico é mínimo. Meu irmão e companheiro, em toda essa estrada, foi o Leunam. Como eu, também aposentado. Tem um “Blog”, maravilhosamente, bem conduzido, e me oferece uma página. Como não a aceitar? Mantenho, semanalmente, um Comentário, sobre temas variados, a meu critério.

Agora, me aparece um amigo dele, que não o conheço, pessoalmente – o Médico, Mariano Freitas - lá da região dos Inhamuns, em Tauá, na fronteira com o Piauí, que, a exemplo dos meus ouvintes da Cadeia de Rádios, em Sobral, está-me ‘perguntando pra eu responder’.

Dado o objetivo da sua curiosidade, eu já vou ligando ao outro Programa citado: quem pergunta, quer saber. Vamos ver até quando iremos suportar-nos.

Na maneira antiga, a resposta era ‘ao vivo’ e de imediato. Deste modo, agora, estamos a 450 km de distância, demorando pra ‘perguntar e receber a resposta’ por escrito e ir copiá-la fora de casa, por não ter impressora. Tá bom?

O Dr. Mariano já inicia perguntando que relação tinha Getúlio Vargas com a Ação Católica, que abordamos no Comentário da Semana passada.

Havíamos dito que o Papa Pio XI instituíra a A.C. em 1935 e que a dificuldade de sua carta apostólica chegar às mãos do Cardeal Leme e o entendimento da vontade do Papa que era de dirigir a A.C. à juventude nas vogais do alfabeto/Juventude A(grária). E(studantil). I(ndependente). O(perária) e Juventude U(niversitária) demandaram um espaço de tempo

O Cardeal se apressou em atender o Papa e, em vez de seguir a ordem estudada e indicada por ele, usou um grupo já existente de leigos adultos do Centro Dom Vital, que era, totalmente, avesso à nova pastoral proposta.

Como eu disse, o Cardeal “atirou no alvo errado” e atrasou bastante o esquema inicial. Daí poder-se dizer que, a A.C. e Getúlio não se relacionaram, mesmo tendo sido contemporâneos. Não porque ele não quisesse, pois até buscou o apoio da Igreja Católica para legitimar seu governo. A Igreja é que não aceitava as suas manobras “ditatoriais” para permanecer no cargo por longos 15 anos: de 1930 a 1945, quando surgiu Eurico Gaspar Dutra, até 1950, e Getúlio volta, não mais como ditador, mas eleito pelo povo. Dá pra entender?   

Os 15 anos ditatoriais de Getúlio se dividiram em: governo provisório de 1930 a 1934. Governo constitucional de 1934 a 1937. Governo do Estado Novo de 1937 a 1945, quando Getúlio foi deposto. Na sequência, veio o Ministro da Guerra de Getúlio, General Eurico Gaspar Dutra, que deu continuidade ao ‘regime de exceção vigente’; e, pasmem! Depois daquele massacre, nas eleições seguintes, em 1951, Getúlio Vargas foi escolhido Presidente da República, até o suicídio, em 1954. Bonito governante e belíssima figura para a Igreja aprovar!

Para ele, a Igreja poderia ser uma forte aliada para a manutenção do seu governo e um forte instrumento de dominação. Para isto, ele até decretou o ensino religioso facultativo nas escolas públicas, mostrando a disposição do Estado em manter um diálogo com os católicos e receber seu apoio. Foi parte de “uma de suas manobras” para facilitar o bom relacionamento. Sabido, hein?!

Sempre que se fala do entendimento entre Igreja e Estado, sente-se a “areia movediça” em que nos encontramos. Aí está o chute inicial, Doutor. É a resposta que, rapidamente, estou-lhe dando. Como disse em meu penúltimo Comentário: voltarei. É-me impossível satisfazer todas as curiosidades em tão curto espaço. Jango vem aí. Até breve!




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