A AÇÃO CATÓLICA MUDOU A VIDA DE MILHARES DE JOVENS!
Desde a década de 1950, adolescentes ainda, no Seminário Menor
de São José, em Sobral, Leunam e eu,
além dos estudos curriculares, fomos convidados a colaborar com o Economato do
Seminário, que tinha a condução do professor e Padre José Linhares Ponte, numa tentativa de ir logo pondo em
prática, aquilo que aprendíamos.
Outra atividade que também íamos praticando foi a consecução de
um espaço com uma “radiola”, sua arrumação e zelo constantes da “sala de
audiência musical”, organização da discoteca, ao ponto de mais tarde, nascer o
serviço de alto-falante da amplificadora Rádio Itamaraty, que transmitia de seu
Gabinete Musical “Pe. Austregésilo de
Mesquita” (em homenagem ao Reitor).
Terminado
o Curso Científico, ou 2º grau, fomos para o Seminário de Olinda, em
Pernambuco, no início da década de 1960, o chamado Seminário Maior onde se
estudava Filosofia, Teologia, Mariologia,
Sagradas Escrituras, Direito Canônico, Canto Gregoriano, Liturgia, Grego e
outras “disciplinas instrumentais” que muito colaborariam na formação do futuro
Padre, por ex.: Comunicação, Pastoral e
Catequese, como parte prática dos estudos. Era a parte mais adulta de nossa
aprendizagem, como havíamos iniciado em Sobral.
Agora,
na juventude, abriam-se mais nossos horizontes. Estávamos amadurecendo e cada
vez mais chamados a praticar o que aprendíamos. Esta era a orientação para
todos os seminaristas. Tínhamos que nos ocupar.
Como já tínhamos sido encaminhados, quando adolescentes, agora era para
entrar, sem medo, na ação. Leunam e eu começamos a estudar Comunicação no
CECOSNE (Centro de Comunicação Social do Nordeste) e a fazer, com outros
colegas, catequese em escolas e a ter contato com a Ação Católica.
Além
disso, nós dois, procurávamos Emissoras de Rádio pra apresentar programas e
conseguimos: na Rádio Olinda, na Rádio
Clube de Pernambuco e, nas férias, na Rádio
Pajeú, da Diocese de Afogados da Ingazeira, com o MEB.
O
Leunam não se tornou Padre, mas o contato com o MEB – Afogados, abriu-lhe uma nova perspectiva de trabalho e ele se
tornou especialista em educação, comunicação e ‘professor com prazer’ como o faz, tão bem até hoje.
Teve
o Professor Paulo Freire, como sua maior inspiração e é o nosso melhor
especialista, vivo entre nós, para abordar o Movimento de Educação de Base.
Eu
me tornei Padre. Na 2ª feira, 04/08, estou completando 57 anos de
Sacerdócio. Além dos estudos específicos
para ser padre, especializei-me em “Religiosidade
Popular no Nordeste”. Sou graduado em Sociologia e em Comunicação Social e
me dediquei a vida inteira a comunicar a verdade, a Palavra de Deus, por dez
anos, ininterruptos, na Associação Missionária do Nordeste – AMINE -. Fui
pró-reitor da Pro reitoria de Articulação e Comunicação da UVA, até completar
70 anos e sou Padre emérito, dos meus 75 anos pra cá. Tenho 84.
No
1º momento, como pró-reitor, dirigi a Rádio Universitária que, todos os dias,
em cadeia com as Rádios Educadora, Tupinambá e Ressurreição apresentava
programas, como: “Padre Assis, quem
pergunta quer saber”! “Pergunte e
responderemos” e “Pro-reitorias em
ação” sempre em conexão com os ouvintes, via telefone e, eventualmente, por
cartas, p’ros habitantes do campo.
Para
o Jornal Correio da Semana, da Diocese, durante uns 12 anos, escrevi cerca de
600 artigos e, depois de 2015, quando fiz 75 anos, já era hora de parar. Não
podia mais “combater o bom combate” Tinha que “terminar a carreira”. Só me
restava “guardar a fé” como dizia São Paulo em II Tim 4,7-8.
Tinha
que parar tudo. Como continuar, se as forças já estavam no fim? Comecei uma
nova missão: escrever. Para isto, basta a cabeça funcionar. O esforço físico é
mínimo. Meu irmão e companheiro, em toda essa estrada, foi o Leunam. Como eu,
também aposentado. Tem um “Blog”, maravilhosamente, bem conduzido, e me oferece
uma página. Como não a aceitar? Mantenho, semanalmente, um Comentário, sobre
temas variados, a meu critério.
Agora,
me aparece um amigo dele, que não o conheço, pessoalmente – o Médico, Mariano Freitas - lá da região
dos Inhamuns, em Tauá, na fronteira com o Piauí, que, a exemplo dos meus
ouvintes da Cadeia de Rádios, em Sobral, está-me ‘perguntando pra eu
responder’.
Dado
o objetivo da sua curiosidade, eu já vou ligando ao outro Programa citado: quem pergunta, quer saber. Vamos ver até
quando iremos suportar-nos.
Na
maneira antiga, a resposta era ‘ao vivo’ e de imediato. Deste modo, agora,
estamos a 450 km de distância, demorando pra ‘perguntar e receber a resposta’
por escrito e ir copiá-la fora de casa, por não ter impressora. Tá bom?
O
Dr. Mariano já inicia perguntando que relação tinha Getúlio Vargas com a Ação
Católica, que abordamos no Comentário da Semana passada.
Havíamos
dito que o Papa Pio XI instituíra a A.C. em 1935 e que a dificuldade de sua
carta apostólica chegar às mãos do Cardeal Leme e o entendimento da vontade do
Papa que era de dirigir a A.C. à juventude nas vogais do alfabeto/Juventude A(grária). E(studantil).
I(ndependente). O(perária) e Juventude U(niversitária) demandaram um espaço
de tempo
O
Cardeal se apressou em atender o Papa e, em vez de seguir a ordem estudada e
indicada por ele, usou um grupo já existente de leigos adultos do Centro Dom
Vital, que era, totalmente, avesso à nova pastoral proposta.
Como
eu disse, o Cardeal “atirou no alvo
errado” e atrasou bastante o esquema inicial. Daí poder-se dizer que, a
A.C. e Getúlio não se relacionaram, mesmo tendo sido contemporâneos. Não porque
ele não quisesse, pois até buscou o apoio da Igreja Católica para legitimar seu
governo. A Igreja é que não aceitava as suas manobras “ditatoriais” para
permanecer no cargo por longos 15 anos: de 1930 a 1945, quando surgiu Eurico
Gaspar Dutra, até 1950, e Getúlio volta, não mais como ditador, mas eleito pelo
povo. Dá pra entender?
Os
15 anos ditatoriais de Getúlio se dividiram em: governo provisório de 1930 a
1934. Governo constitucional de 1934 a 1937. Governo do Estado Novo de 1937 a
1945, quando Getúlio foi deposto. Na sequência, veio o Ministro da Guerra de
Getúlio, General Eurico Gaspar Dutra, que deu continuidade ao ‘regime de
exceção vigente’; e, pasmem! Depois daquele massacre, nas eleições seguintes,
em 1951, Getúlio Vargas foi escolhido Presidente da República, até o suicídio,
em 1954. Bonito governante e belíssima figura para a Igreja aprovar!
Para
ele, a Igreja poderia ser uma forte aliada para a manutenção do seu governo e
um forte instrumento de dominação. Para isto, ele até decretou o ensino
religioso facultativo nas escolas públicas, mostrando a disposição do Estado em
manter um diálogo com os católicos e receber seu apoio. Foi parte de “uma de
suas manobras” para facilitar o bom relacionamento. Sabido, hein?!
Sempre
que se fala do entendimento entre Igreja e Estado, sente-se a “areia movediça”
em que nos encontramos. Aí está o chute inicial, Doutor. É a resposta que,
rapidamente, estou-lhe dando. Como disse em meu penúltimo Comentário: voltarei.
É-me impossível satisfazer todas as curiosidades em tão curto espaço. Jango vem
aí. Até breve!


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