Este país vai voltar a ser a Terra de Santa Cruz.
Devido
à formação recebida da Família Adotiva, teve encaminhamento para a vida, com
diferentes opções: desde a formação militar, ocupando o posto de Alferes, às
funções de tropeiro, comerciante, minerador e até as práticas farmacêuticas,
exercendo a profissão de Dentista. Daí a “alcunha” de TIRADENTES, que o
celebrizou até hoje.
No
ambiente “familiar”, na sala de aula, no contato com os profissionais de seu
meio, foi exercendo papel importantíssimo na propagação de ideias revolucionárias
junto ao povo, a quem ele arregimentava como adeptos. Era um verdadeiro líder
não só pela maneira de trabalhar, como pelo poder de influenciar as pessoas,
convocando-as a se enfileirar num movimento pioneiro de tentativa de libertação
colonial do Brasil. A Rainha Dona Maria I, certamente não bem-intencionada,
impressionou-se com sua liderança e o nomeou como “Comandante da Patrulha” na
rota de escoamento da produção mineradora que levava toda a fabricação mineira
para o Porto do Rio de Janeiro e dali, para Portugal. Era o chamado Caminho Novo, descoberto pelo Reino,
que proibia o estabelecimento de engenhos na região de Minas e punia o
contrabando de ouro e de pedras preciosas. Não só os mineiros, mas toda a população
era obrigada a pagar elevados impostos, o que promovia o descontentamento
geral. Tiradentes não se encantou com o cargo. Não ficou do lado do Reino, é
claro, ficou do lado do povo.
Já se
começavam a organizar tentativas de libertação colonial do Brasil com a participação
de grandes proprietários de terra, mineradores e até de integrantes do Clero.
Tiradentes entendeu que deveria ficar do lado dos “conspiradores” e começou a fazer seus contatos revolucionários,
procurando, por exemplo, o Visconde de Barbacena, Governador de Minas Gerais,
que já se preparava para decretar “a
derrama”, ou seja, a cobrança de todos os impostos atrasados. Aqui e ali ia
conquistando apoio, embora, às vezes, isso não acontecesse. Foi o caso do
Coronel Joaquim Silvério dos Reis, que devia grandes somas à Coroa e, com medo,
não aceitou a proposta. Já existia a “delação
premiada”: denunciou-o e Tiradentes se escondeu na casa de um amigo no Rio
de Janeiro, sendo preso no dia 10 de Maio de 1789.
Foram
presas mais 34 pessoas, das quais, 05 eram Padres. Todos passaram por processo
de investigação, julgamento, acusação e sentença, onde Tiradentes foi indiciado
como cabeça do movimento e foi condenado no dia 21 de Abril de 1792, enforcado
e esquartejado e sua cabeça foi exposta em Vila Rica e seus membros espalhados
em postes, no caminho, entre Minas e o Rio de Janeiro, para servir de exemplo e
amedrontar todos os que passassem pelas imediações. O que acontecera com ele,
aconteceria com todos os que se metessem a ser revolucionários. De fato, os
demais companheiros ou “conspiradores” receberam penas semelhantes: onze foram
condenados à morte, cinco a degredo perpétuo e várias condenações à prisão.
Todos perderam seus bens.
A luta
não parou por aí. Trinta anos depois, em 1822, veio o grito de Independência ou Morte. Já se vão quase
200 anos. Foi o brado de Dom Pedro às margens do Rio Ipiranga, atualizando os
movimentos revolucionários, protagonizados pelo protomártir Tiradentes. Com
mais 67 anos, em 1889, houve a Proclamação da República. Nem sabíamos o que era
democracia. Não elegíamos ninguém, pois para a função de Imperador, não se
vota. Durante 389 anos fomos manobrados pelo Rei, o todo poderoso “manda chuva”. E o que é pior: até o
governo da Igreja era feito pelo Imperador que, pelo direito de padroado,
“casava e batizava”: nomeava bispos,
criava dioceses, transferia padres e decidia sem que Roma tomasse conhecimento.
Proclamada
a República, adquiriu-se o direito de votar, de escolher nossos governantes e
de viver, plenamente a Democracia. Pena é que, nesses últimos 133 anos, o povo
entendeu tão pouco a mudança do Império para a República, que assistiu de
braços cruzados, a três Golpes de Estado, promovidos pelas mesmas elites que,
desde Tiradentes, diziam querer a Democracia, que não era outra coisa senão, a
busca dos próprios interesses. Nos 03 Movimentos Golpistas – no de Getúlio, no
dos Militares e no último Impeachment
– mantiveram-se no poder as elites, os compradores de votos, os enganadores e
fabricantes de falsas promessas, os lavadores de dinheiro, os formadores de
organizações criminosas, os milicianos, os corruptores ativos e passivos, os
‘negacionistas’, os promotores do tráfico transnacional de drogas, de crianças,
de jovens e de mulheres, da ocultação de patrimônio e enfim, uma “legítima”
volta à Ditadura. Não é incrível? Aonde vamos chegar?
O
“Caminho Novo”, meu caro Tiradentes, palmilhado por você, ajudando o Império
invasor português, a carregar o que era nosso, tem que ser refeito de volta,
repatriando tudo o que a pirataria europeia levou de nós. Infelizmente maus
brasileiros aprenderam a fazer esse tal “caminho”
e abarrotaram Bancos, no exterior, com o dinheiro de nossa saúde, de nossa
educação e de nossa segurança em geral. Essa riqueza tem que ser “repatriada”,
retornada aos nossos cofres para servir a todos. Os portugueses não nos
“descobriram” como se ensina nas escolas. Eles nos invadiram e se apropriaram
de várias nações indígenas, como se não fossem gente ou povos organizados. Eram
cerca de 05 milhões de pessoas a quem os invasores chamaram de “selvagens” e
desconfiavam até de terem almas. Há espertalhões brasileiros que ainda pensam e
agem com nosso povo, como massa de manobra. Será que mudará?
Do
jeito que as coisas estão caminhando, você acredita em mudança? Com o governo
que estamos tendo, você vê possibilidade para isto? Não estamos à deriva, desorientados,
sem esperança? Que situação triste, a nossa: perdermos a esperança! Quando a
gente recorda um herói de nossa história, como Tiradentes, que se insurgiu
contra a Coroa Portuguesa, há, exatamente, 230 anos, ao tempo em que tudo era
mais difícil/ e continuamos, tendo-o como referencia nacional/, porque não nos
esforçarmos para vermos nele, um exemplo a ser imitado? O tempo vai passando e,
em vez de nos “organizarmos e progredirmos” - como lembra a nossa Bandeira
Nacional - estamos “indo para trás”, muito aquém de todos os países do mundo.
Não é o que estamos vendo diante da Pandemia do CORONAVIRUS? O mundo todo se
resguardando, fazendo quarentena, obedecendo à Ciência, à OMS, à ordem de “ficarmos em casa”, enquanto o nosso Governante
Maior, sai às ruas, estimulando à desordem, visando a reeleição, inventando
inaugurações do que ele nem construiu, indo, totalmente na contramão de todos
os que têm bom senso e seguem uma orientação mundial! Não é um contrassenso?
Aonde iremos parar? Até quando viveremos assim?
Neste dia
24, 2º Domingo da Páscoa, - chamado “Domingo
da Divina Misericórdia” - Jesus, diante do “incrédulo Tomé”,
mandou que ele metesse o dedo nos furos de suas mãos e do seu lado para
acreditar que era Ele mesmo, e que estava ressuscitado, vivo de novo, e deu a
todos nós, um grande elogio: “acreditaste, Tomé, porque me viste;
bem-aventurados os que creram sem terem visto”. Todos somos convidados
a acreditar – ainda sem ter visto - que a Pandemia do Corona vírus e a epidemia
do nosso desgoverno vão passar. Tenhamos fé na misericórdia divina. Este país vai voltar a ser a Terra de Santa Cruz. Através
de suas autoridades, “terrivelmente
evangélicas”, só continuará a usar o nome de Deus em vão. A citar a Palavra
de Deus sem praticá-la. A usar da boa fé do povo para permanecer no poder
contra o povo.
Sem
ser historiador, sem ser cientista político e sem ser mais professor me
arrisquei a falar sobre este tema, embora, dois dias depois. Como diz “Bil
Bebes” da Escolinha do Prof. Raimundo, pelo menos, esta é a minha versão.
Quero ouvir a sua, Professor Leunam Gomes. A de vocês, colegas Betanistas e
demais leitores espalhados por todo o Brasil. Obrigado pela atenção e retorno!
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