Sempre que iniciamos o Mês de junho, vêm-nos logo á mente, reflexões sobre o folclore, as festas animadas com fogueira, milho assado, forró e
as famosas e tradicionais Festas Juninas. Tradicionais Cidades
Sertanejas vão se candidatand
o logo ao troféu de Capital do Forró e a disputa é
aguerrida na conquista do título: Campina Grande, na Paraíba; Caruaru, em
Pernambuco; Mossoró, no Rio Grande do Norte; São Luís, no Maranhão e até
Maracanaú, no Ceará vão às competições que se prolongam aquém e além do mês
junino.
O que dissemos dia 13 sobre S. Antônio, queremos repetir sobre São João e, mais tarde, sobre São Pedro porque, tais santos capitaniam todas as festividades folclóricas por todo o Nordeste e pelo Brasil afora.
Festa de São João já é sinônimo de Festa Junina. E
o folclore, a sabedoria popular, as danças populares e folguedos do povo e sua
criatividade funcionam até amanhecer o dia. Mesmo que São João ou os Santos: Pedro
e Paulo não nos tenham deixado tradição folclórica, ou Santo Antônio nada tenha
a ver com casamento, a criatividade popular e a animação própria do povo,
criaram o mito que não se apaga de nossas mentes.
Quisemos
juntar logo à reflexão sobre Santo Antônio, a homenagem – neste sábado, 20 - a
São João, outro grande santo junino, festejado pelo nosso folclore sertanejo,
nesta quarta feira, 24 de junho, dia do seu nascimento.
Sua
mensagem nos chegou pelo seu modo de ser, de falar, de vestir, de se apresentar
ao público e, sobretudo de tomar posição ética e política diante do adultério
do Rei Herodes.
De
sua infância, nada se sabe. Só aparece aos 30 anos, chamando muito, a atenção
de todos, pela vestimenta de couro de camelo, pelo alimento de gafanhoto com
mel, e por percorrer toda a região do Jordão, pregando um batismo de
arrependimento para remissão dos pecados.
Falava,
comunicava ou transmitia uma mensagem, dizendo que depois dele viria alguém
muito mais poderoso, de quem não era digno de lhe desatar a correia das
sandálias. Era, realmente, a voz que clamava no deserto.
Pelas
respostas que João dava a seus interlocutores, a vinda de Jesus traria também
uma mensagem política, ética e justa, com fortes implicações sociais: quem
tem duas túnicas, dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer, faça o mesmo.
Não exijais mais do que vos foi ordenado. Não pratiqueis a violência, nem
roubeis a ninguém. Contentai-vos com o vosso salário. Raça de víboras. Fazei
penitência, pois está próximo o reino de Deus.
Assim
como ele enfrentou o próprio Rei, reclamando de seu comportamento moral e foi
levado à prisão, assim também devemos ter coragem de reclamar pelo erro de quem
quer que seja, visando uma mudança na comunidade. Muitas pessoas têm medo de
imitá-lo e até, metem medo em quem tem coragem de denunciar injustiças,
falcatruas e outros erros. Ele saiu na frente. Era realmente “o precursor”.
Perguntavam até se ele não era o Cristo. Ele dizia que não, mas queria que Cristo
crescesse e ele diminuísse.
Jesus
ouviu dizer que João fora preso devido sua ousadia em denunciar o adultério do
Rei. Saiu então de Nazaré e foi pra Cafarnaum, onde começou a pregar, usando o
mesmo linguajar de J. Batista: “fazei penitência, pois o reino de Deus está
próximo”. E mais um elogio do maior comunicador do mundo: “entre os
filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista”.
Ao falarmos sobre S. Antônio, 12 séculos depois de
J. Batista relevamos a sua coragem ao denunciar o pecado, defender o pobre e
punir o rico.
Com João, muito antes, o esquema já era o mesmo.
Releiam as citações acima. Desde o começo, foi “este” o modelo deixado por
Jesus. Foi Jesus quem mudou, ou fomos nós, seus seguidores, que perdemos o
foco?
São João é tão único em seu modo litúrgico de
celebrar, que temos uma data para o seu nascimento (24/06) e uma data para a
sua morte (29/08).
Por que se dá tanto valor ao folclore, inventado
por nós, e não valorizamos o significado divino que têm essas festas e outras
de nosso ritual?
A festa de São João Batista deveria ser uma
preparação para o advento de Jesus, pois até as circunstancias relatadas no
Novo Testamento são também milagrosas. Senão, vejamos: o único relato bíblico
sobre o nascimento do Profeta está no Evangelho de Lucas. Os pais de João,
Zacarias, sacerdote judeu, e Isabel não tinham filhos e já haviam passado da
idade de tê-los.
Durante uma jornada de trabalho, servindo no templo
de Jerusalém, ele foi escolhido por sorteio para oferecer incenso no Altar
Dourado no Santo dos Santos. O Anjo Gabriel apareceu-lhe e anunciou que sua
esposa daria à luz uma criança e que ele deveria chamá-lo João. Porém, por não
ter acreditado na mensagem de Gabriel, Zacarias perdeu a voz. Com o nascimento
de seu filho, seus parentes quiseram então dar-lhe o nome do pai, Zacarias, que
sem poder falar, escreveu: “seu nome é João”. Sua voz lhe foi devolvida.
A importância desse nome: JOÃO está no seu
significado: Deus é propício. Tanto que, depois de ter obedecido
ao comando de Deus, Zacarias recebeu o dom da profecia e previu o futuro de
João, entoando o Benedictus,
rezado ou cantado (quando em comunidade), todos os dias, nas Completas, ou na Oração
da Noite dos sacerdotes:
“Deixai, agora, vosso servo ir em paz,
Conforme
prometestes, ó Senhor.
Pois meus
olhos viram vossa salvação
Que
preparastes ante a face das nações:
Uma luz
que brilhará para os gentios
E para a
glória de Israel, o vosso povo.
Gloria ao
Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era
no princípio, agora e sempre. Amém.
E para fechar com chave de ouro, este Comentário, reporto-me a Santo Agostinho, em um de seus sermões, intitulado ‘Voz do que clama no deserto’ bem apropriado para a nossa reflexão:
“A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente. Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente. João nasce de uma anciã estéril. Cristo nasce de uma jovem virgem.
O pai de João não acredita que ele
possa nascer e fica mudo. Maria acredita e Cristo é concebido pela fé. Eis o
assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de
alcançar toda a profundeza de tão grande mistério, por falta de aptidão ou de
tempo, aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará
melhor. Nele pensais com amor filial, a ele recebestes no coração, dele vos
tornastes templo.
João apareceu, pois, como ponto de
encontro entre os dois testamentos, o antigo e o novo. O próprio Senhor o chama
de limite quando diz: a lei e os
Profetas até João Batista (Lc. 16,
16).


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