Será que se pode festejar o Dia
do Trabalho numa situação tão caótica?
De vez em quando, a
generosidade e o carinho de alguns dos meus leitores me deixam muito feliz e
agradecido pelas palavras elogiosas depois de meu Comentário Semanal. Tenho
feito qualquer esforço para preparar bem minha mensagem no desejo de que todos
a entendam e tirem algum proveito.
Àquela época, já dizíamos que o Dia do Trabalho
ainda não era um Dia de Festa. Iríamos chegar a isto. Dependia de grande
evolução em nossa mente e no nosso modo de fazer política, escolhendo nossos
melhores representantes, isto é, cuidando muito para que a escolha destes,
coincidisse com o que entendíamos sobre o que fosse bem comum.
Hoje,
ao procurar luzes ou sugestões que justificassem meu Comentário, o Googel me
sugere o que eu já rejeitava quando morava em Pernambuco: ‘é um dia de festa’ ‘entrega de brindes’ ‘sorteio de viagens’ ‘sorteio
de eletrônicos’ ‘concurso cultural’ ‘promoção de festa e passeios’ ‘campeonatos
esportivos’ ‘gincanas’ ‘café da manhã’ ‘almoço’ ‘jantar’ ou outras maneiras
de enganar trabalhadores que em nada iriam melhorar seu salário, garantir-lhe
uma aposentadoria digna ou mudar sua vida para bem melhor. Aí eu fiquei pensando:
se a 20/40 anos atrás a gente esperava uma mudança de mentalidade, a escolha de
representantes políticos que quisessem mais o bem comum do que a promoção
pessoal, o que dizer agora diante da situação nacional tão caótica, em que
governantes em todos os níveis nos enganam, frontalmente, colocando-nos socialmente,
bem aquém do que imaginaríamos?
Será
que nossa “cegueira política” não está tirando de nós a “conscienti-zação” de que falávamos outrora, impregnando-nos
agora de um moralismo devastador que nos leva a esquecer o desemprego, a saúde,
a desigualdade social, a educação e outras necessidades básicas?
Que
dizer da apropriação indébita do nome de cristão, de predestinado ou de ungido,
usando o nome de Deus em vão, com discursos desprovidos de fundamentação científica,
defendendo que a terra é plana ou distorcendo o conceito de liberdade,
autorizando a dirigir sem habilitação, sem o uso de ‘cadeirinhas’ para bebê ou
de radares para o controle de velocidade? Será que tais irresponsabilidades ou
afrouxamento de leis nos vão dar a sensação de que “agora sou mais livre”? Não seria isso, “populismo puro”?
Como
são falsas as orientações de uma democracia disfarçada! Imagine a privatização
do sistema de segurança pública! Dizem: “pelo
menos diminuem gastos com forças policiais ou com a ampliação de cadeias”.
É só possibilitar a posse e porte de
arma a cada cidadão de bem
e o direito de atirar em qualquer suspeito para diminuir a população de mais de
800 mil presos. Está certo isso?
Se
antes não podíamos festejar o Dia do Trabalho, como poder agora?
Um
governo que facilita a possibilidade de maiores lucros para os grupos
econômicos que lhe dão apoio, por ex. no agronegócio, isentando-o de
impostos, de multas, de submissão ao IBAMA, permitindo o “trabalho análogo à escravidão”, o desmatamento e invasão de terras
indígenas, as queimadas que destroem toda a flora nativa composta de imensas
árvores, apoderam-se das riquezas ali contidas, destroem todo o pantanal com
sua fauna, como comemorar o Dia do Trabalho com tanta fumaça e com tantas vidas
perdidas?
O
mundo todo tem suas atenções voltadas para o Brasil, sobretudo em suas
participações internacionais, deixando na Comunidade Política, a impressão de
muito descrédito. É claro, o mundo já conhece a postura do Governo Brasileiro com
relação ao meio ambiente e a tudo que tem feito (ou desfeito) desde o início da
gestão. A distancia entre o discurso e a prática de nosso (des)governante fica
sempre clara logo no outro dia. Por exemplo, depois da promessa de duplicar os
recursos para a Fiscalização Ambiental e para a Erradicação do Desmatamento
Ilegal no Brasil, até 2030/, no outro dia o Presidente cortou, do orçamento de
2021, cerca de R$240.000.000 que iriam para o Ministério do Meio Ambiente. Isto
é só um exemplo concreto e atual, que todo mundo viu, de que festa pelo Dia do
Trabalho não está em nossos planos por enquanto. E com essa Pandemia fatal,
pior ainda.
É
tão fatal/ que o Mundo já tem cerca 06 milhões e 200 mil mortos. No Brasil
temos mais de 662 mil mortos. Doze Milhões estão desempregados. Mais de 34
milhões estão na informalidade: fazendo bico/ e 06 milhões de desalentados. É mole?
Infelizmente,
não temos dados atualizados e a pesquisa feita a cada 10 anos pelo IBGE não foi
realizada em 2020 nem em 2021 por falta de verba, diz o governo. Está fazendo
um levantamento precário, em 2022, alegando a situação de Covid e ainda a falta
de recursos.
Será que se pode
festejar o Dia do Trabalho numa situação tão caótica como esta? – Para tentar
responder a esta indagação, está me chegando uma luz, vinda dos EEUU, desde
abril do ano passado, em que o Policial Americano – Derek Chauvin foi julgado
pelo Tribunal de Justiça por ter matado, por asfixia, o negro George Floyd, que
implorava: “não posso respirar”. Mesmo assim, sufocado, o policial não aliviou.
Deixou-o deitado no chão, joelho no pescoço e o matou. Será que dá pra gente
respirar no sufoco em que estamos?
A propósito, a CNBB comentava
à época: “não querem superar a
desigualdade social do país: os privilegiados, que têm muitos bens, riqueza
sobrando e não se vão preocupar com o bem estar dos mais pobres”. A essa
elite, o governo atual dá privilégios, isenta de impostos, de multas e facilita
a destruição da fauna pantaneira e da flora amazônica. Como os mais pobres vão
poder fazer festa no Dia do Trabalho se está tão difícil trabalhar? Se não têm
uma carteira assinada e não terão uma aposentadoria? Será que dá pra respirar?
Vão morrer ‘sufocados’ como morreu George Floyd.
O Rei do Baião, Luís Gonzaga
em parceria com Agnaldo Batista, em 1989 compuseram o Xote Ecológico e,
antevendo George Floyd cantavam: “não
posso respirar, não posso mais nadar/ a terra está morrendo, não dá mais pra
plantar/ e se plantar não nasce, se nascer não dá/ até pinga da boa é difícil
de encontrar”. Sou apartidário, mas não sou apolítico. Posso até não ver,
mas confio no que sempre esperei: um dia nos libertaremos de tudo o que nos
oprime. O sol da esperança brilhará e o Dia do Trabalho será celebrado. Viva o
Dia do Trabalhador, livre e independente! Organizem-se. Acreditem na união.
.jpg)
.jpg)
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário