terça-feira, 31 de maio de 2022

IDEIAS & NOTÍCIAS

 

“Houve um homem, enviado por Deus, chamado JOÃO” (Jo.1,6). (*)

Padres ASSIS ROCHA E JOÃO ACIOLI

É assim que São João Evangelista – autor do 4º Evangelho - se refere à palavra hebraica YOHANAN (da mesma raiz de YAHWEH), que significa “Deus perdoa”, ou “graça divina”, ou “Deus é misericordioso”, ou “Deus é benevolente” para falar de João Batista, o primo de Jesus, que O anunciou por primeiro.

         O nosso Padre JOÃO veio bem depois, com um coração imenso pra perdoar, cheio de graça (quem não o achava engraçado?), complacente e bom como qualidades inerentes ao significado do seu nome.

         Eu o conheci nos primeiros anos de minha chegada a Afogados da Ingazeira na metade da década de 1960. Ele era afilhado do Mons. Antônio de Pádua e frequentador assíduo da Casa do Bispo, D. Francisco. Chamava-me muito a atenção, sua loquacidade, desinibição e o modo de andar, correr e de se movimentar, pelo fato de ter uma perna mais curta, devido a uma poliomielite de que tinha sido acometido na mais tenra infância. Isto não lhe causava nenhum constrangimento. Pelo contrario; dava-lhe charme e o fazia diferenciado entre todas as crianças pela facilidade que tinha de se movimentar, comunicar-se e ser portador de outras graças que encantavam a todos. Com tantas virtudes e com a amizade com o Pároco e o Bispo foi um salto para o convite a ingressar no Seminário.

         Iniciou pela entrada no Pré-seminário e Escola Normal, que eram dirigidos pelas Irmãs Franciscanas Alemãs, sob a orientação da Diocese e onde poderia ser mais bem avaliado quanto aos estudos, à disciplina, convivência e trabalhos em grupo. Terminados os 1º e 2º graus, entrou na filosofia, seguida da teologia. Nesta fase, eu tomei um maior contato com ele. Eu era vice-diretor e professor da Escola Normal e fui acompanhante dele e dos demais seminaristas nos Cursos Superiores no ITER e em Olinda.

         Apesar das costumeiras distancias entre superiores e alunos, nós nos mantivemos amigos, confiantes, mutuamente, entre nós, como aprendizes. Eu me renovava com a juventude e os estudos deles, e eles aproveitavam da minha experiência e da maturação pastoral que ia passando pra eles. Foi sempre esta a minha intenção: em Olinda, João Pessoa, Fortaleza e Sobral. Se todos os seminaristas não aproveitaram por igual, o João se destacou em 100% de informação e aprendizagem, fazendo-me feliz pelo mútuo proveito.

         Quando eu fiz 05 anos de Padre, fui agraciado com uma bolsa de estudos para me especializar em Comunicação, na Universidade Gregoriana, em Roma. Eu já fizera um 1º momento no Centro de Comunicações Sociais do Nordeste (CECOSNE) em Recife e, àquele momento, eu precisava renovar. Fui pra Roma. Um dia, Padre João me falou que queria fazer um Curso de Direito Canônico. Seria no Rio de Janeiro, com a chancela da Gregoriana. Não o deixei nem terminar seu desejo. Disse-lhe de imediato: vá, meu irmão!

         Padre João foi para o Rio. Morria de saudades. Telefonava-me, a cobrar, para dar notícias. Chorava e eu lhe dava o apoio que um irmão daria nessas ocasiões. Na época das férias, perguntou: “como passar este tempo aqui, sem fazer nada”? “Venha” disse-lhe eu. “A gente dá um jeito”. Ele nem precisou do meu jeito. Encontrou recursos para vir e voltar. Ah! Padre João! Você sempre se virou na solução de seus problemas! Para todos, relacionados à sua saúde, operações, procedimentos para você e para amigos, você encontrava saída. Só para esta terrível doença que o acometeu, você ainda lutou, heroicamente. Ela não o derrotou. Você foi ficar “junto do Pai”, como um lutador. Um vencedor.

         Não foi por coincidência. O próprio Pai preparou o ambiente para sua chegada. Fê-lo voltar do Recife para seu meio familiar, pastoral e amigo. Desligou-o da vida terrena no dia litúrgico da instituição do Sacerdócio e da Eucaristia. Na tarde da quinta-feira santa, enquanto Jesus Eucarístico era transladado para “o Santo Sepulcro” (aquele local onde ficam as sagradas espécies para serem adoradas) sua Diocese, seus familiares e irmãos sacerdotes estavam preparando a sua “sepultura” para permanecer no interior da “mãe terra” que o viu nascer e que o vai transformar também “em terra”: “lembra-te homem, que és pó e em pó te tornarás”.

         Seu Calvário aconteceu ao mesmo tempo em que lembrávamos o Calvário de Jesus. Seu Sepultamento também. Não será já um prenúncio da Ressurreição? A certeza da Vida Eterna que o aguarda?

         Minha participação “ao vivo” pela Rádio Pajeú mostrou a minha parte humana, sentimental e até senil em que me encontro.

         Minha participação agora, por escrito, encobriu um pouco de minhas lágrimas. Mas não encobre o meu sentimento de amor, de respeito e carinho que sempre nos uniu. Obrigado, amigo, por tudo de bom que fizemos: nossa solidariedade, nossos reencontros sempre fraternais, tudo nos aproximou mais um do outro e nos aproximou mais de Deus. Por causa disso, Ele perdoará nossas fraquezas e limites.

         Um abraço para todos: Diocese, Familiares e amigos.


(*) Artigo escrito pelo Padre Assis Rocha, de Bela Cruz, Ce, um dia após a morte de seu grande amigo Padre João Acioli, no dia15 de abril de 2022, em Afogados da Ingazeira - Pe.

                                                   professorcomprazer.blogspot.com  





 



EVENTOS

 SENADOR SÁ

PARTICIPA DE AMOSTRA DE FOGUETES, EM SANTA QUITÉRIA

Um dia de grande sucesso para a educação de Senador Sá. Os alunos das escolas Nossa Senhora do Amparo e Zilda Oliveira Aguiar, que ganharam a MOBFOG na competição municipal, foram selecionados a participar do intermunicipal de mostra de foguetes, na cidade de Santa Quitéria.

 Na ocasião, os estudantes mostraram o quanto são competitivos e esforçados, sendo premiados em todas as séries (6º ao 9º ano) com medalhas de ouro, prata e bronze. Mais uma vez mostrando a valorização que o prefeito Bel Júnior tem com a educação, pois não mede esforços para proporcionar momentos como esses para nossos alunos.

 





                  Agradecemos a parceria das prefeituras de Massapê e Santa Quitéria.

        Prefeitura de Senador Sá -Secretaria de Educação.

Acelera!




sexta-feira, 27 de maio de 2022

PRIMEIRO PLANO

 

A CENSURA VOLTOU  E DEMITIU O DIRETOR DA RÁDIO UNIVERSITÁRIA,      DA UFC  - Edição de 28 de maio

Na próxima segunda feira, dia 30, terei uma conversa, on line, com turmas de Pedagogia da querida  UVA, sobre HISTÓRIAS DE VIDA E FORMAÇÃO.

 Devo contar várias etapas da minha vida, vinculada à Educação. Isto é, toda a vida. Do primeiro ao ultimo trabalho foi com Educação. E ainda continuo, mesmo aposentado.

 Para compartilhar as experiências, escrevi o livro que intitulei PROFESSOR COM PRAZER. É o resultado das várias experiências pedagógicas que deram certo.

 A conversa será mediada pelas Professoras Ivna Holanda e Nadja Rinelle, do curso de Pedagogia da UVA. Para participar:   https://meet.google.com/vaa-okaa-pyq

 Há deputados defendendo a adoção do sistema de aulas em casa. É uma forma de retirar a obrigação do estado, estabelecida na Constituição.

 Ora, se nas Escolas, com toda a estrutura física, com Professores preparados, com apoio de pedagogos e outros profissionais, a aprendizagem está baixa!

 Ainda há os que votam em candidatos que pensam e agem contra a Educação. Se tais Professores apoiam suas ideias, não merecem estar nas salas de aula.

 Há também jovens deputados que defendem a cobrança de mensalidades nas Universidades Públicas. Esquecem de que os impostos servem para isto. Ou é para tirar a chance dos pobres?

 Profundamente lamentável a saída do  Jornalista e Radialista Nonato Lima da Direção da Rádio Universitária. É a volta concreta da Censura, do tempo da ditadura.

 Através de outros meios, o comunicador continuará em contato com os seus ouvintes, sem a vigilância dos censores. Sua audiência aumentará.  Tempo ruim na UFC.

 Dr. Tadeu Lustosa assumirá a Secretaria Executiva  de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da SPS, na gestão da Secretária Onélia Santana, na Sec. de Proteção Social.

 A morte do jovem músico Euler Holanda, trompetista da Filarmônica Estrelas da Serra, abalou o município de Croatá. Grande abalo a Orquestra que ele ajudou a criar. 


Tive o prazer de encontrar ontem a Professora Priscila Xavier, minha ex aluna no curso de Letras da UVA, hoje Secretária de Educação em sua terra, Senador Sá.

 Posteriormente, deu uma contribuição relevante quando estive em sua cidade pesquisando sobre  o empresário Vicente Emídio da Silveira, nascido em  Serrota.

Priscila coordenou uma pesquisa local dos universitários sobre o menino pobre que se tornou empresário bem-sucedido em Fortaleza. Surgiu o livro UM HOMEM DE PALAVRA.

 Foi na sua turma, na UVA onde experimentamos formas novas de comunicação na sala de aula. Felizmente, todos hoje fazem sucesso em suas atividades.

 Na sala de aula, é fundamental aprender a fazer, fazendo. Praticando. Palestras, para capacitação de Professores, nada mudam.  Daí muitas decepções com cursos.

 Podem até impressionar, mas não geram resultados. Nas palestras há os que riem, os que choram, se emocionam, mas nada levam para mudança em suas salas de aula

 A descoberta da importância do lazer para a vida está abrindo um novo mercado para a artesã Silvia Helena, em Croatá. Suas artes estão atraindo as banhistas de bom gosto.

 Em vários municípios estão surgindo bons locais para o lazer e o turismo. Resta que os municípios se preparem melhor para acolher os que chegam.

 Há uma carência muito grande de pessoal para cuidar de pequenos hotéis e pousadas. Pessoas que nunca entraram em um bom hotel e sem orientações, não sabem cuidar.

 Não cuidam da recuperação das pousadas e os defeitos vão-se acumulando. Gostei muito do Best Hotel, de Sobral. Excelente qualidade e ótimo atendimento.

 O Brasil e o mundo viram uma morte por asfixia, com gás lacrimogêneo, cometida pela Policia Rodoviária Federal, em Sergipe. E o povo gritando por socorro.

 A PRF tinha até uma boa imagem, mas, agora, todos vamos dirigir com medo pelas estradas federais. A onda de tortura está tomando de conta dos policiais? Combate-se com o voto.









O COMENTÁRIO DA SEMANA

Para alguém se comunicar tem que, antes, escutar!

No meu comentário de 14/05, citei a passagem do Dia Nacional das Comunicações (05.05) e discorri sobre o Dia Mundial das Comunicações a celebrar-se aos 29 de maio – amanhã - Festa da Ascensão de Jesus ao Céu.

             Disse que esta comemoração foi instituída pelos Bispos de todo o mundo, reunidos em Roma, por ocasião do Concílio Ecumênico Vaticano II e que amanhã será lembrada pela 56ª vez, como nos anos anteriores, com uma Mensagem do Papa, apropriada para o momento. Situei na história dessas quase seis últimas décadas e prometi para hoje, véspera do 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais, comentar a Mensagem do Papa Francisco para amanhã, intitulada: escutar com o ouvido do coração.

            Como podeis lembrar, em sua mensagem do último ano, ele chamou-nos a ir e ver para descobrir a realidade e poder narra-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas.

            Em sua mensagem deste ano, ele quer fixar a atenção em outro verbo: ‘escutar’, que é decisivo em matéria de comunicação e condição para um autêntico diálogo. Francisco constata que estamos perdendo a capacidade de ouvir a pessoa que temos em nossa frente. Dar-lhe atenção e escutá-la continua sendo essencial para a comunicação humana. Exemplificando essa sua afirmativa, o Papa disse: “a um médico ilustre, habituado a cuidar das feridas da alma, foi-lhe perguntada qual era a maior necessidade dos seres humanos. Respondeu: o desejo ilimitado de serem ouvidos”.

            Certamente, esta resposta deve interpelar a toda pessoa chamada a ser educadora, formadora ou que desempenhe de algum modo o papel de Comunicador: pais, professores, pregadores, agentes pastorais, catequistas, locutores e tantos outros que prestam um serviço social e político.

 

            De fato, “escutar” não é somente o som que entra em nosso ouvido, ou “ouvir” simplesmente. É uma percepção, essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. Em Deuteronômio, 6,4, as palavras que iniciam o 1º Mandamento do decálogo, dizem: “escuta, Israel”, que São Paulo retoma em Romanos, 10,17: “a fé vem da escuta”. De fato, a iniciativa é de Deus que nos fala, e a ela correspondemos, escutando-O; e mesmo este escutar, fundamentalmente provém da Sua graça. É o próprio Deus quem privilegia o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a visão.

            A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se, como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra; por isso “inclina o ouvido” para escutá-lo.

            O homem, ao contrario, tende a fugir da relação, a virar as costas e “fechar os ouvidos” para não ter de escutar. Esta recusa de ouvir acaba muitas vezes por se transformar em agressividade sobre o outro, como aconteceu com os ouvintes do diácono Estêvão que, tapando os ouvidos, atiraram-se todos juntos contra ele (At. 7,57).

 

            Nunca devemos esquecer os dois lados da escuta: da parte de Deus, que sempre se revela, comunicando-se, livremente; e da parte do homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama, explicitamente o homem, a uma aliança de amor, para que possa tornar-se, plenamente, aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão de amor. Por isso Jesus ensinou os discípulos a verificar sua qualidade de escuta.

            Ao dizer-lhes “vede, pois, como ouvis” (Lc. 8,18) sugeriu que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Somente quem acolhe a palavra com o coração “bom e virtuoso”, guardando-a fielmente, é que produz frutos de vida e salvação (Lc. 8,15). Também prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos e ao modo como ouvimos é que podemos crescer na comunicação. Ouvidos, todos temos. Mas, nem todos os têm tão perfeitos que possam escutar o outro. Existe uma surdez interior, pior do que a física. A escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A sede verdadeira da escuta é o coração.

            O Rei Salomão, apesar de ainda muito jovem, demonstrou-se sábio ao pedir ao Senhor que lhe concedesse “um coração que escuta” (I Reis, 3,9).

            Santo Agostinho convidava a escutar com o coração (corde audire) e acrescentava: ‘não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração’.

            S. Fco. de Assis exortava seus irmãos a ‘inclinar o ouvido do coração’. Enfim, a escuta é condição para a boa comunicação. É o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo. Para alguém se comunicar tem que antes, escutar. Será bom, o jornalista que não tem capacidade de escutar? Sua informação será sólida, equilibrada, confiante e completa sem ter sido escutada prolongadamente? Merecerá crédito a narração de um acontecimento ou a descrição de uma realidade sem tê-la escutado, maturado, dialogada a ponto de até mudar de ideia ou modificar as próprias hipóteses iniciais?

            Na verdade, temos que sair do monólogo para se chegar àquela real comunicação ou diálogo tão necessários ao entendimento humano. Todos temos que escutar várias vozes, ouvir-nos entre irmãos e irmãs, permitir-nos o exercício do discernimento se nos quisermos orientar numa sinfonia de vozes.

            O Cardeal Agostinho Casaroli, experiente diplomata do Vaticano, falava do “martírio da paciência”, necessário para escutar e fazer-se escutar nas negociações com os interlocutores mais difíceis a fim de obter o maior bem possível em condições de liberdade limitada. Se a Igreja tem que dialogar com os mais difíceis interlocutores, mesmo com liberdade limitada, porque não adotar “a pastoral do ouvido” em sua ação evangelizadora? Afinal de contas, estudiosos da Teologia, tradicionalmente ensinam que “devemos escutar através do ouvido de Deus se quisermos poder falar através da sua Palavra”, o que significa dizer que “quem não sabe escutar o irmão, bem depressa deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus”.

            Como já se pode observar, o Papa Francisco resumiu em três verbos, suas duas últimas Mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: ir, ver e escutar. O Comunicador tem que ser abrangente, cuidadoso, preciso na hora de transmitir um recado. Tem que aguçar bem os órgãos dos sentidos se quiser fazer um reto uso da Palavra de Deus, ou do verbum Dei ao pregar.

            Quando administramos o Sacramento da Unção dos Enfermos ungimos com os Santos Óleos cada um desses órgãos que possam ter sido motivos de pecado ou mal utilizados, em vida, por aquele idoso ou enfermo que o recebe.

            Houve uma mudança de foco: em vez de ser chamado de “extrema unção” com destino à morte, recebeu o nome de “unção dos enfermos” com apelo à vida, à integração na comunidade, à volta aos afazeres do dia a dia.

 
e mail: leunamgomes@hotmail.com

EVENTOS



https://meet.google.com/vaa-okaa-pyq


 

sábado, 21 de maio de 2022

IDEIAS & NOTÍCIAS

 


O AMOR NO BANCO DOS RÉUS

                                   

                                             Texto do  Dr. Alan Paiva, maranhense, Advogado e Escritor (*)

Na nossa profissão, acontece às vezes de o advogado ter de defender um ente querido perante o Tribunal Popular. O caso mais célebre aconteceu com Evaristo de Moraes, logo no início de sua carreira como rábula, aos 25 anos de idade. Defendeu o próprio pai, acusado de crime grave, em processo rumoroso.

 Desse triste episódio, lembrar-se-ia o ilustre criminalista muitos anos depois: “Aquele imenso cenário de estrondo atirava-me à popularidade. Era o fim do pau-de-sebo. E veja, veja a suprema bizarria do destino. Aquele mesmo pai que nunca se incomodou comigo, que foi a causa da morte de minha mãe, que desprezou a todos nós, acusado, réu, vinha ser o veículo para que eu conseguisse alguma coisa na vida. Deve haver uma força imponderável governando o mundo!”

Há alguns anos, dois renomados advogados maranhenses passaram por semelhante provação. Serra de Aquino foi ao Tribunal do Júri para defender a sua mulher, enquanto Helena Heluy, em outra oportunidade, sustentou no mesmo plenário a defesa do marido. Ambos acusados de homicídio, ambos absolvidos após comoventes defesas, às quais não faltaram os ornamentos de uma brilhante oratória e da emoção que tomou conta do plenário.

 Foram, sem sombra de dúvida, defesas apaixonadas, cada qual com sua carga de argumentos e de sentimentos. Estávamos diante de dois grandes tribunos no auge da sua glória e da sua força, arrostando com galhardia o que o destino, essa força imponderável que governa o mundo, lhes reservara não para a mocidade, como no caso de Evaristo, mas para uma idade que já não suporta o inferno das emoções arrebatadoras.

 Quem pôde assistir a ambos os julgamentos, foi capaz de testemunhar duas magníficas aulas de Direito Penal e Processo Penal, de oratória e – por que não dizê-lo – de vida. Até hoje, lembro-me perfeitamente desses dois episódios que deixaram uma impressão profunda no meu espírito e na minha formação como advogado criminal.

Helena Barros Heluy e Joaquim Inácio Serra de Aquino, já falecido, são verdadeiros mestres da profissão, com os quais procurei aprender algo do seu grande conhecimento e da indiscutível postura ética com que sempre conduziram suas vidas reservadas e admiráveis. Com a primeira, minha professora de Direito Penal, iniciei a vida profissional; com o segundo, aprendi muito sobre crime e processo em longas e inesquecíveis conversas sobre o Tribunal do Júri.

 Ainda guardo na memória o julgamento do douto magistrado, mestre e amigo José Ribamar Heluy, marido de Helena. Um processo estrondoso, uma defesa primorosa, que sacudiu o foro criminal de São Luís. E guardo como modelo a ser seguido de defesa criminal desta que considero a grande dama da advocacia criminal maranhense.

Defendidos, cada um a seu tempo, por esses consagrados criminalistas, os acusados puderam sentir, como todos os presentes ao plenário em ambas as ocasiões, a verdade do preceito cristão segundo o qual marido e mulher salvam-se juntos.

                               (*)  ALAN PAIVA, é maranhense, Advogado Escritor, filho do jornalista e                                                                                            radialista sobralense Aloisio Paiva,

professorcomprazer.blogspot.com



IDEIAS & NOTICIAS

 F5 SOMANDO VITÓRIAS

Professores do Curso de Direito da F5 publicam  capítulo  no livro "Situação de Saúde e Ações Promotoras de Saúde: Estudos e experiências na região norte do Estado do Ceará" pela Editora Inovar, 2022. 290p.

 

CAPÍTULO 13

 

DIMENSÃO JURÍDICA-POLÍTICA DO DIREITO

HUMANO À SAÚDE

 


📌Marcus Pinto Aguiar

Doutor e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza; Professor do Centro Universitário INTA e Coordenador do Curso de Direito da Faculdade 05 de Julho – F5

 

📌Maria Vânia Abreu Pontes

 Graduada em Letras Português-Literatura  e especialista em Língua Portuguesa e Literatura. Mestra em Psicologia. Advogada, escritora, professora do Curso de Direito da F5 e doutoranda pela UFC.

NA SALA DE AULA: INOVAÇÕES

Na aula de História do Direito, os alunos aprendem sobre os Códigos mais antigos da história. Para tanto, a professora Valéria Abreu motiva os alunos a desenvolverem um processo de aprendizagem ativo, com métodos inovadores de ensino, cujo estudo das mais diversas leis acontecem durante as aulas.

 O Código de Manu é um dos textos jurídicos mais antigos de que se tem notícia. As leis do Código de Manu regulam a conduta em termos sociais e religiosos, versando sobre leis criminais e civis, regulando as relações familiares, tipificando os crimes e cominando as respectivas penas, na Índia antiga.

No lugar de estudar as leis do referido Código com métodos tradicionais de ensino, os alunos são motivados a usarem a criatividade e discutirem as leis de uma forma diferente, dinâmica e interativa. O aluno Alisson @cabralmusic, ao violão,  lança mão de seus talentos para falar das leis do Código de Manu, com apoio dos demais alunos.

Parabéns para todos os alunos que se permitirem aprender, fazendo a diferença dentro da sala de aula. 



sexta-feira, 20 de maio de 2022

PRIMEIRO PLANO

 

CONCURSO SELECIONARÁ PROFESSORES PARA ESCOLAS INDÍGENAS, NO CEARÁ.               EDIÇÃO DE 21 DE MAIO

A Governadora Izolda Cela anunciou, no dia 17.05, o primeiro concurso público para professor efetivo das Escolas Indígenas da Rede Estadual de Ensino do Ceará.

 Serão 200 vagas no total, que irão contemplar 29 escolas de 13 etnias: Anacé, Gavião, Jenipapo-Kanindé, Kalabaça, Kanindé, Kariri, Pitaguary, Potyguara, Tabajara, Tapeba, Tapuia Kariri, Tubiba Tapuia e Tupinambá.

 Na contramão, paradoxalmente, o MEC está querendo criar, sorrateiramente, o estudo em domicilio que significa o fim do ensino obrigatório, conforme a Constituição.

 Numa família que sempre se reúne, a chegada de um primo é mais um motivo para celebração. Foi o que aconteceu sexta-feira passada.

 Nos reunimos com a presença do Zeabner e Neném que sempre nos acolhem bem em Brasília. Tivemos a alegria de rever a Gláucia. Foi conversar para virar a noite.

                               Rômulo, Eneida, Myrtes, Abner, Glaucia, Neila, Luciene,                                                                               Neném, Nazi, eu e Jocélio 

A F5 – Faculdade 5 de Julho, de Sobral está construindo uma experiência muito positiva de atualização de Professores, especialmente com relação à metodologia em sala de aula.

 Já são várias as experiências comprovadas sob a condução das Professoras Vânia Pontes e Valéria Abreu. Na sala de aula é fundamental sair da rotina, sem perder o objetivo.

 No final deste mês de maio, o Reitor do Seminário Propedêutico de Sobral, Padre Jocélio, vai realizar  o sorteio de um carro, numa rifa de apoio às Vocações Sacerdotais.

 Em Irauçuba, no distrito de Juá, no dia 11 de junho, serão realizadas as apresentações dos TCCs da turma de Pedagogia, onde tive a oportunidade de ministrar a primeira disciplina.

 O entusiasmo da turma tem-se mantido até o fim. Fui convidado pela Professora e futura Doutora Muldiane Pedroza, para participar da banca de avaliações.

O Mestre Márcio Pena, de Guaraciaba do Norte, esteve no Campus da UVA, em São benedito fazendo uma exposição sobre a Pedagogia Griô.

É uma iniciativa muito positiva envolver pessoas ativas das comunidades nas salas de aula. Os alunos passam a perceber que os conhecimentos estão também fora dos livros.

O Centro de Educação da UECE, em parceria com o CDH -Cento de Desenvolvimento Humano iniciará a 6ª turma de Especialização em Educação Biocêntrica.

 DE 23 a 28 de junho acontecerá 0 19º Curso Intensivo de Educação Biocêntrica, em Icapuí, na OH! LINDA POUSADA. Já participei e recomendo.

Está acontecendo no Arquivo Público do Ceará a Exposição de Manuscritos da Escravidão no Ceará.  A abertura feita nesta sexta, 20,  pelo Professor Doutor Marcio Porto.

A seguir, palestras dos Professores  Doutores: Francisco José Pinheiro e Expedito Eloísio Ximenes.  As visitas poderão ser feitas, com agendamento: 85-3101 2614.

                                                                                    A Professora Doutora Fatima Maria Leitão, da UECE e Conselheira da Comissão                                          Wanda Sidou (Anistia) levou alguns que gostaram muito do que viram e ouviram


 

     




COMENTÁRIO DA SEMANA

 “É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições”

Quando a Igreja Católica se reuniu em seu último Concílio Ecumênico - o Vaticano II, em Roma - foi instituída lá, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, há exatos 60 anos. Retornando de Roma, todos os anos, de lá para cá, a CNBB tem-se encontrado em Assembleia Geral, presencialmente até bem pouco, e, virtualmente, do início da Pandemia para cá, como aconteceu agora, na última semana de abril, sempre após as Semanas Santa e da 8ª da Páscoa.

            Em cada Assembleia dessas, os Senhores Bispos e assessores sempre revisam as atividades planejadas, avaliam os resultados e fazem novos planos a serem executados dali pra frente e revisados depois.

            Para esta 59ª Assembleia Geral da CNBB, nossos Bispos católicos, em comunhão e unidade com o Papa Francisco e com representantes de diversos organismos eclesiais, dirigiram ao povo de Deus uma mensagem de fé, esperança e de corajoso compromisso com a vida e o Brasil.

            Apesar da divulgação da CNBB, das Dioceses, Paróquias, Comunidades Eclesiais e dos Meios de Comunicações ligados à Igreja, a grande imprensa oficial pouco se interessa em repassar, sobretudo aquela mais negacionista, que vê na mensagem dos Bispos uma oposição cerrada à realidade política.

            Por certo, aos meus possíveis leitores, não chegou ainda o conteúdo do “comentário” que quero apresentar hoje, proveniente da CNBB.

 

            “Enche o nosso coração de alegria perceber a explosão de solidariedade que tem marcado todo o país na luta pela superação do flagelo sanitário e social da COVID - 19. A partilha de alimentos, bens e espaços, a assistência a pessoas solitárias e a dedicação incansável dos profissionais de saúde são apenas alguns exemplos de incontáveis ações solidarias. Gestores de saúde e agentes públicos, diante de um cenário de medo e insegurança, foram incansáveis e resilientes. O Sistema Único de Saúde-SUS mostrou sua fundamental importância e eficácia para a proteção social dos brasileiros. A consciência lúcida da necessidade dos cuidados sanitários e da vacinação em massa venceu a negação de soluções apresentadas pela ciência.

            Contudo, não nos esquecemos da morte de mais de 662.000 pessoas e nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, trazendo ambas em nossas preces. Agradecemos ainda, de modo particular às famílias e outros agentes educativos, que não se descuidaram da educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos, apesar de todas as dificuldades. Com certeza, a pandemia teria consequências ainda mais devastadoras, se não fosse a atuação das famílias, educadores e pessoas de boa vontade, espírito solidário e abnegado. A Campanha da Fraternidade 2022 nos interpela a continuar a luta pela educação integral, inclusiva e de qualidade.

            A grave crise sanitária encontrou o nosso país envolto numa complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, que já nos desafiava bem antes da pandemia, escancarando a desigualdade estrutural, enraizada na sociedade brasileira.  A COVID – 19, antes de ser responsável, acentuou todas essas crises, potencializando-as, especialmente na vida dos mais pobres e marginalizados.

            O quadro atual é gravíssimo. O Brasil não vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o País, segundo maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, aos criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum.

            Num sistema voraz de ‘exploração e degradação’ notam-se a dilapidação dos ecossistemas, o desrespeito com os direitos dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, a perseguição e criminalização de líderes sócio-ambientais, a precarização das ações de combate aos crimes contra o meio ambiente e projetos parlamentares desastrosos contra a casa comum.

            Tudo isso desemboca numa violência latente, explícita e crescente em nossa sociedade. A crueldade das guerras, a que assistimos pelos meios de comunicação, pode nos deixar anestesiados e desapercebidos do clima de tensão e violência em que vivemos no campo e nas cidades. A liberação e o avanço da mineração em terras indígenas e n’outros territórios, a flexibilização da posse e do porte de armas, a legalização do jogo de azar, o feminicídio e a repulsa aos pobres não contribuem para a civilização do amor e ferem a fraternidade universal.

            Diante deste cenário esperamos que os governantes promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os Poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988, já tão desfigurada por meio de Projetos de Emendas Constitucionais. Não se permita a perda de direitos dos trabalhadores e dos pobres, grande maioria da população brasileira. A lógica do confronto que ameaça o estado democrático de direito e suas instituições, transforma adversários em inimigos, desmonta conquistas e direitos consolidados, fomenta o ódio nas redes sociais, deteriora o tecido social e desvia o foco dos desafios fundamentais a serem enfrentados.

            Neste contexto, iremos este ano às urnas. O cenário é de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente, carregado de esperança. Nossas escolhas para o Executivo e Legislativo determinarão o projeto de nação que desejamos.  Urge o exercício da cidadania, com consciente participação política, capaz de promover a ‘boa política’, como nos diz o Papa Francisco.

            Necessitamos de uma política salutar, que não se submeta à economia, mas seja capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos, como as conquistas da Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar 135 de 2010, que afasta do pleito eleitoral, candidatos condenados em decisões colegiadas e da Lei 9.840 de 1999 que criminaliza a compra de votos.

            Não existe alternativa no campo democrático fora da política com a ativa participação no processo eleitoral. Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em cheque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro.  Reiteramos nosso apoio às Instituições da República, particularmente aos servidores públicos, que se dedicam em garantir a transparência e a integridade das eleições.

            Duas ameaças merecem atenção especial. A primeira é a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo. A autonomia e independência do poder civil em relação ao religioso são valores adquiridos e reconhecidos pela Igreja e fazem parte do patrimônio da civilização ocidental. A segunda é a disseminação das “fake news”, que através da mentira e do ódio falseia a realidade. Carregando em si o perigoso potencial de manipular consciências, elas modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder.

            É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições. A democracia brasileira, ainda em construção, não pode ser colocada em risco. Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais e nossa casa comum onde a vida se desenvolve.

            Todos os cristãos somos chamados a preocuparmo-nos com a construção de um mundo melhor, por meio do diálogo e da cultura do encontro, na luta pela justiça e a paz. Agradecemos os muitos gestos de solidariedade de nossas comunidades, por ocasião da pandemia e dos desastres ambientais. Encorajamos as organizações e os movimentos sociais a continuarem se unindo em mutirão pela vida, especialmente por terra, teto e trabalho.

            Convidamos a todos, irmãos e irmãs, particularmente a juventude, a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, obtenha de Deus as bênçãos para todos nós”.  




COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...