“Houve um homem,
enviado por Deus, chamado JOÃO” (Jo.1,6). (*)
É assim que São João Evangelista – autor do 4º
Evangelho - se refere à palavra hebraica YOHANAN (da mesma raiz de YAHWEH), que
significa “Deus perdoa”, ou “graça divina”, ou “Deus é misericordioso”, ou “Deus
é benevolente” para falar de João Batista, o primo de Jesus, que O anunciou por
primeiro.
O
nosso Padre JOÃO veio bem depois, com um coração imenso pra perdoar, cheio de
graça (quem não o achava engraçado?), complacente e bom como qualidades inerentes
ao significado do seu nome.
Eu o
conheci nos primeiros anos de minha chegada a Afogados da Ingazeira na metade
da década de 1960. Ele era afilhado do Mons. Antônio de Pádua e frequentador
assíduo da Casa do Bispo, D. Francisco. Chamava-me muito a atenção, sua
loquacidade, desinibição e o modo de andar, correr e de se movimentar, pelo fato
de ter uma perna mais curta, devido a uma poliomielite de que tinha sido
acometido na mais tenra infância. Isto não lhe causava nenhum constrangimento.
Pelo contrario; dava-lhe charme e o fazia diferenciado entre todas as crianças
pela facilidade que tinha de se movimentar, comunicar-se e ser portador de
outras graças que encantavam a
todos. Com tantas virtudes e com a amizade com o Pároco e o Bispo foi um salto
para o convite a ingressar no Seminário.
Iniciou
pela entrada no Pré-seminário e Escola Normal, que eram dirigidos pelas Irmãs
Franciscanas Alemãs, sob a orientação da Diocese e onde poderia ser mais bem
avaliado quanto aos estudos, à disciplina, convivência e trabalhos em grupo. Terminados
os 1º e 2º graus, entrou na filosofia, seguida da teologia. Nesta fase, eu
tomei um maior contato com ele. Eu era vice-diretor e professor da Escola
Normal e fui acompanhante dele e dos demais seminaristas nos Cursos Superiores
no ITER e em Olinda.
Apesar
das costumeiras distancias entre superiores e alunos, nós nos mantivemos
amigos, confiantes, mutuamente, entre nós, como aprendizes. Eu me renovava com
a juventude e os estudos deles, e eles aproveitavam da minha experiência e da
maturação pastoral que ia passando pra eles. Foi sempre esta a minha intenção:
em Olinda, João Pessoa, Fortaleza e Sobral. Se todos os seminaristas não
aproveitaram por igual, o João se destacou em 100% de informação e aprendizagem,
fazendo-me feliz pelo mútuo proveito.
Quando
eu fiz 05 anos de Padre, fui agraciado com uma bolsa de estudos para me
especializar em Comunicação, na Universidade Gregoriana, em Roma. Eu já fizera
um 1º momento no Centro de Comunicações Sociais do Nordeste (CECOSNE) em Recife
e, àquele momento, eu precisava renovar. Fui pra Roma. Um dia, Padre João me
falou que queria fazer um Curso de Direito Canônico. Seria no Rio de Janeiro,
com a chancela da Gregoriana. Não o deixei nem terminar seu desejo. Disse-lhe
de imediato: vá, meu irmão!
Padre
João foi para o Rio. Morria de saudades. Telefonava-me, a cobrar, para dar
notícias. Chorava e eu lhe dava o apoio que um irmão daria nessas ocasiões. Na
época das férias, perguntou: “como passar este tempo aqui, sem fazer nada”?
“Venha” disse-lhe eu. “A gente dá um jeito”. Ele nem precisou do meu jeito.
Encontrou recursos para vir e voltar. Ah! Padre João! Você sempre se virou na
solução de seus problemas! Para todos, relacionados à sua saúde, operações,
procedimentos para você e para amigos, você encontrava saída. Só para esta
terrível doença que o acometeu, você ainda lutou, heroicamente. Ela não o
derrotou. Você foi ficar “junto do Pai”, como um lutador. Um vencedor.
Não
foi por coincidência. O próprio Pai preparou o ambiente para sua chegada. Fê-lo
voltar do Recife para seu meio familiar, pastoral e amigo. Desligou-o da vida
terrena no dia litúrgico da instituição do Sacerdócio e da Eucaristia. Na tarde
da quinta-feira santa, enquanto Jesus Eucarístico era transladado para “o Santo
Sepulcro” (aquele local onde ficam as sagradas espécies para serem adoradas)
sua Diocese, seus familiares e irmãos sacerdotes estavam preparando a sua
“sepultura” para permanecer no interior da “mãe terra” que o viu nascer e que o
vai transformar também “em terra”: “lembra-te
homem, que és pó e em pó te tornarás”.
Seu
Calvário aconteceu ao mesmo tempo em que lembrávamos o Calvário de Jesus. Seu
Sepultamento também. Não será já um prenúncio da Ressurreição? A certeza da Vida
Eterna que o aguarda?
Minha
participação “ao vivo” pela Rádio Pajeú mostrou a minha parte humana,
sentimental e até senil em que me encontro.
Minha
participação agora, por escrito, encobriu um pouco de minhas lágrimas. Mas não
encobre o meu sentimento de amor, de respeito e carinho que sempre nos uniu.
Obrigado, amigo, por tudo de bom que fizemos: nossa solidariedade, nossos
reencontros sempre fraternais, tudo nos aproximou mais um do outro e nos
aproximou mais de Deus. Por causa disso, Ele perdoará nossas fraquezas e
limites.
Um
abraço para todos: Diocese, Familiares e amigos.
(*) Artigo escrito pelo Padre Assis Rocha, de Bela Cruz, Ce, um dia após a morte de seu grande amigo Padre João Acioli, no dia15 de abril de 2022, em Afogados da Ingazeira - Pe.
professorcomprazer.blogspot.com

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