Dia Mundial das Comunicações, “escutar com o ouvido do coração”, é o convite do Papa Francisco.
Na quinta-feira, dia 05 de
Maio, celebramos em todo o Brasil, o Dia
Nacional das Comunicações Sociais, instituído numa homenagem à data de
nascimento do Marechal Cândido RONDON, no Mato Grosso, aos 05 de Maio de 1865.
Devido ao seu interesse e impulso dado às Comunicações, instalando linhas
telegráficas, interligando os Estados mais distantes, sobretudo o seu Estado Natal,
como parte da Bacia Amazônica, nos 120 anos do seu nascimento, em 1985, os
Correios lançaram um selo comemorativo e o Governo, ainda da Ditadura,
oficializou a data de 05 de Maio, como o Dia Nacional das Comunicações. Era
também o aniversário da morte do Mal. Rondon no Rio: 19 de Janeiro de 1958, que
os militares aproveitaram para homenagear o colega de farda, que já era Patrono
do Exército Brasileiro.
Em
1966, durante a realização do Concílio Ecumênico, em Roma, a Igreja instituiu o
Dia Mundial das Comunicações Sociais, na
Festa da Ascensão de Jesus aos Céus,
que, neste ano de 2022 se celebra no Domingo, dia 29, pela 56ª vez. Tanto no
Dia Nacional – 05 de Maio - como no último Domingo, 29, Dia Mundial das
Comunicações – a Igreja quer que “promovamos a comunhão entre homens e
mulheres e o progresso de toda a sociedade, pelo reto uso dos meios de
comunicação, tendo em vista servir ao bem comum’’.
Estamos tendo um exemplo concretíssimo desta
afirmativa, desde o surgimento da Pandemia do CORONAVIRUS. O que seria de nós
se não existissem os Meios de Comunicação? Como estaríamos passando ou recebendo
tantas informações ou realizando celebrações à distancia se não existisse a
Imprensa falada, escrita e televisada que orienta tudo e a todos, por toda
parte? Quando surgiram os Dias: Nacional e Mundial das Comunicações, esses
Meios já eram utilizados para informar, educar e formar a opinião pública sobre
todos os aspectos da vida do povo, especialmente no tocante à infecção.
Nossos Bispos de todo o Brasil, unidos a todos os
Bispos do Mundo no Concílio, certamente, contribuíram muito com a Igreja nos
estudos feitos sobre o reto uso dos meios de comunicação,
devido à experiência já vivida aqui. Eles colaboraram com as reflexões feitas
no Concílio, que afirmou em um de seus documentos “terem os instrumentos da
Comunicação Social rasgado caminhos novos na emissão de toda sorte de
informações e de pensamentos, para atingir e movimentar indivíduos e multidões
e até a sociedade inteira”.
Lembramos que este tema das Comunicações
entrara no Concílio, mas não era novidade na vida da Igreja. Havia já uns 90
documentos oficiais, tratando do assunto,
por ex.: em 1487 o Papa Inocêncio VIII publicou Inter Multíplices.
Em 1766, Clemente XIII escreveu Christiane Reipublicae. Leão
XIII, no fim do século XIX, além de mandar que a Igreja se adaptasse aos
novos tempos, ainda ensinava que tínhamos de usar todos os Meios, como
num campo de batalha. Pio XI, entre 1922 e 1939 criou a Organização
Católica Internacional e escreveu a Encíclica Vigilanti Cura, a
chamada “legião da decência”. De 1939 a 1958 o Papa Pio XII abriu as portas
para o diálogo com os profissionais da comunicação e escreveu a Encíclica Miranda
Prorsus, dizendo que os Meios de Comunicação, “sem dúvida, deveriam
ser admirados”.
O Concílio Ecumênico Vaticano II veio só legitimar, confirmar
aquilo que a Igreja já vinha fazendo e que nós temos recordado e dado
continuidade em nossas reflexões nestes últimos 56 anos. Através do Decreto Inter
Mirifica, a Igreja vem assegurar sua obrigação e direito de utilizar,
de modo competente, os Meios da Comunicação Social em seu trabalho missionário.
Nossas Emissoras Católicas que o digam, através das dificuldades enfrentadas,
da falta de recursos para se manterem e do heroísmo de suas equipes de
funcionários e de voluntários que não mediram esforços para informar, educar,
dar voz e vez ao povo, de ser incompreendida e mal interpretada, tantas vezes
por poderosos da política e da economia, que lhe queriam calar. Nós sabemos
como isto foi e é verdadeiro, no passado e agora.
A Igreja do Brasil está tentando fazer “o reto uso de
seus meios de comunicação” através de suas Redes Televisivas e de Rádios,
bem como de sua imprensa escrita, instruindo, evangelizando, informando,
educando, divertindo e conscientizando suas comunidades eclesiais e levando a
Palavra de Deus a distâncias bem maiores.
Os Papas que se seguiram, logo após JOÃO XXIII,
anualmente foram divulgando uma Mensagem para o Mundo, sobre o reto uso dos
meios de comunicação: Paulo VI, de 1967 a 1977. João Paulo II, de 1978 a 2005.
Bento XVI, de 2005 a 2013. A Mensagem de nº 48 em diante, já nos chegou através
do Papa Francisco e em 2014 recebeu o título de “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”. Em
2015: “Comunicar a Família: ambiente
privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. Em 2016 o Papa Francisco
nos presenteou com a reflexão mais aprofundada do seu pontificado; era a de nº
50: “Comunicação e Misericórdia: um
encontro fecundo”. Em 2017, no 51º
Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no dia 28 de Maio, recebemos
do Papa Francisco uma bela mensagem, intitulada “Não tenhas medo; eu estou contigo”, sugerida pelo Profeta Isaias,
43,5, convidando-nos a “comunicar a
esperança e a confiança, no nosso tempo”.
O Papa ainda lembrou o que sempre nos tem dito: “a comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a
inclusão, enriquecendo assim a Sociedade”.
Em
2018, por ocasião do 52º Dia Mundial das
Comunicações Sociais - detalhamos a Mensagem do Papa, intitulada: “A verdade vos tornará livres” (Jo
8, 32) onde ele reprovava as famosas “fake
news” ou “falsas noticias”,
atitudes tão negativas para quem quer fazer um “jornalismo de paz”.
Em
2019, em meu Programa de Rádio, abordei a mensagem do Papa Francisco para o 53º Dia
Mundial das Comunicações, celebrado no domingo, dia 02 de Junho, Festa
da Ascensão de Jesus, sob o Tema: Somos
membros uns dos outros, baseado no texto da Carta aos Efésios, 4, 25, no
qual ele nos convidou a refletir sobre o
fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos
desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar
encerrado na própria solidão.
No
ano de 2020, a Mensagem do Papa Francisco para o 54º Dia Mundial das Comunicações Sociais trouxe, como tema:
“para
que possas contar e fixar na memória”, com base no Livro do Êxodo 10,
2. Sua Mensagem abordou o ‘tema da
narração’.
Em
2021, 55º Dia Mundial das Comunicações – oitavo do pontificado de
Francisco – eu comentei sua mensagem, baseada no Evangelho de João, 1, 46: “vem
e verás” em que ele nos “convidava
a encontrar as pessoas onde estão e como são”. Seu convite para este ano de
2022, 56º Dia Mundial das Comunicações, é
para que possamos escutar com o ouvido do coração, enviando-nos sua 9ª mensagem
neste 9º ano de seu pontificado, que merecerá um Comentário especial no sábado
28, junto à 40ª Semana da Unidade dos
Cristãos, que vai até o Pentecostes, dia 05 de junho, fim do Tempo Pascal.
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