sexta-feira, 22 de julho de 2022

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

“Mas porque são apenas mornos – nem frios nem quentes – vou logo vomitá-los da minha boca”


Desde a última Campanha Política para Presidente deste País, que ouvimos falar de “polarização” para nos fazer entender que estamos divididos em dois extremos: ou se fica com a direita, o lado mental conservador ou reacionário, ou se fica com a esquerda, o lado mais voltado para o social ou para as mudanças exigidas para se viver em sociedade.

 Isto significa dizer que não há “meio termo” em política, que não tem lugar no centro e quem busca esta posição, fica agradando os dois lados, sem tomar partido, para vender-se a qualquer momento ou negociar o seu voto quando houver necessidade de se tomar uma decisão. Aliás, há uma Palavra de Deus que se refere bem àqueles que não têm ideologia e que ficam encima do muro. Está no Apocalipse 3, 15-20: “eu sei o que vocês têm feito. Sei que não são nem frios nem quentes...Mas porque são apenas mornos – nem frios nem quentes – vou logo vomitá-los da minha boca. Um dos extremos diz: somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos. Nem querem reconhecer a sua própria pequenez que eles só veem na outra extremidade: os miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos”...Para todos, Deus diz: “eu corrijo e castigo os que amo. Portanto levem as coisas a sério e se arrependam. Escutem! Eu estou à porta e bato”(Ap 3,19).

           Como o texto é do Livro do Apocalipse, nem sempre lido, conhecido, pregado e ensinado – até porque é de difícil interpretação – a gente como que deixa de lado o que Jesus já havia dito em Mateus 5, 37: “que o vosso sim seja sim e que o vosso não seja não”. Ou ainda no mesmo Mateus 6, 24: “não podeis servir a dois senhores ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro”. E conclui Jesus: “vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo”.

          Este uso que estou fazendo aqui, da Palavra de Deus, em nada está diminuindo o seu significado ou reduzindo o seu valor na fundamentação da mensagem que eu quero passar. Temos ouvido tanta citação da Bíblia na defesa de pontos de vista errados ou para justificar comportamentos contrários à vontade de Deus que podemos até ser levados a pensar que eu esteja também querendo “tomar o santo nome de Deus em vão”. Não é o que quero.

          Passaram-se as eleições há mais de três anos e meio. Daqui a menos de três meses, teremos novas eleições e novos governantes. Estes três anos e meio não foram suficientes para que o governo empreendesse qualquer reforma que nos garantisse a sua linha de conduta e a sua abertura para um futuro promissor. A preocupação está sendo, muito mais com a reeleição do que com a condução positiva, esperançosa e de melhoria para todos. Para completar o desalento do povo, ainda estamos às voltas com a pandemia avassaladora da Covid 19, sem um posicionamento equilibrado, responsável e correto das autoridades que dê confiança em todos para os encaminhamentos que estão sendo dados. Cada manifestação festiva traz reinfecção na certa.

          Infelizmente, as autoridades reinantes, em vez de adquirirem confiança, credibilidade e empatia com a população, dão-lhe maus exemplos, provocando aglomerações, contatos físicos, sem usarem máscaras, sem o aconselhável distanciamento, apoiando negacionismos, movimentos contra a democracia, o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional, inaugurando obras que não construíram, aglomerando gente, sem segurança, reunindo desportistas, os mais variados sem nenhuma obediência às normas da Organização Mundial da Saúde ou da Ciência e o pior: querendo impedir qualquer tipo de manifestação feita por quem pensa e age, diferentemente, mesmo que o queiram fazer, seguindo os protocolos de segurança, recomendados pela vigilância sanitária.

          A imposição dos partidos extremistas da situação, promovendo várias aglomerações por todo o País, opondo-se fortemente à participação da outra extremidade polarizadora, fez com que esta também, ultimamente se organizasse e começasse a participar de maneira diferente, sem incorrer nos erros praticados pela situação, mas obedecendo às normas da OMS, à Ciência, aos protocolos de segurança, ao distanciamento regulamentar, ao uso de máscara, à maneira pacífica de se comportar nas vias públicas, num protesto contra governantes e o seu mau comportamento diante da pandemia.

          Suportaram - por mais de 03 anos - a chacota de governantes, o silencio que lhes era imposto e a ilegal propaganda política que faziam, tendo em vista a reeleição. E pensaram: se um “polo” tem direito, porque não, o outro “polo”? De maio para cá, o outro “extremo” tem caído em campo, com uma diferença enorme de comportamento, pelo menos querendo seguir a orientação certa.

         O número de manifestações tem crescido, bem como os locais onde elas se realizam. Além disso, o uso das redes sociais tem colaborado imensamente, como já vinha acontecendo com os partidários da situação. É uma prática comum, em nossos dias, que ajudou muito nas eleições passadas e vai-se repetir e aperfeiçoar nas próximas daqui pra frente. Temos que cuidar muito para que não aconteçam “fake news” que tanto atrapalharam a uns e ajudaram a outros, como faca de dois gumes a ser utilizada.

           

O importante seria: ‘ninguém faça campanha antes do tempo’. É ter paciência e esperar. No momento, o eleitorado está tomando pé na situação, está vendo e ouvindo os passos que estão sendo dados, o que está havendo de negativo ou de positivo no governo atual que, a essas alturas, já se revelou, já mostrou a que veio, deixando o povo fazer suas comparações e avaliações para uma nova escolha. Será que os assalariados estão contentes com o que recebem, mensalmente? As entradas estão cobrindo as saídas a cada mês? E o grande contingente de desempregados, trabalhadores informais, biscateiros, entregadores! Esta gente está satisfeita e aguardando uma boa aposentadoria? Ainda existe uma classe média entre nós? Terá ela, subido para a classe alta, ou descido para uma inferior? Onde está a nossa juventude - estudantil, ociosa, trabalhadora, universitária ou informal – está-se compondo, socialmente, ou perseguindo objetivos que lhe abram a mente e o coração para uma profissão futura? Meu Deus, que futuro tem uma juventude dessas?

        Apesar de tudo, é nela que devemos confiar. Os jovens são a nossa esperança. Como confiar em políticos ultrapassados, reacionários, mentirosos, enganadores da boa fé do povo, se eles só pensaram em si mesmos, nos seus familiares e afilhados, sem nunca ter cuidado do bem comum?

Convoco os jovens a estudarem, dedicarem-se à política por um certo tempo, acreditarem na democracia, não envelhecerem no cargo, fazerem questão de se renovarem e renovarem os quadros políticos. Muitos querem ocupar funções, indefinidamente, até a morte. Não dá mais para agirmos assim em qualquer ideologia que abracemos. A democracia exige de nós uma alternância no poder, uma renovação de ideias e um crescimento igual para todos.

Pensem nisto! Preparemo-nos todos para votar, conscientemente; temos que dar continuidade à nossa história. Não incorramos nos erros do passado. Pior ainda: não repitamos os erros do presente. Abramos nossa mente e nosso coração para vislumbrar, mais claramente, o futuro com muita esperança.












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