quinta-feira, 29 de setembro de 2022

ideias & Noticias


MONS. JOAQUIM ARNÓBIO DE ANDRADE: O   SERVO DE DEUS

Eudes de Sousa

A hora de falar de homens extraordinários é um instante difícil. É quando as palavras agarram a realidade dos sentimentos e percepções  e tentam,  a toda prova, representar e exprimir o que há nos recônditos do espírito e nas profundezas próprias do coração.

Terrível prova para quem escreve, este momento de gestação! Tentar encarnar no seio da história  os valores que uma pessoa representou em sua caminhada na terra é desafio extremo, cuja vitória consiste na aceitação do limite.

A tarefa é mais árdua ainda quando se trata de alguém que atingiu os páramos da santidade e ascendeu os degraus elevados da via espiritual. A proximidade, confissão humilde da limitação do verbo, talvez seja a única via para descrever o Servo de Deus Mons. Joaquim Arnóbio de Andrade, dentro do que representou na vida, na alma e no destino de todos aqueles que buscaram acender as velas da existência na luz forte do homem de Deus, porto seguro nas turbulências do ser e bússola de ouro nas águas revoltas da conversão.

Pode-se perguntar: quem foi Monsenhor Joaquim Arnóbio de Andrade? Qual a  real  importância de sua beatificação para o povo cearense, principalmente, na Diocese de Sobral? Qual o inestimável valor de sua obra cristã para o Cristianismo no país e no mundo?

Receio que todas as respostas circulam mecanicamente pelos duros labirintos do intelecto, apenas. Até porque Mons. Arnóbio de Andrade viveu no ser de tantos quantos orientou com a humildade e conduziu no caminho da salvação. Vive ainda em suas orações, silenciosas e perenes, que ainda alimenta a fé do povo cristão cearense. Numa visão mais transcendente, Mons. Arnóbio de Andrade ainda vive de forma gloriosa, abençoando sobre o que vê e contempla a face de Deus, como Servo de Deus, pois como diz o Apocalipse, os justos descansam, brilham como estrelas no firmamento e suas obras os acompanham.

Conheci o Mons. Joaquim Arnóbio de Andrade, através, do ensaio biográfico sobre  o Servo de Deus, de José Luís Lira. O autor faz um registro expressivo sobre a vida do Mons. Arnóbio de Andrade. Porque Mons. Arnóbio de Andrade, como  evangelizador de alma, sempre soube da necessidade de o sofrimento cumprir-se como condição essencial para o aperfeiçoamento significativo da alma humana.

Surpreendente, na história de vida do Mons. Arnóbio de Andrade, ensina com simplicidade e humildade, como o Apóstolo Paulo, em suas Cartas aos Coríntios, que a principal característica do amor não é a felicidade pessoal, senão o exercício da renúncia e do sofrimento.

Na história de vida do Servo de Deus, cantada em verso e prosa,  se é que posso dizer que um dia Mons. Arnóbio de Andrade não foi Padre quem já nasceu trazendo a postura sacerdotal de um predestinado ao serviço de Deus, como se lhe fosse conferida antecipadamente uma ordenação espontânea, provinda de uma irresistível vocação cristã.

Na sua própria biografia, não consegue disfarçar o lado analítico de sua fome da verdade espiritual. Ela me fez ter maior aproximação a uma pessoa desconhecida, que se tornaria meu grande amigo. Tratava-se de uma pessoa de sólida formação católica e de muita leitura. Emprestei-lhe o livro do ensaio biográfico do Mons. Arnóbio de Andrade, e foi como se lhe houvesse dado oportunidade para a alegre descoberta de mais um confidente de Deus a enriquecer lhe o espírito com a palavra inteira que, além de ser boa leitura, era, sobretudo, um iluminado instrumento de fé. O livro biográfico sobre o Servo de Deus também cumprirá a sua missão para muitos.

De fato, o autor da frase: “O Senhor enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres e curar os corações contritos” nos encaminha para descortinar o significado da vida.

Aqui, se faz necessário observar a hosana que sai dos lábios do Mons. Arnóbio de Andrade se desenflora no sim afirmativo das fontes primaciais da vida. Ele se regala no banquete espiritual a que a vida imprimiu o selo corpóreo da beleza imorredoura (Lembro-me do versos de Antero de Quental: “vi a beleza que não morre e fiquei triste”.)

O Mons. Arnóbio de Andrade amava os seus alunos, a amizade, o púlpito. Procurou sempre a humildade, a honestidade,  a sinceridade, a integridade e a generosidade.  

E, de fato, o fundador da Congregação das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, sabia qual o verdadeiro caminho a seguir, atendendo ao “ide e pregai” daquele que tinha autoridade para si mesmo proclamar-se o caminho, a verdade e a vida. Era o caminho por dentro, a única via pela qual é possível chegar-se às fronteiras do transcendente para o alcance da vida na plenitude de sua verdade. Ele sabia disso e se achava preparado para jornada.

Simplesmente porque Mons. Arnóbio de Andrade nos ensina que o homem que não sofre só possui de si, em si e para si apenas, a “miséria do homem sem Deus”, conforme a bela frase pascalina.

O que me alegra é saber que na  cidade de Massapê, nasceu o Servo de Deus Mons. Arnóbio de Andrade. Professor de vários massapeenses, entre eles, a nossa querida acadêmica Elionar Siridó, que lembra de suas leitura bíblicas, sempre em busca de um maior aperfeiçoamento humano.

O povo massapeense, repito, já sabe da presença, entre nós, do  primeiro Santo cearense da contemporaneidade brasileira. Um extraordinário homem que as Irmãs Reparadoras Carminda Amélia,   Antonieta  Carneiro Portela, e a Irmã Odete Neves do Nascimento, vasculham para o espírito daqueles que ainda têm, a esperança da promessa de Deus, como arauto apostolar da beatificação deste Servo de Deus.

Há poucos dias,  numa das minhas caminhadas do amanhecer pelas ruas de Massapê, me deparei emocionado, na calçada oposta à rua da casa onde Mons. Arnóbio de Andrade nasceu. E pude contemplar, àquela hora, enquanto despontava esse dia para mim inesquecível, a postura de uma imagem de um menino, (realmente vi) as feições de um futuro Apóstolo do Cristo vivo, ou senão a luminosidade mesmo do próprio Servo de Deus, na transparência já objetivada em minha fé.

Uma homenagem ao Patrono da Academia Massapeense de Letras e Artes

                                                                                                                                                               EUDES SOUSA  Presidente da Academia, jornalista, historiador e crítico literário

                                                                                                                                                                                        


                







 

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, TRANSFORMADA EM PRIORIDADE, MUDARIA A REALIDADE DE MUITOS MUNICÍPIOS

EDIÇÃO DE 24.09.22

O Movimento Sem Terra está organizado em 24 estados, nas cinco regiões do país. São cerca de 450 mil famílias que conquistaram a terra por meio da luta e organização dos trabalhadores rurais.

 O MST é uma instituição muito bem-organizada. Tem uma estrutura muito bem fundamentada. Basta procurar no Google. Todos se surpreenderão. Tudo é muito bem definido.

 Vi uma propaganda política condenando o candidato Elmano de Freitas por ter pertencido ao MST, como se fosse um crime. O MST é uma escola de formação humana e política.

 O meu primeiro emprego foi no Movimento de Educação de Base – MEB, criado pela CNBB, em 1961. Foi uma escola de formação. Trabalhávamos com Alfabetização de Adultos da zona rural pelo Rádio. A ditadura achava que era crime.

                                                      
A condenação ao MST lembra o que fizeram com o PT. Criaram e alimentaram um antipetismo que gerou todos os problemas que temos hoje. Fruto de uma irracionalidade. Estudar, faz bem.

                                                          

Em Guaraciaba do Norte, neste dia de hoje, os partidários do Prefeito Adail Machado festejam o seu aniversário. Ao que tudo indica estarão lá as principais lideranças políticas do Ceará, a começar por Elmano Freitas e Camilo Santana.

 O prefeito construiu a sua história política prestando relevantes serviços à comunidade, especialmente como bom profissional médico, atendendo, indistintamente, a todos.

 Lá em Nova Russas, ano passado, o Professore e Advogado Xavier Scarcela estava vibrando com sua aprovação na OAB. Agora a vibração é por seu filho Bruno, de 21 anos, recém aprovado.

                          

Na família, neste final de semana, domingo, comemoraremos dois aniversários dos irmãos Edson e Júnior Martins, casados, respectivamente, com Luciene e Betinha Baltazar.

 As duas conterrâneas eram, e continuam muitos amigas,  e isto as fez casarem-se com os dois irmãos. E aí os laços de amizades se tornaram familiares.

 Tenho visto verdadeiras saladas de candidatos, no municípios. Nos mesmos cartazes/palanques, candidatos de vários partidos, sem a menor afinidade. Incoerência generalizada.

 Há candidatos, tradicionalmente, defensores de interesses coletivos e há outros que só têm votado contra os trabalhadores. Os registros da internet comprovam.

 Então, cabe ao eleitor votar com lógica. Tem sentido apoiar candidatos que só votam defendendo os próprios interesses?  Professores sabem disto. Ou preferem a subserviência?

 Candidatos que em vez de falar de seus próprio méritos ficam apenas falando mal dos outros, não me merecem crédito. Defender-se, tudo bem. Agredir sem motivo, é demérito.

 As voltas da história: O jurista Miguel Reale Junior que comandou o golpe contra Dilma manifesta seu apoio a Lula para afastar Bolsonaro, logo no primeiro turno.

 Justifica que os fatos contra Bolsonaro são muito mais revoltantes. “São atos de uma pessoa perversa”, diz o jurista que também pediu o impeachment do Presidente.

 Na minha caminhada profissional, dediquei muito tempo à Alfabetização de Jovens e Adultos pela crença de que ali está a raiz da desigualdade social.

 Já criei e apliquei um projeto de Alfabetização, Desenvolvimento de Habilidades e Geração de Renda que  deu excelente resultado. Provamos que todos sabem fazer bem alguma coisa.

 Nas exposições das habilidades, realizadas em alguns municípios, todos tinham algo a mostrar e a vender. Isto foi no tempo em que, na Pró-reitoria de Extensão da UVA, cuidávamos da Alfabetização Solidária.

 Seria muito importante que os prefeitos elegessem a alfabetização de adultos como prioridade. O trabalho, feito com competência, responsabilidade e muito compromisso, mudaria o panorama do município.

 Não basta dizer que tem tantas turmas. O importante é que o trabalho seja desenvolvido com dedicação. Já consegui ótimos resultados que mudaram a vida dos ex analfabetos.





 










O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

A IGREJA EM ESTADO PERMANENTE DE MISSÃO

Nestes dois dias – 25 e 30 – (domingo e sexta feira) celebramos duas datas importantíssimas, relacionadas à Palavra de Deus: o DIA DA BÍBLIA (25, amanhã) e o Dia do Tradutor: São Jerônimo (30 - 6ª feira). Ele traduziu a Palavra de Deus dos originais: hebraico, aramaico e grego para o Latim, a língua mais “vulgar” falada no Império Romano. Daí, chamar-se Bíblia Vulgata.

Todo o Mês de Setembro é dedicado à Bíblia, e neste último Domingo (25) ainda temos um Dia inteiro, dedicado a Ela. Uma oportunidade a mais que a Igreja nos oferece, cada ano, para uma atualização maior de todos os cristãos, com a Palavra de Deus, com o conhecimento dela e com a sua aplicação em nossas vidas.

Eu, pessoalmente, sempre que falei do Mês da Bíblia e de São Jerônimo, tive o cuidado de ligar com uma grande figura da Igreja Diocesana de Sobral que, para mim, tem uma importância enorme: Dom José Tupinambá da Frota, filho de Sobral e 1º Bispo da Diocese, que nasceu aos 10 de Setembro de 1882, e morreu aos 25 de Setembro de 1959, como comentamos sábado passado. Devido celebrarmos as duas datas, em Setembro, por uns 18 anos, comemoramos em Sobral, através da UVA, da Diocese e do Município, o SETEMBRO DOM JOSÉ, vendo nele um exemplo concreto da vivência da Palavra de Deus ao unir oração e ação, teoria e prática, fé e obra, sempre colocando seus “bens pessoais”, a serviço do “bem comum”. É o que todos queremos com a evangelização.

Com este Dia da Bíblia que estaremos comemorando amanhã, 25, e com a Festa Litúrgica de São Jerônimo - que celebraremos dia 30 - encerramos também o Mês da Bíblia, embora continuemos a fazer o verdadeiro paralelo entre Dom José e São Jerônimo que souberam unir teoria e prática na Missão que realizaram, com cerca de 15 séculos de distancia entre um e outro.

            São Jerônimo – presbítero e doutor - nasceu na Dalmácia, na 1ª metade do século 4º (em 342) e morreu na 1ª metade do século 5º (em 420). Por ser muito inteligente e preparado, recebeu do Papa Dâmaso, a missão de traduzir a Bíblia dos originais: hebraico, aramaico e grego, para o Latim, a língua mais vulgar ou popular da época, falada no Império Romano. Daí o nome: Bíblia Vulgata. Ele dedicou os últimos 35 anos de sua vida à oração, à penitência e ao estudo da Bíblia, já que ele era um homem dinâmico e profundamente piedoso. Nada melhor do que encerrar o Mês da Bíblia com uma festividade litúrgica em homenagem a esse Homem. Pelo seu imenso, demorado, profundo e sério trabalho de tradução da Bíblia, o seu dia litúrgico é também reconhecido, civilmente, como o Dia do Tradutor.

            Dom José, Presbítero; academicamente – mais de uma vez – Doutor, Bispo, Conde da Santa Sé, poliglota, humanisticamente bem preparado, tentou unir sabedoria e ação, ensinando-nos a Palavra de Deus e construindo uma estrutura material que a levasse à prática, através da educação, da saúde, dos meios de comunicação e do bem estar social, que era a sua opção preferencial. Logo após sua chegada aqui, procedente de Roma, em 1906, estimulava os jovens a se agregarem numa organização belíssima: a dos Escoteiros, que ele havia conhecido na Europa, fundada por Baden Powell. Até nós, seus seminaristas, éramos aconselhados a nos agruparmos, buscando aquilo que ensinava o fundador, desde 1876, na Inglaterra: a ter “uma mente sã num corpo são” ou “uma mente sadia num corpo sadio”.

Dom José deu sua vida por Sobral e 63 anos após a sua morte, ainda nos dá lições de vida, como lembramos no Comentário de sábado passado, recordando ainda seu nascimento há 140 anos e sua morte há 63.

Já dissemos, anteriormente, também, que desde 1971, a Igreja do Brasil vem celebrando o Mês da Bíblia, sugerindo temas para a reflexão e atividades para a divulgação da Palavra a todo o povo de Deus. No ano passado, 2021, celebramos 50 anos de existência, entre nós, do Mês da Bíblia, com um Tema para cada ano, sempre referente a um dos Livros da Palavra de Deus e um Lema, tirado de um versículo dessa mesma Palavra proposta.

Neste ano de 2022, por exemplo - já dissemos em nosso 1º Comentário do dia 03 - o Tema é baseado no Livro de Josué, sob o Lema que está no Capítulo 1º, vers. 9: “o Senhor teu Deus está contigo por onde quer que andes”. A estas alturas, todos devemos ter refletido em cada Paróquia e em todas as Dioceses, o tema e lema propostos para este mês da Bíblia, iluminados por Josué, 1, 9.

Quando a Comissão Episcopal Pastoral para a animação Bíblico-catequética da CNBB sugeriu o estudo do Livro de Josué, enfocando no versículo 9, do capítulo 1º, tinha em vista refletir, à luz da Palavra de Deus, sobre os 200 anos da Independência Histórica, do Brasil, como já comentamos no dia 10, próximo passado.

Mas, porque esta colocação do Livro de Josué, em mossa história, exatamente nas comemorações do bicentenário da Independência? Porque este paralelo?

Porque Josué, com 29 anos, logo após a morte de Moisés, o sucedeu no ano 1406 a.C. pra ocupar a terra de Canaã e permanecer nela como guia do povo de Deus. Ele era o principal ajudante de Moisés a quem Deus disse: “o meu servo Moisés está morto. Agora você e todo o povo de Israel se preparem para atravessar o rio Jordão e entrar na terra que vou dar a vocês... Esta é a minha ordem: seja forte a corajoso. Não fique desanimado, nem tenha medo, porque eu, o Senhor seu Deus, estarei com você em qualquer lugar para onde você for”. Sem dúvida, esta mesma orientação deveria ter sido dada aos nossos “invasores” à época e durante os acontecimentos aqui ocorridos.

Como praticar esta Palavra de Deus se homens do poder estão usando-a em vão, pondo-se acima de tudo, brincando de serem “deuses”? É engraçado: na hora de respeitar a religião dos outros, o Brasil é laico. Não tem religião. Mas na hora em que a religião pode ajudar nas manobras políticas, se apregoa: quanto mais, terrivelmente evangélico, melhor. Não é uma contradição? Aliás, no tocante à contradição, os pronunciamentos, os maus exemplos, o desrespeito às normas internacionais, a minimização que se faz à Organização Mundial da Saúde, enfim, tudo o que o bom senso aconselha a fazer é desrespeitado a cada instante. O desconhecimento da Palavra de Deus e o seu uso indevido, em proveito próprio estão na boca de qualquer autoridade inconsciente da função que ocupa. É uma tristeza!

Esperamos que o Mês da Bíblia com o incentivo que deu a todos nós e o conteúdo que nos foi passado pelo Livro de Josué, incentivando-nos a permanecer com Deus onde quer que estejamos, tenha sido uma preparação próxima, um armazenamento espiritual e intelectual para a prática missionária que o Mês de Outubro vai exigir de nós, afinal, é o Mês das Missões que se aproxima. É o mesmo esquema que lembrávamos ali acima, ao falar sobre D. José: “ensinava a Palavra de Deus, construindo, paralelamente, uma estrutura material que a levasse à prática”. É o que tentaremos fazer neste mês que se aproxima: o mês de outubro de 2022, que propõe o Tema: a Igreja em estado permanente de missão, em conjunto com o Lema: sereis minhas testemunhas, tirado de Atos, 1,8, como aprofundaremos depois.

Como acontece todos os anos, o Papa se inspira no Tema e Lema do Mês Missionário para dar a sua mensagem para o Dia Mundial das Missões – 23 de Outubro – penúltimo Domingo do Mês. Tanto durante o mês missionário, como no seu 4º Domingo, aprofundaremos o Tema, o Lema e a Mensagem Pontifícia, para o conhecimento de todos.

Francisco já nos adianta que, “mesmo reconhecendo as tribulações e desafios, não podemos ignorar o caminho missionário de toda a Igreja que continua à luz de sua palavra, fundamentando a vocação de Isaías: eis-me aqui, envia-me. Nós também devemo-nos dar conta que estamos no mesmo barco. Somos fracos e desorientados mas, ao mesmo tempo, temos de nos sentir importantes e necessários e ainda chamados a remar juntos. É a nossa Missão.













sexta-feira, 16 de setembro de 2022

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

A PROFESSORA IZOLDA CELA MERECE TODO O NOSSO RESPEITO                                           Edição de 17 de setembro


Muitos professores e professoras viram a divulgação de nomes e fotografias de deputados e senadores que votam contra os interesses coletivos da categoria.

 Agora, essas mesmas pessoas se apresentam como candidatos, recebendo apoio de lideranças locais que não se importam com o que seus preferidos pensam e como agem.

 É preciso acompanhar a história dos candidatos e de seus partidos. É importante votar em candidatos que pensam no bem coletivo. Há ótimos nomes.

 Se um Professor ou Professora dizem que vão votar “em quem o chefe mandar”, estão dando um atestado de fraqueza. Passada a eleição, retomam o rosário de reclamações.

 Ainda não percebi nenhuma mudança com a chegada do tal 5G. Ou então a novidade não chegou ao meu aparelho.

 O que tenho sentido é que quando se faz uma ligação via whatsapp acontecem sucessivas quedas, requerendo novas ligações ou desistência.

 Não dá para entender como pessoas que se apresentam como cristãos defendem ou apoiam quem divulga ou facilita a proliferação de armas.

 “Eu venho para todos tenham a vida e a tenham em abundância” está na Bíblia ou os defensores de armas não acreditam? Alguma arma produz vida?

 O argumento de quem não tem argumento é a arma de fogo ou as agressões verbais. Nunca uma conversa, um diálogo. Sentem-se acima de tudo e de todos.

 O estímulo à proliferação de armas é para isto. Como não há argumentos lógicos para defesa de ideias, o caminho é a agressão que intimida. Em nome de Deus. Que Deus?

 O Comentário da Semana, escrito neste Blog pelo Mons. Assis Rocha, é sobre a ação de D. José Tupinambá da Frota, primeiro Bispo de Sobral, sempre relembrado no mês de setembro.

 Aliás, SETEMBRO DOM JOSÉ, foi uma iniciativa do Prof. Teodoro, quando Reitor da UVA. Era um evento de grande repercussão na zona norte do Ceará.

 O Betanista Lourenço Araújo Lima, do distrito de Gásea, em Ipueiras, é um Veterinário de sucesso no Rio de Janeiro. Fez este comentário sobre o nosso livro GUARACIABA DO NORTE – NOSSAS RUAS, NOSSA HISTÓRIA:

 “Creia. Está sendo muito gratificante reler o seu livro. Gostaria de saber expressar de maneira mais erudita tudo que ele me faz sentir e reviver.

 Os meus mais sinceros e puros sentimentos do fundo do meu coração, você realmente é um professor com prazer. Deus continue te abençoando hoje e sempre. Um fraternal abraço Betanista. Fica na paz de Deus”.

Fiquei muito feliz, é claro. Quem não ficaria? E eu pensava que o conteúdo só interessaria aos conterrâneos da mesma época.  Muito grato, amigo
Tive mais uma boa conversa telefônica com o amigo Expedito Mesquita, de longa história na Educação do Ceará. Tanto na SEDUC quanto em alguns municípios.

 Agora, aposentado, residindo em Acaraú, está colaborando com a campanha do Duquinha para a Assembleia Legislativa.  É uma área que o Expedito domina, também. Ótima escolha.

 Ele é uma das pessoas que viveu momentos importantes da vida estudantil e universitária no final da década de 60 e início de 70. Uma memória extraordinária.

 Como se justifica a existência de um Orçamento secreto com recursos públicos? Se o dinheiro é público sua aplicação devia ser transparente para que todos soubessem.

 O Portal da Transparência foi criado  com esta finalidade. Os políticos normalmente, dão visibilidade ao que fazem de bom. Se é secreto... boa coisa não é.

 É bom lembrar: O que projetou o município de Icapuí, foi a iniciativa de registrar numa parede pública os recursos recebidos e as respectivas aplicações. 

A propósito, é muito triste ler ou ouvir acusações feitas a uma Professora de altíssima credibilidade como tem sido a Professora Izolda Cela, hoje Governadora do Ceará.

 Tive o privilégio de tê-la como Coordenadora de Alfabetização de Adultos, na UVA quando ocupei a função de Pró-Reitor de Extensão. Uma pessoa corretíssima.

 Mais triste ainda é observar que, de olho no poder, as amizades, o respeito, as convicções ficam em segundo plano. Ou não há convicções e apenas conveniências?

 Tanto a Professora Izolda quando o Veveu, com quem também trabalhei na UVA, ele Pró-Reitor de Cultura, merecem toda a nossa solidariedade. Extensiva à família. 




O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Relembrando a ideia do SETEMBRO DOM JOSÉ

Ao se aproximar deste mês de Setembro, pensei em discorrer sobre o Mês da Bíblia, tradicionalmente, lembrado, mas pensei também em falar neste Comentário da Semana sobre uma vivencia minha, em Sobral, do Setembro D. José, que me marcou, sensivelmente. Aproveito este ‘site’ do Leunam, tão gentilmente concedido a mim, para reportar-me ao fato.

Em dezembro de 2001, voltava eu para o meu Ceará, depois de 40 anos em Pernambuco. Vinha na intenção de passar um ano sabático e, dependendo de minha readaptação com minha família, com a Diocese e com meus conterrâneos, voltaria em definitivo para cá. Sem dificuldades me readaptei, inclusive, arranjando logo um trabalho. O Professor Teodoro com outros colegas – o Leunam à frente - contemporâneos nos Seminários de Sobral, Fortaleza, Olinda e Roma me convidaram a trabalhar na UVA, para fazer o que eu mais havia feito na vida: comandar o setor de Comunicação e, mais tarde, também de Articulação da Universidade. Interagi muito bem com os demais professores e tive uma boa e nova experiência.

            Por ter sido seminarista de Dom José e por ter convivido com ele de um modo muito especial, ao assumir as Pró-reitorias de Articulação e Comunica-ção (Pro-Art.com) logo no início do ano de 2002, teria que integrar, pela própria função, a equipe já existente do Setembro Dom José, cujo encargo aceitei, com prazer, do 3º ano a ser celebrado até o 6º ano, em 2005, quando saí da UVA. Fui convocado por Dom Fernando Saburido para ser Assessor de Comunicação da Diocese de Sobral, coordenando a Rádio Educadora e o Jornal Correio da Semana, cabendo também a mim a parceria com o Setembro Dom José, que se mantinha desde o início com uma coordenação tripartite: a UVA, a Diocese e a Prefeitura de Sobral.            

A brilhante ideia saiu da cabeça do Professor Teodoro, ao tempo em que era Reitor da Universidade Vale do Acaraú. Motivou o Prefeito de Sobral e o seu Bispo Diocesano, respectivamente, Cid Gomes e Dom Aldo, para realizarem o intento que aconteceu em 17 anos consecutivos, mesmo depois que mudaram Prefeito e Bispo. Dom José havia passado, mas um outro José – o Teodoro Soares - seu fiel e grato discípulo, sustentou a memória até ir-se também ele aos 18 de agosto de 2016.

Já nos estávamos preparando para celebrar o 17º Setembro Dom José, como nos anos anteriores, com o apoio total do Prof. Teodoro. Sua partida não nos impediu de comemorar, pois, certamente, na eternidade, com o próprio Dom José, se alegraram bastante. Nós aqui, naquele ano, rememoramos os dois. Nunca esquecemos, nesses últimos 16 anos, de enumerar o Curriculum de Dom José, os inúmeros títulos universitários conquistados na Universidade Gregoriana, em Roma, inclusive o fato de “ter sido recebido em audiência pelo Papa Pio X, por ter obtido a melhor nota na famosa Universidade Pontifícia”.

            Nossa referência à Audiência Pontifícia é porque do dia 13 de Maio de 1899 ao dia 06 de Junho de 1906 D. José estudava em Roma, fazendo seus Cursos de Filosofia, Teologia, Sagrada Escritura e Direito Canônico, com os respectivos Doutorados em todos. Até 1903, o Papa era Leão XIII. Foi substituído por D. José Sarto, que escolheu o nome de Pio X. Até 1906, com o aluno D. José, ainda em Roma, embora seu pontificado tenha ido até 1914.

            Em junho de 1906 D. José foi laureado em Teologia com o mais alto conceito dado pela Universidade Gregoriana: summa cum laude. Para coroar a magnitude de sua proeza, foi recebido em audiência pelo Papa Pio X que queria parabenizar o “gênio brasileiro” que alcançara tão alto conceito ou avaliação tão excepcional naquela tradicional Universidade Pontifícia. Esse gesto de Sua Santidade deixou em D. José uma marca especial. Foi, como que, a glória ou o coroamento de seus esforços, até então, empreendidos. D. José nunca esqueceu isso.

            Em 1914 o Papa Pio X morreu. Substituiu-o Bento XV, que logo em 1915 criou a Diocese de Sobral, nomeando D. José, com apenas 33 anos, o seu 1º Bispo. O “amigo” já se tinha ido, com 79 anos de idade, mas o sucessor não lhe desconheceu o valor. Fê-lo, tão jovem ainda, Bispo da nova Diocese.

            Sabemos sua história. Contamo-la e recordamo-la sempre, como já o fizemos inúmeras vezes: seu nascimento no dia 10 de Setembro de 1882 e a sua morte no dia 25 de Setembro de 1959. Daí o motivo do Setembro Dom José: seu nascimento e sua morte aconteceram em SETEMBRO. 

            Quarenta anos após a morte de Pio X, em 1954, o Papa era Pio XII. Ele o elevou à honra dos altares, canonizando-o como um dos santos da Igreja. Eu ia fazer meus 14 anos de idade e me lembro bem: D. José decretou feriado no Seminário São José de Sobral, não só para aquele dia 21 de agosto, mas para todos os anos no dia da celebração litúrgica de São Pio X.

            Poucos anos depois, em Junho de 1959, D. José teve uma crise de “edema pulmonar” e eu estava com ele em sua residência episcopal. Era cedo da noite quando ele se sentiu mal. Pediu-me para, apressadamente, chamar seu médico e amigo – o Dr. Guarany Montalverne - que habitava em frente à sua casa. Imediatamente eu o chamei e ao chegar, tomou as providências necessárias para debelar a crise e D. José voltou ao normal. Quando todos saíram – médico, padres, seminaristas e alguns amigos e familiares – D. José me segredou: “eu tinha certeza que não ia morrer. Quando você saiu para chamar o médico, apareceu-me, ali naquela parede, sorrindo, irradiante de felicidade, o meu querido São Pio Décimo. Eu tive certeza de que não morreria dessa vez”. De fato, permaneceu vivo até 25 de Setembro do mesmo ano.

            Além de recordá-lo a cada ano, ainda guardamos inúmeras lições de vida, mesmo após 140 anos de seu nascimento e 63 anos de sua morte. D. José continuará inesquecível.

            Depois do 17º Setembro Dom José em 2016 - um mês após a morte do Prof. Teodoro - ainda teimamos em promover o 18º Evento em Setembro de 2017, reunindo familiares, amigos, diretores dos Institutos criados por ele, o Museu Dom José, a Escola de Artes Universo da Música e a sociedade Sobralense em Geral para prestarmos uma dupla homenagem aos “02 JOSÉs”: o tradicional homenageado, Dom José Tupinambá e o criador e incentivador do Setembro Dom José, o Professor José Teodoro.

            O Teatro São João ficou repleto de gente, aplaudindo, incentivando os artistas, motivando até um pronunciamento público na hora do agradecimento: ‘não podemos trair essa memória; para o ano queremos estar aqui e colaborar’.

            O fato é que, já se vão 05 anos sem que sejam lembrados os Setembros Dom José. No ano passado, surgiu uma luz: um grupo comandado pelo Padre João Paulo, Cura da Catedral da Sé, em Sobral, mobilizou pessoas de boa vontade para recomeçarem a falar sobre Dom José, como alguém tão importante em nossa história, que deve ser lembrado.

            Ao receber a boa notícia do Padre João Paulo, dei-lhe todo o incentivo para persistir na ideia, sobretudo ele, que é padre novo e já parte na frente como um dos integrantes da equipe “tripartite”, representando a Diocese.

 Falei-lhe da possibilidade de arregimentar novos integrantes da UVA, do Governo Municipal, da Sociedade Civil, do Museu D. José, do Teatro S. João – coetâneo do ilustre Bispo, filho da terra – e da Escola de Artes: Universo da Música que, nos últimos 10 anos fora parceira do Setembro D. José, promovendo o Festival “Amigos e a Música”, sempre com muito sucesso, abordando um ritmo musical.

            Com quase 82 anos, não me vejo mais com garra, tempo, ousadia e disponibilidade para integrar tal equipe, embora reconheça como necessária para manter uma tradição em honra de alguém que tanto fez por Sobral. Não é para humilhar ninguém, mas Sobral nunca teve um administrador tão corajoso e tão desapegado, até dos seus próprios recursos, para investir nesta cidade com a sua mensagem de fé, sua obra material sempre na esperança de fazer de Sobral, uma “Nova Roma”. Não era sonhar demais? E ele conseguiu.

            Dom José - sem ter estudado a Teologia da Libertação, sem falar de CEBs ou de “Comunidade de Comunidades”, sem adesão alguma às ideias liberais ou ao positivismo de sua época, sem propagar a nascente Doutrina Social da Igreja, nem mesmo sem ser um visionário socialista – enveredou pela junção de fé e obra, de esperança e política, de oração e ação como o fizeram e ainda fazem tantos outros homens de Igreja. Colocou até seu patrimônio pessoal a serviço da Paróquia da Conceição, como seu 12º Pároco e, mais tarde, a serviço da Diocese, como seu 1º Bispo a partir de 1915, com aquela pertinaz ideia de fazer de Sobral uma miniatura de Roma. Não mediu esforços.

            Criou muitas Associações Religiosas, Irmandades, Catequese, Ordens Terceiras, para vivenciarem as Festas de Padroeiros, as procissões e demais práticas religiosas. Imprimiu no povo as tradições essenciais da vida cristã, dando ênfase à Santa Missa, aos Sacramentos, à Ação Missionária de tal modo que plantou muitas raízes e boas tradições no coração da família sobralense, que perduram até hoje.

Fundou o Asilo da Mendicidade, alicerce para a futura Santa Casa de Misericórdia, o Seminário São José para a formação de sacerdotes, hoje UVA (Universidade Vale do Acaraú), o Abrigo Sagrado Coração de Jesus, o Colégio Diocesano Sobralense, o Colégio Santana, o Patronato Imaculada Conceição, o Jornal Correio da Semana e, mais tarde, a consequente Rádio Educadora, o Comitê Municipal contra o analfabetismo, o Palácio Episcopal, onde habitava e já funcionava o seu Museu Diocesano, hoje Museu Dom José, o Cine Teatro Gloria, a Casa de férias para si e para seus seminaristas na Serra da Meruoca, mais tarde Centro de Treinamento Diocesano. Para a Administração de Recursos e de doações para construir tantas obras e até movimentar rendas pessoais e da diocese, ousou erigir o Banco de Crédito Popular, transformado mais tarde no BANCESA, que movimentou por um bom tempo a economia local. Dom José foi, de fato, um dos maiores mentores, incentivadores, construtores e administradores do desenvolvimento de Sobral. Ninguém nega.

            Também, pudera! Um homem culto; falava, fluentemente, várias línguas. Conhecia música erudita e tinha um ouvido afinadíssimo. Ao ouvir uma voz destoante no Coral do Seminário, em pleno Pontifical na Igreja da Sé, corrigia publicamente e mandava cantar de novo, desfazendo o erro.

            Como não homenagear este homem, como deixá-lo no esquecimento ou não lhe ter tanto respeito pelo “monstro sagrado” que ele foi? Avante, Pe. João Paulo! Reanime-se e dê prosseguimento a esse projeto. “Como deixar apagar a luz que ainda fumega... ou esmagar um galho que está quebrado”? (Is.42,3).


 


sexta-feira, 9 de setembro de 2022

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

O ANALFABETISMO DE JOVENS E ADULTOS É A EXPRESSÃO MAIS VISÍVEL DAS DESIGUALDADES  Edição de  10 de setembro

Esta foi uma semana cheia de aniversários de pessoas muito queridas. Daquelas que a gente tem o prazer de comemorar:

 Dia 8, foi o quarto aniversário da Cecilia, filha de Marina e Junior. Neta de Tereza Neuma e Ítalo Gurgel, de Lúcia e o ex-colega de Seminário, em Olinda, Jussiê Moura.

 Dia 9, foi a Luciane, uma sobrinha, filha Luciene e Edson, competente Enfermeira. Casada com Rafael Mesquita e mãe da encantadora Rafaela.

 Dia 10, sábado, é a Mariana quem está completando 45. É filha de Ruth Cavalcante e João de Paula Monteiro. Nasceu na Alemanha, durante o exilio.

 Também no dia 10, outra pessoa extraordinária. Rozane Alencar competente Facilitadora de Educação Biocêntrica.


No passado, nesta data, seminaristas de Sobral celebrávamos, na Serra da Meruoca, o aniversário de Dom José Tupinambá da Frota. o Seminário de Sobral.

 Outro aniversariante importante para mim, no dia 10 de setembro, foi o amigo Lustosa da Costa um paraibano mais sobralense do que muitos que ali nasceram.

 Vejam a mensagem, emocionante, de um amigo, ao remeter o pagamento de exemplares do nosso livro GUARACIABA DO NORTE – NOSSAS RUAS, NOSSA HISTÓRIA:

 “Meu amigo e meu irmão, aí está esse símbolo/pagamento, que não pode se confundir com valores, pois o que você fez pela memória do meu pai não tem dinheiro que pague”. 

Foi-me enviada pelo conterrâneo Abdoral Filho, residente em Brasília onde dirige suas empresas com quase duzentos empregados.  Para mim, um reconhecimento gratificante.

 Este é um período em que servidores apadrinhados começam a temer a perda do emprego. O emprego não deve estar vinculado ao político, mas à competência.

 O servidor atualizado, preparado e comprometido com o trabalho não precisa ter medo de perder o emprego. Quem fica com medo é o bajulador, subserviente, despreparado.

 Há necessidade da capacitação permanente. Quem acha que já sabe tudo é um fracassado. É um arrogante, prepotente que desconhece as próprias limitações.

 É impressionante o quanto  se dá valor à Monarquia: Rei da Voz, Rainha das Tapiocas, Princesa do Sul, Príncipe da Panelada, Imperador do Cuscuz, Rei do Milho etc.

 Seria melhor uma grande torcida pela Democracia, onde todos tem direitos iguais, pelo menos teoricamente.  A luta deve ser de oportunidades para todos.

 Infelizmente, há, atualmente, quem torça pela volta da ditadura. Só pode ser ignorância ou a defesa de algum interesse particular. A direita olha só os seus próprios interesses.

 Nas manifestações do Dia da Independência, paradoxalmente, havia faixas e cartazes pedindo ao Presidente que “acione” meios para bloquear o STF.

 A presença deste verbo (acione), não comum,  estava nos cartazes de Brasília, Rio e São Paulo, mostrando que houve uma ação centralizada na divulgação da ideia.

 Isto nos prova que a Independência é uma ação permanente. Acho, por exemplo, que enquanto tivermos analfabetos jovens e adultos, a independência não estará completa.

O analfabetismo é uma grande expressão das desigualdades sociais. Pela minha experiência de muitos anos nesta área,  é uma decisão de cada município.

 Onde adotamos o Método de Paulo Freire, em alguns municípios, os resultados foram impressionantes. Era visível o entusiasmo dos alunos.

 E, neste sábado, 10, será o lançamento de dois livros na ACI, às 10 da manhã: Do Advogado e Professor Marcelo Uchoa: O PESADELO DE UMA NAÇÃO.

 O Outro é DE LULA A BOLSONARO, de autoria do experiente jornalista, apresentador do Boa Noite 247, Rodrigo Vianna. 















O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

  Independência para quem?                     Qual independência há, de fato, no Brasil”?

No último sábado, ao falarmos do final do Mês Vocacional, dizíamos estar iniciando, Setembro, o Mês da Bíblia, todo ele dedicado ao contato maior com a Palavra de Deus, para formarmos uma sequência: cuidar da Vocação, em Agosto, alimentá-la com a Bíblia, em Setembro e praticar tudo, em Outubro, com o Mês Missionário. Além de termos todo este mês dedicado à Bíblia, ainda teremos um dia inteiro, no último Domingo de setembro, 25, voltado pra ela e o dia 30, liturgicamente festejado a S. Jerônimo, tradutor dos originais: hebraico, aramaico e grego, para o Latim, a língua popular do Império Romano, a quem foi dado o nome de Bíblia Vulgata. Falaremos das duas datas no final do mês.

            Hoje, não quero obscurecer uma data pátria: o Bicentenário da Independência, já tão propagado, desde a celebração do sesquicentenário, em 1972. Àquela época, a Ditadura Militar deitou e rolou nas comemorações. Agora, 50 anos depois, o fascismo reinante está ameaçando a democracia, os poderes constitucionais, impondo um esquema de solenidades mais ditatoriais do que mesmo fez o governo militar. E o pior é que se faz tudo isso, dentro de uma campanha eleitoral, como motivação para conquistar votos, abusando das cores nacionais como se fossem cores partidárias, usando de fake News, como se fossem verdades, enganando a boa fé do povo. Aliás, este comportamento ‘contra o povo’ foi o que sempre levou as elites à Inconfidência Mineira, ao Grito da Independência, à Proclamação da República, ao Golpe Militar ou Fascismo do Governo atual.

A maneira de comemorar a data bicentenária, nós já vimos como foi: a cavalaria, fumacentos tanques, velhos navios de guerra, soldados armados de todas as forças, até “tratoraço”, e esquadrilhas da fumaça, que tanto enfeitam nessas ocasiões. Também estudantes - crianças e adolescentes - foram obrigadas a desfilar, mesmo em escolinhas interioranas, como se isso fosse real prova de civismo. Para comporem o quadro, estavam autoridades, corpos diplomáticos e até o “coração de D. Pedro I”, vindo de Portugal, por uma concessão especial. Sobre tal data cívica, não tenho mais o que dizer. Basta!

            Mas, sobre uma atividade paralela – o grito dos excluídos – desde 1995, encabeçada pela CNBB e por seus movimentos sociais, eu quero me referir agora. Sua origem remonta à II Semana Social Brasileira, entre 1993-94. Além da CNBB, outros organismos participam da coordenação, realização e execução: o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), os Movimentos Sociais, a OAB, MEB, CEBs e outras entidades envolvidas com a justiça social.

            Pelo Tema estabelecido desde o início: A vida em 1º lugar e os Lemas aprofundados a cada ano, dá para perceber que são gritos bem diferentes: o estático de Independência ou Morte, só lembrando o fato histórico e o dinâmico Grito dos Excluídos, renovado a cada ano.

            Você, meu leitor amigo, se participa da Vida Pastoral da Igreja, conhece o esquema de atualização que o Grito dos Excluídos está dando há 28 anos. Se está contente com o Grito do Ipiranga, é uma pena: você parou no tempo.

            Nós, que nos ligamos no dinamismo da Igreja, refletimos, aprofundamos e nos manifestamos, massivamente, desenvolvendo os lemas sugeridos, que lhes recordo agora: ‘trabalho e terra para viver’; ‘queremos justiça e dignidade’; ‘aqui é o meu país’; ‘Brasil, um filho teu não foge à luta’; ‘progresso e vida -pátria sem dívidas’; ‘por amor a essa pátria – Brasil’; ‘Soberania não se negocia’; ‘tirem as mãos... o Brasil é nosso chão’; ‘Brasil: mudança pra valer, o povo faz acontecer’; ‘Brasil! Em nossas mãos, a mudança’; ‘Brasil: na força da indignação, sementes de transformação’; ‘isto não vale: queremos participação no destino da Nação’; ‘direitos e participação popular’; ‘a força da transformação está na organização popular’; ‘onde estão nossos direitos? Vamos às

ruas para construir o projeto popular’; ‘pela vida grita a terra... por direitos, (gritamos) todos nós’; ‘queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda a população’; ‘juventude que ousa lutar, constrói projeto popular’; ‘ocupar ruas e praças por liberdade e direitos’; ‘que país é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome’? ‘este sistema é insuportável: exclui, degrada, mata’; ‘por direitos e democracia, a luta é todo dia’; ‘desigualdade gera violência: basta de privilegio’; ‘este sistema não vale; lutamos por justiça, direitos e liberdade’; ‘basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação’; ‘na luta por participação popular: saúde, comida, moradia, trabalho e renda já’.

            Neste ano do bicentenário, o Grito dos Excluídos - que sempre motivou o povo, antes do Dia Sete, no próprio Dia, e o movimentou depois - está perguntando: “Independência para quem? Qual independência há, de fato, no Brasil”? Foi na busca de respostas para perguntas semelhantes a estas, que o meu vizinho e colega sacerdote, Padre Vito Miracapillo foi expulso de sua Paróquia, em Ribeirão, na Mata Sul de Pernambuco, quando vivíamos sob o regime militar, aos 07 de setembro de 1980.

            Quando iniciamos o Grito, 15 anos depois, alcançamos 170 localidades, onde o povo se ia organizando em cozinhas comunitárias e em movimentos populares em um verdadeiro mutirão para enfrentar a fome. Em 28 anos, o Nº de famintos tem aumentado, de moradores de rua, de frequentadores de lixões à procura de um punhado de ossos para fazer uma sopa, de restos de comida, disputada com ratos e guabirus, enfim, um país que se ufana de estar entre as 10 maiores economias do mundo e de ser o 2º maior produtor de alimentos pra exportação, continua com um povo desprezado, sem trabalho, faminto, sem escola, analfabeto, sem salário e sendo orientado a usar “pix”, “cartões de crédito”, ou a fazer “empréstimo consignado” ou a frequentar  “Homeschooling”. Não é o grito de Independência ou Morte que está fazendo o povo construir ou crescer de baixo pra cima. É o Grito dos Excluídos que está ecoando nas ruas, desesperadamente gritando contra a exclusão social, numa busca constante de construir no dia a dia, a resistência e a sobrevivência.

            Será que não dá para perceber a contradição do grito de uma minoria que tem o poder, o dinheiro, o prestígio, aumentando sempre mais os seus lucros, visando, cada vez mais, a sua Independência social, econômica, material, em detrimento de uma maioria marginalizada e desalentada? Será que o Grito destes não incomoda os que tem poder, riqueza, mesa farta, luxo e se sentem mais e mais “independentes”?

            Está na hora de pensarmos nestas contradições; daqui a pouco, teremos eleições. Se estivermos satisfeitos com a situação reinante, com a ascensão daqueles que sobem sozinhos, sem pensar na maioria, mantenha-os no poder. Deixe-os gritando “independência” pra si, e “morte” pros outros. Continue encostando-se “num pau que tenha sombra”, mesmo que a sombra seja só pra ele. Se você pensa numa sociedade com um tratamento equânime pra todos, “grite com os excluídos”.  Como diz meu querido irmão, Frei Beto, “os que querem governar a sociedade não suportam os que querem governar com a sociedade, abraçados aos fundamentos da democracia”. E conclui o Frei Beto: “se o salário não paga a vida, a vida parece não valer um salário”.













COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...