“Quem
é minha mãe e quem são meus
irmãos?”
Amanhã, começa na Igreja Católica, um novo ciclo litúrgico
ou um novo ano no seu calendário. É o 1º Domingo do Advento que - em uma série
de 04 - nos prepara para celebrar o Natal de Jesus.
Advento é
uma palavra originada do latim (do verbo advenire)
que quer dizer chegar; vir e não significa outra coisa,
senão, preparar a chegada de Jesus; a esperança de que a sua vinda
nos traz.
Todos os
anos a Igreja abre e fecha o seu ciclo litúrgico, seguindo um roteiro
pré-determinado e vivido, tradicionalmente, em todo o mundo. Passa a sua
vivência para seus fiéis cristãos, a fim de que todos nós o entendamos e o
vivenciemos de acordo com o seu significado.
O ano litúrgico
começa com o Tempo do Advento, que nos prepara para viver o Natal, que não é
somente o dia 25 de dezembro, mas vai da oração das Vésperas que nós sacerdotes
rezamos na Liturgia das Horas, na tardinha do dia 24, até a festa do Batismo de
Jesus, que este ano será celebrada no dia 08 de janeiro. Todos esses 15 dias
serão comemorativos do nascimento de Jesus. É como se fosse um dia só, ou um
único dia bem grande. Daí em diante, passamos a viver uma 1ª parte do Tempo
Comum - umas 08 semanas - e iniciamos o Tempo da Quaresma que, como o próprio
nome diz, é um período de 40 dias, agora preparatório para a semana santa (
Os Tempos
do Advento e da Quaresma são parecidos, nos sentimentos e nas celebrações. Dão,
ao cristão, um espírito penitencial, convidativo à conversão, pois nos preparam
para dois grandes momentos de nossa fé: o nascimento de Jesus (25/12) e a sua
Ressurreição (09/04/2023).
Com a
festa da Ressurreição, inicia-se o Tempo da Páscoa, que são 50 dias festivos,
alegres, comemorativos da vitória de Jesus sobre a morte, encerrando no
Pentecostes (aos 28/05) É a certeza da salvação que Ele nos veio trazer. É o
maior acontecimento para a humanidade. Nada é mais importante do que alguém ter
morrido, ressuscitado e garantido a ressurreição para todos.
Depois
desse Tempo Pascal, recomeça-se da 9ª Semana do Tempo Comum, interrompido lá no
início da Quaresma, e se vai até a Festa de Cristo Rei, no último Domingo do
ano litúrgico, com mais uma semana - a 34ª do Tempo Comum (esta que estamos
encerrando hoje) – para podermos iniciar tudo de novo, como estamos fazendo a
partir das Vésperas da tarde deste sábado, 26/11.
Ficou confuso? Entenda bem o que
estou dizendo. Às vezes nós nos dizemos católicos, mas não sabemos coisas tão
rudimentares da nossa fé cristã que, vividas no calendário de nossa Igreja, nos
recordam os principais mistérios, ensinamentos e práticas religiosas que todos
deveríamos vivenciar e aperfeiçoar a cada dia. Nem sempre nós nos interessamos
por isto.
Jesus,
além de nos trazer uma mensagem de esperança, nos deu também um roteiro, uma
estratégia, uma política, uma ideologia ou um caminho a serem seguidos. Estes,
sim, nos salvam e é preciso estarmos sempre alertas, lembrados e motivados para
não fugir da orientação que Ele nos deixou, e o ano litúrgico nos vai
relembrando o esquema, vai-nos avivando a norma e nos vai religando com Deus. É este o sentido da “religião” em
nossa vida.
Será
correto a gente viver sem uma norma, um roteiro de vida? Será que nós não
precisamos da ajuda de ninguém, de algum lembrete, de alguma chamada de
atenção? Será que podemos viver numa sociedade sem governo, amorfa, anárquica, no sentido original da palavra?
Pense
nisso. Desde a noite de amanhã (28 de novembro) realizaremos, em várias Paróquias,
inclusive em Bela Cruz, o Novenário da Padroeira, que vai até o dia 08/12 – 5ª
feira, Festa da Imaculada Conceição. É uma Celebração Universal da Igreja e o
dia 08 de dezembro, em qualquer dia da semana, que caia, já é dia santo de guarda,
dada a importância dessa solenidade. Desde cedinho, todas as manhãs, celebraremos
momentos de orações, santas missas, ofício de Nossa Senhora, confissões
individuais, culminando o nosso dia, com a Novena da Noite, que reúne milhares
de pessoas que externam a devoção, o respeito, a sua filial homenagem á sempre
Mãe de Deus, que é também a nossa Mãe. Participe você também em qualquer
Paróquia onde haja a Festa. Aproveite a grande oportunidade de se preparar bem
para viver o tempo do Advento e a Festa do Natal que se aproxima. Entre no Novo
Ano, verdadeiramente, preparado. Faça sua revisão de vida. Busque o sacramento
da reconciliação com Deus e com o próximo. Entre no ano novo com o pé direito: renovado.
Em tempos
de advento e de Natal, nada mais oportuno do que abrir um espaço para falar de
Maria, a mãe de Deus, já que, neste começo de ano litúrgico, temos a alegria de
celebrar a sua Imaculada Conceição. Não há Natal sem Maria; nem Maria sem o
Menino Jesus.
Como eu
já disse, desde o dia 28 de novembro, várias paróquias realizam o novenário da
Padroeira, que vai até a 5ª Feira - 08
de dezembro - quando o calendário litúrgico faz festa à Imaculada Conceição de Maria. É uma celebração universal da Igreja e o dia
08, sendo Domingo ou não, é também Dia Santo de Guarda, dada a importância
dessa solenidade.
Se eu não
acreditar que Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, ou na cidade
francesa de Lourdes, ou em Medjugorge, na Croácia, ou na vilazinha de Cimbres,
na Diocese de Pesqueira, em Pernambuco, eu não incorro em nenhum erro. Mas, se
eu desacreditar que Maria foi gerada sem pecado; foi concebida no ventre
materno de Santana, sua mãe, sem nenhuma mancha; que Deus a preservou de
qualquer mácula, a fim de que ela fosse a mãe de Jesus, aí eu cometo pecado,
pois a Igreja decretou, através da Bula Ineffabilis Deus, do Papa Pio IX,
aos
Às vezes, setores não católicos, embora cristãos, dizem
que adoramos a Maria e nos criticam por isso. Nós temos repetido que não a
adoramos, mas nós a respeitamos, veneramos e a aceitamos como mãe, já que Jesus
no-la deu, aos pés da cruz, na pessoa de João, o Evangelista, quando disse: “eis aí o teu filho; eis aí a tua mãe”.
Maria é
mãe de Deus e tornou-se nossa mãe, não é somente porque teve Jesus gerado em
seu ventre; é também e, sobretudo, pelo que Ele mesmo disse: porque ela fez a vontade do Pai. Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Disse Jesus: Minha mãe, minha irmã e meu irmão é todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu.
Por toda
parte, onde se celebram as Festas de N. Senhora da Conceição, sempre ligamos à
Missão: de Maria, aceitando ser a mãe de Jesus: “faça-se em mim, segundo a tua palavra”; e à nossa missão: de ir pelo mundo, pregando o evangelho a
toda criatura.
Em todas
as ocasiões do Novenário temos lembrado que o leigo também tem sua Missão,
semelhante à de Maria: colocando-se nas mãos do Senhor.
Também
lembramos que Maria, no Canto do Magnificat, denuncia os poderosos, nada
solidários com os mais pobres; os ricos, cada vez mais ricos, à custa da miséria
de muitos, os perseguidos por causa da justiça e na busca da paz, sempre
dizendo que todos serão chamados “filhos de Deus”.
Peçamos
a Maria, padroeira de toda a Diocese e de várias Paróquias como a nossa, para
que ela continue a interceder por nós, assim como fez nas bodas de Caná, da
Galiléia: “meu filho, eles não têm vinho...”
Que ela continue a dizer: eles não têm
salário... Eles estão com fome, sem justiça; sem saúde, a morte ronda a sua
casa... A insegurança impera, enfim, a mãe é a mesma, Jesus é o mesmo; os
problemas têm variado: do vinho à água, da insegurança às políticas públicas;
do analfabetismo aos postos de trabalho; do desemprego à fome etc. Seja qual
for a nossa necessidade, Maria está alerta na busca de solução; pra resolver
mesmo. É só recorrer ao seu Divino Filho. É Ele quem faz o milagre.
Depois
de todos os festejos, louvores à Mãe de Deus, intensas horas de reflexão e
oração, todos estamos preparados para viver mais intensamente, este tempo de
expectativa, que é o Tempo do Advento, e mais preparados nos sentimos, para
celebrar o Nascimento de Jesus. Precisamos viver bem este momento, confessar-nos
e nos penitenciarmos neste Advento, para que o nosso Natal seja de muita
esperança, paz e prosperidade para todos nós.
Preparados assim, o ano novo será de muita alegria e repleto de
felicidades e de muitas esperanças para todos e sem a Pandemia em nossos
lares: a da Covid e a da Política. Têm-nos atrapalhado demais. Peçamos muito a
Deus para eliminá-las de nosso meio, já que nossos dirigentes não estão
preocupados. Minimizam muito os efeitos delas.
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