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A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE DA
MULHER NA LITERATURA |
No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher
e representa um símbolo de luta histórica das mulheres pela igualdade. A data
foi oficializada pela ONU 1975 e surgiu com a finalidade de lembrar as
conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de
divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas. Para celebrar este dia especial de reflexão e
luta, vamos falar um pouco sobre importância da representação da mulher na
literatura?
Por muito tempo as mulheres utilizaram pseudônimos e se esconderam atrás
de nomes masculinos para assinar textos e publicá-los. Muitos destes escritos
sequer eram publicados visto que a família não permitia, especialmente antes do
século XX. E, assim, a literatura foi seguindo como um espaço predominantemente
masculino. Segundo uma pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos em Literatura
Brasileira Contemporânea, um coletivo de pesquisadores vinculado à Universidade
de Brasília (UNB), mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras brasileiras,
entre 1965 e 2014, foram escritos por homens. Além disso, nos primeiros 80 anos de existência da Academia
Brasileira de Letras nenhuma mulher havia ocupado qualquer cadeira. Somente em
1977 que a cearense Rachel de Queiroz se tornou a primeira mulher a ingressar na Academia.
O passo dado com a eleição de Rachel de Queiroz possibilitou que outras
mulheres ocupassem espaço na ABL. A escritora recebeu, naquele momento, em nome
de todas as mulheres escritoras, o reconhecimento de uma das instâncias de
validação do mundo literário. Porém, até 2022, das 40 cadeiras, apenas cinco
foram ocupadas por mulheres e, ao longo da história da ABL, somente duas
mulheres ocuparam a posição de presidente: Nélida Piñon e Ana Maria Machado.
O caminho a ser percorrido para a valorização da literatura feminina é
longa, por isso é muito importante que cada vez mais a literatura produzida por
mulheres seja valorizada, independente do tema, gênero ou abordagem. Além
disso, é preciso refletir sobre a condição feminina no mundo dos livros e lutar
por representatividade não só por trás das histórias, mas dentro delas também.
Não existem limites para as mulheres no mundo dos livros!
Selecionamos para você dois poemas produzidos por duas grandes
escritoras brasileiras nos quais podemos notar nos versos a perspectiva
feminina. Boa leitura!
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser
pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da
noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir,
retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente
sozinho na cozinha,
de vez em quando os
cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como
"este foi difícil"
"prateou no ar dando
rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando
nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um
rio profundo.
Por fim, os peixes na
travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Adélia Prado
Serenata
Permita que eu feche os
meus olhos,
pois é muito longe e tão
tarde!
Pensei que era apenas
demora,
e cantando pus-me a
esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser
sozinha.
Há uma doce luz no
silêncio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o
meu rosto
para um céu maior que este
mundo,
e aprenda a ser dócil no
sonho
como as estrelas no seu
rumo.
Cecília Meireles
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