sábado, 10 de junho de 2023

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Como anda a nossa fé?

       

Na semana entre 21 e 28 de Maio - respectivamente, Solenidades da Ascensão do Senhor e Pentecostes – dedicamos nosso Comentário à Semana da Unidade dos Cristãos, num desejo ilimitado de Jesus de que sua Igreja seja una, como Ele e o Pai o são.

 Justificávamos tal desejo na busca constante de todas as pessoas de boa vontade, do conhecimento de sua realidade social, religiosa, econômica, cultural, política, que é a realidade de todas as pessoas, independente de sua cor partidária, da pele ou social.

Apesar deste desejo de Jesus, ainda somos muito desunidos. Longe de sermos uniformes, devemos ser unidos, e isto não é fácil. Sobretudo, quando nos posicionamos, sob o ponto de vista político, social e filosófico.

Até os temas religiosos, catequéticos, bíblicos que o sacerdote expõe em suas homilias é criticado por vários que se acham muito entendidos.  

Domingo passado, dia 04, celebramos a Festa à SS Trindade e já comentamos sobre Ela. Quinta Feira, dia 08, solenizamos a Festa do Corpo de Deus, motivando todos a adorarem, publicamente, o Corpo e o Sangue de Cristo, no Dia Santo de Guarda, em homenagem ao Milagre da Transubstanciação.

Feito por Jesus, uma única vez, na última ceia e repetido pelos seus presbíteros, para sempre, “até a consumação dos séculos”.  “Tomai e comei. Isto é o meu corpo. Tomai e bebei. Este é o cálice do meu sangue. Fazei isso em memória de mim”. Aí estava instaurado “o milagre da transubstanciação”, isto é, o pão e o vinho perderiam a própria força, a própria substância, para receber em si, a “substância de Jesus”. “Isso é impossível aos homens? A Deus não o é”. Está fechada a questão.

Isto aconteceu no ano 33 da era cristã, antes de Sua morte. Mesmo ano em que ressuscitou, subiu ao céu, enviou o Espírito Santo e fundou a Igreja. Faz 1990 anos que tudo isto se deu. Somadas as datas, dá o ano em que nos encontramos: 2023. Não se pode duvidar. É uma conta simples de matemática. O que dificulta para entender isto, é a nossa falta de fé.

Até o século XIII a Igreja celebrava a Eucaristia, “recordava a memória de Jesus”, levava ao povo a mensagem da “comunhão”, da vida comunitária, mantinha Jesus, preso ao Sacrário, o povo O via na celebração da Santa Missa, nas exposições do Santíssimo, mas não O encontrava nas vias públicas, não manifestava sua alegria em vê-Lo, não enfeitava as ruas para que Ele passasse.

Jesus havia ficado conosco pela instituição da Eucaristia, mas era conservado tão “oculto” quanto lá longe, junto ao Pai e ao Espírito Santo, antes da Encarnação e depois de Sua Ascensão ao Céu.

O próprio Jesus quis fazer-se presente através de inúmeras ocasiões, além das celebrações eucarísticas, sobretudo nos constantes, famosos e históricos “milagres eucarísticos”, tão divulgados pelo mundo e reconhecidos como verdadeiros, que levou o Papa Urbano IV a criar a Solenidade do Corpo de Deus, a ser celebrada na 5ª Feira após a Festa da SS. Trindade, todos os anos, “para testemunhar, publicamente, a adoração e veneração da Santíssima Eucaristia”.

Isto se deu através da Bula “Transiturus de hoc mundo” de 11 de agosto de 1264. Faz, portanto, 759 anos que se celebra, publicamente, o “tão sublime sacramento” de uma maneira mais próxima do povo, caminhando pelas nossas ruas, avenidas, praças, logradouros e de passagem pelas portas de nossas casas, como já o fizemos anteontem, 5ª Feira. 

É claro: todos merecemos vê-Lo de perto, falar com Ele, pedir-Lhe uma graça e saudá-Lo como Aquele que veio para nos unirmos em Comunhão.

Trouxemos a nossa reflexão hoje – dois dias após a Solenidade - por causa de sua importância para o conhecimento de todos e para não passar em branco, uma data tão fundamental para nossa vivência cristã.  

É tão importante esta Festa que o Código de Direito Canônico, em seu Cânon 395 recomenda – extensivamente aos Párocos - que “o Bispo não se ausente da Diocese neste dia, dada a extraordinária solenidade em honra do Corpo do Senhor” e o Concílio de Trento, no século XVI, “oficializou as Procissões Eucarísticas como Ação de Graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública de fé na presença real de Cristo na Hóstia Consagrada”. Certamente, todos se lembram da celebração. Por ser um Dia Santo de Guarda por certo muitos deram feriado em suas atividades.

O que se espera é que, mesmo sem a participação presencial, todos tenham celebrado, virtualmente, com muita fé e entusiasmo, a Festa do Corpo de Deus, neste dia 08 de Junho, de nossas casas, seguindo a orientação da Paróquia, com todo o respeito que a Eucaristia merece e lembrando-nos que a Comunhão só deverá ser recebida, embora espiritualmente, quando a gente está, verdadeiramente, na graça de Deus: sem pecado.

No mínimo, que se reze o Ato de Contrição, com um propósito firme de não voltar a pecar, até aparecer uma oportunidade favorável à recepção do Sacramento da Reconciliação, com um Sacerdote. É o nosso reconhecimento ao Senhor pela sua doação generosa e completa a favor de nossa salvação.

A Solenidade dos Santíssimos “Corpo e Sangue de Cristo” é a demonstração pública de nossa fé e a nossa gratidão pela dádiva da Eucaristia. É nossa correspondência ao Convite do Senhor que nos chama a tomar parte na Refeição Maior ou no Banquete do Reino: de sua vida e de sua misericórdia.

Diz a sabedoria popular que “há males que nos trazem um bem” ou que “Deus escreve certo por linhas tortas”. A Covid nos levou a refletir nessas máximas para descobrir o ‘bem’ e ‘acertar o passo correto na vida’.

 Adorar o Corpo de Deus não é simplesmente uma devoção. É a busca, a aceitação, a certeza, a prova da verdadeira fé no Sacramento do Amor.









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