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“Sair
e comunicar, falar, espalhar a doutrina por toda parte”. É a ordem! |
Na 5ª Feira, p.p., 29 de Junho, Dia do
Pescador, tradicionalmente, celebramos a festa folclórica de São Pedro, embora
celebremos seu dia litúrgico, neste domingo, 02/07. Hoje, sábado, dia 1º, do
final da tarde para a noitinha, celebramos a Missa da Vigília da Festa dos
Apóstolos, Pedro e Paulo.
Com tais motivações - litúrgicas e folclóricas - queremos colocar a nossa reflexão semanal, tentando encontrar em São Pedro, aquilo que já descobrimos nos dois outros importantes santos populares e comemorados dentro de nossas festividades juninas: Santo Antônio e São João, a quem chamamos, respectivamente, de “martelo dos hereges” e de “voz que clama no deserto”.
Hoje, quero falar sobre o 3o e
importante santo do mês de junho: S. Pedro que, com seu irmão André, recebeu de
Jesus o mesmo chamado de ir pelo mundo e pregar o Evangelho a toda criatura.
A ordem era esta: de sair e comunicar, falar, espalhar a doutrina por
toda parte. Desde aquele tempo, o apóstolo, o presbítero, o bispo, o
sacerdote são comunicadores: têm que pregar. Faz, em torno de, 1990
anos que isso se deu, e tanto os apóstolos de Jesus, como os seus sucessores, “percorreram,
inicialmente, toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o
Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades” e continuam
realizando essa missão por toda parte até o fim dos tempos.
Pedro se destacou com seus defeitos e
suas virtudes, seus momentos de coragem e de covardia, por suas perguntas ou
respostas contundentes, dada a sua personalidade muito forte e sincera.
Certa vez, Jesus fez seus discípulos
entrarem na barca e a passarem, antes dele, para a outra margem, enquanto ele
despedia a multidão. Jesus demorou, um pouco, com o povo, depois subiu à
montanha para rezar. Na barca, os discípulos remavam, sob o comando de Pedro, e
começavam a ter medo, pois a noite se aproximava e o vento soprava forte.
O medo aumentou, quando viram alguém
se aproximando sobre as águas e começaram a dar gritos de horror: ‘é um
fantasma’. Ao que Jesus respondeu: “tranquilizai-vos, sou eu, não
tenhais medo”. Eis que Pedro, mostrando a sua personalidade, inicialmente, corajosa, disse: “se és tu, Senhor,
manda-me ir sobre as águas até junto de ti”. Quando Jesus disse, “vem”, ele
atirou-se ao mar, mas, em face da violência do vento e do medo ao se afundar,
mostrou o outro lado da sua personalidade - a fraqueza - gritando: “salva-me, Senhor”! Jesus estendeu-lhe a mão e disse: “homem
de pouca fé”.
Foi sobre este homem que Jesus confiou a
responsabilidade de governar a sua Igreja, ao dizer-lhe: “apascenta as
minhas ovelhas, cuida do meu rebanho”. E ele, logo no início, ainda nos
Atos dos Apóstolos, ao se sentir ameaçado, proibido de falar no nome de Jesus,
pelos chefes dos sacerdotes, anciãos e escribas, disse com toda coragem: “julgai
vós mesmos se é justo diante de Deus, que obedeçamos a vós e não a Deus. Quanto
a nós, não podemos calar sobre o que vimos e ouvimos”. Foi este compromisso com a comunicação da
palavra, com a pregação do evangelho, que fez Pedro ir pra Roma enfrentar o
império pagão, dar o testemunho da sua fé, rezar nas catacumbas, ser preso,
açoitado e crucificado de cabeça para baixo, mas não deixar de obedecer a Jesus
e viver o que ele mandou: “ide e tornai discípulos meus a todas as
criaturas”. Por isso, comemoramos
nesta 5ª Feira, dia 29, – por causa de Pedro, – o DIA DO PESCADOR; e amanhã –
por causa de seus sucessores – o DIA DO PAPA. Rezemos pelo Papa Francisco para
que ele continue firme e forte, na Missão que Jesus lhe confiou, exigindo de
Pedro e de seus sucessores, apenas o amor pela Missão. (3X/J.C pergunta: tu me
amas?)
Ao nos
referirmos a esses 03 Santos Juninos – Antônio,
João e Pedro – mostramos sua importância, não simplesmente, por causa do
folclore ou dos festejos profanos e populares, que o povo faz em torno de seus
nomes. Muito mais do que isso – forró, fogueira, canjica e pamonha - sua
importância está nas lições de vida cristã, comprometida com o trabalho de
evangelização que Jesus confiou a eles. Acrescento que há um grande Santo,
festejado no mesmo Dia de São Pedro, e que não há nenhum folclore a seu respeito,
mas é uma das pilastras do início do cristianismo, que é São Paulo. Sua celebração litúrgica é no mesmo dia que se celebra
São Pedro. Amanhã, portanto é a Solenidade
Litúrgica de São Pedro e São Paulo Apóstolos.
Saulo – seu nome
Judeu – é o mesmo que Paulo – seu nome Romano – nasceu em Tarso, na
antiga Cilicia, hoje Turquia, um grande centro mercantil e intelectual do mundo
romano. Já era o ano 05 da era cristã. Ainda adolescente foi enviado a
Jerusalém para familiarizar-se mais profundamente com a religião e a cultura
hebraicas, frequentando a Escola da Sinagoga, pois era filho de pais judeus,
que gozavam dos privilégios da Cidadania Romana. Com seus estudos greco-romanos
ele se preparava para ser um Rabino ou chefe de Sinagoga na mais ortodoxa das seitas
judaicas.
Apesar de ser
contemporâneo de João Batista e de Jesus, nunca se cruzaram ou se encontraram.
Também, era impossível. Ambos não haviam começado a aparecer publicamente.
Paulo, ao terminar seus estudos em Jerusalém, havia retornado a Tarso e por lá
trabalhava na Sinagoga, como pregador do Judaísmo e na fabricação de tendas
junto a seu pai. Enquanto isso, lá na Judéia, Cafarnaum, Jerusalém e pela
Galileia Jesus fundava o Cristianismo, anunciava o Evangelho ou a “boa nova” e
transmitia a sua mensagem de salvação, através da instituição de seus 12
Apóstolos e de seus 72 Discípulos para darem continuidade à sua Igreja quando
Ele se fosse.
Foi quando
Saulo apareceu de volta em Jerusalém: Jesus já havia dado o seu recado, fundado
a sua Igreja, deixado Pedro no comando, morrido, ressuscitado, retornado ao
céu, enviado o Espírito Santo e os Apóstolos já se espalhavam “por toda parte”
pregando a boa nova. Já eram uns 5.000 os seguidores de Jesus, mas era muito
pouco para o que Jesus queria: “que
eles fossem até os confins da terra”. Estava difícil. A maior parte dos
judeus, inclusive Paulo, não acreditava que “aquele homem que já se tinha ido” fosse o Messias. Daí, ter
ele se tornado um perseguidor das primeiras comunidades cristãs, até
colaborando no apedrejamento do Diácono Estêvão: “ele se esforçava para acabar com a Igreja. Ia de casa em casa,
arrastava homens e mulheres e os jogava na cadeia” (Atos 8, 3).
Para Jesus, só tinha um jeito: era trazer SAULO
para o seu lado. Era incorporá-lo ao Grupo dos seus Apóstolos. E assim o fez.
Enquanto Saulo se dirigia, a cavalo, para suas perseguições, pelas estradas de
Damasco, teve a visão de uma luz incandescente, que lhe cegou os olhos
e, ao cair do cavalo, ouviu: “Saulo, Saulo, por que me persegues”? Ao perguntar
(se fazendo de inocente): “Quem és, Senhor”? A voz respondeu: “Eu sou Jesus,
aquele que tu persegues. Mas levanta-te, entra na cidade e ali, dir-te-ão o que
deves fazer” (Atos 9, 3-6). E assim, Ananias foi ao seu encontro, pôs a mão
sobre a sua cabeça e no mesmo instante, Saulo recobrou a visão. Ficou
tão impressionado que se converteu ao Cristianismo. Viajou muito para desfazer
a imagem negativa que deixara, indo a outros lugares distantes e difíceis de
acesso.
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