DISSE MARIA: “os poderosos vão cair de seus tronos”
Amanhã é o último Domingo
do ano litúrgico, em que se celebra a Festa
de Cristo Rei. Temos só mais a 34ª semana, como a última do tempo comum e, no Domingo
próximo, 03 de Dezembro, já é o 1º dia
do novo ano litúrgico: o 1º Dom. do Advento, início de um novo ciclo ou
calendário eclesial.
E o que vem a ser uma Festa a Cristo Rei? O que significa Jesus é Rei?
Normalmente
se pensa num rei terreno, poderoso e o próprio povo judeu O quis aclamar Rei,
nesse sentido, em algumas ocasiões, tanto que Pilatos O interroga: tu és Rei? Jesus responde: tu o dizes. Eu sou Rei. Mas o meu reino não
é deste mundo.
Esta é
que é a grande diferença entre os reinos terrenos e o Reino de Jesus. Reino
terreno era o de Pilatos, o de Herodes, o de César e os “reinos” que
conhecemos: todos passageiros; na sua maioria, injustos; quase todos, à custa
de mentiras, de “fake news”, de falcatruas, de compra de votos, de falsa
democracia, de farsa, enganação e vãs promessas por toda parte. Esse tipo de
reino, nós conhecemos muito bem. Como ser Jesus, de um reino assim? Fez muito
bem ao dizer: o meu Reino não é daqui.
Daqui são os reinos
fundamentados na força e na violência, na mentira e na prepotência e nada têm a
ver com o Reino de Cristo. Como tática, o que muitos fazem, é usar o nome de
Deus em vão.
A insuspeitíssima Maria, mãe de Jesus, havia
dito, com Ele no ventre, ao visitar Isabel: os
poderosos vão cair de seus tronos; os ricos vão ficar de mãos vazias. São
palavras, realmente, proféticas, ditas sob inspiração divina.
Foram-se:
os Herodes, os Césares, os Francos, os Salasares, os nazistas alemães, os
fascistas italianos, os imperadores romanos, os invasores e piratas
portugueses, espanhóis, holandeses, franceses, ingleses, as ditaduras e seus
filhotes - tanto a de Getúlio, como a militar - enfim, como disse Maria, “os poderosos vão cair de seus tronos”.
Quantos -
no poder - enriqueceram à custa da seca, da SUDENE, da SUDAM, da CODEVASF, da
miséria dos pobres, do seu analfabetismo, de suas doenças e de sua fome? São as
tais riquezas injustas de que fala Chico Buarque em um de seus livros e
em muitas de suas músicas.
E Maria
disse mais: “os ricos vão ficar sem nada”.
Quem de nós não conhece tantos políticos exploradores, falidos, quebrados,
lisos, que, unidos a outros que tinham muitos bens, terras, gado, grandes
pontos comerciais e industriais, no entanto, ficaram sem nada? Quem não sabe que eles promoveram guerras e
violência, sobretudo no campo, nas famílias, piores do que os mais ferozes
animais, pois estes, pelo próprio instinto, sabem respeitar seus filhotes,
dar-lhes um carinho e até serem solidários em muitos momentos?


O Rei que nós estamos homenageando amanhã não temia a nenhum desses poderosos. Chamou a Herodes de raposa. Disse ao prepotente Pilatos, não ter nenhum poder sobre Ele, que não lhe adviesse do Pai. Chamou de hipócritas, de sepulcros caiados aos fariseus, aos saduceus, aos herodianos e a seus partidos, bem como aos doutores da lei e aos sumos sacerdotes judeus.
O
Reino de Jesus, que estamos celebrando amanhã, está construído sobre o amor e a
verdade, sobre a justiça e a partilha, sobre a solidariedade e a paz. Como diz
o Livro de Daniel: “foram-lhe dados
poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam. Seu
poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não
se dissolverá”. E o evangelho de amanhã, Solenidade de Cristo Rei, claramente,
acrescenta: “quando o filho do homem vier
em sua glória, acompanhado de todos os anjos, se assentará em seu trono
glorioso... Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita... e aos que
estiverem à sua esquerda, que se dirijam ao destino de cada grupo: ao castigo eterno... ou à vida eterna”. Temos que entender antes
de irmos para essa eternidade que o que nos faz sentar ao lado do Rei
não é a religiosidade proclamada, o dizer que “ele está acima de tudo”, mas a
caridade praticada, a solidariedade em favor do necessitado, como nos mostram as
obras de misericórdia, tantas vezes proclamadas, sobretudo no evangelho da
festa de nosso Rei.
Na
Cruz, Jesus crucificado é apresentado como o “Rei dos Judeus”. Na verdade, ele
ultrapassou o mundo dos judeus e se tornou sobre a humanidade, o “Rei do
Universo”. Na Cruz, aparentemente, era um homem comum, tanto quanto os outros
dois que foram crucificados com ele. De fato, por trás e acima das aparências,
o condenado comum é “a imagem do Deus
invisível, o primogênito de toda a criação”. Tudo o que existe “foi criado por meio d’Ele e para Ele”. São
Paulo ainda acrescenta: “em tudo Ele tem
a primazia”. O letreiro da cruz, expressando zombaria, acabou sendo
verdadeiro, não apenas em relação aos judeus, mas em relação ao mundo inteiro.
Ele, Jesus, é o Senhor do Universo, o Senhor da História. Ele é Cristo Rei.
Os
variados textos bíblicos que falam de Jesus, como Rei, são usados a cada ano pra
nos ajudarem na importante reflexão sobre seu reinado. Amanhã o Evangelho de
Mateus 25,31-46 nos vai falar do nosso Rei, na sua glória, em seu trono régio,
acompanhado de todos os anjos, para nos julgar: bons e maus. Quem foi solidário
com Ele, através da acolhida aos pobres, será bemaventu-rado: entrará no Reino.
Quem não for solidário, é claro, não receberá o prêmio.
Em
textos anteriores, lembrávamos que, os chefes judeus, os soldados, o povo e os
dois ladrões, crucificados com Ele, zombavam-nO, dizendo: “se és o Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo e a nós”. Ao que o
outro ladrão retrucou: “nem sequer temes
a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Para nós é justo, porque estamos
recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no
teu reinado”. Ao que Jesus
respondeu: “em verdade eu te digo: ainda
hoje estarás comigo no Paraíso”. É este o nosso Rei Jesus: no tempo exato
em que nos convertamos, Ele está de braços abertos para nos acolher. Acreditamos
nisto?
Todos
os nossos Comentários nos conduzem ao prêmio: a vida eterna. Aproveitemos ainda
esta última semana do tempo comum, para entrarmos de cheio no novo ano
litúrgico, a partir do próximo domingo, início de um novo ano. Que este
Tempo do Advento que nos prepara para o Natal nos traga muitas alegrias
cristãs. O Natal não deve ser esperado para trocar presentes. Muitas vezes nem
se pode gastar tanto. A publicidade visa o lucro.
O Natal deve visar a Paz, tão necessária em tempos de guerra.
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