Paulo Freire
de Crispiniano NetoAprendi na Cartilha do ABC
Que um L e um A é Lê-a-Lá
Ele fez Lê-u -Lu e Tê-a- tá
E este grito de luta hoje se vê
Nas cartilhas da história onde se lê
As bonitas lições da liberdade
Que compõem todos livros da verdade
Dando luz pra quem era analfabeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
Vinte e cinco milhões de analfabetos
Trinta e seis os milhões de excluídos
Essa massa ignara de oprimidos
Vai ficando de fora dos projetos;
Cidadãos semi-tudo, incompletos
São sem-terra, sem-casa e sem-cidade
Com fartura somente de saudade
De alguém que lhes deu luz e afeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
Paulo Freire queria simplesmente
Que esse povo aprendesse a aprender
E aprendendo a leitura fosse ler
O que está por detrás da dor da gente;
Na leitura ficasse consciente
De que a vida não pode ser metade;
Que prisão não existe só na grade
E que muro não tem só de concreto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
Nasceu junto do mangue em Pernambuco
Vendo os homens na lama, qual siris.
E pensou que pra o homem ser feliz
Só vencendo essa lama e o trabuco
Aprendeu liberdade com Nabuco
Entendeu com Voltaire, fraternidade;
Marx disse-lhe o que é realidade
E com Cristo aprendeu ser inquieto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
O seu método testado em Angicos
Se expandiu pela pátria como teia
As cartilhas pararam na cadeia
E o mestre nas grades dos milicos;
Que o saber para o povo, espanta os ricos
Que se assombram com a força da verdade,
Pois com lápis, saber, força e vontade
Quem produz não quer mais ser objeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
Viajou pelo mundo, deportado
Empurrado por loucas baionetas
Peles brancas, nisseis, vermelhas, pretas
Conheceram seu belo soletrado;
Andarilho de rastro iluminado;
Evangelho em pessoa, ateu e frade;
Era o globo, mas foi comunidade
Soube ser o tijolo e o arquiteto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
No combate do ler, foi um Guevara
Um Da Vinci do Giz riscando traço;
No desenho da letra, era um Picasso,
Na canção libertária um Vitor Jara;
Chico Mendes da flora e fauna rara;
Foi um Cristo na lida da verdade;
Foi um Gandhi na paz e na verdade;
Nos conceitos da fé, era um Frei Betto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
Sem ter medo jamais de ser feliz
Paulo Freire, sem força, foi poder
Nos mostrando a beleza do que é ser
Sempre mestre e terno aprendiz;
Seu saber foi pra nós, risco de giz
Que riscou na lousa da eternidade
Um destino de luz pra humanidade
Projetar o AMOR foi seu projeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
Mossoró-RN, 08 de setembro de 1997.


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