O DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Celebramos ontem, 6ª
feira, dia 08, pela quadragésima nona vez, o Dia Internacional da Mulher,
instituído em 1975 pela Organização das Nações Unidas. Mas, porque foi
escolhido o dia 08 de março?
Porque, nessa data, no ano de 1857,
na cidade americana de Nova Iorque, um grupo de operárias em Indústrias
Têxteis, reagindo às péssimas condições de trabalho, resolveu entrar em greve,
reivindicando igualdade salarial e redução da jornada de trabalho de 14 para 10
horas diárias.
O movimento se espalhou, organizadamente, pelas várias
fábricas, de tal maneira que, a repressão policial chegou e, sob os olhos dos
patrões, foram assassinadas e queimadas vivas, 129 operárias, dentro das
próprias fábricas em que trabalhavam. Isso aconteceu no dia 08 de março de 1857
e, por isso o dia 08 de março ficou reconhecido como o dia internacional da mulher.
Faz 167 anos que o massacre aconteceu. Faz 49 anos que
esse dia internacional foi criado, e
a luta da mulher, por seus direitos, não parou mais.
Com a Revolução Industrial, iniciada também no século
XIX, começou um Movimento, chamado, Feminista, que levou a Mulher a tomar
consciência da exploração de que é vítima, e a exigir mais respeito e mudanças
no tratamento. A própria expressão: Movimento Feminista é
bastante criticada.
Em 1869, cria-se nos EEUU, a Associação Feminina Nacional
pelo direito ao voto. Dezenove anos depois, em 1888, é fundado o Conselho
Internacional de Mulheres, com o mesmo objetivo.
No século passado, o século XX, a Mulher começou a ter
direito ao voto, por ex., nos EEUU, em 1920. No Brasil, em 1931. Somente em
1946 as Mulheres da França e do Japão tiveram direito ao voto.
E o que querem essas Mulheres com tais Movimentos
Feministas?
Antes de tudo, a
sua emancipação, exigindo direitos civis, admissão à Cultura, à Política,
ao trabalho e outros direitos no âmbito sexual e familiar.
Não fosse o grito delas, as Nações Unidas não as haviam
contemplado, em 1948, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, completando
com a Declaração de 1967, denunciando a discriminação contra a Mulher.
As Mulheres não se contentaram com essas pequenas concessões feitas pelos homens. Eram,
como que, migalhas do que lhes sobravam.
Continuaram sua luta até que, a Organização das Nações
Unidas declarou o ano de 1975, como o Ano
Internacional da Mulher, e de 1976 a 1985, como a Década da Mulher.
O Feminismo tomou novo impulso, em todo o mundo,
fortalecido por organizações governamentais e não governamentais, dedicadas à
pesquisa e ao estudo da Condição da Mulher na Sociedade. Houve um verdadeiro
incentivo, um reconhecimento e uma legitimação das reivindicações do Movimento
Feminista.
Se em todo o mundo, isso acontecia, porque não no
Brasil? Em 1985 foi criado, pelo Presidente da República, o Conselho Nacional
dos Direitos da Mulher, com a aprovação do Congresso Nacional. Estruturava-se
em Comissões de Trabalho nas áreas de saúde, educação, violência, creches,
legislação, etc.
Se a mulher branca se sente tão discriminada e entra
nessa luta pelo reconhecimento dos seus direitos, o que dirão as mulheres
negras e indígenas? São, duplamente,
discriminadas: por serem mulheres e por serem negras ou indígenas. Normalmente,
estas, são também pobres; e aí, sofrem uma terceira discriminação. Daí,
participarem, mais ativamente, dos Movimentos Feministas, lutando contra as 03
discriminações.
Em dezembro de 1988, as Mulheres Negras realizaram em
Valença, no Estado do Rio, um Encontro Nacional, e ali fundaram a Comissão
Nacional de Mulheres Negras. Estas sentem, ao pé da letra, o problema na pele,
pois sofrem o poder discriminador do homem, sob as mais variadas formas: da
miséria, do analfabetismo, da prostituição, do tráfico, da desigualdade
salarial e tantas outras formas de despotismo e de machismo.
É o domínio da sociedade androcêntrica, isto é,
construída a partir da dominação masculina ou a partir dos interesses do homem.
O Movimento Feminista está lutando contra isso. Quer
construir uma sociedade onde mulher e homem tenham os mesmos direitos, onde não
haja discriminação e opressão, baseadas no sexo, mas onde ambos possam dar sua
própria contribuição.
A Igreja, independentemente do Movimento Feminista e bem
antes dele, já ensinava a igualdade entre homem e mulher, ambos de criação
divina, e tem tido suas portas abertas para o debate e para o diálogo sobre o
assunto.
Não é sem razão que a Mulher tem encontrado bastante
espaço nos seus trabalhos Comunitários, Catequéticos e Pastorais, sobretudo,
mais recentemente, nos Encontros de Casais, em que o homem, igualmente, participa.
Tanto é verdade que, nessas últimas décadas, através da
Campanha da Fraternidade, a Igreja nos tem levado a refletir sobre os mais
variados temas, envolvendo a Família, a Mulher, o Homem, a Ambos, como
Imagem de Deus, enfim, às suas exclusões, desigualdades e dificuldades. E a
Igreja pergunta: se homem e mulher são
imagem de Deus, como admitir tensão entre eles?
Em Deus não há tensão, apesar de serem 03 pessoas. Elas
são, absolutamente, iguais. Porque não aprendermos a igualdade divina que a
Trindade nos ensina? Nós não somos sua imagem e semelhança?
O Papa Francisco, desde o início do seu pontificado em
2013, tem falado sobre o papel das mulheres na Igreja e na sociedade. Na sua 2ª
audiência pública como ocupante da Cátedra de Pedro disse: “as primeiras testemunhas da ressurreição foram as mulheres. E isso é
bonito. Faz parte da sua missão”. E continuou: “uma Igreja sem mulheres é como o Colégio Apostólico sem Maria”...
E acrescentou: “a Igreja é feminina, é
esposa, é mãe”.
Em 2015, ao participar de um Congresso sobre “As Culturas
femininas – igualdade e diferença”, Francisco afirmou: “já é tempo das mulheres se sentirem não hóspedes, mas plenamente
partícipes das várias esferas da vida social e eclesial. Esse é um desafio que
não pode mais ser adiado”.
Entre seus vários pronunciamentos, ao longo desses 11
anos, chamo a atenção para um do dia 11/01/21 em que Francisco autorizou,
oficialmente, a inclusão de Mulheres no serviço do Altar, como ‘leitoras’ ou ‘acólitas’, funções, só permitidas
a homens que se destinam ao presbiterado. É claro que isso não lhes dá direito
ao sacerdócio, a não ser àquele que já lhe vem pelo batismo.
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