sábado, 7 de dezembro de 2024

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

DIA 8: FESTA DA   IMACULADA CONCEIÇÃO

Desde a quinta-feira passada, 28/11/24, começou-se a celebrar na Igreja Católica, um novo ciclo ou calendário litúrgico, com uma Festa a Cristo Rei do Universo ou um novo ano no seu calendário. Era na Véspera do 1º Domingo do Advento que - em uma série de 04 - nos prepararia para celebrar o Natal ou o Nascimento de Jesus.

 Advento é uma palavra originada do latim (do verbo advenire) que quer dizer chegar; vir e não significa outra coisa, senão, preparar a chegada de Jesus; a esperança de que a sua vinda nos traz.

Todos os anos a Igreja abre e fecha o seu ciclo litúrgico, seguindo um roteiro pré-determinado e vivido, tradicionalmente, em todo o mundo. Passa a sua vivência para seus fiéis cristãos, a fim de que todos nós o entendamos e o vivenciemos de acordo com o seu significado.

O ano litúrgico começa com o Tempo do Advento, que nos prepara para viver o Natal, que não é somente o dia 25 de dezembro, mas vai da oração das Vésperas que nós sacerdotes rezamos na Liturgia das Horas, na tardinha do dia 24, até a festa do Batismo de Jesus, que este ano será celebrada no dia 12 de janeiro. Todos esses 19 dias serão comemorativos do nascimento de Jesus. É como se fosse um dia só, ou um único dia bem grande. Daí em diante, passamos a viver uma 1ª parte do Tempo Comum - umas 08 semanas - e iniciamos o Tempo da Quaresma que, como o próprio nome diz, é um período de 40 dias, agora preparatório para a semana santa (21/03 a 28/03) e para viver o Tempo Pascal.

Os Tempos do Advento e da Quaresma são parecidos, nos sentimentos e nas celebrações. Dão, ao cristão, um espírito penitencial, convidativo à conversão, pois nos preparam para dois grandes momentos de nossa fé: o nascimento de Jesus (25/12) e a sua Ressurreição (04/04).

Com a festa da Ressurreição, inicia-se o Tempo da Páscoa, que são 50 dias festivos, alegres, comemorativos da vitória de Jesus sobre a morte, encerrando no Pentecostes (aos 23/05) É a certeza da salvação que Ele nos veio trazer. É o maior acontecimento para a humanidade. Nada é mais importante do que alguém ter morrido, ressuscitado e garantido a ressurreição para todos.

Depois desse Tempo Pascal, recomeça-se da 9ª Semana do Tempo Comum, interrompido lá no início da Quaresma, e se vai até a Festa de Cristo Rei, no último Domingo do ano litúrgico, com mais uma semana - a 34ª do Tempo Comum (esta que estamos encerrando hoje) – para podermos iniciar tudo de novo, como estamos fazendo a partir das Vésperas da tarde deste sábado.

Ficou confuso? Entenda bem o que estou dizendo. Às vezes nós nos dizemos católicos, mas não sabemos coisas tão rudimentares da nossa fé cristã que, vividas no calendário de nossa Igreja, nos recordam os principais mistérios, ensinamentos e práticas religiosas que todos deveríamos vivenciar e aperfeiçoar a cada dia. Nem sempre nós nos interessamos por isto.

Jesus, além de nos trazer uma mensagem de esperança, nos deu também um roteiro, uma estratégia, uma política, uma ideologia ou um caminho a serem seguidos. Estes, sim, nos salvam e é preciso estarmos sempre alertas, lembrados e motivados para não fugir da orientação que Ele nos deixou, e o ano litúrgico nos vai relembrando o esquema, vai-nos avivando a norma e nos vai religando com Deus. É este o sentido da “religião” em nossa vida.

Será correto a gente viver sem uma norma, um roteiro de vida? Será que nós não precisamos da ajuda de ninguém, de algum lembrete, de alguma chamada de atenção? Será que podemos viver numa sociedade sem governo, amorfa, anárquica, no sentido original da palavra?

Pense nisso. Desde a noite do dia 28 de novembro, estivemos realizando, em várias Paróquias, inclusive em Bela Cruz, o Novenário da Padroeira, que vai até o dia 08/12 – amanhã, Festa da Imaculada Conceição. É uma Celebração Universal da Igreja e o dia 08 de dezembro, em qualquer dia da semana, que caia, já é dia santo de guarda, dada a importância dessa solenidade. Desde cedinho, todas as manhãs, estivemos celebrando momentos de orações, santas missas, ofício de Nossa Senhora, confissões individuais, culminando o nosso dia, com a Novena da Noite, que reuniu milhares de pessoas que externaram a devoção, o respeito, a sua filial homenagem á sempre Mãe de Deus, que é também a nossa Mãe. Você participou. Foi desde o início, com toda a sua família. Aproveitou a grande oportunidade de se preparar bem para viver o tempo do Advento e a Festa do Natal que se aproxima. Entre no Novo Ano, verdadeiramente, preparado. Faça sua revisão de vida. Busque o sacramento da reconciliação com Deus e com o próximo. Entre no ano novo com o pé direito: renovado.

Em tempos de advento e de Natal, nada mais oportuno do que abrir um espaço para falar de Maria, a mãe de Deus, já que, neste começo de ano litúrgico, temos a alegria de celebrar a sua Imaculada Conceição. Não há Natal sem Maria; nem Maria sem o Menino Jesus.

Desde o dia 28 de novembro, várias paróquias realizaram o novenário da Padroeira, que vai ainda até amanhã – Domingo, 08 de dezembro - quando o calendário litúrgico faz festa à Imaculada Conceição de Maria. É uma celebração universal da Igreja e o dia 08, sendo Domingo ou não, é também Dia Santo de Guarda, dada a importância dessa solenidade.

Se eu não acreditar que Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, ou na cidade francesa de Lourdes, ou em Medjugorge, na Croácia, ou na vilazinha de Cimbres, no município de Pesqueira, em Pernambuco, eu não incorro em nenhum erro. Mas, se eu desacreditar que Maria foi gerada sem pecado; foi concebida no ventre materno de Santana, sua mãe, sem nenhuma mancha; que Deus a preservou de qualquer mácula, a fim de que ela fosse a mãe de Jesus, aí eu cometo pecado, pois a Igreja decretou, através da Bula Ineffabilis Deus, do Papa Pio IX, aos 08 de dezembro de 1854, que ela - por causa do Filho que teria, foi imune de todo pecado desde o primeiro instante de sua existência -. Daí, a grande solenidade que celebramos há 170 anos, neste dia 08 de dezembro, a Festa da Imaculada Conceição de Maria.

Às vezes, setores não católicos, embora cristãos, dizem que adoramos a Maria e nos criticam por isso. Nós temos repetido que não a adoramos, mas nós a respeitamos, veneramos e a aceitamos como mãe, já que Jesus no-la deu, aos pés da cruz, na pessoa de João, o Evangelista, quando disse: “eis aí o teu filho; eis aí a tua mãe”.

Maria é mãe de Deus e tornou-se nossa mãe, não é somente porque teve Jesus gerado em seu ventre; é também e, sobretudo, pelo que Ele mesmo disse: porque ela fez a vontade do Pai. Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Disse Jesus. Minha mãe, minha irmã e meu irmão é todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está no céu.

Por toda parte, onde se celebram as Festas de N. Senhora da Conceição, sempre ligamos à Missão: de Maria, aceitando ser a mãe de Jesus: “faça-se em mim, segundo a tua palavra”; e à nossa missão: de ir pelo mundo, pregando o evangelho a toda criatura. Assim foi feito, desde as 06 horas da manhã, do 1º dia da Novena, até hoje, todos os dias, na Matriz de Bela Cruz.

Em todas as ocasiões do Novenário foi lembrado que o leigo também tem sua Missão, semelhante à de Maria: colocando-se nas mãos do Senhor.

Também lembramos que Maria, no Canto do Magnificat, denuncia os poderosos, nada solidários com os mais pobres; os ricos, cada vez mais ricos, à custa da miséria de muitos, os perseguidos por causa da justiça e na busca da paz, sempre dizendo que todos serão chamados “filhos de Deus”. Peçamos a Maria, padroeira de toda a Diocese e de várias Paróquias como a nossa, para que ela continue a interceder por nós, assim como fez nas bodas de Caná, da Galiléia: “meu filho, eles não têm vinho...” Que ela continue a dizer: eles não têm salário... Eles estão com fome, sem justiça; sem saúde, a morte ronda a sua casa... A insegurança impera, enfim, a mãe é a mesma, Jesus é o mesmo; os problemas têm variado: do vinho à água, da insegurança às políticas públicas; do analfabetismo aos postos de trabalho; do desemprego à fome etc. Seja qual for a nossa necessidade, Maria está alerta na busca de solução; pra resolver mesmo. É só recorrer ao seu Divino Filho. É Ele quem faz o milagre.

Depois de tantos festejos, louvores à Mãe de Deus, intensas horas de reflexão e oração, todos estamos preparados para viver mais intensamente, este tempo de expectativa, que é o Tempo do Advento, e mais preparados nos sentimos, para celebrar o Nascimento de Jesus. Precisamos viver bem este momento, confessar-nos e nos penitenciarmos neste Advento, para que o nosso Natal seja de muita esperança, paz e prosperidade para todos nós. Preparados assim, o ano novo será de muita alegria e repleto de felicidades e de muitas esperanças para todos e sem a Pandemia em nossos lares.

Bordados pedagógicos da 
Professora NAZARÉ ANTERO







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