DIA 8: FESTA
DA IMACULADA CONCEIÇÃO
Desde
a quinta-feira passada, 28/11/24, começou-se a celebrar na Igreja Católica, um
novo ciclo ou calendário litúrgico, com uma Festa a Cristo Rei do Universo ou
um novo ano no seu calendário. Era na Véspera do 1º Domingo do Advento que - em
uma série de 04 - nos prepararia para celebrar o Natal ou o Nascimento de
Jesus.
Advento é uma palavra originada do latim (do verbo advenire) que quer dizer chegar; vir e não significa outra coisa, senão, preparar a chegada de Jesus; a esperança de que a sua vinda nos traz.
Todos
os anos a Igreja abre e fecha o seu ciclo litúrgico, seguindo um roteiro
pré-determinado e vivido, tradicionalmente, em todo o mundo. Passa a sua
vivência para seus fiéis cristãos, a fim de que todos nós o entendamos e o
vivenciemos de acordo com o seu significado.
O
ano litúrgico começa com o Tempo do Advento, que nos prepara para viver o
Natal, que não é somente o dia 25 de dezembro, mas vai da oração das Vésperas
que nós sacerdotes rezamos na Liturgia das Horas, na tardinha do dia 24, até a
festa do Batismo de Jesus, que este ano será celebrada no dia 12 de janeiro.
Todos esses 19 dias serão comemorativos do nascimento de Jesus. É como se fosse
um dia só, ou um único dia bem grande. Daí em diante, passamos a viver uma 1ª
parte do Tempo Comum - umas 08 semanas - e iniciamos o Tempo da Quaresma que,
como o próprio nome diz, é um período de 40 dias, agora preparatório para a
semana santa (21/03 a 28/03) e para viver o Tempo Pascal.
Os
Tempos do Advento e da Quaresma são parecidos, nos sentimentos e nas
celebrações. Dão, ao cristão, um espírito penitencial, convidativo à conversão,
pois nos preparam para dois grandes momentos de nossa fé: o nascimento de Jesus
(25/12) e a sua Ressurreição (04/04).
Com
a festa da Ressurreição, inicia-se o Tempo da Páscoa, que são 50 dias festivos,
alegres, comemorativos da vitória de Jesus sobre a morte, encerrando no
Pentecostes (aos 23/05) É a certeza da salvação que Ele nos veio trazer. É o
maior acontecimento para a humanidade. Nada é mais importante do que alguém ter
morrido, ressuscitado e garantido a ressurreição para todos.
Depois
desse Tempo Pascal, recomeça-se da 9ª Semana do Tempo Comum, interrompido lá no
início da Quaresma, e se vai até a Festa de Cristo Rei, no último Domingo do
ano litúrgico, com mais uma semana - a 34ª do Tempo Comum (esta que estamos
encerrando hoje) – para podermos iniciar tudo de novo, como estamos fazendo a
partir das Vésperas da tarde deste sábado.
Ficou
confuso? Entenda bem o que estou dizendo. Às vezes nós nos dizemos católicos,
mas não sabemos coisas tão rudimentares da nossa fé cristã que, vividas no
calendário de nossa Igreja, nos recordam os principais mistérios, ensinamentos
e práticas religiosas que todos deveríamos vivenciar e aperfeiçoar a cada dia.
Nem sempre nós nos interessamos por isto.
Jesus,
além de nos trazer uma mensagem de esperança, nos deu também um roteiro, uma estratégia,
uma política, uma ideologia ou um caminho a serem seguidos. Estes, sim, nos
salvam e é preciso estarmos sempre alertas, lembrados e motivados para não
fugir da orientação que Ele nos deixou, e o ano litúrgico nos vai relembrando o
esquema, vai-nos avivando a norma e nos vai religando com Deus. É este o
sentido da “religião” em nossa vida.
Será
correto a gente viver sem uma norma, um roteiro de vida? Será que nós não
precisamos da ajuda de ninguém, de algum lembrete, de alguma chamada de
atenção? Será que podemos viver numa sociedade sem governo, amorfa, anárquica,
no sentido original da palavra?
Pense
nisso. Desde a noite do dia 28 de novembro, estivemos realizando, em várias
Paróquias, inclusive em Bela Cruz, o Novenário da Padroeira, que vai até o dia
08/12 – amanhã, Festa da Imaculada Conceição. É uma Celebração Universal da
Igreja e o dia 08 de dezembro, em qualquer dia da semana, que caia, já é dia
santo de guarda, dada a importância dessa solenidade. Desde cedinho, todas as
manhãs, estivemos celebrando momentos de orações, santas missas, ofício de
Nossa Senhora, confissões individuais, culminando o nosso dia, com a Novena da
Noite, que reuniu milhares de pessoas que externaram a devoção, o respeito, a
sua filial homenagem á sempre Mãe de Deus, que é também a nossa Mãe. Você
participou. Foi desde o início, com toda a sua família. Aproveitou a grande
oportunidade de se preparar bem para viver o tempo do Advento e a Festa do
Natal que se aproxima. Entre no Novo Ano, verdadeiramente, preparado. Faça sua
revisão de vida. Busque o sacramento da reconciliação com Deus e com o próximo.
Entre no ano novo com o pé direito: renovado.
Em
tempos de advento e de Natal, nada mais oportuno do que abrir um espaço para
falar de Maria, a mãe de Deus, já que, neste começo de ano litúrgico, temos a
alegria de celebrar a sua Imaculada Conceição. Não há Natal sem Maria; nem
Maria sem o Menino Jesus.
Desde
o dia 28 de novembro, várias paróquias realizaram o novenário da Padroeira, que
vai ainda até amanhã – Domingo, 08 de dezembro - quando o calendário litúrgico
faz festa à Imaculada Conceição de Maria. É uma celebração universal da Igreja
e o dia 08, sendo Domingo ou não, é também Dia Santo de Guarda, dada a
importância dessa solenidade.
Se
eu não acreditar que Maria apareceu na cidade portuguesa de Fátima, ou na
cidade francesa de Lourdes, ou em Medjugorge, na Croácia, ou na vilazinha de
Cimbres, no município de Pesqueira, em Pernambuco, eu não incorro em nenhum
erro. Mas, se eu desacreditar que Maria foi gerada sem pecado; foi concebida no
ventre materno de Santana, sua mãe, sem nenhuma mancha; que Deus a preservou de
qualquer mácula, a fim de que ela fosse a mãe de Jesus, aí eu cometo pecado,
pois a Igreja decretou, através da Bula Ineffabilis Deus, do Papa Pio IX, aos
08 de dezembro de 1854, que ela - por causa do Filho que teria, foi imune de
todo pecado desde o primeiro instante de sua existência -. Daí, a grande
solenidade que celebramos há 170 anos, neste dia 08 de dezembro, a Festa da
Imaculada Conceição de Maria.
Às
vezes, setores não católicos, embora cristãos, dizem que adoramos a Maria e nos
criticam por isso. Nós temos repetido que não a adoramos, mas nós a
respeitamos, veneramos e a aceitamos como mãe, já que Jesus no-la deu, aos pés
da cruz, na pessoa de João, o Evangelista, quando disse: “eis aí o teu filho;
eis aí a tua mãe”.
Maria
é mãe de Deus e tornou-se nossa mãe, não é somente porque teve Jesus gerado em
seu ventre; é também e, sobretudo, pelo que Ele mesmo disse: porque ela fez a
vontade do Pai. Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Disse Jesus. Minha
mãe, minha irmã e meu irmão é todo aquele que faz a vontade do meu Pai que está
no céu.
Por
toda parte, onde se celebram as Festas de N. Senhora da Conceição, sempre
ligamos à Missão: de Maria, aceitando ser a mãe de Jesus: “faça-se em mim,
segundo a tua palavra”; e à nossa missão: de ir pelo mundo, pregando o
evangelho a toda criatura. Assim foi feito, desde as 06 horas da manhã, do 1º
dia da Novena, até hoje, todos os dias, na Matriz de Bela Cruz.
Em
todas as ocasiões do Novenário foi lembrado que o leigo também tem sua Missão, semelhante
à de Maria: colocando-se nas mãos do Senhor.
Também
lembramos que Maria, no Canto do Magnificat, denuncia os poderosos, nada
solidários com os mais pobres; os ricos, cada vez mais ricos, à custa da
miséria de muitos, os perseguidos por causa da justiça e na busca da paz,
sempre dizendo que todos serão chamados “filhos de Deus”. Peçamos a Maria,
padroeira de toda a Diocese e de várias Paróquias como a nossa, para que ela continue
a interceder por nós, assim como fez nas bodas de Caná, da Galiléia: “meu
filho, eles não têm vinho...” Que ela continue a dizer: eles não têm salário...
Eles estão com fome, sem justiça; sem saúde, a morte ronda a sua casa... A
insegurança impera, enfim, a mãe é a mesma, Jesus é o mesmo; os problemas têm
variado: do vinho à água, da insegurança às políticas públicas; do
analfabetismo aos postos de trabalho; do desemprego à fome etc. Seja qual for a
nossa necessidade, Maria está alerta na busca de solução; pra resolver mesmo. É
só recorrer ao seu Divino Filho. É Ele quem faz o milagre.
Depois
de tantos festejos, louvores à Mãe de Deus, intensas horas de reflexão e
oração, todos estamos preparados para viver mais intensamente, este tempo de
expectativa, que é o Tempo do Advento, e mais preparados nos sentimos, para
celebrar o Nascimento de Jesus. Precisamos viver bem este momento,
confessar-nos e nos penitenciarmos neste Advento, para que o nosso Natal seja
de muita esperança, paz e prosperidade para todos nós. Preparados assim, o ano
novo será de muita alegria e repleto de felicidades e de muitas esperanças para
todos e sem a Pandemia em nossos lares.
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