COMISSÃO ESPECIAL WANDA SIDOU (ANISTIA}– COM NOVOS
CONSELHEIROS
Edição de 1º-03-25
O Programa Fantástico, de domingo passado, publicou grande
reportagem mostrando os desvios no Programa de EJA, em que até defuntos constam
da folha de frequência, num determinado município.
Não há justificativa para que ainda hoje tenhamos eleitores
analfabetos. Há recursos suficientes, mas as espertezas são maiores.
Na minha experiência com Educação de Adultos, há mais de 50
anos, tive excelentes resultados, mas também me deparei com espertezas. Frequência
de turmas inexistentes.
Observei que em alguns municípios as turmas de EJA era tratadas
como de categoria inferior. Aquilo que não servia para outras turmas, jogavam
para EJA. Até mesmo Professores recusados.
Por uma questão de justiça, sempre dei tratamento especial
porque eram turmas compostas por pessoas que, na infância, não tiveram chance
de estudar.
A melhor forma é, sem dúvida, adotar o Método de Paulo Freire, com professores muito bem preparados e conscientes da responsabilidade e da importância da alfabetização. Faz-de-conta, não dá.
O Prefeito de Guaraciaba do Norte, Cefas Melo, denunciou, com base em documentos que ele exibiu, uma compra de livros, no dia 18 de dezembro de 2024, após as eleições, no valor de R$9.153.491,26.
Na véspera, dia 17 a Justiça proibiu a realização da licitação. Mesmo assim, no dia 18 foi feita a licitação,
efetuado o pagamento e a editora logo entregou a compra. Nada há encoberto que não se venha a saber.
Num município, pesquisado pelo prefeito, o mesmo livro custou R$15,00.
Em Guaraciaba do Norte foi pago R$200,00. Os documentos dos dois municípios
foram apresentados com as diferenças de preços.
A demonstração feita pelo prefeito Cefas Melo está na internet
para quem quiser conferir. Alguém haverá de pagar o prejuízo.
É uma constatação, profundamente, triste. Nove milhões dariam
para melhorar muito as escolas, para estímulos aos professores, para atualizações
e muitas coisas que a legislação permitisse.
Muitos haverão de dizer: “Prefeitura é assim mesmo!”. De jeito
nenhum. Prefeitura usa dinheiro público que deve ser levado a sério. O dinheiro
chega aos municípios, no entanto, uns o aplicam com seriedade. Outros, não.
O Governador do Estado,
Elmano de Freitas, nomeou novos Conselheiros para a Comissão Especial Wanda
Sidou. Esta é a Comissão que avalia pedidos de indenização, encaminhados por Ex
presos e/ou perseguidos políticos pela ditadura de 64.
Novos conselheiros da
Comissão Especial Wanda Sidou: Jânio
Washington Camelo da Costa e Tiago Rolim Queiroz, da Sec. de Segurança
Pública e Defesa Social; Rafaela Cavalcante Lisboa, da SEPLAG, Lúcia
Rodrigues Alencar Lima e Rebeca de Vasconcelos Lima Maia, da Sec. de
Direitos Humanos.
As posses dos recém nomeados aconteceu nesta quinta-feira, dia 27 de
fevereiro, no auditório da Secretaria de Direitos Humanos, na sessão mensal da
Comissão Especial Wanda Sidou.
A Secretária dos
Direitos Humanos, Dra. Socorro França,
esteve presente ao momento das posses dos novos Conselheiros, juntamente com o
Dr. Hilton Cohem, Assessor Jurídico da Secretaria.
Naquela reunião foi
aprovado o novo Regimento da Comissão, após um longo período de revisão e
atualização com a colaborações do Dr. Hilton e do Conselheiro Dr. Paulo
Studart.
Quem já viu o filme AINDA ESTOU AQUI deve ter compreendido o
quando a ditadura de 64 foi maléfica ao país. Maltratou milhares de pessoas. Perseguiu,
torturou e matou muitos como deputado federal Rubem Paiva.
São pessoas de tal nível que torcem pela morte do Papa Francisco.
As redes mostram a escalada do ódio, conforme escreve o jornalista Leonardo
Sakamoto - Colunista do UOL, no dia 23/02/2025, às 13h59:
“Desde que o Papa Francisco passou a lutar pela vida no hospital
Gemelli, em Roma, devido a um grave quadro respiratório, há um rosário de
autointitulados cristãos torcendo por sua morte (incluindo requintes de
crueldade) nas redes sociais.
Provando que a ultra polarização derreteu os miolos de muita
gente, acusam Francisco de ser "comunista" e pedem para que sua vida
seja ceifada.
As frases: "Vou
festejar muito o dia em que esse papa for para o inferno", "papa
comunista tem que morrer", "todo sofrimento do mundo é pouco para
essa desgraça", "espero que morra agonizando", "nunca foi
papa, foi um vagabundo comunista que adora terrorista", "vou rezar
para que ele morra logo".
Com certeza, os autores de tais expressões são pessoas muito
infelizes. Os que se comprazem com a doença de alguém devem ser pessoas muito
desumanas. A vida lhes dará a recompensa porque quem semeia colhe.
Memórias da ditadura
TEJE PRESO
JOÃO DE PAULA MONTEIRO
O que o senhor é mesmo?
Ao
ouvir aquela pergunta, virei-me para trás, cuidadosamente, pois sabia que havia
uma baioneta, na ponta de um fuzil, bem próxima das minhas costas. Olhando,
então, diretamente para mim, o soldado da Polícia Militar do Paraná que me
prendera minutos atrás, repetiu a pergunta e, diante da minha resposta de que
eu era estudante, completou: “pensei que fosse oficial e que isso aqui era um
treinamento”.
Quase
sem acreditar no que estava ouvindo, perguntei-lhe se podia me soltar. Sua
resposta: “posso não; cumpro ordens e a que eu recebi foi de levar quem eu
prendesse até o comandante que está ali na frente”.
Não
cabe analisar aqui o modo de funcionar da corporação militar daquele soldado.
Em que pese a relevância dessa questão, pretendo tratá-la noutra oportunidade
pois, agora, parece-me mais importante esclarecer o que estava acontecendo ali.
Tratava-se
de uma ação repressiva para impedir a realização de um Congresso Regional da
União Nacional dos Estudantes, que ocorreria na Chácara do Alemão, nas
proximidades de Curitiba. Ao chegar ali, na condição de candidato da chapa
Unidade e Luta, que concorria à diretoria da UNE, disse logo ao colega que me
levara, achar que íamos ser presos. E não era nenhuma premonição. Assim que vi
aquele sítio, veio-me à mente a imagem de Ibiúna, onde fôramos presos tentando
realizar o X XX Congresso da UNE em formato nacional. As condições eram muito
semelhantes, ainda que em proporções diferentes. Nos dois casos, havia um ponto
em comum: as chances mínimas de manter secreta em uma zona rural uma reunião
com muitos participantes. Não deu outra. Menos de uma hora depois, ecoaram
gritos de polícia, polícia. Saímos correndo para todos os lados. Corri uns
quinhentos metros até visualizar uma linha de soldados barrando-me o caminho.
Um dos militares destacou-se da fileira, aproximou-se de mim, apontou-me um
fuzil com uma baioneta na ponta, deu-me voz de prisão e mandou-me caminhar, com
as mãos na cabeça, rumo a um lugar que ele indicou.
Depois de alguns minutos, chegamos a um local
onde estavam se concentrando as pessoas que iam sendo presas. Ficamos ali por
algum tempo, até sermos metidos em caminhões de carrocerias fechadas, tipo baú,
que nos conduziram para um quartel da PM e, em seguida, para um presídio.
Após
um minucioso interrogatório feito pela Polícia Federal, dos 42 estudantes
aprisionados, foram retidos15 e libertados os demais, sem que nada nos fosse
comunicado sobre o critério adotado nesta triagem. Era evidente, no entanto,
que ali ficaram os principais líderes do movimento universitário do Paraná. Eu
estava entre os 15, mas como se fosse Iran Vieira Dias, nome que constava nos
documentos eu estava usando desde que fora decretada minha prisão preventiva
por participação no Congresso de Ibiúna. Até me soltarem, um ano depois, meus
carcereiros não desconfiaram da identidade, nem do que este personagem fictício
teria a ver com a UNE.
O
Congresso Regional do Paraná fora dissolvido à força naquele 16 de dezembro de
1968. Com a decretação do AI5, três dias antes, no dizer do jornalista Elio
Gaspari, a ditadura tinha passado de envergonhada para escancarada. No entanto,
mesmo sob o império da repressão desamarrada das últimas peias, nos demais
estados brasileiros, representantes dos universitários realizaram seus
congressos em diversos e criativos formatos, elegendo uma nova diretoria da UNE
para conduzir a luta nacional pelos direitos estudantis e contra o regime
ditatorial.
Com
três chapas concorrendo, a vitória foi da Unidade e Luta, presidida por Jean
Marc e constituída pelos seguintes diretores: Honestino Guimarães, João de
Paula, Valdo Silva, Ronald de Oliveira, Doralina Rodrigues, Humberto Câmara,
Helenira Rezende, Amálio e Nelson Tadeu. A segunda chapa mais votada foi a
Nova UNE, com Rafael di Falco como candidato a presidente, substituindo José
Dirceu que, juntamente com Luiz Travassos, Vladimir Palmeira e
outros líderes estudantis, continuara preso após o Congresso de Ibiúna. O
terceiro lugar foi da chapa Integração e Luta, liderada por Marcos Medeiros.
Os
universitários brasileiros tinham dado mais uma mostra de resistência, vencendo
a nova tentativa de destruição da UNE pela ditadura militar.
Para
mim, o desafio maior passou a ser o de evitar a descoberta da minha verdadeira
identidade. Meus colegas de prisão, que tinham conhecimento da minha situação,
me deram cobertura e me prestaram toda a solidariedade para que isso
acontecesse naquelas circunstâncias de riscos e tensões. Mas o que aconteceu no
ano em que, como Iran, passei no Presídio do Ahú, fica para outro momento.
PARA OS TERRORISTAS DE 8 DE JANEIRO
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