OS INFELIZES DESEJAM A MORTE DO PAPA FRANCISCO!
Talvez por estar
afastado de minhas atividades pastorais – penso que devido à minha merecida
aposentadoria - não soube de nenhuma celebração festiva, em ação de graças,
pela passagem dos Cem Anos do Seminário São José, de Sobral. Como “Betanista” e
fazendo parte do grande grupo de Ex seminaristas, ao nosso modo, comemoramos.
Até, prometi voltar às ‘minhas habituais reflexões. Ainda estou aqui’.
Entre os Papas mais comprometidos, sobretudo, da década de 1960 pra cá, ninguém pode negar que os Papas João XXIII e Francisco aparecem, buscando a prática dos ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, já iniciada por alguns de seus predecessores, desde o final do século XIX. Lembremo-los.
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Leão XIII,
em 1891, escreveu a Rerum Novarum (Das coisas Novas), considerada o início da
Doutrina Social da Igreja, que fala das injustiças e desigualdades da Revolução
Industrial.
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Quarenta anos depois, em 1931, o Papa Pio XI, brindou-nos com a Encíclica,
Quadragésimo Anno, lembrando as quatro décadas da Primeira e esclarecendo as
dúvidas surgidas do Socialismo e do Liberalismo econômico.
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Depois de mais 30 anos, em 1961, o Papa era o Santo João XXIII.
Com
idade acima dos 80 anos tinha ideias muito claras sob o aspecto social, como
tiveram esses seus antecessores, mas tinha algo mais: uma vontade de, rapidamente,
levar à prática, aquilo que já era teorizado na Doutrina Social da Igreja:
escreveu a Encíclica Mater et Magistra (Mãe e Mestra) para dar suporte à
realização do Concílio Ecumênico Vaticano II, voltado para a Ação Pastoral em
toda a Igreja. Foi um verdadeiro Big Ben, igualmente ao boom inicial da criação
do mundo. A ordem era viver-se em comunidade e buscar unir a todos.
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O Papa João XXIII tinha pressa. Sua idade o exigia. Dois anos depois, em 1963,
escreve Pacem in terris (Paz na Terra). Sua experiência pastoral, sua
presença no Corpo Diplomático da França, como Núncio Apostólico, o levou a
entender que não se vive em paz: os indivíduos, as comunidades e as nações.
Ninguém se tem preocupado com os Direitos Humanos. Como viver em paz sem
confiança mútua, sem buscar a unidade em assuntos humanos e sem entender a
vontade de Deus? Em curto tempo, ele revirou o mundo.
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Veio o Papa Paulo VI. Participava do Concílio, quando o Papa João se foi.
Não podia parar tudo o que estava tão bem conduzido. Tinha que levá-lo em
frente. Não “quebrou o galho”, é claro. O Espírito de Deus que iluminou o Papa
João, continuou inspirando o novo Papa. Em 1967, enquanto encerrava o
Concílio,
Paulo VI apresentou ao mundo sua Encíclica Populorum Progressio (O
Desenvolvimento dos Povos) sobre a crescente marginalização dos pobres.
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Em 1995, João Paulo II vem com a Encíclica Evangelium Vitae (o Evangelho
da Vida) conclamando-nos a viver um Evangelho de respeito à vida. Nada de
aborto entre nós. Até se criou um Dia do Nascituro para “alertar”.
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O Papa Bento XVI aprofundou essa visão do seu antecessor e lançou duas
Encíclicas, respectivamente em 2005 e 2009: Deus Caritas Est (Deus é Amor) e
Caritas in Veritate (A Caridade na Verdade), i.é, “a Vida em 1º lugar”.
Este “slogan” vem sustentando ao longo do tempo, as Campanhas da Fraternidade, tornando-as inegociáveis e insubstituíveis, por fazer parte do Evangelho da Vida, centro da Mensagem de Jesus: “eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundancia” (Jo.10,10).
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Para completar esta pequena mostra da Doutrina Social da Igreja e para
justificar o que falei acima, referindo-me aos Papas João XXIII e Francisco na
prática dessa Doutrina, cito as Encíclicas e Cartas de Francisco, por sua atualidade
e pelo fato de serem acessíveis, adquirindo ou pela Internet:
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Lumen Fidei e Evangelii Gaudium (2013). Laudato Si (2015).
Amoris Laetitia (2016). Gaudete et Exultate (2018). Fratelli Tutti e Patris Corde (2020) e Dilexit Nos (2024). Cartas e Encíclicas, acrescidas das mais variadas Mensagens em todas as Solenidades Litúrgicas de Festejo Mundial e em todas as Horas do Angelus, na Praça de S. Pedro ou na Sala de Audiência.
Em
qualquer parte do Mundo – mais de 40 viagens – ou em qualquer lugar de sua
grande Diocese de Roma – mesmo agora, convalescendo no Hospital Gemelli – ele
está dando sua mensagem de encorajamento, de esperança e de alívio para seu
grande rebanho: os que têm fé e os que ainda a estão procurando. Tudo o que ele
prega, diz, reflete e transmite, com palavras e exemplos, tem causado um
impacto profundo, na Igreja e na sociedade geral.
Francisco, nestes 12 anos de seu pontificado sempre aproximou a Igreja das pessoas, promovendo um diálogo aberto e acolhedor. Desafiou as estruturas de poder e propôs uma visão de mundo mais humana e solidária. Sua preocupação com os marginalizados, os pobres e o meio ambiente refletem um compromisso genuíno com a justiça e a paz.
Além destes documentos citados, rapidamente, sem aprofundá-los, ele transmitiu recados, em diferentes ocasiões, presencialmente, ou por delegação, em eventos internacionais, congressos religiosos ou em crises humanitárias.
Ele
não pecou por omissão. Foi para a luta. Se guardamos lembranças tão memoráveis
de São João XXIII, que teve tão curto pontificado e – como já dissemos acima -
‘revirou o mundo’, o Papa Francisco, desde o início do seu pontificado tem
demonstrado um compromisso inabalável com os valores do Evangelho e com a
transformação do mundo em um lugar mais justo e fraterno. Tudo o que estamos
dizendo a seu respeito, pelo que escreveu e pregou, são documentos fundamentais
para compreender a sua visão pastoral e seus esforços em enfrentar os destinos
do século XXI.
Eu dizia na semana passada que estava acompanhando o “calvário” do Papa Francisco, consumindo-se no Hospital Gemelli, em Roma. Mas não era sua idade, sua convalescença ou cansaço normal da vida de um idoso. Não eram também os inimigos da Igreja que o atacavam. Seu sofrimento vinha de maus cristãos e por isso doía mais. As “redes sociais” divulgaram e o Leunam, responsável pela coluna “1º Plano” deste blog lamentou:
“vou festejar muito o dia em que esse Papa for pro inferno”. “Papa comunista tem que morrer”. “Todo sofrimento do mundo é pouco pra essa desgraça”. “Espero que morra agonizando”. “Nunca foi Papa; é um vagabundo comunista que adora terrorista” e ainda: “vou rezar para que ele morra logo”.
Confiando que alguém que se expõe assim, ainda sabe que Quaresma é Tempo de Conversão e Penitência, trarei no próximo sábado, a Mensagem do próprio Papa Francisco para esta Quaresma de 2025, na esperança de que, tantos maus batizados se sintam tocados, se convertam e ainda se salvem. É o próprio Francisco quem vai convidá-los: ‘Caminhemos juntos na esperança’.
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