sábado, 8 de março de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

OS INFELIZES DESEJAM A MORTE DO PAPA FRANCISCO!

Talvez por estar afastado de minhas atividades pastorais – penso que devido à minha merecida aposentadoria - não soube de nenhuma celebração festiva, em ação de graças, pela passagem dos Cem Anos do Seminário São José, de Sobral. Como “Betanista” e fazendo parte do grande grupo de Ex seminaristas, ao nosso modo, comemoramos. Até, prometi voltar às ‘minhas habituais reflexões. Ainda estou aqui’.

 Falei-lhes da chegada do Carnaval e da Quaresma, como originários da Igreja Católica - apesar de serem eventos tão diferentes - e historiei, um pouco, suas intercorrências, sobretudo nos últimos 61 anos com a chegada do Concílio e da Campanha da Fraternidade. Acrescentei que, durante a História da Igreja, no passado e no presente, ela contou com Papas, mais e menos comprometidos, com o Evangelho, como ensinara o fundador Jesus.

 Entre os Papas mais comprometidos, sobretudo, da década de 1960 pra cá, ninguém pode negar que os Papas João XXIII e Francisco aparecem, buscando a prática dos ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, já iniciada por alguns de seus predecessores, desde o final do século XIX. Lembremo-los.

- Leão XIII, em 1891, escreveu a Rerum Novarum (Das coisas Novas), considerada o início da Doutrina Social da Igreja, que fala das injustiças e desigualdades da Revolução Industrial.

- Quarenta anos depois, em 1931, o Papa Pio XI, brindou-nos com a Encíclica, Quadragésimo Anno, lembrando as quatro décadas da Primeira e esclarecendo as dúvidas surgidas do Socialismo e do Liberalismo econômico.

- Depois de mais 30 anos, em 1961, o Papa era o Santo João XXIII.

Com idade acima dos 80 anos tinha ideias muito claras sob o aspecto social, como tiveram esses seus antecessores, mas tinha algo mais: uma vontade de, rapidamente, levar à prática, aquilo que já era teorizado na Doutrina Social da Igreja: escreveu a Encíclica Mater et Magistra (Mãe e Mestra) para dar suporte à realização do Concílio Ecumênico Vaticano II, voltado para a Ação Pastoral em toda a Igreja. Foi um verdadeiro Big Ben, igualmente ao boom inicial da criação do mundo. A ordem era viver-se em comunidade e buscar unir a todos.

- O Papa João XXIII tinha pressa. Sua idade o exigia. Dois anos depois, em 1963, escreve Pacem in terris (Paz na Terra). Sua experiência pastoral, sua presença no Corpo Diplomático da França, como Núncio Apostólico, o levou a entender que não se vive em paz: os indivíduos, as comunidades e as nações. Ninguém se tem preocupado com os Direitos Humanos. Como viver em paz sem confiança mútua, sem buscar a unidade em assuntos humanos e sem entender a vontade de Deus? Em curto tempo, ele revirou o mundo.

- Veio o Papa Paulo VI. Participava do Concílio, quando o Papa João se foi. Não podia parar tudo o que estava tão bem conduzido. Tinha que levá-lo em frente. Não “quebrou o galho”, é claro. O Espírito de Deus que iluminou o Papa João, continuou inspirando o novo Papa. Em 1967, enquanto encerrava o

Concílio, Paulo VI apresentou ao mundo sua Encíclica Populorum Progressio (O Desenvolvimento dos Povos) sobre a crescente marginalização dos pobres.

- Em 1995, João Paulo II vem com a Encíclica Evangelium Vitae (o Evangelho da Vida) conclamando-nos a viver um Evangelho de respeito à vida. Nada de aborto entre nós. Até se criou um Dia do Nascituro para “alertar”.

- O Papa Bento XVI aprofundou essa visão do seu antecessor e lançou duas Encíclicas, respectivamente em 2005 e 2009: Deus Caritas Est (Deus é Amor) e Caritas in Veritate (A Caridade na Verdade), i.é, “a Vida em 1º lugar”.

 Este “slogan” vem sustentando ao longo do tempo, as Campanhas da Fraternidade, tornando-as inegociáveis e insubstituíveis, por fazer parte do Evangelho da Vida, centro da Mensagem de Jesus: “eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundancia” (Jo.10,10).

- Para completar esta pequena mostra da Doutrina Social da Igreja e para justificar o que falei acima, referindo-me aos Papas João XXIII e Francisco na prática dessa Doutrina, cito as Encíclicas e Cartas de Francisco, por sua atualidade e pelo fato de serem acessíveis, adquirindo ou pela Internet:

- Lumen Fidei e Evangelii Gaudium (2013). Laudato Si (2015).

Amoris Laetitia (2016). Gaudete et Exultate (2018). Fratelli Tutti e Patris Corde (2020) e Dilexit Nos (2024). Cartas e Encíclicas, acrescidas das mais variadas Mensagens em todas as Solenidades Litúrgicas de Festejo Mundial e em todas as Horas do Angelus, na Praça de S. Pedro ou na Sala de Audiência.

Em qualquer parte do Mundo – mais de 40 viagens – ou em qualquer lugar de sua grande Diocese de Roma – mesmo agora, convalescendo no Hospital Gemelli – ele está dando sua mensagem de encorajamento, de esperança e de alívio para seu grande rebanho: os que têm fé e os que ainda a estão procurando. Tudo o que ele prega, diz, reflete e transmite, com palavras e exemplos, tem causado um impacto profundo, na Igreja e na sociedade geral.

 Francisco, nestes 12 anos de seu pontificado sempre aproximou a Igreja das pessoas, promovendo um diálogo aberto e acolhedor. Desafiou as estruturas de poder e propôs uma visão de mundo mais humana e solidária. Sua preocupação com os marginalizados, os pobres e o meio ambiente refletem um compromisso genuíno com a justiça e a paz.

 Além destes documentos citados, rapidamente, sem aprofundá-los, ele transmitiu recados, em diferentes ocasiões, presencialmente, ou por delegação, em eventos internacionais, congressos religiosos ou em crises humanitárias.

Ele não pecou por omissão. Foi para a luta. Se guardamos lembranças tão memoráveis de São João XXIII, que teve tão curto pontificado e – como já dissemos acima - ‘revirou o mundo’, o Papa Francisco, desde o início do seu pontificado tem demonstrado um compromisso inabalável com os valores do Evangelho e com a transformação do mundo em um lugar mais justo e fraterno. Tudo o que estamos dizendo a seu respeito, pelo que escreveu e pregou, são documentos fundamentais para compreender a sua visão pastoral e seus esforços em enfrentar os destinos do século XXI.

 Eu dizia na semana passada que estava acompanhando o “calvário” do Papa Francisco, consumindo-se no Hospital Gemelli, em Roma. Mas não era sua idade, sua convalescença ou cansaço normal da vida de um idoso. Não eram também os inimigos da Igreja que o atacavam. Seu sofrimento vinha de maus cristãos e por isso doía mais. As “redes sociais” divulgaram e o Leunam, responsável pela coluna “1º Plano” deste blog lamentou:

 “vou festejar muito o dia em que esse Papa for pro inferno”. “Papa comunista tem que morrer”. “Todo sofrimento do mundo é pouco pra essa desgraça”. “Espero que morra agonizando”. “Nunca foi Papa; é um vagabundo comunista que adora terrorista” e ainda: “vou rezar para que ele morra logo”.

 Confiando que alguém que se expõe assim, ainda sabe que Quaresma é Tempo de Conversão e Penitência, trarei no próximo sábado, a Mensagem do próprio Papa Francisco para esta Quaresma de 2025, na esperança de que, tantos maus batizados se sintam tocados, se convertam e ainda se salvem. É o próprio Francisco quem vai convidá-los: ‘Caminhemos juntos na esperança’.

 







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