COMO TEMOS CUIDADO DO MUNDO QUE DEUS NOS DEU?
Estamos às Vésperas do 4º Domingo da Quaresma com reflexões sobre este tradicional tempo de penitência, celebrado em todo o mundo, e à sua concomitante Campanha da Fraternidade com 61 anos de caminhada no Brasil.
Já refletimos sobre o significado da histórica Quaresma, da
sexagenária C.F. e seu Tema, deste ano: Fraternidade e Ecologia Integral
e prometemos aprofundar no Comentário de hoje o Lema: Ele viu que tudo era
muito bom.
Em que circunstâncias ou ocasião Deus viu que tudo era muito bom”? Esta Campanha da Fraternidade está falando de natureza, ecologia, uso da terra, clima, Criação, vida, oceanos, enfim, quem não vê ou sente que o Mundo está transformando-se, que a ordem universal está cada vez mais problemática? Os homens que têm poder não se entendem. Só os “cegos” não querem ver. Enfim, quando Deus viu que tudo era muito bom?
Leia os primeiros momentos da Criação do Mundo, por Deus. Entenda a linguagem do Antigo Testamento, como a do Novo, e a linguagem, os recursos tecnológicos de hoje e espere pelo que ainda há de vir.
Faz muito tempo: uns 15 bilhões de anos. Só existia Deus, em suas 03 Pessoas
Divinas. Era, como que, uma Família: Pai, Filho e Espírito Santo.
Deus resolveu “criar”. Tinha a Vida em plenitude. Resolveu,
vagarosamente, no tempo d’Ele, nos 14 bilhões de anos iniciais. Criou dia e
noite; partes com terra e com águas; com vegetais, sementes, plantas e frutos;
astros, estrelas e constelações ou luminárias para identificarem os pontos
cardeais, enfim, luzes
para separarem o claro do escuro; águas para ficarem cheias de todo
tipo de seres vivos e terras onde vivam as aves que voem no ar. Tanto na água
como no ar surjam monstros e pequenos animais. Estas e outras “criações” foram acontecendo
ao longo dos 14 bilhões de anos. Seu tempo difere do nosso.
Depois do Big Ben inicial ou do boom que marcou a presença de Deus no
Mundo Criado, foi que Deus pensou em alguém para conduzi-lo, organizá-lo. Entre
os já “criados” não havia um “inteligente” que o fizesse. Só instinto!
O Senhor Deus plantou um Jardim na região do Éden, no lado leste e ali pôs
o ser humano que Ele havia formado. O Éden, belíssimo. Cruzavam-no 04 Rios: o
Pisom; o Giom; o Tigre e o Eufrates. (Mais tarde, bem mais tarde,
essa Região ficou conhecida e tida como Mesopotâmia, i.é, “entre Rios” em Israel).
O Homem ficou ali, sozinho, pensativo, para começar sua aventura, já com
esses limites. Deus que já sabia o que fazer, fê-lo logo. Vou dar-lhe uma “companheira”,
ou “companhia” com quem você divida o pão, o corpo, a casa, a sua própria vida.
Ela será “a sua outra metade”. Comecemos já, a escolha.
carne da minha
carne e osso dos meus ossos. Ela será chamada de Mulher porque Deus a tirou do
Homem”. E o Livro do Gênesis encerra seu 2º capítulo, dizendo: “é por isso que
o Homem deixa seu pai e sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se
tornam uma só pessoa” ou uma só carne.
Fraternidade e Ecologia nos oferece um Lema da mais
urgente necessidade de reflexão, porque, pela fundamentação bíblica que todos
deveriam estudar e refletir, Homem e Mulher estão no mesmo pé de igualdade e no
mesmo nível da Criação Divina. Foram criados imagem e semelhança de Deus; ela
foi tirada do Homem. Toda a Criação foi consagrada por Deus e abençoada no
Homem e na Mulher. Por isso que o Lema desta C.F. 2025 é: Deus viu que tudo
o que havia feito era muito bom (Gênesis 1,31).
Não entendemos porque se institui um Dia da Mulher e se matam tantas. Inúmeras
são abandonadas. Se têm um emprego ou uma função pública, seu salário é sempre
inferior ao do homem que exerce a mesma função que ela. É inacreditável. Além
disso, ainda encontramos negacionistas, reacionários da política e,
infelizmente da própria Igreja, que se unem em seu conservadorismo e brigam,
debatem e discutem defendendo suas “belas causas”. Sr. Piedade!
Será que o Deus
do Gênesis 1,31, vendo que tudo o que havia feito era muito bom, depois de
entregar ao Homem e à Mulher a administração do Universo, nós correspondemos à
sua confiança? Nosso comportamento e opções, nosso “modus vivendi” tem sido de
respeito mútuo, entre Homem e
Mulher, de quem
quer pôr tudo em comum, sem nos agredirmos, pensando só na Humanidade, no
sentido original da palavra? Deus pôs fim ao mundo uma vez, com o Dilúvio.
Prometeu não o fazer mais. Manterá ainda tal promessa?
Deus viu que tudo era muito bom!
Desde o 1º sábado, deste mês, 1º de Março, tenho falado
sobre a Quaresma e Campanha da Fraternidade, que iniciariam na 4ª Feira de
Cinzas, dia 05, logo que terminasse o Carnaval e que, Quaresma e Carnaval,
tinham nascido “no seio da Igreja Católica”, embora com finalidades tão
diferentes.
Acrescentei nos Comentários seguintes, a ligação que o Papa
Francisco fez da quaresma com o ano jubilar, alinhando seus temas num mesmo
objetivo.
Não esqueci o multi-sofrimento do Papa, convalescendo no
Hospital em Roma, diante de comentários malévolos de falsos cristãos e até de
clérigos que o magoam, visceralmente, mas ele os perdoaria em sua mensagem
quaresmal que estaríamos apresentando no comentário seguinte: o da semana
passada.
É o que quero hoje: dedicar este Comentário, mais precisamente, à C.F. 2025. Depois de ter-lhes falado sobre a origem da Campanha da Fraternidade há 61 anos, exatamente quando o Concílio Ecumênico Vaticano II se realizava em Roma, reportei-me à História da Doutrina Social da Igreja, espalhada pelo mundo, desde 1891, com o chute inicial dado pelo Papa Leão XIII, com sua Encíclica Rerum Novarum.
Setenta anos depois (1961) surgiu o grande Papa João XXIII e
após +cinquenta e dois (2013), o Papa Francisco. Ambos tinham pressa, como eu
já comentei, anteriormente: ‘ambos queriam pôr em prática a Doutrina Social da Igreja
já, teoricamente, iniciada por alguns de seus predecessores’. Eu dizia também
que estes dois Papas ‘provocaram um verdadeiro incêndio na Igreja que nunca
mais apagou. Eles reviraram o mundo’.
Este incêndio ou esta reviravolta foi fruto do Espírito. É o
fogo do Espírito Santo que aquece e incendeia aqueles mais frios,
conservadores, antiquados, reacionários ou negacionistas que têm medo de
arriscar-se. Ficam impedindo a outros de assumirem mais seu compromisso
cristão, quando a própria Palavra de Deus diz em 365 ocasiões: “não tenhais
medo”.
Este ano, nós estamos bem motivados para viver a 61ª
Campanha da Fraternidade, com Tema e Lema definidos: Fraternidade e Ecologia
Integral e Deus viu que tudo era muito bom (Gn
1,31). Não é um tema novo. Ele já foi refletido, embora com Lemas bíblicos
diferentes, pelo menos, oito vezes. Cada vez, os conservadores políticos, os
católicos alienados se unem na defesa de seus pontos de vista tradicionalistas e não só não participam, como
atrapalham as pessoas que querem participar da Campanha e colaborar com seu
sucesso.
Como eu já falei, a Campanha da Fraternidade surgiu no tempo
do Concílio em Roma, como uma nova maneira de se viver a Quaresma: deixava de
ser um tempo de penitencia no corpo ou um sacrifício físico, passageiro, pra ser
uma mudança na alma. Seria um sacrifício interior: na mente, nas atitudes e na
própria consciência. Isso é que é conversão. Mudança de Vida.
Será que se eu deixar de comer carne alguns dias, ou de
beber alguma cerveja em 04 fins de semana ou de me abster de algum prazer
físico por um tempo limitado, passado este período, vou viver diferente? Houve
conversão?
Eu mudei de vida? É claro que não me converti. Queria que o
tempo passasse pra eu voltar ao que era, e até dizer: graças a Deus, passou o
sacrifício. Isto não é viver o tempo da Quaresma. Não me converti. Tudo voltará
ao que era.
Por isso mesmo é que se critica tanto a Campanha da
Fraternidade. Ela ainda não atingiu a todos os católicos brasileiros, porque
tudo que ela propõe é contrário à aceitação dos falsos cristãos. E a Igreja é
que é culpada. O Papa é comunista. O Padre que o segue, também. Digo isso de
experiência própria.
O Tema que é proposto para todo o Brasil, sob a coordenação
da CNBB, é Fraternidade e Ecologia Integral, já refletido várias vezes. Em cada
ocasião insurgem-se pessoas, grupos, católicos conservadores, políticos sem
vida cristã, mal casados, que só aparecem nas grandes concentrações de fiéis
para impressionarem bem ao povo. Enfim, um batalhão de gente oportunista, que engana
àqueles desavisados e inconscientes, no vão uso do nome de Deus.
Além de fazer parte da Igreja - o estudo e a preocupação com
o bem-estar social do seu povo, - ela tem vários motivos para tratar da
Ecologia Integral este ano devido a vários fatores: oitocentos anos da
Composição do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis; dez anos de
publicação da Carta Encíclica Laudato Si; a recente divulgação da Exortação
Apostólica Laudato Deum sobre a crise climática; dez anos de criação da Rede
Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e a realização da COP 30, em Belém – PA, a primeira
na Amazônia. Tudo isso, motivou a Comissão Episcopal Especial para a Mineração
e a Ecologia Integral a escolher o Tema e Lema, respectivamente, Fraternidade e
Ecologia Integral e Deus viu que tudo era muito bom (Gn 1,31).
Esta 61ª Campanha da Fraternidade, dentro desta Quaresma,
requer de nós, a Conversão. Sempre foi assim, na Quaresma, de um modo teórico.
Estes últimos 61 anos, sugeriu-nos a prática, um compromisso com a nossa
mudança de vida, refletindo, conhecendo, tentando mudar a nossa realidade.
Muitos não aceitam essa já sexagenária nova orientação da Igreja. E a criticam
sem mais nem menos. A Igreja virou comunista, a começar do Papa. O que é isso?
Pena que, nem todas as Paróquias ou Pastorais da Igreja levam a sério as C.F.
Para a deste ano, já perguntam: o que é que se tem a ver com ecologia, com
clima, com desmatamento? O que tem a ver isso, com Religião?
Eu, que sou um Padre mais velho, ouvi à época da Campanha
sobre a Amazônia (2007), alguém perguntar: o que é que nós aqui temos com a Amazônia?
Tão longe!? Lá no fim do mundo!?...
Repasso-lhe a Oração da Fraternidade para ajudar na
reflexão:
“Ó Deus, nosso Pai. Ao contemplar
o trabalho de tuas mãos, viste que tudo era muito bom! O nosso pecado, porém,
feriu a beleza de tua obra, e hoje experimentamos suas consequências.
Por Jesus, teu Filho e nosso
irmão, humildemente te pedimos: dá-nos nesta Quaresma, a graça do sincero
arrependimento e da conversão de nossas atitudes. Que o teu Espírito Santo
reacenda em nós a consciência da missão que de ti recebemos: cultivar e guardar
a Criação, no cuidado e no respeito à vida.
Faz de nós, ó Deus, promotores da
solidariedade e da justiça. Enquanto peregrinos, habitamos e construímos nossa
Casa Comum, na esperança de um dia sermos acolhidos na Casa que preparaste para
nós no Céu. Amém”!
No Comentário acima, do dia 29, deter-me-ei no Lema
desta Campanha da Fraternidade: Deus viu que tudo era muito bom. Após a criação
de tudo o que existe – peixes, aves, animais domésticos e selvagens -criou os
seres inteligentes, iguais, companheiros, feitos para conviverem numa só carne,
dividirem, entre si, o próprio pão: Homem e Mulher – imagem e semelhança de
Deus – e Ele viu que tudo era muito bom.
Está tudo relatado no Livro do Gênesis: A Mulher e o Homem
são imagens e semelhança de Deus. Ela é a carne da carne do Homem. Ela não é uma
ajuda ou auxiliar para o Homem. Ela faz parte da sua ‘humanidade’. Será que
Homem ou Mulher, sozinhos, gerariam um filho, ou são 50% pra cada um?
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