sábado, 29 de março de 2025

COMENTÁRIOS DA SEMANA

 

COMO TEMOS CUIDADO DO MUNDO QUE DEUS NOS DEU?

Estamos às Vésperas do 4º Domingo da Quaresma com reflexões sobre este tradicional tempo de penitência, celebrado em todo o mundo, e à sua concomitante Campanha da Fraternidade com 61 anos de caminhada no Brasil.

Já refletimos sobre o significado da histórica Quaresma, da sexagenária C.F. e seu Tema, deste ano: Fraternidade e Ecologia Integral e prometemos aprofundar no Comentário de hoje o Lema: Ele viu que tudo era muito bom.

 Em que circunstâncias ou ocasião Deus viu que tudo era muito bom”? Esta Campanha da Fraternidade está falando de natureza, ecologia, uso da terra, clima, Criação, vida, oceanos, enfim, quem não vê ou sente que o Mundo está transformando-se, que a ordem universal está cada vez mais problemática? Os homens que têm poder não se entendem. Só os “cegos” não querem ver. Enfim, quando Deus viu que tudo era muito bom?

Leia os primeiros momentos da Criação do Mundo, por Deus. Entenda a linguagem do Antigo Testamento, como a do Novo, e a linguagem, os recursos tecnológicos de hoje e espere pelo que ainda há de vir.

Faz muito tempo: uns 15 bilhões de anos. Só existia Deus, em suas 03 Pessoas Divinas. Era, como que, uma Família: Pai, Filho e Espírito Santo.

Deus resolveu “criar”. Tinha a Vida em plenitude. Resolveu, vagarosamente, no tempo d’Ele, nos 14 bilhões de anos iniciais. Criou dia e noite; partes com terra e com águas; com vegetais, sementes, plantas e frutos; astros, estrelas e constelações ou luminárias para identificarem os pontos cardeais, enfim, luzes

para separarem o claro do escuro; águas para ficarem cheias de todo tipo de seres vivos e terras onde vivam as aves que voem no ar. Tanto na água como no ar surjam monstros e pequenos animais. Estas e outras “criações” foram acontecendo ao longo dos 14 bilhões de anos. Seu tempo difere do nosso.

Depois do Big Ben inicial ou do boom que marcou a presença de Deus no Mundo Criado, foi que Deus pensou em alguém para conduzi-lo, organizá-lo. Entre os já “criados” não havia um “inteligente” que o fizesse. Só instinto!

 Toda a macroestrutura estava ‘jogada no abismo’, ou no ‘éter’, até no ‘nada’ precisando de coordenação, de um ser pensante, inteligente para comandar. Entenda como Deus é paciente. Só no 15º bilênio (cerca de 600 milhões de anos pra cá) Ele tornou realidade, aquilo que sempre esteve na sua mente: usou da matéria que Ele já havia criado: a Terra; e lhe deu forma: a alma, a vida. Qualquer estudante de Filosofia entende isso: todo ser vivo tem matéria e forma, isto é, tem corpo e tem alma. O barro, sozinho, era só matéria. A alma, sozinha, era só forma. Estava o Homem pronto: o ser com Inteligência e com vontade para cuidar da Criação Divina. É difícil de entender isto? Vai piorar!

O Senhor Deus plantou um Jardim na região do Éden, no lado leste e ali pôs o ser humano que Ele havia formado. O Éden, belíssimo. Cruzavam-no 04 Rios: o Pisom; o Giom; o Tigre e o Eufrates. (Mais tarde, bem mais tarde, essa Região ficou conhecida e tida como Mesopotâmia, i.é, “entre Rios” em Israel).

 Lá ficou o 1º Homem, sozinho, ainda com uma ordem de Deus: “você pode comer os frutos de qualquer árvore do jardim, menos da árvore que dá o conhecimento do bem e do mal. Não coma o fruto dessa árvore, pois, no dia em que você a comer, certamente morrerá”.

O Homem ficou ali, sozinho, pensativo, para começar sua aventura, já com esses limites. Deus que já sabia o que fazer, fê-lo logo. Vou dar-lhe uma “companheira”, ou “companhia” com quem você divida o pão, o corpo, a casa, a sua própria vida. Ela será “a sua outra metade”. Comecemos já, a escolha.

 Diz o Livro do Gênesis, logo em seu 2º capítulo, que Deus levou ao Homem todos os animais, já existentes – domésticos e selvagens - para que ele lhes pusesse os nomes e, quem sabe, escolhesse um para sua companhia. Imaginem! A girafa era muito alta. O rinoceronte, muito desengonçado. A cabrinha muito baixa e pequena. Que dizer do elefante? O Homem deu-lhes os nomes, mas não encontrou nenhum ou nenhuma para sua possível metade. Deus é Deus. Sabe o que quer, o que faz, o que cria. Ele não erra. Antes que queiramos qualquer coisa, Ele já sabe o que é melhor pra nós. Daí, ter tomado a decisão. Fez o Homem dormir, tirou-lhe uma parte do corpo que não lhe faria falta, e dela fez a Mulher. Ela não é um apêndice. Algo que se possa descartar. Ela é o que o 1º Homem disse quando a viu: “Agora sim! Esta é a

carne da minha carne e osso dos meus ossos. Ela será chamada de Mulher porque Deus a tirou do Homem”. E o Livro do Gênesis encerra seu 2º capítulo, dizendo: “é por isso que o Homem deixa seu pai e sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa” ou uma só carne.

 A Igreja, nesta 61ª Campanha da Fraternidade, além do Tema proposto:

Fraternidade e Ecologia nos oferece um Lema da mais urgente necessidade de reflexão, porque, pela fundamentação bíblica que todos deveriam estudar e refletir, Homem e Mulher estão no mesmo pé de igualdade e no mesmo nível da Criação Divina. Foram criados imagem e semelhança de Deus; ela foi tirada do Homem. Toda a Criação foi consagrada por Deus e abençoada no Homem e na Mulher. Por isso que o Lema desta C.F. 2025 é: Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom (Gênesis 1,31).

 Só para confirmar ou ajudar na compreensão das duas palavras Homem e Mulher, até na língua hebraica, um dos originais em que foi escrita a Bíblia, as palavras são semelhantes: ‘ish’ (homem) e ‘ishá’ (mulher). Ambas se referem à Humanidade que une os dois.

Não entendemos porque se institui um Dia da Mulher e se matam tantas. Inúmeras são abandonadas. Se têm um emprego ou uma função pública, seu salário é sempre inferior ao do homem que exerce a mesma função que ela. É inacreditável. Além disso, ainda encontramos negacionistas, reacionários da política e, infelizmente da própria Igreja, que se unem em seu conservadorismo e brigam, debatem e discutem defendendo suas “belas causas”. Sr. Piedade!

 Será que a instituição da Lei Maria da Penha, sancionada aos 07 de agosto de 2006, não se deve à luta de uma farmacêutica brasileira, cearense corajosa, que apanhava e era agredida, todos os dias pelo marido? Ele até lhe deu um tiro de espingarda que a deixou paraplégica. Ao voltar ela, pra casa, sofreu nova tentativa de assassinato, pois o marido tentou eletrocutá-la.

 Em 1994, Maria da Penha lançou seu livro “Sobrevivi... posso contar” onde narra as violências sofridas por ela e pelas três filhas. Agora, eu pergunto: da Criação para cá, são 14.999.997.975 (14 bilhões, 999 milhões, 997 mil e 975 anos). Da (suposta aparição dos Primatas para se chegar ao Homem) de 600 milhões de anos para cá são 597.000.975 anos.

Será que o Deus do Gênesis 1,31, vendo que tudo o que havia feito era muito bom, depois de entregar ao Homem e à Mulher a administração do Universo, nós correspondemos à sua confiança? Nosso comportamento e opções, nosso “modus vivendi” tem sido de respeito mútuo, entre Homem e

Mulher, de quem quer pôr tudo em comum, sem nos agredirmos, pensando só na Humanidade, no sentido original da palavra? Deus pôs fim ao mundo uma vez, com o Dilúvio. Prometeu não o fazer mais. Manterá ainda tal promessa?

Deus viu que tudo era muito bom!

Desde o 1º sábado, deste mês, 1º de Março, tenho falado sobre a Quaresma e Campanha da Fraternidade, que iniciariam na 4ª Feira de Cinzas, dia 05, logo que terminasse o Carnaval e que, Quaresma e Carnaval, tinham nascido “no seio da Igreja Católica”, embora com finalidades tão diferentes.

Acrescentei nos Comentários seguintes, a ligação que o Papa Francisco fez da quaresma com o ano jubilar, alinhando seus temas num mesmo objetivo.

Não esqueci o multi-sofrimento do Papa, convalescendo no Hospital em Roma, diante de comentários malévolos de falsos cristãos e até de clérigos que o magoam, visceralmente, mas ele os perdoaria em sua mensagem quaresmal que estaríamos apresentando no comentário seguinte: o da semana passada.

É o que quero hoje: dedicar este Comentário, mais precisamente, à C.F. 2025. Depois de ter-lhes falado sobre a origem da Campanha da Fraternidade há 61 anos, exatamente quando o Concílio Ecumênico Vaticano II se realizava em Roma, reportei-me à História da Doutrina Social da Igreja, espalhada pelo mundo, desde 1891, com o chute inicial dado pelo Papa Leão XIII, com sua Encíclica Rerum Novarum.

Setenta anos depois (1961) surgiu o grande Papa João XXIII e após +cinquenta e dois (2013), o Papa Francisco. Ambos tinham pressa, como eu já comentei, anteriormente: ‘ambos queriam pôr em prática a Doutrina Social da Igreja já, teoricamente, iniciada por alguns de seus predecessores’. Eu dizia também que estes dois Papas ‘provocaram um verdadeiro incêndio na Igreja que nunca mais apagou. Eles reviraram o mundo’.

Este incêndio ou esta reviravolta foi fruto do Espírito. É o fogo do Espírito Santo que aquece e incendeia aqueles mais frios, conservadores, antiquados, reacionários ou negacionistas que têm medo de arriscar-se. Ficam impedindo a outros de assumirem mais seu compromisso cristão, quando a própria Palavra de Deus diz em 365 ocasiões: “não tenhais medo”.

Este ano, nós estamos bem motivados para viver a 61ª Campanha da Fraternidade, com Tema e Lema definidos: Fraternidade e Ecologia Integral e Deus viu que tudo era muito bom (Gn 1,31). Não é um tema novo. Ele já foi refletido, embora com Lemas bíblicos diferentes, pelo menos, oito vezes. Cada vez, os conservadores políticos, os católicos alienados se unem na defesa de seus pontos de vista  tradicionalistas e não só não participam, como atrapalham as pessoas que querem participar da Campanha e colaborar com seu sucesso.

Como eu já falei, a Campanha da Fraternidade surgiu no tempo do Concílio em Roma, como uma nova maneira de se viver a Quaresma: deixava de ser um tempo de penitencia no corpo ou um sacrifício físico, passageiro, pra ser uma mudança na alma. Seria um sacrifício interior: na mente, nas atitudes e na própria consciência. Isso é que é conversão. Mudança de Vida.

Será que se eu deixar de comer carne alguns dias, ou de beber alguma cerveja em 04 fins de semana ou de me abster de algum prazer físico por um tempo limitado, passado este período, vou viver diferente? Houve conversão?

Eu mudei de vida? É claro que não me converti. Queria que o tempo passasse pra eu voltar ao que era, e até dizer: graças a Deus, passou o sacrifício. Isto não é viver o tempo da Quaresma. Não me converti. Tudo voltará ao que era.

Por isso mesmo é que se critica tanto a Campanha da Fraternidade. Ela ainda não atingiu a todos os católicos brasileiros, porque tudo que ela propõe é contrário à aceitação dos falsos cristãos. E a Igreja é que é culpada. O Papa é comunista. O Padre que o segue, também. Digo isso de experiência própria.

O Tema que é proposto para todo o Brasil, sob a coordenação da CNBB, é Fraternidade e Ecologia Integral, já refletido várias vezes. Em cada ocasião insurgem-se pessoas, grupos, católicos conservadores, políticos sem vida cristã, mal casados, que só aparecem nas grandes concentrações de fiéis para impressionarem bem ao povo. Enfim, um batalhão de gente oportunista, que engana àqueles desavisados e inconscientes, no vão uso do nome de Deus.

Além de fazer parte da Igreja - o estudo e a preocupação com o bem-estar social do seu povo, - ela tem vários motivos para tratar da Ecologia Integral este ano devido a vários fatores: oitocentos anos da Composição do Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis; dez anos de publicação da Carta Encíclica Laudato Si; a recente divulgação da Exortação Apostólica Laudato Deum sobre a crise climática; dez anos de criação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e a realização da COP 30, em Belém – PA, a primeira na Amazônia. Tudo isso, motivou a Comissão Episcopal Especial para a Mineração e a Ecologia Integral a escolher o Tema e Lema, respectivamente, Fraternidade e Ecologia Integral e Deus viu que tudo era muito bom (Gn 1,31).

Esta 61ª Campanha da Fraternidade, dentro desta Quaresma, requer de nós, a Conversão. Sempre foi assim, na Quaresma, de um modo teórico. Estes últimos 61 anos, sugeriu-nos a prática, um compromisso com a nossa mudança de vida, refletindo, conhecendo, tentando mudar a nossa realidade. Muitos não aceitam essa já sexagenária nova orientação da Igreja. E a criticam sem mais nem menos. A Igreja virou comunista, a começar do Papa. O que é isso? Pena que, nem todas as Paróquias ou Pastorais da Igreja levam a sério as C.F. Para a deste ano, já perguntam: o que é que se tem a ver com ecologia, com clima, com desmatamento? O que tem a ver isso, com Religião?

Eu, que sou um Padre mais velho, ouvi à época da Campanha sobre a Amazônia (2007), alguém perguntar: o que é que nós aqui temos com a Amazônia? Tão longe!? Lá no fim do mundo!?...

Repasso-lhe a Oração da Fraternidade para ajudar na reflexão:

“Ó Deus, nosso Pai. Ao contemplar o trabalho de tuas mãos, viste que tudo era muito bom! O nosso pecado, porém, feriu a beleza de tua obra, e hoje experimentamos suas consequências.

Por Jesus, teu Filho e nosso irmão, humildemente te pedimos: dá-nos nesta Quaresma, a graça do sincero arrependimento e da conversão de nossas atitudes. Que o teu Espírito Santo reacenda em nós a consciência da missão que de ti recebemos: cultivar e guardar a Criação, no cuidado e no respeito à vida.

Faz de nós, ó Deus, promotores da solidariedade e da justiça. Enquanto peregrinos, habitamos e construímos nossa Casa Comum, na esperança de um dia sermos acolhidos na Casa que preparaste para nós no Céu. Amém”!

No Comentário acima,  do dia 29, deter-me-ei no Lema desta Campanha da Fraternidade: Deus viu que tudo era muito bom. Após a criação de tudo o que existe – peixes, aves, animais domésticos e selvagens -criou os seres inteligentes, iguais, companheiros, feitos para conviverem numa só carne, dividirem, entre si, o próprio pão: Homem e Mulher – imagem e semelhança de Deus – e Ele viu que tudo era muito bom.

Está tudo relatado no Livro do Gênesis: A Mulher e o Homem são imagens e semelhança de Deus. Ela é a carne da carne do Homem. Ela não é uma ajuda ou auxiliar para o Homem. Ela faz parte da sua ‘humanidade’. Será que Homem ou Mulher, sozinhos, gerariam um filho, ou são 50% pra cada um?

PARA OS QUE TENTARAM DESTRUIR BRASÍLIA EM 8 DE JANEIRO












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