“Façamos este caminho juntos, na esperança
de uma promessa”
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Nesta 4ª feira, 19 de março, faz 12 anos que o cardeal
argentino, Jorge Mario Bergoglio ocupou o 266º posto de Pontífice, sucessor de
Pedro. Na sua apresentação aos Diocesanos de Roma e aos habitantes do mundo
inteiro em sua 1ª bênção “Urbi et Orbi”, foi logo dizendo a que veio:
“escolhi o nome de Francisco para garantir a toda a Igreja a minha adesão aos
excluídos e à saúde do Planeta. Parece que meus irmãos cardeais foram buscar-me
quase no fim do mundo”!... e, em vez de abençoar, foi logo se inclinando,
pedindo para ser abençoado pelo povo, que já foi percebendo a “novidade”.
Tal
novidade ou susto foi-se expandindo, à medida que Francisco ia mostrando sua
preocupação e cuidado pastoral com os empobrecidos e o rompimento com o
clericalismo que estava fazendo da Igreja uma instituição autocentrada e
distante do evangelho de Jesus.
Os meios
de comunicação e a imprensa, em geral, iam mostrando as atitudes de Francisco e
seus pronunciamentos sobre temas tidos como tabu, até então ‘esquecidos debaixo
do tapete’, embora o novo Papa os evidenciasse e ia punindo, severamente,
chamando as vítimas, acolhendo-os e abrindo-lhes os olhos, tentando corrigi-los
e agindo sobre bispos, padres e religiosos que davam contra testemunho cristão
pelo mundo afora.
Havia de
tudo: pedofilia, abuso de menores, atitudes arcaicas conservadoras, peculato,
fraude financeira e o Tribunal Penal do Vaticano, fazendo urgir a lei, até
prendendo e condenando, a ponto de ser comparado com a famosa e histórica
“Santa Inquisição”. Foi e continua sendo, um pontificado dificílimo.
Francisco
não escondia seu descontentamento com líderes políticos conservadores, bem como
sua simpatia por administradores comprometidos com problemas, mudanças e
soluções sociais: apoiou a causa palestina, o barco hospital na Amazônia,
verdadeiro salva-vidas, enfim, convocou seis sínodos para ir pondo em dia, o
Concílio Vaticano II, atualizando-o e renovando a Igreja. Seria impossível não
ser criticado, mal entendido, infelizmente desrespeitado por uma sociedade tão
conservadora e por políticos tão negacionistas.
Nos meus
dois comentários anteriores referi-me “ao calvário que tem vivido o Papa
Francisco, devido aos maus cristãos que nada entenderam da renovação conciliar
e sinodal” e aos maus usuários de redes sociais que o Leunam transcreveu no
“Primeiro Plano” de seu Blog, lamentando:
“Papa comunista tem que morrer”. “Espero que
morra agonizando”. “Vou rezar para que ele morra logo” e outros absurdos que
faz até vergonha ainda lembrar. No entanto eu disse ainda que “quem se expõe
assim talvez ainda saiba que Quaresma é tempo de conversão e penitencia e que
neste sábado, hoje, portanto, eu iria trazer a Mensagem do próprio Papa
Francisco para esta Quaresma de 2025, na esperança de que, tantos maus
batizados se sintam tocados, se convertam e se salvem. É o próprio Francisco
quem vai convidá-los” sob o título: Caminhemos juntos na esperança e que eu
vou mostrar agora. *
(*Antes,
uma explicação: toda mensagem, discurso, solenidade litúrgica e mesmo reflexão
na Sala de Audiência, o Papa os prepara com antecedência. Oficialmente, ele não
fala de improviso Esta Mensagem para a Quaresma de 2025 ele a escreveu aos
06/02/25. Hospitalizou-se aos 14/02 e, desde então, está no Hospital Gemelli,
em Roma. A Secretaria de Estado publicou esta Mensagem aos 25/02, 11 dias
depois de sua internação, mas ela é autentica. Ninguém a escreveu por ele).
Dito isso, passemos à Mensagem do Papa:
“Queridos irmãos e
irmãs! Nesta Quaresma, enriquecida pela graça do
Ano Jubilar, gostaria
de oferecer algumas reflexões sobre o que significa
caminhar juntos na
esperança e evidenciar os apelos à conversão que a
misericórdia de Deus
dirige a todos nós, enquanto indivíduos e comunidades”.
Pelo
histórico do Papa Francisco, recordado acima, houve sustos, tabus, novidades,
opção pelos pobres, rompimento com o clericalismo e com a falta de testemunho
cristão, mas ele não desistiu da Missão que Jesus lhe confiara.
Até nessa
sua Mensagem pra viver esta Quaresma ele apela para a conversão e para a
misericórdia de Deus, garantindo aos bons e maus cristãos, que ainda é Tempo de
Mudança ou de conversão. Ainda é tempo de salvação. Até aos maus cristãos que o
atacam, ele está dizendo que tem jeito: é juntar-se, unir-se aos demais, na
esperança de serem todos “premiados”. Apesar dos pesares, não se sinta
excluído. Vá em frente.
Francisco
continua insistindo: “Façamos esta viagem juntos. Caminhar juntos, ser
sinodal, é esta a vocação da Igreja”.
Apesar de
estarmos informados de 06 realizações de ‘sínodos’, somente dentro do
Pontificado de Francisco, não tenhamos entendido ainda porque ele diz que “ser
sinodal é vocação da Igreja”. É que, ‘syn+rodos’ significa = grupo na
estrada ou na rodovia, isto é, um grupo que mostra o caminho, que coloca no
rumo. Sínodo, na Igreja seria um grupo que inclui: Papa, Cardeais, Bispos, Teólogos,
unidos na “retomada do caminho, da rodagem, da estrada inicial”.
Associando
a outras palavras portuguesas dá pra gente entender sua origem e significado: sindicato,
síndico, sintaxe, síncope, síntese: um grupo, de uma mesma classe social,
que a atualiza, relembra as normas e a faz andar.
E o Santo
Padre ainda nos adverte: “Façamos este caminho
juntos na esperança de uma promessa: esperança que não engana (Rm. 5,5);
mensagem central deste Ano Santo. Que ela seja para nós o horizonte do caminho
quaresmal rumo à vitória pascal”.
É mais um
apelo do Papa Francisco, à conversão; à esperança, à confiança em Deus e à Sua
grande promessa: a vida eterna. Daí porque o seu convite é dirigido a todos:
bons e maus. Aos justos e pecadores. Até àqueles e àquelas que tanto o
incompreenderam, o magoaram ou até lhe desejaram a morte por se fecharem à sua
orientação, ao seu contato com os pobres e ao seu apoio aos injustiçados e
pecadores.
Francisco,
mesmo hospitalizado e com dificuldades para sobreviver, fisicamente, com quatro
semanas de “calvário” não nos fala de derrotismo ou de desespero. O pouco que
ainda fala e a imprensa nos vai retransmitindo é que está vivendo a esperança,
relendo os acontecimentos da história, sempre impelido pelo compromisso com a
justiça e desejando que ninguém seja deixado pra trás. Foi com fundamento nessa
mesma fé do Papa Francisco que eu falei ali acima que “tinha esperança de que,
tantos maus batizados se sentissem tocados, se convertessem e se salvassem”. E
acrescentava: “é o próprio Francisco quem os vai convidar”. E eu arremato
agora: “O que foi tão ofendido é quem vai colaborar com a salvação dos
ofensores”. Não foi o que Jesus ensinou? “Pai, perdoai-lhes. Eles não sabem o
que fazem” (Lc. 23,34).
“Hoje
mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc. 23,42). É a esperança do cristão que São
Paulo, em sua carta I Tim 2,4 diz que “por ela todos os homens serão salvos”.
A Salvação é, de fato, o que todos queremos. Nem sempre seguimos o esquema de
Jesus: ir pregar, crer, batizar-se-receber sacramentos, salvar-se. No esquema
de Jesus, salvar-se é a 5ª coisa. É só a que queremos. E agora?
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