OS GOLPES NA INTERNET
SÃO, CADA VEZ MAIS, FREQUENTES.
Edição de 12.04.25
Está, cada vez mais
perigoso o uso do celular. Cada dia alguém descobre uma armadilha. Uns caem.
Outros são mais espertos e percebem a armação.
A penúltima é pedir para alguém marcar o 2 se tiver sido vacinado. Muitos, de boa-fé, já vacinados caem na conversa e respondem. E aí dão chance para que os espertalhões saquem o saldo disponível. Tudo rápido.
Outra é em nome dos Correios para quem comprou pela internet. A pessoa informa o CPF é lá vem a confirmação de que sua encomenda está retida nos Correios e precisa pagar uma taxa. Pagou, dançou. Desaparecem.
Então, se aproveitam da alta credibilidade dos Correios para tomar dinheiro do povo. E ainda há os anúncios em nome dos Correios. Ou estão se aproveitando dos anúncios para armadilhas?
Aquela multa por uso de informações do SERASA, também cobra uma Taxa Transacional. Afirmam que o usuário tem direito a um valor alto, mas tem a Taxa. Pagou, perdeu.
O certo mesmo é sempre desconfiar. Dinheiro fácil não existe. É como loteria. Há quem venda os próprios bens para arriscar na Loteria. E vai-se afundando.
Está circulando no Facebook um alerta muito sério sobre uma propaganda de Bet, feita pelo Galvão Bueno. Em nome da credibilidade do locutor, muita gente arrisca e perde. Vale a pena ouvir e divulgar.
Caiu do céu esta oportunidade para um agradável reencontro. Será dia 24 de abril na Aula Magna do Curso de Pós Graduação em Biodança. Local: Faculdade Plus, às 19h. Rua Cel. Guilherme de Alencar, 121 -Colégio Patronato, Messejana
Será ministrada por Ruth Cavalcante, agora Doutora Honoris Causa da UFC. Além de um conteúdo que nos é muito grato “Principio Biocêntrico-Uma reaprendizagem sobre vida”, uma extraordinária oportunidade de reencontro.
Na reunião de quinta-feira da Comissão Especial Wanda Sidou aconteceram dois fatos importantes. Um foi a despedida do Dr. Kennedy Reial Linhares.
Esteve na Comissão por quase cinco gestões como Conselheiro, representando a OAB. Na oportunidade, a Dra. Socorro França, Secretária de Direitos Humanos compareceu extraordinariamente, à reunião para agradecer-lhe.
Na ocasião, a comissão entregou ao Dr. Kennedy um Certificado de Reconhecimento assinado pela Dra. Socorro Franças, pela Vice Presidente da Comissão Dra. Helena Serra Azul e por mim, Presidente.
Outro fato importante foi a presença de Afrânio de Medeiros cujo nome social é Lena Oxa, travesti. Ela se diz “uma das poucas sobreviventes da ditadura militar, em Fortaleza, nos anos 80”.
Na sua apresentação ela diz: “quero compartilhar um pouco da dor e sofrimentos vividos durante a ditadura. Foram tempos difíceis para quem tentava se afirmar na sociedade, naquela época”.
Comecei a minha carreira artística na Boate casa Branca, que ficava na Av. Duque de Caxias, perto da Praça do Coração de Jesus, no centro de Fortaleza” e por aí vai com sua história.
Todos os Conselheiros
presentes deram-lhe muita atenção e o relato deu margem para muitos comentários.
Até então, muita gente nunca tinha tomado conhecimento daqueles fatos.
Na apresentação deu destaque a um programa de rádio, então existente, chamado Patrulha Policial em que os travestis eram entrevistados e ouviam muitos deboches e humilhações. Frequentavam o bar Duques e Barões.
Nas prisões, sofriam as maiores humilhações e eram forçados a cuidar da limpeza das celas apenas com o uso das mãos. Muitos travestis desapareceram. A escolha era fugir ou morrer. Direitos humanos eram esquecidos.
Na próxima semana iremos a Guaraciaba do Norte para rever familiares e amigos. Especialmente, receberemos um grupo de Teresina, sob o comando do nosso compadre e amigo José Maria Vieira de Sousa.
Ele é importante publicitário em Teresina e virá com a nossa comadre Janete, a afilhada Thelma, Gabriela e o marido Antônio e o irmão da comadre Janete.
Virão conhecer as atrações da Serra da Ibiapaba. E não são poucas. No sábado, o roteiro é Varjota, Santa Quitéria, Canindé, para ver a Basílica, e Fortaleza.
MEMÓRIAS
DA DITADURA
DESMORONAR DE ILUSÕES
- O presidente dos EUA, Richard
Nixon, visita a China e terá reunião com Mao Tse Tung.
Foi o que ouvimos na abertura do noticiário da Rádio Bandeirantes de São Paulo, naquela manhã de 21 de fevereiro de 1972.
Isolados em uma clareira na floresta do Vale do Ribeira, o rádio era o único meio de recepção de notícias atualizadas sobre o Brasil e o mundo. De manhã era a Bandeirantes e à noite as rádios estrangeiras, estas sempre bem baixinho, para não despertar suspeitas.
Leituras, só da Bíblia e de folhas de revistas e de jornais velhos que embrulhavam os mantimentos que comprávamos mensalmente, mas estas só nas idas ao mato, levando aquelas preciosidades e uma pazinha de mão, pois aparelhos sanitários não faziam parte da cultura local.
A notícia da visita do Nixon à China caiu sobre nós como se fosse uma bomba. Mas o que tinha a ver conosco um acontecimento envolvendo os EUA e aquele país tão distante? É que, por um lado, a China se apresentava ao mundo como defensora da soberania dos países contra ações imperialistas e o PCdoB, partido em que militávamos, propagava isso; pelo outro lado, àquela época, os Estados Unidos travavam uma guerra contra o Vietnã que era altamente impopular até entre seu próprio povo e tinham, comprovadamente, apoiado o golpe militar no Brasil. Tratava-se, portanto, de algo muito relacionado com o que fazíamos no Vale do Ribeira.
A semana que Nixon passou na República Popular da China produziu uma profunda mudança nas relações entre aquele país e os EUA, tornando-a sua aliada em algumas disputas pela hegemonia mundial.
A repercussão destes acontecimentos,
nas minhas crenças e sentimentos, foi demolidora. Eu já sofrera um abalo em
meus ideais quando ficara claro que a União Soviética, que eu admirava pelas
revoluções que lhe originaram e pela contribuição que dera na derrota do
nazifascismo na Segunda Guerra Mundial, estava agindo para atender seus
interesses de Grande Potência e não devido a um apregoado internacionalismo
proletário e uma autoproclamada defesa dos povos oprimidos.
Quando isto ocorreu, a China declarou-se substituta do que a União Soviética deixara de representar. Eu estava entre os que passaram a acreditar que ela seria uma força de oposição às intenções de domínio americano e soviético do mundo, mas sua aliança com os EUA desvelou para mim esta nova ilusão. Passei então a encarar a realidade de que “países não têm amigos, têm interesses comuns”, como disse, com certo cinismo, John Foster Dulles, quando Secretário de Estado dos EUA.
Consideramos razoáveis as duas condições, pois ninguém podia ter a certeza de que, sob a selvageria crescente das torturas praticadas pela ditadura, fossem resguardadas informações vitais para as pessoas que continuariam ali. Em função do acordo feito, dali para a frente só nos restava aguardar. E isto não foi nada fácil.
Nos quatro meses que transcorreram
desde a aliança dos EUA com a China até o momento em que recebemos uma senha
para fazer contato no Rio de Janeiro com uma pessoa que nos ajudaria a
organizar nossa saída do Brasil, nossos sentimentos mudaram profundamente. Tudo
se tornou diferente do período anterior quando, mesmo com dúvidas sobre a
consistência daquele projeto, nos nutríamos da crença em um ideário instigante!
A nossa convicção da necessidade de lutar contra a ditadura e as injustiças sociais continuava inabalada, mas perdida a confiança no PCdoB, era ainda nebuloso o novo caminho a trilhar. Olhar para a frente não estava ajudando a diminuir nosso desalento, mas nos fortalecíamos um pouco quando olhávamos para trás e constatávamos como havíamos avançado na adaptação à vida naquela floresta: nossa pele estava mais escura e resistente, nossas mãos ficaram calejadas, nossa capacidade física aumentara, a percepção das cores, dos sons, dos cheiros e das texturas da floresta se aguçara, diminuíra o incômodo com os insetos e o medo das cobras.
Mas na nova situação já não sentíamos a mesma alegria nas pescarias com tochas que fazíamos no riacho perto do nosso casebre. As caminhadas de seis horas até a sede de Eldorado para fazer compras pareciam durar o dobro e os sacos de mantimentos nas nossas costas aparentavam pesar o triplo. A coleta de palmito nos recantos mais distantes da floresta, antes prazerosa, tornou-se uma atividade quase insuportável. As caçadas noturnas com o companheiro Dino, que antes eram cheias de empolgação, ficaram enfadonhas. Já não víamos mais graça quando o José Luís, filho da Dona Alita, vibrando, trazia uma ave que serviria de mistura para o nosso jantar, ave capturada em uma arapuca que fizéramos com todo o esmero. Quando, picada por cobra, morreu uma égua que sonhávamos ser o começo da criação de alguns cavalos, não me animei com a proposta do Dino de aquisição de outra. Perdi a disposição de acompanhar o Dino na diversão domingueira de tomar duas doses de pinga (contadas) em um aglomerado de umas cinco casas, que ficava a uma hora de caminhada de onde morávamos. Enfim sem um ideal que lhe animasse, aquele projeto, com fragilidades intrínsecas que percebêramos desde o início, perdera todo o sentido.
A decepção com o PCdoB, no entanto, não modificou nossa admiração pelo Pedro Pomar. Ele sempre foi aberto para escutar nossos questionamentos e para dialogar conosco. Era um intelectual muito bem informado sobre o mundo e o Brasil. Conhecia profundamente a história e a cultura brasileiras e amava nosso país, nosso povo e a nossa MPB. Foi ele quem traduziu do inglês para o português os dois primeiros volumes do livro de Willian Shirer, Ascensão e Queda do III Reich, considerada mundialmente como uma das obras mais relevantes sobre o nazismo. Pomar dedicou a vida inteira à defesa de seus ideais de construção de uma sociedade sem exploração e opressão, enfrentando corajosamente a ditadura do Estado Novo e a iniciada em 1964. Foi assassinado aos 63 anos de idade, em 1976, ao ser metralhado com outros membros do Comitê Central do PCdoB durante uma reunião partidária em São Paulo, no que ficou tristemente conhecida como Chacina da Lapa.
Não pode deixar de ser dito que, passados alguns anos da visita de Nixon, dirigentes do PCdoB passaram a adotar publicamente posições críticas em relação à China, que evoluíram até o rompimento de relações do partido com seu homólogo chinês.
Na conversa de despedida do Pomar,
depois de decidirmos que o melhor destino para nosso exílio seria o Chile, ele
nos perguntou se, mesmo não sendo mais militantes do PCdoB, poderíamos ajudar a
divulgar naquele país o que estava ocorrendo no Araguaia. Nossa resposta só
podia ser positiva, pois ao aceitarmos o exílio não desistíramos de continuar
nossa luta contra a ditadura.
Nossa chegada ao Rio de Janeiro, o assassinato sob tortura da pessoa que estava nos ajudando na preparação da nossa viagem para o Chile e o que tivemos que fazer quando ficamos totalmente sem conexões políticas, ficam para uma próxima historieta.
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