O mundo está precisando voltar-se mais para Deus
Desde as primeiras horas, deste Domingo da Ressurreição, 20/04, até o próximo Domingo, dia 27, celebramos a Oitava da Páscoa, para festejar o maior acontecimento da humanidade: a Ressurreição de Jesus. Queiram ou não os reincarnacionistas, os ateus ou os adeptos de pensamentos filosóficos, contrários ao cristianismo, o fato é que Jesus, o Filho de Deus, nasceu, viveu entre nós por 33 anos, foi assassinado, enterrado e, ao terceiro dia, ressuscitou.
É tão importante tal celebração, que nós passamos ainda, esta semana inteira – a semana da oitava da Páscoa – que vai deste Domingo, 20, até o Domingo, 27/04, (outrora chamado domingo da pascoela) como se fosse “um dia só”, “um domingão” em que recordamos as aparições de Jesus, quase sempre “no primeiro dia da semana”, como nossos leitores podem ter conferido, lendo na Liturgia Diária ou ouvindo nas Santas Missas no “Evangelho do Dia”. E não fica só nesta semana da oitava; ainda vamos continuar, com o Tempo Pascal, no calendário da Igreja, até celebrarmos o Dia de Pentecostes - lá para o dia 08/06 - depois do qual, vamos retomar o Tempo Comum, em sua 10ª semana.
O mundo está precisando voltar-se mais para Deus. A Igreja, como instituição cristã deve ensinar, viver e dar o exemplo, muito mais, do que pelas muitas palavras ou os muitos sermões que possa fazer. Temos que usar os mais variados Meios de Comunicação – Rádio, Televisão, Rádios Comunitárias e PASCOM, com as mais diversas formas de Redes Sociais - para penetrar em residências ou locais de trabalho, a fim de transmitir, pessoalmente, uma mensagem de esperança e de salvação. Quando falamos do “preceito pascal” – “confessar-se, ao menos, uma vez por ano” e “comungar pela páscoa da ressurreição” – parece estarmos falando de algo do passado, sem valor nenhum agora, porque o mundo está afastado do sentido de pecado e de reconciliação. A Pandemia nos assustou e até nos fez pensar ser muito mais um castigo, que um acontecimento natural.
Poderia ter sido uma oportunidade para refletir na vida, converter-se de algum erro e recomeçar uma vida nova. Infelizmente não são muitos os que buscam o sacramento da Confissão e não são muitos os Padres que dão tempo, em seu ministério, para exercerem a função de confessor. Tenho certeza de que a Igreja Católica, a começar do Papa Francisco, deu uma mensagem, mais pelo exemplo, do que pelos sermões feitos. Seu ‘calvário’ no Gemelli, sua presença na Praça e Basílica de São Pedro, em cadeira de rodas,
naqueles
imensos espaços serviram e servem de muita reflexão e faz o povo pensar muito
no recado que o silencio, o sofrimento e seus limites podem dar.
Ultimamente, sem o ônus da paróquia, mas ainda no exercício do meu múnus sacerdotal, tenho atendido, particularmente, a pessoas que desejam confessar-se. Não me tenho negado e gosto de fazê-lo, com a mesma alegria que escrevo tais Comentários Semanais, ao menos incentivado por Leunam.
Em Bela-Cruz, onde moro, há 02 Padres Jovens, fazendo celebrações penitenciais, preparatórias para as “Confissões Pessoais”, deixando o povo muito satisfeito. É claro: são muitos os que querem confessar-se. O Concílio Vaticano II, até que deu uma abertura, mas reconhece o número limitado de confessores e o número ilimitado de fiéis. Por isso, a Igreja, Mãe e Mestra que é, “mantém como forma de reconciliação com Deus, os iminentes perigos de morte e a falta de sacerdotes suficientes para atenderem à grande massa de população”. Dada a emergência, é esta a solução mais simples e urgente.
Em todos os recantos do mundo, o tempo para realizar o “preceito pascal” de que falamos acima, será durante “esta semana da oitava da páscoa” que está iniciando. Aqui no Brasil, essa prática se prolonga até a Festa de Pentecostes – 08 de Junho - exatamente por que nós temos poucos padres, nossas extensões territoriais são muito grandes e o nosso povo deixa tudo pra depois ou para a última hora. Daí, o nosso “tempo pascal” também ser maior.
Vamos aproveitá-lo bem. Vamos organizar as páscoas coletivas de Colégios, Universidades e de outros grupos para melhor satisfazer aos fiéis nesse momento vivido pela Igreja. A nossa Pastoral da Comunicação – presente em muitas de nossas Paroquias - unida às Pastorais da Educação e da Cultura vão-se interessar para que o Tempo da Páscoa seja mais bem vivido por todos. Que a alegria da Páscoa chegue a todos nós e que permaneçamos com ela; não pelo “ovo” ou pelo “chocolate”, mas pela fé e pela alegria de poder ressuscitar com Jesus, como vitória sobre a morte. Em qualquer tempo que ela apareça, temos que estar preparados.
O ensinamento que recebemos desde o início da Igreja foi para vivermos em Comunidade. Unidos. Observem o texto dos Atos dos Apóstolos, bem no início da Igreja: “crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles”. Este espírito comunitário faz parte de nossa Igreja desde a sua fundação.
O Evangelho deste Domingo, como o de todos os Domingos da Páscoa, mostram claramente o que eu dizia no início deste comentário: toda esta semana da oitava da páscoa é como que, um domingão só. Para confirmar, o evangelista João faz a ligação dos dois domingos, quando diz: “ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: a paz esteja convosco”; e instituiu – pela invocação do Espírito Santo - o Sacramento da Penitencia ou Confissão: “se vocês perdoarem os pecados de alguém, esses pecados são perdoados; mas se não perdoarem eles não serão perdoados”. Tomé não estava presente; nem acreditou quando os outros discípulos lhe falaram sobre a aparição. O texto de São João continua: “oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles”. Jesus saudou a todos e dirigiu-se logo a Tomé, dizendo-lhe:
“põe o teu
dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E
não sejas incrédulo, mas fiel. Tomé respondeu: meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe
disse: acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem
visto”.
O versículo 19, iniciando a narrativa de São João: “no 1º dia da semana” e o versículo 26, dando continuidade à narrativa: “oito dias depois” mostram-nos a interligação de todos os dias da semana da oitava da páscoa como se se tratasse de um dia só, um domingão festivo, comemorativo da Festa da Ressurreição do Senhor.
Sem dúvida, repito, foi o maior acontecimento da humanidade: alguém nascer, viver, trazer uma mensagem nova para mudar o mundo, dar a sua vida para salvar a todos e ressuscitar, voltar glorioso ao céu e garantir essa mesma situação de glória e felicidade para todos nós. Não é fantástico e maravilhoso o nosso Deus? Façamos todos a nossa Páscoa e nos tornemos divulgadores destas verdades. Não importa somente acreditar. Devemos também praticar.
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