sábado, 5 de abril de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

Com meus dois Comentários, sequenciados, da última edição do nosso blog, no sábado passado, tentei esclarecer um pouco, o significado da tradicional Quaresma e da Sexagenária Campanha da Fraternidade, unidas em suas realizações, pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. Dissemos que nada mudou da origem de cada movimento pastoral, a não ser o novo enfoque dado: a Quaresma continua a ser, tradicionalmente, um tempo de penitência física, e a Campanha da Fraternidade, tempo de conversão da alma, mente e coração.

 Fundamentamos a nossa reflexão, historicamente, na Doutrina Social da Igreja desde o Papa Leão XIII, passando por João XXIII e pelo Papa Francisco. Sobretudo, nestes últimos, detivemo-nos de modo muito especial, devido seus ensinamentos e práticas pastorais. A convalescença do Papa Francisco e sua resiliência destes últimos dias nos solidarizaram com ele em seu leito de dor. Aliás, esta maneira de pensar e solidarizar-me com a Igreja, tem sido a tônica de minhas reflexões e comentários, até pelo fato de ter uma formação sociológica que muito me ajuda em minha Missão.

 Nestes meus quase 57 anos de Padre tenho ligado, constantemente, à pregação da Palavra de Deus, exemplos reais e concretos da vida do povo, na ilustração do que eu prego e, por isso mesmo, nem sempre me entendem. Não me preocupo porque, pelo que tenho vivido na minha ação missionária – ao escrever, falar em público, usar os “Mass Media”, inclusive este “blog” do meu colega comunicador, Professor Leunam – e em outras ocasiões eu “não estou fazendo mais do que a minha obrigação” (O famoso ‘servo inútil’ ou o ‘dever do empregado’ de que fala Lucas 17, 9-10).

 Revendo meus arquivos, em meus Comentários nas passagens do Natal e Ano Novo últimos, demonstrei minha alegria em localizar, via Internet, alguns amigos, contemporâneos de estudos, aqui e fora do Brasil que, de há muito, não nos comunicávamos: o Padre Missionário Francisco de Assis, voltando de

Moçambique, Dom Emanuel Messias, Bispo Emérito de Caratinga – MG, um colega, Sociólogo, psicólogo e Padre Tomás Halik, da Tchecoslováquia, coetâneo de Dom Emanuel, além de ter participado da Ordenação Diaconal de meu sobrinho-neto e afilhado Diego Rocha e outros familiares e amigos.

Ao comentar sobre o Padre Halik, referi-me a uma reflexão dele sobre a posse de Donald Trump, pela 2ª vez, ocupando a Presidência dos EEUU. Você se lembra do comentário do Padre Tomás Halik, naquela ocasião?

“A vitória do populista amoral, Donald Trump, uma personalidade caótica e imatura é uma tragédia não só para a América, mas para o mundo inteiro. Aqueles que não conseguem aceitar a derrota e são incapazes de autoreflexão crítica, que não respeitam as regras democráticas e a cultura da lei, não merecem vencer e governar. Quando o povo da Europa assiste às cenas narcisistas de Donald Trump, cujos gestos e expressões faciais lembram muito Benito Mussolini, suas vulgaridades, suas mentiras notórias e suas frases vazias, eles riem alto.”


Então lhe perguntaram: “e onde você põe aí o Papa Francisco?” Ao que o Padre Tomás com um sorriso nos lábios e um olhar meio irônico responde:

 

o Papa Francisco é um grande profeta do nosso tempo, um dos maiores Papas da História da Igreja. Ninguém está fazendo mais para construir pontes entre culturas do que o Papa Francisco. Sua Encíclica Fratelli Tutti poderia desempenhar um papel no século XXI semelhante ao desempenhado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos no século XX”.

 Agora me reaparece o Padre Tomás Halik na Imprensa Internacional, com uma obra magnífica. É bom recordá-lo. No tempo da Guerra Fria ele era militante Comunista, da União Soviética, em Praga, na Tchecoslováquia.

Totalmente contra a ideologia americana, onde ainda impera o Regime Capitalista. Daí as respostas, tão contundentes, dadas acima sobre Trump e o Papa Francisco... Quando o militante soviético, Tomás Halik se converteu, ele entendeu o que significava Páscoa, mudança de vida, ao ponto de dizer:

 

   Nossa tarefa não é chorar no túmulo e procurar por Jesus no mundo do passado. A tarefa é encontrar a ‘Galiléia de Hoje’, onde vive o Ressuscitado. E acrescenta: “homens públicos querem transformar a religião ou a fé cristã, em uma arma ideológica para guerras culturais, pondo em perigo, o Cristianismo. O nacionalismo e o egoísmo nacional são contrários à Catolicidade. Muitas formas da Igreja hoje se assemelham ao túmulo vazio”.

 Foi com esta convicção que o Teólogo, o Religioso, o Filósofo Cristão Pe. Tomás Halik comprou um Mosteiro desativado da Ordem dos Capuchinhos, na cidade de Kolin, na Boêmia Central, para torná-lo um Centro Perene de Espiritualidade e Retiros, administrado pelas Irmãs Carmelitas e por Padres Jesuítas sob a orientação e o Comando geral do próprio Padre Halik. Daí o elogio da Mídia Internacional, chamando-o de Obra Magnífica. E, de fato, o é. Ele deu todo o apoio financeiro para fundar tal Instituto ou Centro Pastoral e para garantir a continuidade da existência da Casa, usando a herança de seus pais e um recurso advindo do Prêmio Templeton que ele ganhou em 2014, conhecido como Prêmio Nobel da Religião.

                                                                                    Antes que tudo isso acontecesse, o Padre Tomás Halik já era muito conhecido pela fundação da Academia Cristã Tcheca da qual ele é o Presidente desde 1990 e tem sua sede no Instituto Kolinski Klaster.

Toda a sua história – antes de ser cristão e convertido - foi sempre cheia de boas ações, tanto que, quando aderiu ao Cristianismo, o fez com muita consciência. Renunciou à vida que ele tinha, junto ao ateísmo da União Soviética e, em plena guerra fria, abandonou tudo e, clandestinamente, se ordenou sacerdote, tornando-se um dos intelectuais católicos, mais conhecidos internacionalmente. Seus livros são publicados, entre outros idiomas, em inglês e alemão, em italiano, espanhol e polonês. Ele é a referência atual da Teologia da Libertação, teórica e prática, tanto quanto, durante muito tempo brilharam e

se evidenciaram Teólogos da Libertação, aqui na América Latina e pelo mundo. Quantas vezes, em seguidos Comentários, mesmo neste blog, eu me referi ao Teólogo da Libertação-Presbiteriano, Rubem Alves, ao belga/brasileiro José Comblin, ao brasileiro/germânico Leonardo Boff, ao mais brasileiro do que

holandês, Frei Carlos Mesters e a tantos outros Teólogos da Libertação-Latino Americanos, como: Gustavo Gutierrez, Jon Sobrino, Juan Luiz Segundo e Dom Oscar Romero, Bispo Salvadorenho, já canonizado. Temos Frei Beto, Clodovis Boff, Marcelo Barros, Hugo Assmann e uma infinidade difícil de enumerar além de D. Helder, já perto da canonização. O aparecimento do Pe. Tomás Halik, para nós, já não era uma novidade. Nós é que não estávamos atualizados com a bibliografia já existente, como eu disse acima: “já em várias traduções”.

 Encerro o meu comentário de hoje (quem sabe, ainda voltando a ele) com uma palavrinha do próprio Pe. Halik: “Muitos pescadores de homens, hoje têm sentimentos semelhantes aos dos pescadores galileus nas margens do Lago de Genezaré, quando encontraram Jesus pela 1ª vez: nossas mãos e redes estão vazias. Trabalhamos a noite toda e nada pescamos”. Pense nisto!

                                              


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