Com meus dois Comentários, sequenciados, da última edição
do nosso blog, no sábado passado, tentei esclarecer um pouco, o significado da tradicional
Quaresma e da Sexagenária Campanha da Fraternidade, unidas em suas realizações,
pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. Dissemos que nada mudou da origem de cada
movimento pastoral, a não ser o novo enfoque dado: a Quaresma continua a ser, tradicionalmente,
um tempo de penitência física, e a Campanha da Fraternidade, tempo de conversão
da alma, mente e coração.
Moçambique, Dom Emanuel
Messias, Bispo Emérito de Caratinga – MG, um colega, Sociólogo, psicólogo e
Padre Tomás Halik, da Tchecoslováquia, coetâneo de Dom Emanuel, além de
ter participado da Ordenação Diaconal de meu sobrinho-neto e afilhado Diego
Rocha e outros familiares e amigos.
Ao comentar sobre o Padre
Halik, referi-me a uma reflexão dele sobre a posse de Donald Trump, pela 2ª
vez, ocupando a Presidência dos EEUU. Você se lembra do comentário do Padre
Tomás Halik, naquela ocasião?
“A vitória do populista amoral, Donald Trump, uma personalidade caótica e imatura é uma tragédia não só para a América, mas para o mundo inteiro. Aqueles que não conseguem aceitar a derrota e são incapazes de autoreflexão crítica, que não respeitam as regras democráticas e a cultura da lei, não merecem vencer e governar. Quando o povo da Europa assiste às cenas narcisistas de Donald Trump, cujos gestos e expressões faciais lembram muito Benito Mussolini, suas vulgaridades, suas mentiras notórias e suas frases vazias, eles riem alto.”
Então lhe perguntaram: “e onde você põe aí o Papa Francisco?” Ao que o Padre Tomás com um sorriso nos lábios e um olhar meio irônico responde:
“o Papa
Francisco é um grande profeta do nosso tempo, um dos maiores
Papas da História da Igreja. Ninguém está fazendo mais para construir pontes
entre culturas do que o Papa Francisco. Sua Encíclica Fratelli Tutti poderia desempenhar
um papel no século XXI semelhante ao desempenhado pela Declaração Universal dos
Direitos Humanos no século XX”.
Totalmente
contra a ideologia americana, onde ainda impera o Regime Capitalista. Daí as
respostas, tão contundentes, dadas acima sobre Trump e o Papa Francisco...
Quando o militante soviético, Tomás Halik se converteu, ele entendeu o que
significava Páscoa, mudança de vida, ao ponto de dizer:
Nossa tarefa não é chorar
no túmulo e procurar por Jesus no mundo do passado. A tarefa é encontrar a
‘Galiléia de Hoje’, onde vive o Ressuscitado. E acrescenta: “homens públicos querem transformar a
religião ou a fé cristã, em uma arma ideológica para guerras culturais, pondo
em perigo, o Cristianismo. O nacionalismo e o egoísmo nacional são contrários à
Catolicidade. Muitas formas da Igreja hoje se assemelham ao túmulo vazio”.
Antes que tudo isso
acontecesse, o Padre Tomás Halik já era muito conhecido pela fundação da
Academia Cristã Tcheca da qual ele é o Presidente desde 1990 e tem sua sede no
Instituto Kolinski Klaster.Toda a sua história –
antes de ser cristão e convertido - foi sempre cheia de boas ações, tanto que,
quando aderiu ao Cristianismo, o fez com muita consciência. Renunciou à vida
que ele tinha, junto ao ateísmo da União Soviética e, em plena guerra fria,
abandonou tudo e, clandestinamente, se ordenou sacerdote, tornando-se um dos
intelectuais católicos, mais conhecidos internacionalmente. Seus livros são
publicados, entre outros idiomas, em inglês e alemão, em italiano, espanhol e
polonês. Ele é a referência atual da Teologia da Libertação, teórica e prática,
tanto quanto, durante muito tempo brilharam e
se
evidenciaram Teólogos da Libertação, aqui na América Latina e pelo mundo. Quantas
vezes, em seguidos Comentários, mesmo neste blog, eu me referi ao Teólogo da
Libertação-Presbiteriano, Rubem Alves, ao belga/brasileiro José
Comblin, ao brasileiro/germânico Leonardo Boff, ao mais brasileiro
do que
holandês,
Frei Carlos Mesters e a tantos outros Teólogos da Libertação-Latino Americanos,
como: Gustavo Gutierrez, Jon Sobrino, Juan Luiz Segundo e Dom Oscar Romero,
Bispo Salvadorenho, já canonizado. Temos Frei Beto, Clodovis Boff, Marcelo
Barros, Hugo Assmann e uma infinidade difícil de enumerar além de D.
Helder, já perto da canonização. O aparecimento do Pe. Tomás Halik, para
nós, já não era uma novidade. Nós é que não estávamos atualizados com a
bibliografia já existente, como eu disse acima: “já em várias traduções”.


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