PRESOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS CONQUISTARAM A
DEMOCRACIA!
EDIÇÃO DE 21.06.25
Vi e ouvi. no Youtube. um demorado
comentário que o Papa teria feito sobre o Padre Cícero. Um trabalho,
tecnicamente, bem feito e convincente. Cheio de detalhes.
Fui conferir nas publicações do Vatican News e não vi nenhuma referência ao assunto. Fiz consultas de constatei que a publicação era falsa, embora tivesse tudo para ser correta.
Fiquei triste e pensando como é que alguém faz um trabalho tão bem feito com a intenção de ludibriar a boa-fé de pessoas como eu e milhares?
Havia até pensado em compartilhar a mensagem aqui neste blog que alcançaria muitas pessoas que não viram a publicação. Mas era falsa.
Vê-se, portanto, a necessidade de disciplinar as publicações na internet. Tudo tem controle e a internet, sem um controle, pode ser uma fonte de muitos prejuízos.
Assim também deve ser o Congresso Nacional. A direção das duas casas precisa dar ênfase à necessidade do predomínio da verdade. Há parlamentares que mentem.
É triste observar a decadência do parlamento. Há políticos que se especializam em dizer palavrões, por absoluta falta de conteúdo. É uma indigência intelectual que dá pena.
O novo Presidente da Câmara, logo em seus primeiros dias, afirmou que tomariam medidas duras em relação à falta de ética. E tudo continua como antes.
No passado, a grande maioria do Congresso era composta de pessoas competentes e sérias. Mesmo sendo adversários políticos, comportavam-se com seriedade. Hoje, não.
Durante o tempo em que estive na
Presidência da Comissão Especial Wanda Sidou que indeniza presos e perseguidos políticos,
no Ceará, descobri que boa parte veio da Igreja Católica.
Quando jovens, engajaram-se em movimentos da Ação Católica que trabalhava com lideranças de cada segmento: Estudantes, Operários, Universitários, Independentes e do meio agrário.
Com o tempo, os sobreviventes das perseguições, prisões e torturas da ditadura se transformaram em importantes lideranças nos seus segmentos, no Ceará e no país.
Sempre tiveram o reconhecimento do Governo do Estado na composição do Conselho da Comissão Wanda Sidou que ajudaram a criar. Este ano sofreram um grande golpe. Foram marginalizados.
Uma instituição, recém criada, reivindicou as duas vagas que cabiam aos ex-presos e perseguidos políticos e, na maior pressa, sem diálogo, foram atendidos e nomeados.
Qual a justificativa? Os reconhecidos ex presos e perseguidos políticos não tiveram tempo de concluir o abaixo assinado com suas indicações. O que justifica?
Em Sobral, este ano, a tradicional Escola Espaço da Música realizará mais um RECITAL no teatro São João, graças ao apoio da Prefeitura e de sua Secretaria de Juventude e cultura.
Serão três categorias: Infanto/Juvenil (16/12); Juvenil /Adulto (17/12) e Juvenil Adulto (18/12). Todas as articulações estão sendo feitas pela Diretora Pianista Ivana Sá.
Os Recitais têm-se transformado em momentos de muitas alegrias e integrações das famílias que comparecerem ao Teatro São João para testemunhar o sucesso dos alunos.
No seu artigo desta semana, com lembranças da
ditadura, o Dr. João de Paula escreve sobre os seus tempos no exilio na Alemanha
onde encontrou-se com Leonel Brizola de quem fala muito bem.
No Centro Fashion, importante polo de comercialização da produção cearense de confecções, uma vendedora afirmou para uma cliente: “Isto aqui é bom, não é feito no Ceará”.
Achava que aquele argumento estimularia a cliente que lhe perguntou: E o que é feito no Ceará não presta? Percebendo o grande fora, a vendedora tentou justificar-se.
Logo mais tarde. Myrtes e eu estaremos viajando a Teresina para um reencontro com grandes amigos e, de lá, iremos ver os magníficos festejos juninos de São Luís.
Ali, moramos 20 anos, onde fizemos muitos amigos e conhecemos o Bumba Meu Boi, a mais importante manifestação da cultura maranhense. Há muitas outras.
Um aspecto que chama atenção: a grande atração dos arraiais, são os grupos locais. Não precisam contratar artistas renomados para atrair o povo.
Aniversários: Nesta semana tivemos dois aniversários a que comparecemos com prazer. Um foi da Professora de Biodança Cleuza Denz, catarinense que há muito mora em Fortaleza.
No aniversário da Cleuza com muitos amigos, encontramos uma das leitoras desta coluna: a Professora Melina Barbosa, do BNB que sempre gosta do que lê, nesta coluna. Obrigado.
No feriado de quinta, feira foi na família. Celebramos mais um aniversário da Nizinha (Eny), nossa irmã que há muito trabalha na Casa Blanca. E no dia 28, sábado será da Neila, a irmã que nos conduz.
A partir de hoje, 21, o fim de semana ganha um novo olhar: Lêda Maria estreia sua coluna no Vida &Arte aos sábados, trazendo reflexões sensíveis, olhares atentos sobre a cultura, o cotidiano e as delicadezas da vida.
Lêda também está no Instagram, ampliando a conversa e dividindo seus textos, bastidores e inspirações com os leitores de forma ainda mais próxima. Siga: @tudoazulopovo
MEMÓRIAS DA DITADURA
BRASIL EM COLÔNIA
Dr. João de Paula
Monteiro Ferreira (*)
- Faço o show de graça, só não quero que coloquem cartaz político no palco.
Foi o que disse o compositor, cantor e instrumentista Raimundo Fagner, ao ser convidado pela Cristina Buarque, do Comitê Brasileiro de Anistia-CBA de Colônia, para fazer um show na Semana de Solidariedade pela Anistia no Brasil, naquela cidade da Alemanha, cuja renda seria destinada aos prisioneiros e perseguidos políticos no nosso país. Nós, organizadores do evento em Colônia, achamos que ele tinha toda razão naquele posicionamento, pois não fazia sentido criar um problema desnecessário em sua volta para o Brasil.

Naquele ano de 1978,
Fagner, que já era um dos principais nomes da música popular brasileira, além
de nada cobrar por uma apresentação que lotou um imenso auditório, fez tudo ao
seu alcance para não onerar a sua organização, aceitando, inclusive, hospedar-se
na casa onde morava a Cristina,
para poupar gastos com hotel. Conscientemente, ele fez daquele seu show, além
de uma primorosa exibição de arte, um ato de ajuda à redemocratização do
Brasil. O público daquele evento memorável realizado na última semana de junho
de 1978, ficou encantado com o artista e com a MPB. Além da maioria alemã, de
Colônia e cidades vizinhas, havia naquela vibrante plateia um bom número de
portugueses, espanhóis, brasileiros e de outros latino-americanos. A
apresentação do Fagner ficou marcada na história dos grandes espetáculos
musicais de Colônia.
O movimento pela anistia aos presos e perseguidos políticos espalhava-se pelo Brasil e pelo mundo depois que fora criado em fevereiro daquele ano no Rio de Janeiro, por um grupo de mulheres o primeiro CBA – Comitê Brasileiro pela Anistia. A atriz Ruth Escobar, que havia participado de um seminário pela anistia em São Paulo, difundiu esta ideia na Europa, incentivando a criação de comitês. Depois de criado o CBA de Paris, tendo participado de um evento deste comitê, Cristina Buarque organizou uma reunião em Colônia com Ruth Escobar, em sua residência, a partir da qual foi criado um CBA e surgiu a ideia de realização ali da Semana de Solidariedade pela Anistia no Brasil.
Colônia reunia muitas condições positivas para sediar um evento de peso sobre o Brasil. Por suas origens, é certamente a mais latina das grandes cidades alemãs. Àquela época, muitos brasileiros trabalhavam na Deutsche Welle e na Transtel, duas emissoras sediadas ali que, respectivamente, faziam transmissões de rádio e vídeo para países de língua portuguesa. Sua universidade possuía um prestigiado centro de estudos e ensino do idioma português e a cidade era um dos centros culturais mais importantes de uma das regiões mais industrializadas da Alemanha, onde trabalhavam muitos latinos e latino-americanos. A Semana de Solidariedade pela Anistia no Brasil objetivava chamar a atenção dos habitantes da quarta maior cidade da Alemanha e das que ficam em seu entorno para o nosso país, mostrando suas dimensões cultural, artística, econômica e política, denunciando os crimes da ditadura militar e buscando angariar apoio para as forças internas que começavam a rearticular-se na luta pela democracia. Jornais alternativos como o Pasquim, Opinião e Movimento e órgãos da grande imprensa tais como o Estadão, a Folha de São Paulo, o Globo, Correio da Manhã e o Jornal do Brasil, abrindo brechas na censura, noticiavam as primeiras greves operárias após o AI-5, protestos de estudantes, declarações de Bispos Católicos e manifestações de movimentos sociais contra a ditadura.
Entre as atividades artísticas da Semana Brasil em Colônia o show do Fagner foi o ponto mais alto, mas a programação incluía muitas manifestações culturais, como eventos com danças, bebidas e comidas típicas e ações políticas por meio de debates e palestras sobre os problemas mais relevantes do nosso país naquele momento.
Além das falas do físico José Leite Lopes sobre ciência e tecnologia e do jornalista e escritor Alfredo Sirkis sobre questões ambientais, uma palestra de destaque foi a de Leonel Brizola, que governava o Rio Grande do Sul na ocasião do golpe de 1964 e se encontrava no exílio desde então. O político gaúcho tornara-se uma liderança nacional ao resistir a uma tentativa de golpe em 1961, quando os comandantes das Forças Armadas tentaram impedir a posse de João Goulart como Presidente da República, após a renúncia de Jânio Quadros àquele cargo. De acordo com a constituição brasileira, João Goulart, que havia sido eleito vice-presidente, era o seu sucessor. Enfrentando aquela absurda pretensão golpista, Brizola, a partir do seu estado, comandou uma mobilização dos brasileiros por meio do que se chamou a Cadeia da Legalidade. Este movimento foi parcialmente vitorioso, tendo João Goulart assumido a presidência do Brasil, mas com poderes reduzidos por conta de uma manobra de implantação de um regime parlamentarista no Brasil. Os golpistas perderam os anéis, mas salvaram os dedos e continuaram conspirando até serem vitoriosos em 1964. A propósito, convém não esquecer que a história da extrema direita no Brasil é uma sequência de golpes exitosos e fracassados. Aos interessados em aprofundar-se na compreensão do modo de atuar destes golpistas renitentes, sugiro pesquisar o que eles fizeram em 1930, 1937,1938,1945, 1954, 1955,1956,1959,1961, 1964 e 2022.
Em 1978, Brizola estava exilado em Portugal, depois de anos no Uruguai e de uma breve estadia nos EUA. Vivendo em Lisboa, ele tentava articular uma frente ampla de oposição à ditadura militar e lutava para recriar o PTB, partido que representara o trabalhismo no Brasil, até ser dissolvido após o golpe de 1964.
Em sua palestra em Colônia, Brizola analisou o cenário econômico e político do Brasil, denunciou os crimes cometidos pela ditadura e fez um chamamento às diversas forças políticas brasileiras para unirem-se pelo restabelecimento do regime democrático no nosso país. Além da palestra para um grande público, Leonel Brizola participou de várias reuniões com grupos de brasileiros interessados em discutir as mais diferentes questões nacionais. Eu que, então, só o conhecia por meio dos discursos de rádio da Cadeia da Legalidade, fiquei impressionado com sua firmeza de princípios, apreço pela democracia e manifestações de amor pelo Brasil.
Dona Neusa, esposa do Brizola, que o acompanhou na viagem a Colônia, adorou a cidade. Ciceroneada pela Ruth, ela fez pequenas compras e conheceu aqueles lugares mais encantadores que quase toda cidade tem e que só são conhecidos por quem mora nela. Como é frequente ocorrer entre gaúchos e cearenses, criou-se uma boa química entre as duas e Dona Neusa fez questão de visitá-la em nosso apartamento, onde foi servida com um café da tarde, o mais próximo do estilo da Pedra Branca que a carência relativa de ingredientes originais possibilitava.
A conferência Internacional pela Anistia no Brasil em julho de 1979 em Roma e a conquista da anistia em agosto daquele ano, beneficiando os perseguidos, mas engolindo um jabuti que beneficiou também os perseguidores, ficam para outra historieta.
De Maranguape, João de Paula
(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial, importante liderança universitária no tempo da ditadura de 64
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