sábado, 21 de junho de 2025

PRIMEIRO PLANO

 

PRESOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS CONQUISTARAM A DEMOCRACIA!

EDIÇÃO DE 21.06.25

Vi e ouvi. no Youtube. um demorado comentário que o Papa teria feito sobre o Padre Cícero. Um trabalho, tecnicamente, bem feito e convincente. Cheio de detalhes.

 Fui conferir nas publicações do Vatican News e não vi nenhuma referência ao assunto. Fiz consultas de constatei que a publicação era falsa, embora tivesse tudo para ser correta.

 Fiquei triste e pensando como é que alguém faz um trabalho tão bem feito com a intenção de ludibriar a boa-fé de pessoas como eu e milhares?  

 Havia até pensado em compartilhar a mensagem aqui neste blog que alcançaria muitas pessoas que não viram a publicação. Mas era falsa.

 Vê-se, portanto, a necessidade de disciplinar as publicações na internet. Tudo tem controle e a internet, sem um controle, pode ser uma fonte de muitos prejuízos.

 Assim também deve ser o Congresso Nacional. A direção das duas casas precisa dar ênfase à necessidade do predomínio da verdade. Há parlamentares que mentem.

 É triste observar a decadência do parlamento. Há políticos que se especializam em dizer palavrões, por absoluta falta de conteúdo. É uma indigência intelectual que dá pena.

  O novo Presidente da Câmara, logo em seus primeiros dias, afirmou que tomariam medidas duras em relação à falta de ética. E tudo continua como antes.

 No passado, a grande maioria do Congresso era composta de pessoas competentes e sérias. Mesmo sendo adversários políticos, comportavam-se com seriedade. Hoje, não.

Durante o tempo em que estive na Presidência da Comissão Especial Wanda Sidou que indeniza presos e perseguidos políticos, no Ceará, descobri que boa parte veio da Igreja Católica.

 Quando jovens, engajaram-se em movimentos da Ação Católica que trabalhava com lideranças de cada segmento: Estudantes, Operários, Universitários, Independentes e do meio agrário.

 Com o tempo, os sobreviventes das perseguições, prisões e torturas da ditadura se transformaram em importantes lideranças nos seus segmentos, no Ceará e no país.

 Sempre tiveram o reconhecimento do Governo do Estado na composição do Conselho da Comissão Wanda Sidou que ajudaram a criar. Este ano sofreram um grande golpe. Foram marginalizados.

 Uma instituição, recém criada, reivindicou as duas vagas que cabiam aos ex-presos e perseguidos políticos e, na maior pressa, sem diálogo, foram atendidos e nomeados.

 Qual a justificativa? Os reconhecidos ex presos e perseguidos políticos não tiveram tempo de concluir o abaixo assinado com suas indicações. O que justifica?

 Em Sobral, este ano, a tradicional Escola Espaço da Música realizará mais um RECITAL no teatro São João, graças ao apoio da Prefeitura e de sua Secretaria de Juventude e cultura.

 Serão três categorias: Infanto/Juvenil (16/12); Juvenil /Adulto (17/12) e Juvenil Adulto (18/12). Todas as articulações estão sendo feitas pela Diretora Pianista Ivana Sá.

 Os Recitais têm-se transformado em momentos de muitas alegrias e integrações das famílias que comparecerem ao Teatro São João para testemunhar o sucesso dos alunos.

No seu artigo desta semana, com lembranças da ditadura, o Dr. João de Paula escreve sobre os seus tempos no exilio na Alemanha onde encontrou-se com Leonel Brizola de quem fala muito bem.

 No Centro Fashion, importante polo de comercialização da produção cearense de confecções, uma vendedora afirmou para uma cliente: “Isto aqui é bom, não é feito no Ceará”.

 Achava que aquele argumento estimularia a cliente que lhe perguntou: E o que é feito no Ceará não presta? Percebendo o grande fora, a vendedora tentou justificar-se.

 Logo mais tarde. Myrtes e eu estaremos viajando a Teresina para um reencontro com grandes amigos e, de lá, iremos ver os magníficos festejos juninos de São Luís.

 Ali, moramos 20 anos, onde fizemos muitos amigos e conhecemos o Bumba Meu Boi, a mais importante manifestação da cultura maranhense.  Há muitas outras.

 Um aspecto que chama atenção: a grande atração dos arraiais, são os grupos locais. Não precisam contratar artistas renomados para atrair o povo.

 Aniversários: Nesta semana tivemos dois aniversários a que comparecemos com prazer. Um foi da Professora de Biodança Cleuza Denz, catarinense que há muito mora em Fortaleza.

 No aniversário da Cleuza com muitos amigos, encontramos uma das leitoras desta coluna: a Professora Melina Barbosa, do BNB que sempre gosta do que lê, nesta coluna. Obrigado.

 No feriado de quinta, feira foi na família. Celebramos mais um aniversário da Nizinha (Eny), nossa irmã que há muito trabalha na Casa Blanca.  E no dia 28, sábado será da Neila, a irmã que nos conduz.

 A partir de hoje, 21, o fim de semana ganha um novo olhar: Lêda Maria estreia sua coluna no Vida &Arte aos sábados, trazendo reflexões sensíveis, olhares atentos sobre a cultura, o cotidiano e as delicadezas da vida.

 Lêda também está no Instagram, ampliando a conversa e dividindo seus textos, bastidores e inspirações com os leitores de forma ainda mais próxima. Siga: @tudoazulopovo


MEMÓRIAS DA DITADURA

BRASIL EM COLÔNIA

                                                                                                                                                       Dr. João de Paula Monteiro Ferreira (*)

 - Faço o show de graça, só não quero que coloquem cartaz político no palco.

 Foi o que disse o compositor, cantor e instrumentista Raimundo Fagner, ao ser convidado pela Cristina Buarque, do Comitê Brasileiro de Anistia-CBA de Colônia, para fazer um show na Semana de Solidariedade pela Anistia no Brasil, naquela cidade da Alemanha, cuja renda seria destinada aos prisioneiros e perseguidos políticos no nosso país. Nós, organizadores do evento em Colônia, achamos que ele tinha toda razão naquele posicionamento, pois não fazia sentido criar um problema desnecessário em sua volta para o Brasil.

                                       
Naquele ano de 1978, Fagner, que já era um dos principais nomes da música popular brasileira, além de nada cobrar por uma apresentação que lotou um imenso auditório, fez tudo ao seu alcance para não onerar a sua organização, aceitando, inclusive, hospedar-se na casa onde morava a Cristina, para poupar gastos com hotel. Conscientemente, ele fez daquele seu show, além de uma primorosa exibição de arte, um ato de ajuda à redemocratização do Brasil. O público daquele evento memorável realizado na última semana de junho de 1978, ficou encantado com o artista e com a MPB. Além da maioria alemã, de Colônia e cidades vizinhas, havia naquela vibrante plateia um bom número de portugueses, espanhóis, brasileiros e de outros latino-americanos. A apresentação do Fagner ficou marcada na história dos grandes espetáculos musicais de Colônia.

 O movimento pela anistia aos presos e perseguidos políticos espalhava-se pelo Brasil e pelo mundo depois que fora criado em fevereiro daquele ano no Rio de Janeiro, por um grupo de mulheres o primeiro CBA – Comitê Brasileiro pela Anistia. A atriz Ruth Escobar, que havia participado de um seminário pela anistia em São Paulo, difundiu esta ideia na Europa, incentivando a criação de comitês. Depois de criado o CBA de Paris, tendo participado de um evento deste comitê, Cristina Buarque organizou uma reunião em Colônia com Ruth Escobar, em sua residência, a partir da qual foi criado um CBA e surgiu a ideia de realização ali da Semana de Solidariedade pela Anistia no Brasil.

 Colônia reunia muitas condições positivas para sediar um evento de peso sobre o Brasil. Por suas origens, é certamente a mais latina das grandes cidades alemãs. Àquela época, muitos brasileiros trabalhavam na Deutsche Welle e na Transtel, duas emissoras sediadas ali que, respectivamente, faziam transmissões de rádio e vídeo para países de língua portuguesa. Sua universidade possuía um prestigiado centro de estudos e ensino do idioma português e a cidade era um dos centros culturais mais importantes de uma das regiões mais industrializadas da Alemanha, onde trabalhavam muitos latinos e latino-americanos.  A Semana de Solidariedade pela Anistia no Brasil objetivava chamar a atenção dos habitantes da quarta maior cidade da Alemanha e das que ficam em seu entorno para o nosso país, mostrando suas dimensões cultural, artística, econômica e política, denunciando os crimes da ditadura militar e buscando angariar apoio para as forças internas que começavam a rearticular-se na luta pela democracia. Jornais alternativos como o Pasquim, Opinião e Movimento e órgãos da grande imprensa tais como o Estadão, a Folha de São Paulo, o Globo, Correio da Manhã e o Jornal do Brasil, abrindo brechas na censura, noticiavam as primeiras greves operárias após o AI-5, protestos de estudantes, declarações de Bispos Católicos e manifestações de movimentos sociais contra a ditadura.

 Entre as atividades artísticas da Semana Brasil em Colônia o show do Fagner foi o ponto mais alto, mas a programação incluía muitas manifestações culturais, como eventos com danças, bebidas e comidas típicas e ações políticas por meio de debates e palestras sobre os problemas mais relevantes do nosso país naquele momento.

 Além das falas do físico José Leite Lopes sobre ciência e tecnologia e do jornalista e escritor Alfredo Sirkis sobre questões ambientais, uma palestra de destaque foi a de Leonel Brizola, que governava o Rio Grande do Sul na ocasião do golpe de 1964 e se encontrava no exílio desde então. O político gaúcho tornara-se uma liderança nacional ao resistir a uma tentativa de golpe em 1961, quando os comandantes das Forças Armadas tentaram impedir a posse de João Goulart como Presidente da República, após a renúncia de Jânio Quadros àquele cargo. De acordo com a constituição brasileira, João Goulart, que havia sido eleito vice-presidente, era o seu sucessor. Enfrentando aquela absurda pretensão golpista, Brizola, a partir do seu estado, comandou uma mobilização dos brasileiros por meio do que se chamou a Cadeia da Legalidade. Este movimento foi parcialmente vitorioso, tendo João Goulart assumido a presidência do Brasil, mas com poderes reduzidos por conta de uma manobra de implantação de um regime parlamentarista no Brasil. Os golpistas perderam os anéis, mas salvaram os dedos e continuaram conspirando até serem vitoriosos em 1964. A propósito, convém não esquecer que a história da extrema direita no Brasil é uma sequência de golpes exitosos e fracassados. Aos interessados em aprofundar-se na compreensão do modo de atuar destes golpistas renitentes, sugiro pesquisar o que eles fizeram em 1930, 1937,1938,1945, 1954, 1955,1956,1959,1961, 1964 e 2022.

 Em 1978, Brizola estava exilado em Portugal, depois de anos no Uruguai e de uma breve estadia nos EUA. Vivendo em Lisboa, ele tentava articular uma frente ampla de oposição à ditadura militar e lutava para recriar o PTB, partido que representara o trabalhismo no Brasil, até ser dissolvido após o golpe de 1964.

 Em sua palestra em Colônia, Brizola analisou o cenário econômico e político do Brasil, denunciou os crimes cometidos pela ditadura e fez um chamamento às diversas forças políticas brasileiras para unirem-se pelo restabelecimento do regime democrático no nosso país. Além da palestra para um grande público, Leonel Brizola participou de várias reuniões com grupos de brasileiros interessados em discutir as mais diferentes questões nacionais. Eu que, então, só o conhecia por meio dos discursos de rádio da Cadeia da Legalidade, fiquei impressionado com sua firmeza de princípios, apreço pela democracia e manifestações de amor pelo Brasil.

 Dona Neusa, esposa do Brizola, que o acompanhou na viagem a Colônia, adorou a cidade. Ciceroneada pela Ruth, ela fez pequenas compras e conheceu aqueles lugares mais encantadores que quase toda cidade tem e que só são conhecidos por quem mora nela. Como é frequente ocorrer entre gaúchos e cearenses, criou-se uma boa química entre as duas e Dona Neusa fez questão de visitá-la em nosso apartamento, onde foi servida com um café da tarde, o mais próximo do estilo da Pedra Branca que a carência relativa de ingredientes originais possibilitava.

 A conferência Internacional pela Anistia no Brasil em julho de 1979 em Roma e a conquista da anistia em agosto daquele ano, beneficiando os perseguidos, mas engolindo um jabuti que beneficiou também os perseguidores, ficam para outra historieta.

De Maranguape, João de Paula

(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial,  importante liderança universitária no tempo da ditadura de 64

PARA OS DESTRUIDORES DA PRAÇA DOS TRES PODERES, EM 08 DE JANEIRO








O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

O PAPA INSISTE NA CENTRALIDADE DO ANÚNCIO DE JESUS CRISTO

Com muita alegria, tenho dedicado meus Comentários de Abril para cá, às saudades do Papa Francisco e às boas perspectivas trazidas pelo Papa Leão XIV, garantindo-nos os bons ventos, soprados pelo Espírito Santo, na continuidade da Missão da Igreja. Tanto que, neste Mês de Junho, ainda não me referi à Paixão Nacional, trazida pelas Festas Folclóricas Juninas, deixando minhas referências a elas para o último Sábado, 28 de junho, Solenidade Litúrgica dos Apóstolos, Pedro e Paulo, também Dia do Pescador e do Papa, quando nos referiremos, com toda certeza a Leão XIV, sucessor de Pedro.

             Nos dias 16 e 17 - início desta semana, que está terminando - o Papa Leão XIV recebeu, em audiência, os Episcopados de Madagascar, na África, e Italiano, como peregrinos pelo Jubileu, que se celebra em Roma. Saudou ao Grupo da segunda feira, dia 16, como “o nosso 1º Encontro” e já indicando a linha do seu Pontificado, que era a mesma linha de Francisco e do seu homônimo Leão: não desviem o olhar dos pobres. Eles estão no centro do Evangelho e são os destinatários privilegiados do anúncio da Boa Nova”.

            Saudou ao 2º Grupo, na 3ª feira, 17, destacando “a centralidade da fé, a missão da paz e o compromisso com a dignidade humana como fundamentos do serviço episcopal”. Em ambas as saudações, para começo de conversa, foi manifestando a fidelidade à Igreja, que tinha em Francisco sua inspiração.

            Nesta linha de unidade com Jesus, o fundador; com Pedro, o 1º Papa e com os recentes predecessores, Leão XIII e Francisco e, sobretudo, com a luz do Espírito, o Santo Padre Leão XIV se dirigiu aos dois episcopados, como já tem feito e continuará fazendo com todas as peregrinações que vão a Roma.

            Sua Santidade não escondeu e manifestou sua admiração pelo gesto significativo de terem vindo todos juntos a Roma como Bispos de Madagascar.

 

“Foi um belo sinal de unidade, este dos Senhores, sobretudo pela convocação do Senhor Jesus neste Ano Santo”; disse-lhes o Papa. Destacou ter sido “muito bonito que eles se tenham tornado peregrinos da esperança, juntamente com os milhares e milhares de fiéis que todos os dias atravessam as Portas Santas das Basílicas Papais. Vocês são antes de tudo, peregrinos da esperança para vocês mesmos. Vocês que são pastores recordaram que são, antes de tudo, ovelhas do rebanho às quais, Cristo diz: ‘eu sou a porta das ovelhas... Se alguém entrar por mim será salvo: entrará e sairá e encontrará pastagens’ (Jo.10,7-9). E, ao mesmo tempo, tornaram-se peregrinos da esperança para o seu povo, para as famílias, para os idosos, as crianças, os jovens: para que as Igrejas que estão em Madagascar, através de vocês, recebam a graça de caminhar na esperança que é Jesus Cristo”.

Leão XIV externou também a sua felicidade em os ouvir contarem as alegrias e as provações pastorais que levam com fidelidade e concluiu:

              “a proximidade de vocês com o povo de Deus é um sinal vivo do Evangelho. Encorajo cada um de vocês no seu ministério episcopal, em particular a cuidar dos sacerdotes, que são os seus primeiros colaboradores e os seus irmãos mais próximos, bem como dos religiosos e religiosas que se dedicam ao serviço... Externo a Deus, muitos agradecimentos pela vitalidade missionária das Igrejas particulares de Madagascar, herdeiras do testemunho dos santos que, para levar o Evangelho a esta terra longínqua, não temeram nem a rejeição, nem a perseguição”. Encerrou dizendo: ‘exorto vocês a não desviarem o olhar dos pobres: eles estão no centro do Evangelho e são os destinatários privilegiados do anúncio da Boa Nova. Vejam neles, o rosto de Cristo’.

 

            O clima de cordialidade e satisfação se repetiu na terça feira, 17, na Audiência com a Conferência Episcopal Italiana, em que o Papa Leão XIV já se sentiu à vontade ao expor: “a Igreja deve ser casa de paz e reconciliação”, destacando - como falei ali acima - a centralidade da fé, a missão da paz e o compromisso com a dignidade humana como fundamento do serviço episcopal.

            Tal Encontro se deu por ocasião da 80ª Assembléia Geral Extraordinária da C.E.I., na Sala das Bênçãos, localizada entre a Basílica e a Praça de São Pedro, local que evocou ao Pontífice a memória de sua 1ª bênção na noite de sua eleição.  Na ocasião, ele disse aos Senhores Bispos Italianos:

 

“esta sala está carregada de emoções que acompanharam os eventos recentes. De fato, o Papa deve atravessá-la para se apresentar à sacada central. O amado Papa Francisco o fez para sua última Mensagem Pascal Urbi et Orbi, que foi seu derradeiro e intenso apelo à paz pra todos os povos. E eu também, na noite da eleição quis ecoar o anúncio do Senhor Ressuscitado: a paz esteja convosco”.

            Em seguida, em clima fraterno, agradeceu a oração dos bispos e das comunidades: “eu preciso muito delas”. E, inspirando-se no espírito do Concílio Vaticano II e no decreto Lumen Gentium, ressaltou que deseja viver seu serviço em colegialidade com o episcopado como parte de um único colégio apostólico, com Pedro à frente. Ainda destacou a importância da comunhão entre os bispos e com o Papa e que esta C.E.I. seja a expressão da colegialidade e lugar de escuta, articulação e coordenação pastoral, sempre na fidelidade ao Evangelho.

            Diante dos desafios do tempo presente – a secularização, o esfriamento da fé, a crise demográfica, as transformações culturais – Leão XIV evocou seu antecessor Francisco, na 70ª C.E.I. para lembrar que é necessária “audácia” diante da tendência de normalizar realidades inaceitáveis. E foi enfático: “a profecia não exige rupturas, mas sim escolhas corajosas que nascem da escuta atenta de Deus e do povo”.

            O Papa Leão XIV a toda hora, em todas as ocasiões, está dizendo a que veio. Tem insistido na centralidade do anúncio de Jesus Cristo, colocando-O no centro da vida da Igreja e de suas estruturas pastorais. O conteúdo de sua catequese é bastante profundo e inesgotável. O Papa tem pressa. Muitos de nós é que não temos passos para acompanhá-lo. Como diziam com Francisco, já há quem o diga sobre Leão: “é comunista igual ao outro”! Meu Deus! Onde estamos? Se você é analfabeto político, religioso, social ou de qualquer tipo, será que não está na hora de converter-se, bater a mão na consciência? Não deixe pra mais depois. Pode ser tarde demais. Como dizia o próprio Jesus: “tenho pena deste povo...” E em toda 4ª feira de cinzas, dando início aos 40 dias da Quaresma, sempre ouvimos: “convertei-vos e crede no Evangelho”.

            Não dá para encerrar por aqui. Agora que Leão XIV está começando. No mesmo dia 17 de junho que se encontrou com o episcopado italiano, teve um contato com estudantes, professores e estudiosos do observatório astronômico Vaticano que, em número de 24 jovens astrônomos, representando 22 países, analisam as descobertas dos 03 primeiros anos do Telescópio Espacial James Webb, inaugurado no Natal de 2021. O Papa Francisco havia cedido o espaço onde o Estado do Vaticano tem um dos mais potentes Telescópios do Mundo para dar-lhe mais utilidade e mais socialização: ser uma Escola Superior de Astronomia. Seu sucessor Leão XIV, matemático, cientista que é, vai dar todo o apoio e incentivo para um justo e reto uso de tal equipamento científico. Claro que voltaremos a este assunto. Será que alguém terá coragem de criticar?











sábado, 14 de junho de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

    AÇÃO CATÓLICA               É TEMA DE PESQUISA

Edição de 14 de junho

Reencontrando-se com um ladrão que lhe roubou uma grande soma de dinheiro a vítima lhe pede a devolução. O ladrão responde: É o meu jeito. A minha retórica.   Convence?

 Assim fez o ex-presidente tentando justificar as acusações de que alguns Ministros do STF haviam recebido milhões de dólares para mudar o resultado das eleições.

 O valentão dos comícios para multidões que também chamava o Ministro de “canalha” virou um subserviente.  E ainda passou a chamar seus fanáticos seguidores de MALUCOS.

 Hoje o Ministro Alexandre de Morais publica detalhes sobre o que fariam com ele se os organizadores do golpe tivessem vencido. Um dos planos era enforcá-lo na Praça dos Três Poderes.

 "Quem não perde a cabeça com certas coisas é porque não tem cabeça para perder”. Pensamento de Gatthold Ephraim Lessing,  poetadramaturgofilósofo e crítico de arte alemão, considerado um dos maiores representantes do Iluminismo, da valorização da razão.

 Está no livro EM BUSCA DE SENTIDO, de Viktor Frankl que comecei a ler recentemente. Impressionante o testemunho do autor, médico que sofreu num campo de concentração em Auschwitz, na Alemanha.

 A partir de suas vivências dolorosas e da observação das atitudes e comportamentos dos demais prisioneiros, vai construindo a Logoterapia ou análise existencial. É a busca do sentido da vida.

 É fácil encontrar no youtube, vídeos interessantes sobre o autor e sua obra. Cada vez mais precisamos aprender a pensar. Só assim nos defenderemos das armadilhas que aumentam sempre mais.

A internet que esperávamos ser um instrumento para o crescimento da humanidade, tem-se transformado numa arma para separar pessoas. Há pessoas que se especializam em mentir por meio de recursos técnicos.

A Professora Yeda Freire, muito conhecida pelos docentes cearenses por suas constantes presenças em cursos de capacitação, lançou o seu novo livro Preta e Bela: Eu e Ela.

 Na foto com seu filho, uma prima e uma amiga. Lamentei não ter podido ir por estar sendo ameaçado por uma gripe, apesar da vacina.  Todo cuidado é pouco, como aprendemos no passado.

 Vergonhoso o tratamento que dois deputados federais deram ao Ministro Fernando Hadad que foi à Câmara explicar um projeto para a economia. Estão muito aquém do nível intelectual do Ministro.

 Como não entendem do assunto, fazem uma brutalidade e somem para não ouvir o comentário do Ministro e dos Deputados esclarecidos. Seria bom que fossem estudar.

 É uma vergonha que um estado eleja gente tão incompetente. Um deputado do Ceará que perdeu a eleição para prefeito de Fortaleza, exibindo-se, disse: “Nós se comprometemos...”  Esta frase eu ouvi.

 No seu artigo desta semana, o Mons. Assis Rocha escreve sobre uma iniciativa importante dos jovens de Serra Talhada, Pe. que, com o seu incentivo, transformaram a Estação do trem no Museu do Cangaço.

 Foi num sítio chamado Passagem das Pedras, em Serra Talhada que nasceu Lampião. Em Guaraciaba do Norte, com este mesmo nome, era local de um bom banho, há muitos anos. Precisaria ser revitalizado.

 A Ação Católica, uma importantíssima criação da Igreja para incluir os leigos nas ações pastorais, é alvo de uma pesquisa do famoso médico e histórica liderança política, Dr. Mariano de Freitas.

Ontem, tivemos o prazer de conversar sobre o assunto e sobre o MEB – Movimento de Educação de Base, com ele e com a Dra. Helena Serra Azul, também médica e outra importante liderança estudantil, nos anos 60/70.

 Há algum tempo, venho deduzindo que, na raiz o MST está o trabalho de organização comunitária na zona rural, do MEB, que tive o privilégio de coordenar em Fortaleza.

 Foi pela ação de alcance extraordinário, na Rádio Assunção Cearense, que fui demitido pela ditadura. Atingíamos, diariamente, de 18h às 18,30h. quase cinco mil pessoas com o programa A ESCOLA EM SUA CASA.

MEMÓRIAS DA DITADURA/64

ALMAS DESPEDAÇADAS

Dr. João de Paula Monteiro Ferreira

- Ela está melhor e dentro de uns 20 dias sairá da clínica.

 Foi o que escreveu o Reinaldo Guarani, chamado de Guará pelos amigos, em uma carta datada de 18 de abril de 1976, dando-me notícia do estado de saúde da Dora. O então marido de Maria Auxiliadora Lara Barcelos, nesta correspondência, fala também da expectativa dos dois de concluírem em breve seus cursos superiores, ela, o de medicina, ele o de economia. Eu os havia conhecido em Bochum, eles chegando do México, para onde tinham conseguido escapar após o golpe de Pinochet no Chile, e eu de saída para Colônia para retomar meus estudos de medicina. Após o curso de alemão que fizeram naquela cidade, mudaram-se para Berlim para reiniciarem seus estudos interrompidos no Brasil. Junto com o Guará e a Dora, foram para Berlim outros brasileiros vindos do  México, entre eles o Luís Travassos, ex-presidente da UNE, que eu conhecia bem do movimento estudantil, pois ele antecedera e apoiara a diretoria para a qual fui eleito em 1969.

Menos de dois meses depois daquele comunicado cheio de esperanças do Guará, numa estação do Metrô de Berlim, Dora jogou-se à frente de um trem que trafegava em alta velocidade. Com grande repercussão na imprensa alemã, aquele gesto extremo, após várias tentativas infrutíferas de tratamento, pôs fim a um tormento psíquico que despedaçava sua alma desde que fora selvagemente torturada por agentes da ditadura brasileira. Com Dora, ocorreu algo semelhante ao que acontecera em agosto de1974 com o frade dominicano Tito Alencar, vítima de um martírio psicológico permanente causado pelas bestiais sevícias praticadas em São Paulo por uma equipe de agentes da ditadura, comandada pelo delegado Sérgio Fleury. Para livrar-se de sua cruciante agonia, o cearense Frei Tito dependurou-se em uma árvore próxima a um mosteiro de sua ordem religiosa, onde estava abrigado, situado nos arredores da cidade francesa de Lyon.

Estes dois acontecimentos mexeram com muitos de nós brasileiros que sofrêramos diferentes formas de opressão pela ditadura, mas, certamente, ecoaram em grau mais profundo nos que foram torturados e, dentre aqueles, ainda mais profundamente, nos que tinham ficado com sequelas psicológicas. Se já não é fácil avaliar-se a verdadeira dimensão do sofrimento físico que é causado a um ser humano por instrumentos de tortura usados dia e noite por longos períodos, mais difícil ainda é compreender-se a exata medida dos danos psíquicos que eles produzem, notadamente, quando combinados com sofisticadas técnicas psicológicas empregadas para isolar, desorientar, fragmentar e marcar de modo duradouro a estrutura mental do prisioneiro.

Os problemas causados à mente de pessoas submetidas à tortura durante a ditadura militar começaram a despertar minha atenção em 1973, quando ouvi alguns relatos de amigos que estavam refugiados comigo no Chile, destacando procedimentos de cunho psicológico que lhes foram aplicados pelos torturadores. Passei a tentar compreender as consequências desta modalidade de tortura. Eu já havia lido algumas descrições dos métodos de tortura ensinados em treinamentos de atualização (sim, pois já havia em casernas e delegacias um conhecimento acumulado durante a ditadura do Estado Novo) a militares e policiais brasileiros, baseados em experiências francesas (aplicadas na Guerra da Argélia) e estadunidenses (testadas na Guerra do Vietnam), mas fiquei impressionado com a sofisticação dos  recursos de guerra psicológica usados no Brasil com prisioneiros políticos e com a amplitude dos incômodos psíquicos que estas pessoas me relataram.

Os impactos variavam desde casos leves, como sonhos repetidos com cenas de repressão, até casos mais graves como pesadelos recorrentes, distúrbios do sono, sensação de permanente perseguição, angústia, ansiedade e depressão, para ficar em alguns dos exemplos relatados mais frequentemente. Não tive meios para acompanhar como estas pessoas lidaram com estes problemas depois que nos espalhamos por vários países, devido ao golpe do Pinochet.

Sobre as técnicas utilizadas para produzir desagregação mental, ouvi relatos de manobras para impedir o sono e sobre isolamento por longo tempo em celas especiais, vedadas a estímulos sonoros e luminosos para provocar privação sensorial. Uma pessoa contou-me que, ao recobrar a consciência depois de uma sessão de torturas, deparou-se em sua cela com uma cadeira que fora colocada ali com um paletó dependurado no espaldar...sem uma das mangas. Esta mesma pessoa disse-me que uma noite despertou com a sensação de que seu corpo estava coberto de pelos e que, ao voltar a dormir, teve pesadelos em que se sentia virando um animal. Quando amanheceu, percebeu que estava deitada sobre uma espécie de carpete, cheio de pelos soltos, onde fora colocada ao ser trazida da sala de tortura com o corpo ensanguentado.

 Outros exemplos de aplicação de técnicas psicológicas em torturas podem ser vistos no filme Entrelinhas, que começou a ser exibido nesta semana no Prime Vídeo, da Amazon. Este filme é inspirado em um fato ocorrido em 1970 com a estudante secundarista Beatriz Fortes, paranaense, então com 18 anos de idade, irmã da Elisabeth, com quem eu estivera preso em Curitiba, devido à nossa participação no Congresso Regional da UNE. Beatriz foi torturada durante oito dias para decifrar o que os militares achavam que estava escrito nas entrelinhas de uma carta entregue a ela por um companheiro de prisão de sua irmã, em uma visita que lhe fizera no Presídio do Ahú. Beatriz nada revelou aos torturadores sobre o destinatário, nem sobre o autor daquela carta e, depois de convencerem-se de que nada havia em suas entrelinhas, os militares que a prenderam devolveram-na a seus pais, desculpando-se pelo “engano”. A “perigosa” carta não passava de uma simples mensagem sobre ações e posições públicas dos estudantes universitários. 

Abro aqui um parêntese para esclarecer que tudo isso era desconhecido por mim até a última quarta-feira, dia 04 quando assisti ao filme Entrelinhas e, depois de obter o telefone da Beatriz com uma amiga comum, liguei para ela para solidarizar-me por seu sofrimento e parabenizá-la pelo seu comportamento heroico. Em meio às emoções de uma retomada de contato após uma interrupção de 55 anos, Beatriz contou-me que o destinatário daquela carta era eu! Foi grande a minha surpresa, pois, como no filme uma pessoa diz que ela seria para “o suíço da UNE, fiquei certo de que o destinatário era o Jean Marc, meu colega de diretoria e, então presidente da UNE, que tem nacionalidade suíça, além da brasileira.

O aprofundamento do tema das torturas psicológicas e de suas consequências não cabem no espaço desta historieta, mas, para quem tiver interesse nele, recomendo a leitura do livro Brasil: Nunca Mais, publicado pela Editora Vozes e prefaciado pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, bem como a pesquisa em Auditorias Militares, onde foram registrados os depoimentos de prisioneiros políticos, pois eram nelas que ocorriam seus julgamentos durante a ditadura militar, regime que não teria existido segundo algumas pessoas.

Fico devendo o relato sobre a Semana Brasil em Colônia.

Maranguape, 09 de junho de 2025

(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial, 
destaca liderança universitária no tempo da ditadura/64 

e mail: leunamgomes123@gmail.com











O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

MUSEU DO CANGAÇO, NA ESTAÇÃO DO TREM

Como já fiz em Comentários anteriores, abordando assuntos pessoais ou familiares, até pastorais, hoje quero voltar minha atenção e a de meus possíveis leitores, para um Convite que recebi, pra participar de um evento que mexeu muito com minha saudade, à qual, sempre digo: ‘não se mata’.

É que, nos meus 84 anos de vida, eu os fui repartindo em blocos: de estudos, especializações, atividades pedagógicas, como professor e ações pastorais, em Paróquias, quase sempre permanecendo 05 anos em cada uma.

De 1984 a 1989 fui nomeado Pároco da Matriz de Nossa Sra. Do Rosário de Serra Talhada, pelo meu Bispo Diocesano, Dom Francisco. Eu já havia passado meus 05 anos em Amaraji, fui a Roma encerrar um Curso de Sociologia, iniciado antes e, como prêmio, recebi Serra Talhada de presente. Os mais antigos, por certo, ainda se lembram de mim. Além do contato mantido com a população, à época vivi, fraternalmente, com os Padres Jesus Garcia e Afonso Carvalho.

 Aprofundei-me muito no trabalho Pastoral, não só em celebrações comunitárias sacramentais, como em encontros conscientizadores da Missão Cristã, ajudando-os a praticarem ou a viverem aquilo em que acreditavam; daí os compromissos coletivos de unirem cada vez mais, oração e ação. Era o desejo de pôr em prática, aquilo que se pregava. Usávamos não só o Calendário Litúrgico para vivenciarmos nossas

celebrações, mas também as efemérides políticas, sociais, educativas que ajudassem no crescimento da sociedade como um todo. Para se chegar a isso requer-se-ia bastante tempo e a semente não brotava de um dia pro outro.

 Usávamos até os Meios de Comunicações pra levar nossa mensagem. Findava dando em nossa cabeça. Tinha-se pressa e o tempo limitado. Nem sempre os que se sentiam “Líder do Vale” e “Voz do Sertão” apoiavam a gente.

 Nosso plano era geral e levado a sério: se uma autoridade passa 05 anos para exercer um mandato tem que executá-lo em 05 anos. Seu sucessor dará continuidade. Se em 05 anos, você não tiver atingido a meta, dê vez a outrem para que a execute. Deixei Serra Talhada em 1989. Mas, nem tudo ficou perdido.

Um grupo bom de jovens, entusiasmado com a doutrinação que unia “teoria e prática” me apareceu com o firme propósito de levar a sério, o teatro, a música, a dança e, usando uma data, um tanto conflitante, sugeriu um momento apropriado: o Cangaço e sua história em Serra Talhada.

 Não seria fácil realizar tal objetivo. Não se tinha nenhuma estrutura. Sabia-se a História, muito controvertida, contada pelos mais antigos. Para uns, Lampião era um bandido. Para outros, um herói. Eu ouvia as narrativas e ia tirando minhas conclusões. Mas, sempre querendo saber mais. Os jovens, no seu entusiasmo, começaram a procurar uma área para se localizarem.

Havia uma estação de passagem de trem, desativada, sendo ocupada por drogados, prostituição hétero e homossexual e por outras formas de promiscuidade à base de bebidas alcoólicas num descontrole total. Ninguém se metia em organizar, nenhuma autoridade enfrentava o problema e as soluções não eram encaminhadas. Os autointitulados Cabras de Lampião começaram um trabalho de limpeza geral, física e socialmente, humanizando a área. Fotografaram, filmaram e documentaram todo o trabalho realizado: antes, durante e depois, instalando ali o seu Centro Artístico e Cultural de Serra Talhada. O Museu do Cangaço e, ao mesmo tempo: Centro de Estudos e Pesquisa do Cangaço (CEPEC). Cine Clube Lampião. Cine Arte Lampião.                                 

SERRA TALHADA – PE. A Estação do Trem virou Museu do Cangaço

Ligado ao Museu do Cangaço há o Sítio Passagem das Pedras, onde nasceu Lampião, como espaço cultural, localizado na Zona Rural, a uns 40 Km de Serra Talhada onde se faz a Celebração de Lampião, com um dia inteiro de oração, confraternização, carne de bode assado e muita alegria. Muitos

estudantes universitários da Paraíba, do Rio Grande do Norte, do Ceará e, é claro de Universidades de Recife e do interior, inclusive de Serra Talhada.

Para se chegar a aquele estágio, muita “água jorrou debaixo da ponte”. Eu colaborei no início, quando eu estava por lá. A equipe inicial, já está adulta, com filhos e continuam com a força dada pelos pais e iniciantes. Esta memória não se pode acabar. Firme como está, é pra celebrar mesmo.

 Neste dia 04.06. estou lembrando deste mesmo dia, em 1988, lá no início, celebrando os 90 anos do nascimento de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. No próximo mês, em 28.07. nos uniremos à mesma data de 1988, nos 50 anos de sua morte. Hoje, 04.06.2025, data em que estou escrevendo este artigo, lembramos os 127 anos do seu nascimento e aos 28.07.2025, 87 da sua morte. Daqui a 03 anos essas datas serão arredondadas: 130 anos pro nascimento e 90 anos pra rememorar a morte. Certamente, não serei mais convidado. Fui agora, mas não me sinto com o gás dos anos 80, quando morava em Serra Talhada. Já se vão mais de 40 anos.

 Não é a minha presença que vai dar brilho à História dos “Cabras de Lampião”. Eles acreditaram. Persistiram, enfrentaram barreiras. Procuraram o Ministério da Cultura. Conseguiram apoios. Eu ainda passei por lá, rapidamente, para alimentar e aumentar nossa saudade. Matá-la, nunca. Saudade não se mata; já disse ali acima, como tantas vezes tenho dito!... A saudade só nos faz, bem. Podem acreditar: voltei-me, inteirinho para estes “cabras da peste” de Serra Talhada para unir-me à sua alegria.

Obrigado pelo convite. Que façam a melhor de todas as festas. Eu me sinto premiado, vivinho, revendo os terreiros das casas, com seus cactos em “Passagem das Pedras”, circulando pela vizinhança, tirando gosto com aquela costelinha de bode assado para comungar da alegria de vocês. Deem-me notícias. Apareçam. Mesmo à distância, foi bom nos reencontrar – Pe. Assis.


                    BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO





sexta-feira, 6 de junho de 2025

coluna primeiro plano

 

LULA EM PARIS - A TORRE EIFELL EM VERDE E AMRELO

              EDIÇÃO DE 07/06/25

Nesta edição três artigos muito interessantes: Em Memórias da Ditadura, Dr. João de Paula escreve sobre o nascimento da filha Mariana, na Alemanha, onde se refugiavam da ditadura.

 José Neudo Rodrigues, em Lembranças de Guaraciaba do Norte, escreve sobre a sua primeira viagem de carro, num dia de eleição.

 E o Mons. Assis Rocha, no seu artigo semanal, nos afirma: O Papa Leão XIV honrará o compromisso de Francisco.   

 Estilos diferentes, mas muito atraentes. São artigos que enriquecem o nosso Blog e esta publicação semanal. 

 Encontrei, há poucos dias, um amigo Professor universitário que se manifestou profundamente decepcionado com a falta de interesse dos alunos.

 Os alunos não querem ler, estudar, participar das aulas. Uma constatação profundamente triste. Que profissionais teremos no futuro, se conseguirem concluir os cursos?

 Não tenho percebido ações das instituições, no sentido de apoiar seus Professores e promover oportunidade de atualização. Algumas palestras nada mudam.

 Muitos Professores não tiveram preparação para o magistério e a tendencia e reproduzir na sala de aula o que faziam seus mestres. Nem sempre imitáveis.

 Em Sobral, na F5, Faculdade de Direito do INTA, a Coordenadora Vânia Pontes, possivelmente, é a única a cuidar da formação continuada de seus Professores.

 Eu mesmo já estive algumas vezes com a equipe de Professores, em Sobral, com quem conversamos sobre a metodologia de ensino que adotam e as alternativas geradoras de participação. 

         os Professores demonstraram as inovações que haviam feito, com resultados muito positivos.                                                                                                   

E a Professora Vânia os acompanha, ouve, conversa e compartilha as boas iniciativas. Suas atitudes entusiasmam e motivam sua equipe de jovens Professores. É adepta da Educação Biocêntrica.

 Todas as atividades em grupo são bem aceitas pelos alunos, desde que sejam bem orientadas, acompanhadas e não apenas uma forma de se ver livre dos alunos. 

Este é mais novo livro da Professora Yeda Freire, com quem trabalhei na Secretaria de Educação do Estado, nos anos 90. Desenvolvemos o Programa de Aceleração de Aprendizagem.

 Era um trabalho pedagógico para recuperar alunos que estavam com defasagem idade série. Uma experiência de sucesso, em quatro municípios que elegemos pelos compromissos de suas equipes.

 Foram eles: Aracati, Aratuba, Guaraciaba do Norte e Poranga. Muitos alunos passaram da primeira para a quarta; da primeira para a terceira e para a segunda série em seis meses.

GOLPE NA COMISSÃO WANDA SIDOU – A exemplo do que aconteceu há quatro anos, presos/perseguidos políticos estavam organizando o abaixo-assinado, indicando ao Governador, nomes para a sucessão na Presidência e Suplência.

De repente, uma instituição recém criada, com o nome de Instituto 64/68, encaminhou um oficio à Secretaria de Direitos Humanos, reivindicando o lugar dos indicados pelos presos e perseguidos.

Na última reunião do dia 29/05, a Comissão, dia da posse dos representantes da OAB, foi informada que a Secretaria encaminharia os nomes de todos os Membros para que o Governador escolhesse Presidente Suplente.

Os presos e perseguidos estavam organizando o documento indicando o nome do Dr. Marcelo Uchoa, da OAB e membro da Comissão Federal de Anistia, como seu indicado para a Presidência. Veio o Golpe.

Lamentavelmente, aqueles que, de fato, lutaram pela redemocratização e por ela sofreram, não foram ouvidos, como era tradição. E suas histórias estão comprovadas  nos arquivos da Comissão. Quem dos nomeados foi preso ou perseguido?

Foram substituídos sem nenhuma conversa, sem nenhum diálogo, sem um tempo para que a sua proposta e seu abaixo assinado fossem concluídos. Não houve nenhuma definição de prazo. Tudo, inexplicavelmente, às pressas

Os dois indicados pelo Instituto que tem pouquíssima representação de presos/perseguidos políticos, foram nomeados, substituindo, sem aviso, os que têm histórias comprovadas. Um choque geral. Será que o Governador sabia disto?  E os direitos humanos? Um paradoxo.

 Um fato raro foram as homenagens que o Presidente Lula recebeu em Paris. Aqui a imprensa tradicional omitiu. Divulgou apenas as informações comuns.

 Mas, querendo ou não, o mundo tomou conhecimento das grandes homenagens. Até a famosa Torre Eiffel se vestiu de verde/amarelo em homenagem ao nosso país. O mercado não pode apagar.

 O Presidente da Republica e a Prefeita de Paris fizeram muitas demonstrações de carinho e respeito. Antes de Lula, só Dom Pedro II havia sido homenageado, em 1872.

                                                               clique na setinha para ouvir

 Ontem à noite, tivemos a satisfação de participar da grande festa de aniversário da amiga Edna da Matta, esposa do ex companheiro de trabalho Raimundo da Matta, proprietário da ASA BALÕES.

   

A festa aconteceu num grande salão do Café Viriato, de excelente serviço. Na oportunidade foi lançado o livro Relatos de Experiência de Vida, do escritor Manoel Alves de Sousa.

 

MEMÓRIAS DA DITADURA

 PODE SER FELIZ?

João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- Aqui na Alemanha os pais podem entregar a criança aos cuidados de asilos especiais.

Com esta frase, o pediatra que examinou a Mariana no hospital em que ela nascera no dia anterior e que, por coincidência, era meu professor na faculdade, arrematava uma argumentação em que começara dizendo: “colega, como estudante de medicina, você deve saber que a Síndrome de Down não tem cura. Prepare-se para um destino duro. No entanto, há uma opção “...

Ruth e eu não perdemos um minuto com aquilo que para o meu professor de pediatria poderia ser uma opção. Para nós, ela não era sequer uma hipótese a considerar. A imensa dor que sentíamos não perturbava a clareza que tínhamos de que, independentemente de qualquer coisa, nós iríamos cuidar da nossa filha.

A dor nos primeiros dias era muito grande. Tinha sido enorme a nossa expectativa pela vinda da Mariana e não estávamos preparados para o fato de nossa filha nascer com uma condição de limitação de seu desenvolvimento, tida à época como insuperável. Alguns meses antes, escrevêramos uma carta a seis mãos para nossas famílias, junto com Dom Fragoso, Bispo de Crateús, que nos visitava em Colônia, comunicando a gravidez da Ruth e falando da nossa alegria por estarmos tendo a oportunidade de concretizar um sonho de muitos anos. Moldados por nossa cultura e educação para nos submetermos a certos padrões de aparência, fama, poder, inteligência, papéis sociais e de desempenho que não se coadunavam com os que eram prescritos a quem a medicina e a sociedade carimbavam com o diagnóstico de Síndrome de Down, ficamos completamente desnorteados diante daquela realidade.

Foram três semanas de desalento e prostração. Conversávamos, chorávamos juntos, procurávamos dar apoio um ao outro, mas éramos como dois náufragos abraçados e acabávamos   afundando cada um em seu microcosmo. Em um destes momentos de angústia individual, depois de me fazer várias interrogações que eu não sabia responder, perguntei-me:  a Mariana pode ser feliz? Quando percebi que sim, compreendi que não havia nada melhor para minha filha do que felicidade e que, sendo ela feliz, como pai dela eu também poderia ser. Foi como um clarão. Corri para conversar com a Ruth. Analisando um sonho que tivera, ela chegara a uma posição semelhante.

Convergimos imediatamente, atiçando-se nossa chama adormecida de lutadores. E a primeira batalha que travamos foi na frente interna, buscando extirpar os preconceitos sobre a realização do ser humano que havíamos introjetado ao longo da nossa formação. Em paralelo, sem desconsiderar as limitações impostas pela natureza, começamos a procurar meios de ajuda para o desenvolvimento daquela bebezinha de olhos puxados, nariz deprimido, língua grande e musculatura flácida. De início, uma boa notícia: a Mariana não tinha qualquer problema cardíaco, ocorrência frequente em portadores daquela síndrome, que costuma dificultar procedimentos terapêuticos.

Por feliz coincidência, soube por um colega de turma que sua esposa estava frequentando um Programa de Estimulação Precoce para crianças com déficit cognitivo no Curso de Pedagogia da Universidade de Colônia. Apresentados por ela ao professor que conduzia aquele programa pioneiro, conseguimos imediatamente inscrever a Mariana nele. Este programa tinha como um de seus pontos mais inovadores a capacitação dos pais como estimuladores dos seus filhos. Entramos de corpo e alma em suas atividades.

Nossa busca por recursos terapêuticos e pedagógicos que pudessem ser úteis à Mariana estendeu-se inicialmente a outras cidades da Alemanha e, em seguida a outros países europeus, de onde recebíamos informações e convites para visitas por parte de amigos que viviam neles como refugiados políticos, formando-se uma rede que captava novidades que surgissem em quase toda a Europa. A Ruth, como quase concludente de psicopedagogia e eu, mais uma vez, pertinho de formar-me em medicina, estudávamos tudo o que podíamos alcançar sobre o desenvolvimento de pessoas com deficiências.

Em Colônia mesmo, localizamos um médico que fazia um tratamento experimental que ele denominava de terapia celular, mas depois de duas aplicações de umas injeções que ele preparava com tecido embrionário do cérebro de carneiros, desistimos por descrença em suas bases científicas.

Tomamos conhecimento de que um cirurgião plástico estava operando crianças com Síndrome de Down em Frankfurt no Meno, cidade a duas horas de carro de Colônia.  Seu fundamento era que, realizadas precocemente, estas operações traziam melhorias funcionais, contribuíam para reduzir discriminações e para aumentar a autoestima da criança no futuro. Depois de muita pesquisa e de uma consulta com ele, decidimos pela realização de um procedimento de elevação da base do nariz e de redução da língua da Mariana. Em Frankfurt, para a realização desta operação, fomos hospedados pela Lourdinha e o Moacir, um casal amigo da Ruth e da Neuma, sua irmã. Os resultados da cirurgia foram altamente satisfatórios do ponto de vista estético e, no caso da língua, também funcionalmente, contribuindo para a melhoria da dicção e da mastigação.

               

Mariana é um dos seres humanos mais felizes que já conheci. Autoconfiante, comunicativa, bem-humorada e solidária, tem inteligência afetiva e sociabilidade acima da média. É estimada e admirada por familiares, amigos e por muitas pessoas que a conhecem em suas múltiplas atividades. Já teve alguns namorados e diz que não desistiu de casar-se. Lê e escreve, faz discursos e dá palestras sobre sua trajetória de vida e sobre inclusão de pessoas com deficiência. Estagiou nos Correios, trabalhou no Empório Delitália, no Centro Cultural do Banco do Nordeste e na Comissão de Pessoas Com Deficiências da Prefeitura de Fortaleza. Indicada pelo professor Custódio Almeida, atual Reitor da UFC, para fazer formação em Biodança, está em sua etapa final, atuando em dupla na facilitação de grupos em cumprimento do seu período de estágio.

Quando leu a primeira versão desta historieta, a Mariana me disse: “pai, está boa, mas você esqueceu de falar que fiquei dois anos sem Pátria”. E ela está certa. Seguindo diretrizes da ditadura militar, o Consulado do Brasil em Düsseldorf, responsável pela área de Colônia, não registrou o seu nascimento. Só veio a fazê-lo em 1979. depois da concessão da anistia, mais de dois anos após a data em que nascera. Neste intervalo de tempo ela ficara como apátrida, sendo por isso anistiada pelo governo federal em 25 de março de 2025.

Ao voltarmos do exílio, Ruth e eu viemos para o Ceará com o propósito de aplicarmos aqui o que havíamos aprendido na Europa sobre o desenvolvimento de pessoas com deficiências. Com este objetivo, em parceria com a psicóloga Fátima Diógenes, criamos a Escolinha Raio de Sol e o Centro de Desenvolvimento Humano. Simultaneamente, convidado por Dondea Regina Almeida, então presidente da APAE de Fortaleza, ajudei a estruturar naquela instituição uma equipe multidisciplinar para tratamento de pessoas com deficiência, constituída por profissionais da Pedagogia, Psicologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Educação Física e Assistência Social, ocupando por alguns anos o cargo de seu diretor clínico.

(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico Consultor Empresarial

Importante liderança universitária no tempo da ditadura de 64


GUARACIABA DO NORTE: LEMBRANÇAS

            A Primeira Viagem de Carro:                 Um Encontro com a Democracia

Dr. José Neudo Rodrigues (*)

No dia 2 de dezembro de 1945, o Brasil vivia um momento histórico: a primeira eleição presidencial após o fim do Estado Novo. Naquela manhã, eu, com apenas 5 anos e 1 mês, embarquei em minha primeira viagem de carro. Morávamos no Sítio Santo Amaro, no município de Guaraciaba do Norte, e nos dirigíamos à cidade para que meu pai e minha mãe pudessem votar.

O veículo era um caminhão antigo, talvez um Chevrolet ou Ford, com a boleia aberta e de madeira. Viajei no colo de minha mãe, ao lado de meu pai. A estrada, de terra batida e esburacada, serpenteava entre as serras cearenses. Para mim, tudo era novidade: o vento no rosto, o barulho do motor, a paisagem passando depressa.

Na cidade, o movimento era intenso. As pessoas se reuniam para votar e discutir os rumos do país. Meu pai, apoiador do general Eurico Gaspar Dutra, estava confiante. Dutra, candidato do PSD, enfrentava o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN, e Yedo Fiúza, do PCB. A eleição marcava o retorno à democracia após anos de regime autoritário.

Mesmo tão jovem, percebi a importância daquele momento. A vitória de Dutra, com 55,39% dos votos, (3.251.507 votos), contra 2.039.341 votos sufragados a Eduardo Gomes, trouxe esperança de um futuro mais livre e justo. Dias depois, comemoramos em casa, sentindo que o país iniciava uma nova era.

Aquela viagem não foi apenas minha primeira experiência sobre rodas, mas também meu primeiro contato com a cidadania e a política. Uma lembrança que carrego com carinho, símbolo de um Brasil que renascia.

Trata-se de uma lembrança pessoal de uma viagem em um caminhão com boleia de madeira, em estradas precárias, que reflete não apenas uma experiência familiar, mas também o espírito de um Brasil em transição. Hoje celebro a emoção de testemunhar a primeira eleição presidencial a que assisti, mesmo na tenra idade, e a compreensão que adquiri do significado daquele momento histórico, que me impregnou uma consciência precoce e profunda do que seja democracia.

(*) Dr. José Neudo Rodrigues, guaraciabense, ex Juiz de Direito em várias Comarcas do Ceará











COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...