sábado, 14 de junho de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 

MUSEU DO CANGAÇO, NA ESTAÇÃO DO TREM

Como já fiz em Comentários anteriores, abordando assuntos pessoais ou familiares, até pastorais, hoje quero voltar minha atenção e a de meus possíveis leitores, para um Convite que recebi, pra participar de um evento que mexeu muito com minha saudade, à qual, sempre digo: ‘não se mata’.

É que, nos meus 84 anos de vida, eu os fui repartindo em blocos: de estudos, especializações, atividades pedagógicas, como professor e ações pastorais, em Paróquias, quase sempre permanecendo 05 anos em cada uma.

De 1984 a 1989 fui nomeado Pároco da Matriz de Nossa Sra. Do Rosário de Serra Talhada, pelo meu Bispo Diocesano, Dom Francisco. Eu já havia passado meus 05 anos em Amaraji, fui a Roma encerrar um Curso de Sociologia, iniciado antes e, como prêmio, recebi Serra Talhada de presente. Os mais antigos, por certo, ainda se lembram de mim. Além do contato mantido com a população, à época vivi, fraternalmente, com os Padres Jesus Garcia e Afonso Carvalho.

 Aprofundei-me muito no trabalho Pastoral, não só em celebrações comunitárias sacramentais, como em encontros conscientizadores da Missão Cristã, ajudando-os a praticarem ou a viverem aquilo em que acreditavam; daí os compromissos coletivos de unirem cada vez mais, oração e ação. Era o desejo de pôr em prática, aquilo que se pregava. Usávamos não só o Calendário Litúrgico para vivenciarmos nossas

celebrações, mas também as efemérides políticas, sociais, educativas que ajudassem no crescimento da sociedade como um todo. Para se chegar a isso requer-se-ia bastante tempo e a semente não brotava de um dia pro outro.

 Usávamos até os Meios de Comunicações pra levar nossa mensagem. Findava dando em nossa cabeça. Tinha-se pressa e o tempo limitado. Nem sempre os que se sentiam “Líder do Vale” e “Voz do Sertão” apoiavam a gente.

 Nosso plano era geral e levado a sério: se uma autoridade passa 05 anos para exercer um mandato tem que executá-lo em 05 anos. Seu sucessor dará continuidade. Se em 05 anos, você não tiver atingido a meta, dê vez a outrem para que a execute. Deixei Serra Talhada em 1989. Mas, nem tudo ficou perdido.

Um grupo bom de jovens, entusiasmado com a doutrinação que unia “teoria e prática” me apareceu com o firme propósito de levar a sério, o teatro, a música, a dança e, usando uma data, um tanto conflitante, sugeriu um momento apropriado: o Cangaço e sua história em Serra Talhada.

 Não seria fácil realizar tal objetivo. Não se tinha nenhuma estrutura. Sabia-se a História, muito controvertida, contada pelos mais antigos. Para uns, Lampião era um bandido. Para outros, um herói. Eu ouvia as narrativas e ia tirando minhas conclusões. Mas, sempre querendo saber mais. Os jovens, no seu entusiasmo, começaram a procurar uma área para se localizarem.

Havia uma estação de passagem de trem, desativada, sendo ocupada por drogados, prostituição hétero e homossexual e por outras formas de promiscuidade à base de bebidas alcoólicas num descontrole total. Ninguém se metia em organizar, nenhuma autoridade enfrentava o problema e as soluções não eram encaminhadas. Os autointitulados Cabras de Lampião começaram um trabalho de limpeza geral, física e socialmente, humanizando a área. Fotografaram, filmaram e documentaram todo o trabalho realizado: antes, durante e depois, instalando ali o seu Centro Artístico e Cultural de Serra Talhada. O Museu do Cangaço e, ao mesmo tempo: Centro de Estudos e Pesquisa do Cangaço (CEPEC). Cine Clube Lampião. Cine Arte Lampião.                                 

SERRA TALHADA – PE. A Estação do Trem virou Museu do Cangaço

Ligado ao Museu do Cangaço há o Sítio Passagem das Pedras, onde nasceu Lampião, como espaço cultural, localizado na Zona Rural, a uns 40 Km de Serra Talhada onde se faz a Celebração de Lampião, com um dia inteiro de oração, confraternização, carne de bode assado e muita alegria. Muitos

estudantes universitários da Paraíba, do Rio Grande do Norte, do Ceará e, é claro de Universidades de Recife e do interior, inclusive de Serra Talhada.

Para se chegar a aquele estágio, muita “água jorrou debaixo da ponte”. Eu colaborei no início, quando eu estava por lá. A equipe inicial, já está adulta, com filhos e continuam com a força dada pelos pais e iniciantes. Esta memória não se pode acabar. Firme como está, é pra celebrar mesmo.

 Neste dia 04.06. estou lembrando deste mesmo dia, em 1988, lá no início, celebrando os 90 anos do nascimento de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. No próximo mês, em 28.07. nos uniremos à mesma data de 1988, nos 50 anos de sua morte. Hoje, 04.06.2025, data em que estou escrevendo este artigo, lembramos os 127 anos do seu nascimento e aos 28.07.2025, 87 da sua morte. Daqui a 03 anos essas datas serão arredondadas: 130 anos pro nascimento e 90 anos pra rememorar a morte. Certamente, não serei mais convidado. Fui agora, mas não me sinto com o gás dos anos 80, quando morava em Serra Talhada. Já se vão mais de 40 anos.

 Não é a minha presença que vai dar brilho à História dos “Cabras de Lampião”. Eles acreditaram. Persistiram, enfrentaram barreiras. Procuraram o Ministério da Cultura. Conseguiram apoios. Eu ainda passei por lá, rapidamente, para alimentar e aumentar nossa saudade. Matá-la, nunca. Saudade não se mata; já disse ali acima, como tantas vezes tenho dito!... A saudade só nos faz, bem. Podem acreditar: voltei-me, inteirinho para estes “cabras da peste” de Serra Talhada para unir-me à sua alegria.

Obrigado pelo convite. Que façam a melhor de todas as festas. Eu me sinto premiado, vivinho, revendo os terreiros das casas, com seus cactos em “Passagem das Pedras”, circulando pela vizinhança, tirando gosto com aquela costelinha de bode assado para comungar da alegria de vocês. Deem-me notícias. Apareçam. Mesmo à distância, foi bom nos reencontrar – Pe. Assis.


                    BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO





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