A UVA/SOBRAL REUNIRÁ OS SEUS APOSENTADOS, EM
ENCONTRO INÉDITO
Tenho a impressão de que o atual
Presidente dos Estados Unidos, pela sua história de luxo e riqueza, não tem a
menor ideia de como vive a maioria da população do país.
A forma como se apresenta já reflete uma arrogância fora do comum. Demonstra que o mundo deve estar aos seus pés. Ele está acima de tudo e de todos.
Daí a forma como estabeleceu a taxação para produtos em todo o mundo. Não tem a menor sensibilidade para a forma de vida e as normas dos outros países.
Percebe-se que as opiniões de sua assessoria de nada valem ou os seus assessores apenas concordam com o que o chefe lhes dita.
Mas a arrogância, mais cedo ou mais tarde, apresenta efeitos amargos. Nenhum arrogante se dá bem. A rejeição aparece e deve doer muito para um exibicionista.
Sinto uma certa tristeza quando vejo residências pintadas e riscadas com pichamentos. Os pichadores não sabem o quanto custou às famílias, a pintura de suas casas.
No fim do ano, muitas famílias procuram melhorar a aparência de suas casas e, normalmente, o fazem com sacrifício e logo se deparam com os pichamentos. O que fazer?
Vejo um prédio histórico e de tanta importância como o Seminário da Prainha, em Fortaleza, cheio de rabiscos que nada dizem para a maioria que não sabe os significados. Há de ter uma solução.
FESTAS
Neste final de semana, tres significativas
celebrações da família e amigos: Em Guaraciaba do Norte, o aniversário da mossa irmã Nazi.
Ela é viúva de José Maria Oliveira Lima e mãe de Kleber e Kelly. São seus netos: William e Letícia, de Edna e Kleber e Gabriel e Izaac, da Kelly
Em Fortaleza: a querida amiga Maristela Menescal celebrou o seu aniversário em local muito especial.
Em Fortaleza, as Bodas de Ouro de casamento de Socorro
e João Alves Feitoza, pais de Aline, Evelyne, Caroline e Sabrine. Um quarteto
de alta competência. e mais genros, netos e familiares.
Em Teresina, nossos compadres Janete e Zemaria e a afilhada Thelma festejam a chegada do TOM, filho dos caros Gabriela e Antônio
Muita gente já se preparando para as festas de suas padroeiras na região norte. Serão: Guaraciaba do Norte, Nova Russas, Viçosa do Ceará, Reriutaba, Graça, Massapê e outras.
Depois de mais de 60 anos, tive a oportunidade de fazer contato com dois primos que sairam de Guaraciaba do Norte para morar em Porongatu. Uma família de 14 filos. Todos vivos. Falei com Eriberto e Arnildo Carvalho.
A Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, de Sobral, realizará um evento inédito que será um Encontro de Homenagem aos seus aposentados, no próximo dia 30 de julho.
Em geral, após a aposentadoria os servidores ficam esquecidos e, praticamente, abandonados pelas instituições a que tanto serviram. E também não são atualizados sobre as novas realizações.
Quando estamos nas instituições, a maioria de nossas conversas gira em torno do trabalho. Imaginamos até que todo mundo sabe da existência da nossa instituição. Com a aposentadoria, percebemos que ninguém fala.
Quando trabalhei na TV Educativa do Maranhão, imaginava que todo mundo a conhecesse. Ao sair, veio a decepção. Ninguém falava naquela importante instituição.
A ousadia da UVA, por seus gestores Professores Teodoro Soares e Evaristo Linhares e equipe de Pró-Reitores, Diretores, Coordenadores e Professores fez a maior revolução na Educação do Ceará.
Antes da iniciativa da UVA de levar cursos de graduação aos municípios, eram pouquíssimos os Professores Graduados. Em consequência, altíssima evasão escolar.
Os Professores não tinham condições de trabalhar e viajar a Sobral, diariamente, para aulas na UVA ou outras faculdades. A UVA mudou a situação no Ceará e em outros Estados.
Este é um fato que jamais deve ser esquecido. A Educação nos municípios era uma antes da UVA e tornou-se outra com o funcionamento dos cursos de graduação e pós graduação nos municípios.
A Dra. Marta Távora, psicóloga, com grande experiência em
capacitação de recursos humanos, está promovendo um interessante e necessário
curso sobre Comunicação Eficaz.
É um curso das Técnicas de Oratória e do Suporte Psicológico. É uma ferramenta necessária para todas as profissões. Lamentavelmente, não somos preparados para falar, mas para calar.
MEMÓRIAS DO EXÍLIO
“CAPOEIRISTA”
E CAPOEIRISTAS.
- Fique tranquilo, companheiro, vou pegar bem de leve.
Foi o que me garantiu
aquele capoeirista baiano, quando lhe expliquei que eu nunca tinha lutado
capoeira e o que eu fazia nas festas de refugiados brasileiros em Santiago, era
uma apresentação didática de alguns movimentos que eu imitava por tê-los visto
em exibições daquela arte que sempre admirei. Como eu terminava aquelas
encenações dizendo que lamentava não ter no nosso meio um verdadeiro
capoeirista para uma demonstração mais real daquela dança, certo dia chegou
para mim um amigo, todo alegre, dizendo: “boa notícia, João, agora você vai poder lutar
capoeira pra valer. Chegou ontem um companheiro da Bahia, que todo mundo diz
que é um capoeirista dos bons. E já topou te enfrentar.” Não sei se ao ouvir aquilo, empalideci, mas
lembro até hoje do frio que senti na barriga. Respondi que antes de conversar
com o baiano eu não podia assumir compromisso algum. O amigo organizou um
encontro entre nós dois e ele me disse aquela frase que diminuiu uns 10% da
minha aflição: “vou pegar bem de leve”. Com um pé atrás, no duplo sentido, conformei-me.
Dias depois, em uma festa com a participação de muitos amigos chilenos, em Macul, bairro onde morava a maioria dos brasileiros refugiados em Santiago, foi feita uma pausa e anunciada uma apresentação de capoeira, “famosa lucha de Brasil”. Resignado, entrei na roda formada no meio do salão, e ao som de uma música de capoeira, entoada em um toca-discos portátil, aguardei a entrada do verdadeiro capoeirista. Quando ele, com um pulo de uns dois metros de distância postou-se gingando diante de mim, fui recuando, desviando-me pra lá e pra cá, fazendo de tudo para distanciar-me daquela movimentação ameaçadora, tentando ganhar tempo, mas não demorou mais que um minuto para ele me alcançar, abaixar-se e me aplicar uma rasteira. Tive a sensação de ser levantado e de, em seguida, mergulhar de cara direto no chão, onde fiquei estatelado. Depois de algum tempo, ainda meio zuruó, dei-me conta de estar encostado em uma parede, cercado por rostos amigos e a Ruth passando pedras de gelo no meu rosto. Mesmo atordoado, veio-me à cabeça um trecho de uma canção do Jackson do pandeiro em que ele conta que, nunca havendo participado de uma tourada e tendo sido forçado a substituir um toureiro que adoecera, depois de levar muita chifrada, bateu a mão numa faca e gritou para o poleiro: “eu mato o cabra que disse que eu sou toureiro”. Não ameacei ninguém, mesmo porque se fosse para punir culpado, a solução não seria assassinato, mas suicídio. O certo é que naquela fatídica noite, encerrou-se a carreira de um pretenso capoeirista que não chegou sequer a ter este título.
Anos depois, quando eu
contei a história daquele meu fracasso para a Mariana, ela quase morre de rir.
E várias vezes pediu-me para repeti-la. Não sei se consciente ou
inconscientemente, talvez, desejando lavar a honra do pai, ela decidiu ser
capoeirista. E, com a determinação que tem para tudo, começou a frequentar uma
roda de capoeira para fazer seu aprendizado. Com as habilidades que
desenvolvera na biodança, que frequentava desde os 06 anos de idade, com sua
flexibilidade articular natural e com seu talento para relacionar-se,
rapidamente entrosou-se no grupo de praticantes e tornou-se capoeirista.
Em um passeio pela
Europa com ela, Marina e Maíra, suas irmãs do meu
casamento com a Tânia, num sábado ensolarado, maravilhados, assistíamos em uma
praça de Amsterdam uma roda de capoeira de baianos. Baixinho, de vez em quando,
a Mariana dizia “eu vou entrar, eu vou entrar”. De nada adiantaram os nossos conselhos em contrário. De repente, com
um pulo, ela postou-se no meio da roda, em posição de bananeira. Os
capoeiristas, todos bem altos, que contrastavam em tudo com aquela lourinha,
pequenininha, recuperados da surpresa inicial, abriram sorrisos e braços,
acolhendo-a com entusiasmo e a integraram na dança. A plateia irrompeu
Em um passeio pela Europa com ela, Marina e Maíra, suas irmãs do meu casamento com a Tânia, num sábado ensolarado, maravilhados, assistíamos em uma praça de Amsterdam uma roda de capoeira de baianos. Baixinho, de vez em quando, a Mariana dizia “eu vou entrar, eu vou entrar”. De nada adiantaram os nossos conselhos em contrário. De repente, com um pulo, ela postou-se no meio da roda, em posição de bananeira. Os capoeiristas, todos bem altos, que contrastavam em tudo com aquela lourinha, pequenininha, recuperados da surpresa inicial, abriram sorrisos e braços, acolhendo-a com entusiasmo e a integraram na dança. A plateia irrompeu em um longo e vibrante aplauso. Ali estava uma verdadeira capoeirista.
No dia 11 de abril deste ano, juntamente com a Mariana e a Maurícia
participei do lançamento do livro SAMUKA, de autoria da psicóloga Maria
Linda Lemos Bezerra. Este livro é sobre a vivência da Linda com seu filho
Samuel, portador de TEA – Transtorno do Espectro Autista e sobre o muito
o que ela aprendeu e ensinou em 45 anos de estudos e práticas sobre esta
síndrome, no Brasil e nos EUA.
Naquele evento, foi grande minha alegria ao abraçar o agora capoeirista
que eu, como médico, atendera quando ele era um bebezinho de seis meses, em
1980, no Centro de Desenvolvimento Humano. Em sociedade com a psicóloga Fátima
Diógenes, Ruth e eu, somando à experiência dela os conhecimentos que, motivados
pelo nascimento com Síndrome de Down da nossa filha Mariana, havíamos adquirido
na Europa, criáramos aquele centro de tratamento precoce de crianças com
deficiências neuropsicomotoras.
Levando o Samuka para tratar-se ali, a Linda aceitou com
entusiasmo nossa proposta de capacitação dos pais para atuarem como agentes na
estimulação dos filhos, entrando de corpo e alma no processo que consistia no
engajamento gradual de profissionais de uma equipe multidisciplinar, em
conformidade com as necessidades indicadas pela evolução de cada criança. Ela
já estava em uma caminhada para proporcionar ao Samuka o que pudesse
existir de melhor no mundo para ajudar seu desenvolvimento.
O Samuka, como se vê nos depoimentos de seu professor de capoeira ,Robério Batista Queiroz, o Mestre Ratto e de Igor Monteiro, seu colega no CECAB - Centro de Capoeira Agua de Beber, no livro escrito por sua mãe, “tornou-se capoeirista enriquecendo-se com saberes ancestrais da cultura afro-indígena por meio das sonoridades produzidas pelos berimbaus, atabaques e pandeiros e, enriquecendo-a com valores civilizatórios calcados na ludicidade e nas emoções, que vão além de rigores técnicos e físicos, transcendendo assim a simples troca de pernadas”. No dizer deles, na capoeira, ele é um agente de mudanças que ensina enquanto aprende.
Este foi o Samuka que reencontrei 45 anos depois de o ter conhecido como
aquele bebê que precisava de estímulos profissionais para o desabrochar de todo
seu potencial humano.
PS. Consultei a Linda sobre a correção das minhas referências ao Samuka e ao responder-me que estava tudo certo, ela enviou-me um excelente texto que escreveu para uma antologia sobre capoeira, apresentada no 35º Salão do Livro de Paris, em 2015, do qual retirei da citação de um poema de Dias Gomes o seguinte trecho: “Capoeira é luta de dançarinos. É dança de gladiadores.”
dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial, Liderança Destacada no tempo da ditadura de 64,
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