sexta-feira, 25 de julho de 2025

O COMENTÁRIO DA SEMANA

 


AÇÃO CATÓLICA IDENTIFICOU E FORMOU LIDERANÇAS

Na semana passada, encerrei meu “comentário”, prometendo voltar ao tema iniciado, de grande importância para a Igreja, dando-lhe continuidade na reflexão de hoje: a preocupação do Papa Pio XI, em 1935, “convocando os cristãos leigos a formarem um verdadeiro exército de Cristo, em busca de amor, justiça, e paz, como um braço estendido da Igreja Católica dentro da so-ciedade organizada, sob a coordenação do clero” (i.é, assistência eclesiástica).

             À época, como é feito sempre - um documento desses, uma exortação pastoral ou uma carta encíclica – é para o mundo todo tomar conhecimento e se deve espalhar o mais veloz possível. Agora é simples e rápido, mas, lá no passado, a correspondência ia para as mãos de um Cardeal e este a fazia chegar a outros bispos, o que era muito difícil. Aqui mesmo, no Brasil nem havia ainda a CNBB, que só apareceu no início dos anos 60, com o Concílio.

            Dessa vez, tratava-se da fundação da Ação Católica e o Documento Pontifício chegara às mãos do Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, do Rio de Janeiro, para fazê-lo alcançar os leigos. Mas, os leigos aos quais, o Papa se referia, eram os mais jovens que, pela Europa já se agrupavam em torno dos mesmos interesses e vocações, que tinham aspirações semelhantes e que se iam sentindo chamados: para trabalhar no campo, na escola, nas fábricas, num meio de jovens independentes e até universitários.

            Por toda a Europa eles já conheciam a Doutrina Social da Igreja, iniciada pelo Papa Leão XIII, em 1871, através de sua Encíclica Rerum Novarum, que “defendia os princípios morais de dignidade e inviolabilidade da pessoa, bem como suas questões operárias e seus direitos de trabalhadores”. Eram as coisas novas que a industrialização, os latifúndios, as escolas e universidades onde os leigos de cada classe social iam-se reunindo e se organizando, apoiados pela Igreja em cada país.

            A Encíclica Social de Leão XIII foi fundamental para a Ação Católica de Pio XI. Ele se assessorou da Literatura, reinante à época, proveniente de Teólogos e Filósofos cristãos, mais ou menos coetâneos, que lhe iam fornecendo a base e fundamentação necessárias para propor outra novidade.

Tais cristãos, nascidos entre 1891 e 1897, em diferentes partes do mundo, influenciavam com suas idéias e ensinamentos, mais ou menos, unânimes. Coube a Pio XI coordená-los, sistematizá-los e divulgá-los mundo afora. Estavam entre esses pensadores ou colaboradores: o Padre Teilhard Chardin (França, 1881). Pe. J. Cardjin (Bélgica) e Jacques Maritain (França, 1882). Padre Leonel Franca (Brasil, 1893). Padre, Bispo e Cardeal Fulton Sheen (EEUU, 1895) e Padre Lebret (França, 1897). Em 1935 todos tinham de 44 a 48 anos. Jovens, em pleno vigor da sabedoria, preparados para colaborar.

Foi quando o Papa Pio XI, no comando da Igreja Católica, enviou seu apelo ao Cardeal Leme, do Rio de Janeiro, para que ele divulgasse a nova pastoral nascente, que era a Ação Católica. Nascera do impulso dado pela recente Doutrina Social da Igreja, assessorada por tão grandes Pensadores, no desempenho do novo trabalho catequético e evangelizador da Igreja. O Cardeal Leme não deixou de lado o apelo do Papa, mas atirou no alvo errado.

            Havia um grupo selecionado de leigos que se reunia, mais ou menos, organizadamente, formando o Centro Dom Vital, fundado desde 1922. Fazia parte da intelectualidade católica conservadora e defendia um nacionalismo de direita. Sucediam-se no comando do C.D.V. nomes como: Jackson de Figueiredo, Alceu de Amoroso Lima (inicialmente, conservador) embora, mais tarde, um católico de esquerda. Com este, já convertido, aliou-se também Dom Helder Câmara, proveniente do integralismo, mas nomeado seu assistente eclesiástico, entusiasta da A.C. nos moldes em que ela nasceu. Fez toda a diferença dentro do grupo, original do Cardeal, tornando-se um verdadeiro símbolo do clero progressista, como queriam Leão XIII, Pio XI e seguidores ou “assistentes” com sensibilidade para os apostolados católico, em geral e social.

            Com a entrada de Dom Helder, convertido e renovador, um componente do Centro Dom Vital, Plínio Correia de Oliveira desligou-se do grupo por ser de extrema direita, fundador do tradicional, conservador e reacionário slogan, vivo ainda hoje: “T.F.P.” (Tradição, Família, Propriedade) que ainda quer dominar e convencer os “desavisados”. Aliás, falta de “aviso” não é.

            Com a entrada do Padre Helder como secretário da Arquidiocese do Rio de Janeiro e depois, como seu Bispo Auxiliar, nomeado pelo Papa Pio XII em 1952, sua influencia, sua ação pastoral, seu contato com os mais pobres e favelados e o discurso inflamado que convencia as massas, o tornaram muito conhecido, dentro e fora do Brasil.

            Quando o Papa João XXIII assumiu seu Pontificado em 28 de outubro de 1958, começou a anunciar, preparar e convidar as hierarquias da Igreja, em todo o mundo, para realizar um Concílio Ecumênico, o Vaticano II, que iniciou aos 11 de outubro de 1962 e encerrou com o Papa, Paulo VI, em 08/12/1965. O curto pontificado do Papa João foi determinante e marco fundamental para legitimar toda a História da Doutrina e prática Social da Igreja até nossos dias.

            Dom Helder apareceu no Concílio, nos mais de 03 anos de sua duração, como a estrela mais brilhante, por sua lucidez, inteligência e negociações que o levaram a propor, ainda em Roma, aos Srs. bispos brasileiros, a instituição da CNBB (Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil), que serviu de modelo para outras Conferencias Episcopais pelo mundo. A CNBB ligou mais o Brasil a Roma, deu mais agilidade à documentação proveniente de lá, os trâmites e correspondências, além das comunicações que se tornaram mais ágeis e passou a haver uma unidade maior nas práticas Pastorais.

É claro que para Bispos que se não renovaram, para católicos em quem nada entraram de comunhão e participação, exigidas pelo Concílio, para políticos que só queriam o poder para se locupletar de vantagens e de recursos públicos e para militares que pouco estudavam, mas impunham o poder pela força e pela truculência, a ditadura nos chegou de assalto, mais ou menos, como se deu em outros países latino-americanos: chegando e se instalando para destruir a pátria amada, até mesmo nos aconselhando a “amá-la ou deixá-la”

Chegou, chegando e se instalou, maltratou, prendeu, torturou e matou por longos 21 anos. (Mas este é um assunto para o próximo comentário).

                                                           Fazenda Santa Maria – Bela Cruz - Ceará

Por hoje, ainda quero unir-me às minhas famílias Magalhães Rocha e Magalhães Araújo que, ao gerar 21 irmãos, fomos criados e educados para formarmos uma só família. Inicialmente, chegamos a 18. Depois, mais 03 irmãos vieram engrossar nossas fileiras. Hoje, somos nove. Continuamo-nos reunindo há 80 anos, desde 1945, quando nosso pai comprou a Fazenda Santa Maria no Município de Acaraú, hoje, pertencente ao de Bela Cruz. Lá, estamos reunidos como “o resto de Israel: aquele grupo remanescente do povo judeu que permaneceu fiel a Deus. É isto que somos agora. Sem nossos pais, sem nossas mães. 1/3 dos irmãos da 1ª família. Outro terço dos outros irmãos da 2ª está mais perto de nós. Poderemos confiar em nossos descendentes para dar continuidade à semente lançada na constituição da tradicional grande família

                                  E mail: leunamgomes123@gmail.com

 







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