AÇÃO CATÓLICA IDENTIFICOU E FORMOU LIDERANÇAS
Na semana passada,
encerrei meu “comentário”, prometendo voltar ao tema iniciado, de grande
importância para a Igreja, dando-lhe continuidade na reflexão de hoje: a
preocupação do Papa Pio XI, em 1935, “convocando
os cristãos leigos a formarem um verdadeiro exército de Cristo, em busca de
amor, justiça, e paz, como um braço estendido da Igreja Católica dentro da
so-ciedade organizada, sob a coordenação do clero” (i.é, assistência
eclesiástica).
À época, como é feito sempre - um documento desses, uma exortação pastoral ou uma carta encíclica – é para o mundo todo tomar conhecimento e se deve espalhar o mais veloz possível. Agora é simples e rápido, mas, lá no passado, a correspondência ia para as mãos de um Cardeal e este a fazia chegar a outros bispos, o que era muito difícil. Aqui mesmo, no Brasil nem havia ainda a CNBB, que só apareceu no início dos anos 60, com o Concílio.
Dessa
vez, tratava-se da fundação da Ação Católica e o Documento Pontifício chegara
às mãos do Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra, do Rio de Janeiro, para
fazê-lo alcançar os leigos. Mas, os leigos aos quais, o Papa se referia, eram
os mais jovens que, pela Europa já se agrupavam em torno dos mesmos interesses
e vocações, que tinham aspirações semelhantes e que se iam sentindo chamados:
para trabalhar no campo, na escola, nas fábricas, num meio de jovens
independentes e até universitários.
Por
toda a Europa eles já conheciam a Doutrina Social da Igreja, iniciada pelo Papa
Leão XIII, em 1871, através de sua Encíclica Rerum Novarum, que “defendia
os princípios morais de dignidade e inviolabilidade da pessoa, bem como suas
questões operárias e seus direitos de trabalhadores”. Eram as coisas novas que a
industrialização, os latifúndios, as escolas e universidades onde os leigos de
cada classe social iam-se reunindo e se organizando, apoiados pela Igreja em
cada país.
A
Encíclica Social de Leão XIII foi fundamental para a Ação Católica de Pio XI. Ele se assessorou da Literatura,
reinante à época, proveniente de Teólogos e Filósofos cristãos, mais ou menos
coetâneos, que lhe iam fornecendo a base e fundamentação necessárias para
propor outra novidade.
Tais cristãos, nascidos
entre 1891 e 1897, em diferentes partes do mundo, influenciavam com suas idéias
e ensinamentos, mais ou menos, unânimes. Coube a Pio XI coordená-los,
sistematizá-los e divulgá-los mundo afora. Estavam entre esses pensadores ou
colaboradores: o Padre Teilhard Chardin (França, 1881). Pe. J. Cardjin
(Bélgica) e Jacques Maritain (França, 1882). Padre Leonel Franca
(Brasil, 1893). Padre, Bispo e Cardeal Fulton Sheen (EEUU, 1895) e Padre
Lebret (França, 1897). Em 1935 todos tinham de 44 a 48 anos. Jovens, em
pleno vigor da sabedoria, preparados para colaborar.
Foi quando o Papa Pio
XI, no comando da Igreja Católica, enviou seu apelo ao Cardeal Leme, do Rio de
Janeiro, para que ele divulgasse a nova pastoral nascente, que era a Ação Católica. Nascera do impulso dado
pela recente Doutrina Social da Igreja,
assessorada por tão grandes Pensadores, no desempenho do novo trabalho
catequético e evangelizador da Igreja. O Cardeal Leme não deixou de lado o
apelo do Papa, mas atirou no alvo errado.
Havia um grupo selecionado de leigos
que se reunia, mais ou menos, organizadamente, formando o Centro Dom Vital, fundado desde 1922. Fazia parte da
intelectualidade católica conservadora e defendia um nacionalismo de direita.
Sucediam-se no comando do C.D.V.
nomes como: Jackson de Figueiredo, Alceu de Amoroso Lima (inicialmente,
conservador) embora, mais tarde, um católico de esquerda. Com este, já
convertido, aliou-se também Dom Helder Câmara, proveniente do
integralismo, mas nomeado seu assistente eclesiástico, entusiasta da A.C. nos
moldes em que ela nasceu. Fez toda a diferença dentro do grupo, original do
Cardeal, tornando-se um verdadeiro símbolo do clero progressista, como queriam
Leão XIII, Pio XI e seguidores ou “assistentes”
com sensibilidade para os apostolados católico, em geral e social.
Com
a entrada de Dom Helder, convertido e renovador, um componente do Centro Dom
Vital, Plínio Correia de Oliveira desligou-se do grupo por ser de extrema
direita, fundador do tradicional, conservador e reacionário slogan, vivo ainda
hoje: “T.F.P.” (Tradição,
Família, Propriedade) que ainda quer dominar e convencer os “desavisados”.
Aliás, falta de “aviso” não é.
Com
a entrada do Padre Helder como secretário da Arquidiocese do Rio
de Janeiro e depois, como seu Bispo Auxiliar, nomeado pelo Papa Pio XII em
1952, sua influencia, sua ação pastoral, seu contato com os mais pobres e
favelados e o discurso inflamado que convencia as massas, o tornaram muito
conhecido, dentro e fora do Brasil.
Quando
o Papa João XXIII assumiu seu Pontificado em 28 de outubro de 1958, começou a
anunciar, preparar e convidar as hierarquias da Igreja, em todo o mundo, para
realizar um Concílio Ecumênico, o Vaticano II, que iniciou aos 11 de outubro de
1962 e encerrou com o Papa, Paulo VI, em 08/12/1965. O curto pontificado do
Papa João foi determinante e marco fundamental para legitimar toda a História
da Doutrina e prática Social da Igreja até nossos dias.
Dom
Helder apareceu no Concílio, nos mais de 03 anos de sua duração, como a estrela
mais brilhante, por sua lucidez, inteligência e negociações que o levaram a
propor, ainda em Roma, aos Srs. bispos brasileiros, a instituição da CNBB
(Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil), que serviu de modelo para outras
Conferencias Episcopais pelo mundo. A CNBB ligou mais o Brasil a Roma, deu mais
agilidade à documentação proveniente de lá, os trâmites e correspondências,
além das comunicações que se tornaram mais ágeis e passou a haver uma unidade
maior nas práticas Pastorais.
É claro que para Bispos
que se não renovaram, para católicos em quem nada entraram de comunhão e
participação, exigidas pelo Concílio, para políticos que só queriam o poder para
se locupletar de vantagens e de recursos públicos e para militares que pouco
estudavam, mas impunham o poder pela força e pela truculência, a ditadura nos
chegou de assalto, mais ou menos, como se deu em outros países
latino-americanos: chegando e se instalando para destruir a pátria amada, até mesmo
nos aconselhando a “amá-la ou deixá-la”
Chegou, chegando e se
instalou, maltratou, prendeu, torturou e matou por longos 21 anos. (Mas este é
um assunto para o próximo comentário).
Fazenda Santa Maria – Bela Cruz - Ceará
Por hoje, ainda quero unir-me às minhas famílias Magalhães Rocha e Magalhães Araújo que, ao gerar 21 irmãos, fomos criados e educados para formarmos uma só família. Inicialmente, chegamos a 18. Depois, mais 03 irmãos vieram engrossar nossas fileiras. Hoje, somos nove. Continuamo-nos reunindo há 80 anos, desde 1945, quando nosso pai comprou a Fazenda Santa Maria no Município de Acaraú, hoje, pertencente ao de Bela Cruz. Lá, estamos reunidos como “o resto de Israel”: aquele grupo remanescente do povo judeu que permaneceu fiel a Deus. É isto que somos agora. Sem nossos pais, sem nossas mães. 1/3 dos irmãos da 1ª família. Outro terço dos outros irmãos da 2ª está mais perto de nós. Poderemos confiar em nossos descendentes para dar continuidade à semente lançada na constituição da tradicional grande família?


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