OS GOLPISTAS COMEÇAM A SENTIR O RIGOR DA LEI
EDIÇÃO DE -19.07.25
Vários deputados apresentaram voto de
louvor ao Presidente dos Estados Unidos pela medida contra do Brasil. O que merecem os traidores parlamentares?
Isto é coisa de eleitores que não sabem em quem votam. Basta alguém indicar e logo os submissos votam. Isto não é cidadania. Há deputados federais que envergonham o estado.
No próximo ano, teremos nova chance de escolher novos deputados e senadores. É bom estar atentos aos que fazem os atuais representantes do povo. Alguns nos envergonham.
Mas é importante saber que há muitos deputados que nos orgulham e nos representam com dignidade. Graças a Deus, nunca me arrependi dos votos que dei.
Na votação do chamado PL da DEVASTAÇÃO para beneficiar os donos de muitas terras, o Deputado Leônidas Cristino votou CONTRA.
A propósito, temos leitores desta coluna que se irritam quando falo sobre Paulo Freire. Há mais de 50 anos tenho adotado com êxito as ideias de Paulo Freire.
Falar sobre a tentativa de golpe de estado também incomoda aos direitistas fanáticos que gostam de bajular os defensores da ditadura.
Aliás, vi, recentemente que um dos financiadores está arrependido. Quando foram descobertos como patrocinadores da tentativa de golpe, perderam clientes.
Eles costumam defender os incentivadores afirmando que não houve golpe. É claro que não houve. Bem que tentaram.
Se tivesse havido, eles estariam aí prendendo Deus e o mundo. Mas deu errado. Foram atrás do Trump e a ameaça de vingança com os 50%, também deu errado.
Nesta semana os guaraciabenses perdemos um bom amigo que morava em Brasília. Era Francisco Eliony César de Sousa, casado com minha prima Erinete Feitosa.
Ele era filho de D. Adelaide e Simeão Santana de Sousa. Erinete, filha da tia Dedite Gomes Feitoza e José Alves Feitoza (Zequinha), pessoas muito conhecidas e queridas em nossa terra.
Estou preparando um livro com relatos de minha caminhada profissional, especialmente, na educação. Tudo com base em Paulo Freire.
A minha dissertação de Mestrado é um relato analítico da gestão que tive na Secretaria de Educação de Guaraciaba do Norte. E os resultados podem ser analisados até hoje.
Comecei realizando Seminários com a população para uma análise da educação oferecida ao município quando apenas 16% das crianças chegavam à 4ª série.
As ações desenvolvidas, a partir das sugestões da comunidade, mudaram o panorama. E tudo foi detalhadamente documentado. Basta comparar o que era e o que mudou?
Sempre que tive oportunidade de trabalhar em Secretarias municipais de Educação, comecei ouvindo a comunidade. Não se deve ter medo do povo.
Assim aconteceu em Croatá, Poranga Guaraciaba do Norte, Guaiuba e Graça. E os resultados sempre foram positivos. Este é o caminho para acertar.
Paulo Freire afirma: “A Leitura do Mundo precede à leitura da palavra.” É a comunidade que conhece a sua própria realidade.
Na recente viagem de São Luís a Fortaleza, conheci, no aeroporto, um grande empresário cearense, de Sobral, que há muitos anos reside naquela capital.
Trata-se de Maurício Feijó, um cidadão muito religioso e que, com sua liderança, transformou-se em Presidente da Federação do Comércio do Maranhão.
Coincidentemente, na véspera, em São Luís, estive numa festa junina, promovida pela FECOMERCIO, em um de seus polos de atividades, num bairro da capital.
A seu convite, nos encontramos no Edifício onde tem apartamento em Fortaleza. Foi uma boa conversa. Dei-lhe os livros: AD VITAM e AD LABOREM.
Dele, ganhei um livro o livro À MARGEM DA HISTÓRIA DE COREAÚ-CEARÁ, de autoria de Francisco Mavignier Cavalcante França. No passado, era a Palma
Neste sábado, na família vamos nos reunimos com a querida amiga Orineide Ferro Carvalho, viúva do querido primo José Abner, as filhas Débora e Raquel, genro e netos, residentes em Brasília.
Betanistas se organizam para a comemoração dos cem anos da construção do prédio do Seminário Menor de Sobral, no bairro da Betânia, por Dom José Tupinambá da Frota. Hoje funciona a sede da UVA.
MEMÓRIAS DA DITADURA
VENTURAS
E DESVENTURAS COM IDIOMAS
- Continua aí, João!
Era o que me dizia a Ruth ao enganchar-se no alemão, quando começava a contar alguma das suas famosas estórias da Pedra Branca, poucos meses depois da nossa chegada na Alemanha. Impulsionada pela sua natureza comunicativa e por seu aguçado senso de humor, ela não se intimidava ante a barreira do idioma e achava seu alemão suficiente para contar aqueles casos com nuances da cultura do interior cearense, difíceis de serem captadas até por brasileiros de grandes cidades. E passar a bola para mim não resolvia, pois minha insuficiência no idioma de Goethe era igual a dela.
Imaginem como era
tentar contar em alemão, com apenas três meses de estudo, que a Donana, sua
mãe, ao perguntar a uma moça que ajudava na copa, quem era o pai da criança, de
uma gravidez que esta tentava ocultar, obteve como resposta: “eu só me queixo do Lalá”. O Lalá era o botador d’água da casa dela.
Entendam como era difícil esclarecer aquele sentido tão peculiar do verbo
“QUEIXAR-SE e que também não era fácil explicar a profissão de “botador d’dágua”, aquela pessoa que abastecia residências com
água em tonéis de madeiras, transportados por jumentos.
Mas ela não desistiu e
continuou tentando narrar histórias, como a da copeira que argumentou com a
Donana que um pedaço de rapadura caído no chão não oferecia nenhum perigo para
a saúde, pois com a pancada mataria todos aqueles bichinhos que a patroa
chamava de micróbios.
Pois é, os desafios
eram deste porte, tal como um a que fui submetido, à mesma época, quando um professor
de português da Universidade de Bochum, que adquirira um disco do Luiz Gonzaga
em uma viagem que havia feito ao Brasil, pediu-me uma sugestão de tradução para
o alemão da expressão “resfolego da sanfona”. Não dava, concordam?
Mas as desventuras com
idiomas estrangeiros na vida de exilados tinham começado no Chile, onde os
brasileiros veteranos de refúgio faziam um teste com os calouros sobre a
capacidade de pronunciar certas palavras em espanhol. A preferida era
IRARAZÁVAL, nome de uma rua de Santiago. Para nós cearenses, habituados à
suavidade dos “Erres”, os primeiros resultados costumavam ser desastrosos.
A letra “E” também nos
trouxe dificuldades no início do exílio, devido ao nosso costume de
pronunciá-la de modo aberto, como aconteceu com meu querido amigo e futuro
sócio, Paulo Brasil. Ao receber um chileno no apartamento onde ele morava com a
Cristina, sua mulher, perguntou-lhe: - ustéquété ou café? O visitante fez
uma cara de espanto pois só entendeu a última palavra, não relacionando a outra
com a expressão espanhola “Usted quiere té” (o senhor quer chá),
pronunciada com todos os “Es”, bem fechados.
A propósito do nosso jeito cearense de falar, este companheiro de muitas
jornadas, contou-me que, quando estudava em Porto Alegre, em um discurso que
fez numa assembleia contra uma das arbitrariedades da ditadura, ao começar sua
fala dizendo “nós gaúchos, vamos mostrar a força da resistência estudantil”, a
plateia inteira caiu na gargalhada. Em seguida, todos aplaudiram apoiando o
posicionamento daquele “gaúcho” que não viera dos pampas, mas da caatinga
cearense.
Sudestinos e sulistas
também tiveram no Chile algumas desventuras idiomáticas, como aquele
companheiro que, ao sentir frio, usou a regra, que algumas vezes funciona, de
transformar o “J” de uma palavra em português em “R”, para encontrar sua
correspondente em espanhol, pedindo a um amigo chileno para fechar “a ranela” que ali é chamada de... ventana.
Já a dona Letícia, mãe
da Ângela, ao visitar Santiago, depois de levar algum tempo para automatizar o
uso de gracias, ao invés de obrigado, acabou gostando daquela
palavra que, no futuro, lhe pareceu muito útil. Quando foi para a Alemanha
assistir o nascimento do neto Adriano e cuidar da filha no pós-parto, ela não
estava em casa quando se rompeu a bolsa e a Ângela precisou ir às pressas para
o hospital. Paulo Lincoln, com sua habitual meticulosidade, deixou pregado na
porta do apartamento um bilhete para Dona Letícia, com todas as orientações
para o deslocamento dela até o hospital. Algum tempo depois, ela chegou ao quarto
da maternidade, toda orgulhosa do seu feito. Perguntada se tinha tido alguma
dificuldade para chegar ali, respondeu prontamente: “que nada, quando eu tinha
dúvida, mostrava o mapa do Paulo a alguma pessoa, ela me apontava o caminho, eu
dizia gracias, gracias e seguia em frente.”
E por falar em FRENTE,
teve o caso do brasileiro que ao tentar orientar um motorista de táxi em Paris
sobre seu destino, apontou para diante, dizendo: “sampranfran”, aplicando aquela regrinha de transformar algumas palavras nossas com
som de “EN” no “AN” do francês. Sua criativa tradução do nosso “sempre em
frente” infelizmente não existe e, como me explicou uma amiga francesa, “tout droite” é o que é usado naquelas ocasiões.
Outra agrura causada
por idioma foi a dificuldade que um amigo brasileiro teve de encontrar nosso
apartamento quando ainda morávamos em Bochum. Ele copiara de um envelope com
uma carta nossa a expressão “Erdgeschoss, links”,
pensando tratar-se do nome da nossa rua. Quando mostrou sua anotação para o
motorista de táxi, ele nada entendeu, pois o que via ali era somente “Andar
Térreo, esquerda”. Felizmente ele tinha consigo o envelope com a nossa carta e
ao mostrá-lo ao motorista tudo se esclareceu, pois lá estava escrito: Robert
Koch Strasse, 21, ou seja, a palavra rua (Strasse), seu nome e número, tendo
abaixo a indicação do andar do nosso apartamento que ficava do lado oposto de
um outro do mesmo andar, situado à direita (Erdgeschoss, rechts). Juro que não escolhemos o lado do apartamento
por conotação político-ideológica, mesmo porque àquela época não se tinha a
polarização que existira no passado e que ressuscitou agora.
Keine
da? (pronúncia: kainedá),
quando ouviu aquela pergunta que significa “ninguém aqui”?, o Tutruca, um
simpático refugiado chileno que começara a trabalhar naquele bar, entendeu
“Canadá?” e, meio atarantado, levantou-se do pé do balcão, onde, acocorado
arrumava umas garrafas, respondendo “no, soy de Chile”
Mas houve também muitas
venturas na superação das barreiras idiomáticas, como a daquele brasileiro que
ainda não aprendera francês e que visitou um casal de amigos que morava em
Paris. O casal tinha saído e quem lhe
abriu a porta foi uma linda desconhecida, que não sabia português. Ela
conseguiu fazê-lo entender que era grega. Aí, ele não teve dúvidas e,
lembrando-se da história aprendida no colégio, disparou: Termópilas, Esparta, Atenas,
Tróia, Peloponeso, Odisseia, Ulisses, Heródoto, Hipócrates, Hércules, Leônidas... No começo, a moça ficou um pouco
espantada, depois abriu um sorriso e não demorou muito para a superação do
obstáculo idiomático, iniciando um promissor namoro.
Para mim, as
descobertas pela aquisição de mais idiomas revelam formas diferentes de
postar-se diante do mundo, como coisas são feitas de outro jeito, modos de
relacionamentos em padrões ainda não conhecidos, degustação de sabores não
costumeiros, enfim, chances de conhecer novas culturas, adquirindo novos
códigos e posturas na comunicação entre humanos.
Ou, considerando
Fernando Pessoa quando disse que “minha pátria é minha língua”, aprendermos um
novo idioma é nos abrirmos para conhecer a pátria dos outros, desde que
respeitem a nossa, contrariamente do que fazem hoje alguns brasileiros que,
hipocritamente, se autodenominam patriotas.
João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial, destacada liderança durante o tempo da ditadura de 64.
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