sábado, 9 de agosto de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO



Guaraciaba do Norte:                     Muitas alegrias na Festa da Padroeira

                                EDIÇÃO DE 09 de agosto                                                                                                          

Semana passada, fomos a uma Missa em Ação de Graças.  A Leitura do Evangelho e a Homilia a seguir, fora feitas por um Diácono ou Subdiácono muito jovem.

 Observei que a Igreja tinha equipamentos de som em quantidade. Mas a qualidade era péssima. Aliás, o microfone do auxiliar era ótimo. O que estava com o leitor e pregados, péssimo.

A mesma coisa aconteceu na Assembleia Legislativa. Por causa da falta de nitidez do som, perdeu-se boa parte do excelente discurso do Deputado Renato Rosano. O que se aproveitou foi por causa da habilidade do orador.

E lá estavam mais dois bons oradores: Marco Aurélio de Carvalho, homenageado pelo Grupo Prerrogativas e Marcelo Uchoa, da Comissão Federal de Anistia.  Mas o som não ajudava.                     

       

Desconfiei dos meus ouvidos e perguntei a uma jovem que estava ao lado. E ela confirmou que estava tendo dificuldade de entender as falas. Desde os meus tempos no Seminário, sou atento a este assunto.

 As instituições não cuidam sobre a qualidade do som que chega aos ouvintes. Uns são muito baixos, outros, muito altos e sem nitidez. De que serve tanto investimento, sem qualidade?

 Outro problema é da linguagem. Pregadores que falam para impressionar e não para serem entendidos. E não impressionam porque a maioria não entende.

 As paróquias, em suas festas, convidam pregadores das paróquias vizinhas e não lhes recomendam o cuidado com a linguagem. Por que não falam com simplicidade, como são os textos do Evangelho?

 Tenho observado plateias de mais de mil pessoas em completa atenção aos pregadores e, no final, nada entendem. Qual a mensagem da pregação que levam para suas casas? Nenhuma. Basta perguntar.

 E eu já fiz isto quando era aluno da disciplina Teologia da Palavra, no Seminário de Camaragibe, em Pernambuco. Estive em quase 50 missas para ver e ouvir os sermões e perguntar a algumas pessoas o que entenderam.

 Havia até quem elogiasse os pregadores, mas confessavam nada ter entendido. O exibicionismo toma o lugar da necessidade da clareza da mensagem.

 E os patrocinadores do golpe frustrado já começam a ser julgados. O primeiro condenado por financiar o 8 de janeiro pegou 17 anos de prisão. Trata-se de um empresário de Londrina.

 Muita gente está botando as barbas de molho. Os defensores do golpe queriam a volta da ditadura. Não deu certo. Não tiveram competência e muito menos parcerias. Os financiadores, na moita, não esperavam ser descobertos.

 Agora sofrem prejuízos em seus negócios. Basta a população descobrir quem eram os patrocinadores de 8 de janeiro e fazem boicotes nos seus comércios. Restaurantes andam perto da falência.

 Senadores e deputados, nesta semana, tentaram bloquear as ações da Câmara e Senado. O Senador Magno Malta preso por correntes, à mesa do Senado dizia q          eu só sairia dali morto.

 Seus propósitos não foram realizados e, mesmo assim, está por aí vivinho da silva, com a mesma conversa de Anistia e Impeachment do Ministro Alexandre de Moraes. Não deu.

Os eleitores que votaram neste tipo de deputado e senador devem repensar suas escolhas. Elegeram gente que não sabe qual é a função de parlamentares.

 Nesta primeira quinzena de agosto, muitas paróquias estão celebrando suas homenagens a Nossa Senhora que, sob diversas denominações, é a padroeira.

 Montamos um pequeno vídeo com a relação das fotos das Igrejas construídas em homenagem a Nossa Senhora.

 Na região norte do Ceará, mais de 15 paróquias escolheram Nossa Senhora como padroeira. Na próxima semana muitos estarão retornando às suas cidades para as celebrações religiosas.

 Nossa Guaraciaba do Norte recebe conterrâneos que moram em diversos pontos do país. É uma tradição antiga. Amigos se reencontram para momentos de muitas recordações.

 Percebo muita satisfação, este ano, com o retorno das barracas para a praça do Guaracy, onde tradicionalmente, era o ponto de encontro, após as novenas. E tudo muito bem organizado.

 Está confirmado: As comemorações do Centenário do prédio feito para abrigar o Seminário Menor de Sobral, hoje sede da Reitoria da UVA, será nos dias 8 e 9 de novembro.

 Ex Seminaristas estamos organizando uma programação para celebrar aquela importante data para cada um de nós. Ali chegávamos de toda a zona norte para estudar, pensando em ser padres.

 Alguns se tornaram padres. Muitos desistiram, mas ninguém se perdeu na caminhada. As histórias de muitos estão nos livros AD VITAM e AD LABOREM.



 MEMÓRIAS DO EXILIO

                                          A DITADURA  AGONIZANTE

João de Paula Monteiro Ferreira (*)

 - Você pode traduzir uma entrevista com o Apolônio de Carvalho?

 Foi o que me perguntou uma jornalista alemã, depois de me explicar que a entrevista precisava ser feita em seu idioma, pois ela não falava português, espanhol, nem francês, línguas faladas pelo brasileiro que ela queria entrevistar. Esclareceu-me que a Rádio de Berlim para a qual trabalhava, estava interessada em contar para seus ouvintes a estória de um ex-militar do Brasil que se tornou herói da Resistência Francesa, lutando contra a ocupação nazista.

 Eu já tinha lido sobre a notável trajetória de lutas de Apolônio de Carvalho, mas não conhecia aquela pessoa afável, bem-humorada e cheia de vitalidade, que àquela época beirava os 70 anos de idade. Apolônio respondeu de modo direto e simples todas as perguntas da entrevistadora e narrou sem falsa modéstia, mas com muito comedimento seus embates com as ditaduras do Estado Novo e a de 1964 no Brasil, sua participação nas Brigadas Internacionais contra o fascismo do General Franco, na Espanha e suas atividades na Resistência Francesa, principalmente nas cidades de Marselha, Nimes e Toulouse, que foram reconhecidas com sua condecoração pela Legião de Honra da França (Ordre National de la Légion D’Honneur), instituída em 1802 por Napoleão Bonaparte para distinguir heróis por atos em defesa do país.

 A entrevista ocorreu nos bastidores de um encontro que se realizava no auditório do Senado Italiano, em Roma, nos dias 27, 28, 29 e 30 de junho de 1979. Em torno da bandeira da anistia, reuniram-se ali representantes de todas as forças que lutavam pelo restabelecimento da democracia no Brasil, vindas do país e dos mais variados lugares do mundo, com predominância de exilados na Europa. O evento exigia a libertação dos presos políticos, a volta dos refugiados, explicações sobre o destino dos mortos e desaparecidos e o retorno da democracia. Um ponto de atenção dos participantes era não admitir a tentativa do governo ditatorial de dividir as forças democráticas, excluindo da anistia alguns grupos de oposicionistas definidos a seu critério.

                                        

 Aquele encontro era o ápice do processo de unificação das forças de oposição à ditadura militar, que começara com uma ação protagonizada por mulheres no Brasil em 1975. Naquele ano, mães, esposas, companheiras e filhas de perseguidos políticos criaram o Movimento Feminino pela Anistia, que dois anos depois ganhou grande impulso com a criação dos CBAs – Comitês Brasileiros pela Anistia que se espalharam pelo país e pelo mundo. Criado na Europa em 1978 por estímulo de CBAs do Brasil, o movimento pela anistia havia se fortalecido muito, contando com comitês, núcleos e outras formas de organização em suas mais importantes cidades. Desde a Semana de Solidariedade pela Anistia no Brasil realizada em Colônia, aumentaram muito as articulações locais com grupos de outras cidades por meio do CBA, coordenado por Cristina Buarque, que também participou do encontro na Itália, e pelo Grupo de Coordenação Brasil da Anistia Internacional, com destaque para os vínculos com Lisboa, Paris, Lausane, Amsterdam, Roma e Londres. Várias cidades dos países escandinavos tinham também uma atuação muito relevante.

 Dois meses depois daquele evento de Roma, com a ditadura afogada na crise econômica gerada pelo crescimento astronômico da dívida externa e pelo aumento da inflação, foi aprovada pelo Congresso Nacional uma lei que concedeu anistia aos que “cometeram crimes políticos ou conexos com eles”. Com isso abriram-se possibilidades para uma gradativa desmontagem do aparato ditatorial organizado durante 15 anos e para a reconstrução da democracia. Mas, a expressão “conexos com eles” era o que hoje se chama de jabuti que, inserido sorrateiramente na lei, negava seu espírito. Com aquela manobra, ao anistiar os perseguidos, a lei anistiava ao mesmo tempo seus perseguidores. Em outras palavras, era mais uma artimanha perpetuadora da impunidade que resultou em estímulo para os golpistas contumazes do país voltarem a atentar contra o Estado de Direito no Brasil.

 No que me diz respeito, levei algum tempo para compreender as consequências da impunidade dos que haviam cometido crimes contra a democracia e contra os opositores da ditadura. Cheguei a considerar que, diante daquele fato consumado, o melhor seria virarmos aquela página triste da nossa história e, olharmos para a frente, cuidando de construir uma democracia revigorada e com justiça social. Pensei assim até que saudosistas do regime de opressão começaram a tramar por seu retorno. Neste sentido, há dois exemplos que clarificam tudo: um dos maiores torturadores da ditadura tornou-se inspirador público do chefe da mais recente tentativa de golpe e um general que se senta ao seu lado no banco dos réus do STF (aquele que, em reunião ministerial disse que era “preciso virar a mesa” antes das eleições de 2022) era o Ajudante de Ordens de um Ministro do Exército que tentou dar outro golpe dentro do golpe em 1978, visando eternizar a ditadura militar.

 Falando-se hoje sobre aquele movimento de cidadania ocorrido no Brasil e no mundo na segunda metade da década de 1970, que visava pôr fim a uma longa e brutal ditadura em nosso país, não se pode deixar de mencionar uma farsa da atualidade que avilta o nome anistia, quando um clã familiar conspira com uma potência estrangeira para tentar livrar um membro seu da punição pelo crime de tramar a volta de um regime ditatorial. Este acinte à soberania do Brasil utiliza sanções, taxações abusivas e outras chantagens econômicas e políticas contra o nosso país e suas instituições. Não deixar impune a nova geração de golpistas é um ato de proteção da democracia contra futuros ataques por parte dos que querem uma anistia preventiva para continuar delinquindo contra o Estado Democrático de Direito no Brasil.

 Punir pela primeira vez golpistas no Brasil será uma sinalização de que o golpismo começa a não compensar. 

                                                       *)  Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial.                                                             Destacada liderança universitária no período da ditadura.

BORDADOS PEADAGÓGICOS DA PROFESSORA NAZARÉ ANTERO


 

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