sábado, 2 de agosto de 2025

 UVA/SOBRAL REUNE  E         HOMENAGEIA    APOSENTADOS                                                                EDIÇÃO DE 02/08/25

        O reconhecimento é fundamental para todos os seres humanos. É uma forma de estimular.  Foi isto que a UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú fez, em Sobral, quarta feira,

 Um gesto que, até então, não existia nas instituições. A UVA fez e, certamente, seu exemplo deverá ser seguido.

 Os aposentados ficam, normalmente, esquecidos. Nós que retornamos à UVA na quarta feira, vivemos bons momentos, no reencontro com amigos já aposentados e com outros que ainda estão em atividades.

 Dado o tempo de afastamento, chegamos a não reconhecer amigos. Minutos após, os identificamos e surgiam os abraços do reencontro.

 Já hoje, uma pessoa amiga manifestou a sua surpresa e ao ver o Certificado, teve logo a ideia de levar adiante a iniciativa na sua instituição.

 É claro que Betanistas também estavam lá representados: Francisco José Carneiro Linhares, Davi Helder, Valdecy Vasconcelos e eu que fui indicado para falar em nome dos homenageados.

Somos gratos à Magnifica Reitora Izabelle Napoleão Albuquerque e toda a sua equipe que se envolveu na organização do evento, sob a Coordenação da Professora Betânia Moraes Guerra, Pró-Reitora de Gestão de Pessoas.

A propósito, os ex alunos do Seminário Menor de Sobral, onde hoje funciona a Reitoria e alguns cursos da UVA, pretendem celebrar o Centenário do inesquecível casarão.

 Ali estudamos o Ginásio, hoje Primeiro Grau Maior e o Nível Médio, em regime de internato. Tínhamos férias em julho, dezembro e janeiro.

 Períodos importantíssimos de nossas vidas, especialmente, porque nas nossas pequenas cidades não podíamos ir além do Primário, em condições precárias.

Ao nosso Seminário de Sobral, já dedicamos dois livros que contam nossas histórias, da região e da nossa formação humana, religiosa, moral e intelectual.

 O primeiro livro foi SEMINÁRIO DA BETÂNIA – AD VITAM, nos 90 anos do Seminário. O segundo, em 2020, SEMINÁRIO DA BETÂNIA- - AD LABOREM, sobre a nossa formação profissional     .


O Acadêmico da ASEL, Arnoud Cavalcante, em parceria com a Pianista e Professora Ivana Sá, vão lançar, brevemente, a História do Piano em Sobral.

 É impressionante a quantidade de famílias que possuíam pianos em suas residências para formação musical de seus filhos. Isto, o livro irá contar.

 Vale a pena ler, nesta edição, uma histórica entrevista feira com o Mons. Assis Rocha, concedida há sete anos quando fez Bodas de Outro de Sacerdócio. Estive presente na ordenação e nas Bodas de Ouro, em Bela Cruz

 Fico impressionado como autoridades do país mais desenvolvido do mundo caem na conversa de pessoas que mais parecem malandros que bajulam para conseguir uma vingança contra um país.

 Imagino quando descobrirem que caíram numa armadilha, dizendo que o Brasil vive sob uma ditadura. Parece que nada vão conseguir. Talvez algumas algemas que não serão de ouro.

 Ontem, na sessão de abertura do STF, os discursos foram pesados. Os “traiçoeiros e covardes” ouviram que o STF não é da laia deles. Cumprirão a missão que lhes cabe.

 Recebi mais um livro do qual faz parte a Professora Doutora VÂNIA PONTES, diretora da F5, Faculdade de direito do INTA, em Sobral. Poetas e poetisas fizeram mm livro sob a inspiração da peça Requiem, de Mozart.

 Apesar de ser uma festa de surpresa, feita pelas quatro filhas e pelos genros e netas, a celebração das Bodas de Ouro de Socorro e Joãozinho foi excelente. Eu já sabia, mas não me cabia quebrar o sigilo.

                                                                                                   MEMÓRIAS DO EXILIO

 

ENFIM, OS DIPLOMAS.

                                                                                                                                                        Dr.  João de Paula Monteiro Ferreira (*)

 - O Hitler não voltando...

          Quando eu disse isso, a Ruth, com o bom humor característico dos Barreto Cavalcante, deu uma gostosa gargalhada. Era uma conversa sobre a proximidade da conclusão dos nossos cursos na Alemanha, onde vivíamos como exilados políticos. Ela acabara de dizer que achava que daquela vez ela concluiria seu curso de psicopedagogia e eu o de medicina. Era começo de maio de 1979, dez anos depois da primeira das duas interrupções dos nossos estudos por ditadores fardados, não “togados”, ou seja, ditadores mesmo, que chefiaram ditaduras reais no Brasil e no Chile.

          Era claro que não tinha como o Hitler voltar, nem a sólida democracia construída na República Federal da Alemanha apresentava qualquer indício de, no curto prazo, vir a ser abalada, de modo a prejudicar a normalidade da vida de quem lá residia. Mas fora   longo e atribulado o percurso até nossos exames finais, o meu que seria no dia 10 daquele mês, e o dela, um pouco depois.

          Aqueles quatro anos de estudos de medicina na Universidade de Colônia foram muito produtivos. Superada com rapidez a frustação pelo não reconhecimento total do que eu estudara no Brasil e no Chile e vencendo gradativamente a barreira do idioma, dediquei-me com prazer aos estudos e a integrar-me na cultura daquele país onde eu teria que morar por um tempo não previsível.

            Fui muito bem acolhido pelos colegas de turma e logo convidado a participar de um grupo de estudo com quatro deles. Um membro da Diretoria do Centro Acadêmico pediu-me que escrevesse um artigo sobre a experiência que eu tivera como estudante de medicina do 5º ano em Santiago, no atendimento à população de uma favela em um Posto de Saúde Comunitário. Meu artigo “Ao chegarem os tanques, acabou” (Als die Panzer kamem, war schluss), publicado no Informativo do Centro Acadêmico, atraiu a atenção de estudantes de várias turmas que começaram a me procurar para conversas e debates sobre o tema. Isto levou-me a participar das atividades do C.A, que era dirigido por um grupo denominado OS INDEPENDENTES (DIE UNABHÄNGIGEN), indicando que eles não estavam ligados a nenhum partido político, como era usual no movimento estudantil de lá, como no daqui e que não queriam ser tragados pelo debate que ocorria em toda parte, todo o tempo, sobre qual era o melhor dos dois sistemas vigentes naquele país dividido.

           Na Alemanha, o diploma em medicina, além das provas pelas faculdades requer a aprovação em exames realizados pelo governo, o chamado Exame do Estado. Este exame é feito em três etapas ao longo do curso, sendo a última constituída por uma prova escrita e uma oral, após a conclusão do sexto ano. Aprovado na prova escrita, fui chamado para fazer a oral em um grupo com mais três colegas. Concluída a arguição, e após uma rápida reunião entre os examinadores, fomos chamados pelo chefe da equipe, um cirurgião de uns dois metros de altura que, sorridente, nos disse” parabéns, os quatro foram aprovados” e começou a apertar a mão de cada um. Eu era o último e ao chegar a minha vez, agarrei sua mão, puxei-o e dei-lhe um abraço apertado, destes de cearense, que o deixou sem entender nada daquela inesperada quebra de protocolo.

            Os três colegas e eu, saímos dali vibrando de alegria, pois aquele exame não era uma mera formalidade. Sua média de reprovação era de 40%. Meus colegas sabiam que eu tinha motivos de contentamento que iam bem além daquela estatística.

          Liguei para a Ruth de um telefone público, dando a notícia e combinando de nos encontrarmos no bar que ficava em frente ao apartamento onde estávamos morando. Chegando no bar, disse para o dono que em comemoração à minha aprovação no exame final de medicina, eu ia pagar uma rodada de cerveja para todos que estavam ali. Quando ele gritou “esta é por conta do novo médico brasileiro” e aumentou a música, começou uma verdadeira festa. A outra foi no dia seguinte, quando colegas radialistas da Deutsche Welle decidiram fazer uma entrevista comigo sobre o que eles chamaram a epopeia da minha formatura em medicina. O Paulo, casado com minha irmã Maria da Glória, ouvinte assíduo daquela rádio alemã, gravou a entrevista em fita cassete e a distribuiu com os membros da nossa família que moravam em Crateús e em outras cidades. A emoção foi transcontinental.

          A nossa alegria completou-se poucas semanas depois, quando a Ruth também concluiu o curso dela. Seu Trabalho de Conclusão de Curso foi sobre um tema de grande importância prática: a aplicação do Método Paulo Freire no ensino de alemão para trabalhadores estrangeiros, com base em uma experiência exitosa que ela, como especialista naquele método, tivera com operários espanhóis.

            A graduação da Ruth em psicopedagogia e a minha em medicina nos encheu de contentamento também pelo fato dos nossos diplomas nos propiciarem condições adicionais para reforço do trabalho que vínhamos fazendo de busca em toda a Europa de tudo que pudesse contribuir para o desenvolvimento da nossa filha Mariana e, também, para o de outras crianças com deficiência que pudessem ser beneficiadas, quando voltássemos ao Brasil, com os conhecimentos que estávamos adquirindo.

 

(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico, Consultor Empresarial                                 Destacada liderança no Ceará, no tempo da ditadura



BORDADOS PEDAGÓGICOS DA PROFª NAZARÉ ANTERO



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