Guaraciaba do Norte tem o 2º Melhor Prefeito do
Ceará
Está funcionando, com pleno êxito a Feira mensal da
Mulher Empreendedora de Guaraciaba do Norte, na primeira quinta feira de cada
mês.na Praça de Eventos, ao lado do terminal rodoviário
Apesar de ser restrita para mulheres ali residentes, fui informado do alto índice de frequência de pessoas da região, para comprar os produtos.
Outro aspecto importante é o grande interesse despertado entre participantes. Está sendo necessário dividir em dois grupos que se alternam em cada mês. No total, quase 500 participantes.
Tudo muitíssimo organizado. Ambiente muito bem iluminado. As vendedoras de alimentos vendem, praticamente, tudo que expõem.

Ainda em Guaraciaba do Norte, tive a oportunidade
de participar do Desfile da Independência, realizado no sábado, dia 6,
homenageado pela Escola municipal de Morrinhos e pela Escola Estadual Marina Soares.
Foi a segunda vez que participei de um desfile. A primeira, como aluno, em 1954. A segunda, 71 anos depois, homenageado como Educador e como Autor.
Certamente, foi o maior e melhor desfile estudantil realizado no município. A chuvinha fina não foi suficiente para tirar o entusiasmo de Professores e Alunos.

O Prefeito Cefas Melo participou do Desfile e oi muito aplaudido. Impressionante a presença do publico aplaudindo fotografando e filmando. Altíssimo o índice de satisfação do povo.
A propósito, nosso conterrâneo, ainda no primeiro semestre de sua gestão, foi escolhido segundo melhor Prefeito do Ceará. A comunidade vai comemorar este importante fato.
Outras conquistas virão, visto que o Prefeito não para. Já nesta semana esteve em Brasília onde foi buscar recursos para o Complexo Esportivo Dep. José Maria Melo, em Várzea dos Espinhos.
Sonhar não faz mal. Sonho muito com o retorno do trem de passageiros entre Crateús, Sobral e Fortaleza. O mesmo também entre Fortaleza e Crato. Uma vitória para a população.
Quem teve chance de viajar de trem, apesar dos atrasos e de desconfortos, deixou saudades. Era a grande oportunidade da população viajar e conduzir seus produtos para vender.
Mas, como trem não consumia pneus e nem gasolina, a ditadura de 64 o tirou de circulação para agradar os patrões de outros países. Mas os tempos são outros e o Brasil é Soberano.
A Galeria da Liberdade recebe a exposição itinerante do Memorial da Resistência de São Paulo, que celebra a força e a resistência das mulheres durante a Ditadura Civil-Militar.
A abertura aconteceu sexta-feira, dia 12 de setembro, às 16h, com a presença de curadoras, artistas e ex-presas políticas.
A mostra reúne 22 testemunhos na instalação "Partitura da Escuta", da artista Bianca Turner, revelando a luta incansável por Memória, Verdade e Justiça.
A exposição também dialoga com a potência da historiadora e poeta negra Beatriz Nascimento, apresentando três de seus poemas escritos nos anos 1980.
O dr. Mariano de Freitas, importante liderança estudantil no tempo da ditadura de 64, está pesquisando muito para escrever um livro sobre AÇÕES DA AÇÃO CATÓLICA.
Ação Católica foi um importante movimento da Igreja Católica para envolver os leigos na ação pastoral. Os grupos eram formados conforme os segmentos a que pertencia,
Estudantes, por exemplo, pertenciam à JEC – Juventude Estudantil Católica. Universitários integravam a Juventude Universitária Católica- JUC.
Logo mais às 20 horas, na Praça da Matriz de Guaraciaba do Norte será exibido um documentário sobre o Artista Mestre Griô Márcio Pena que, há mais de 20 anos, compartilha sua experiência com crianças e jovens locais.
GRATIDÃO, MESTRE! A VIDA E A ARTE DE MARCIO PENA é o
título do documentário a ser exibido no anfiteatro da Praça da Matriz. Apoio
dos Governos Federal e Estadual.
Logo mais à noite, em família, comemoraremos o aniversário da querida prima EDNA GOMES, casada com nosso sobrinho Kleber Gomes e mãe de William e Letícia. Residem em Guaraciaba do Norte, onde sempre nos acolhem muito bem.
MEMÓRIAS DO RETORNO DO EXÍLIO
MULHERES PROTAGONISTAS
- Não faça isso com minha esposa, Dr. João
de Paula.
Foi o que ouvi no telefonema de um promotor de justiça, reclamando por eu ter aceitado a inscrição de sua esposa em um grupo psicoterápico para mães de crianças com deficiência. Tratava-se de uma atividade do Centro de Vivências, clínica de psicoterapia e centro de atendimento em psicologia organizacional, criado pelo psicólogo César Wagner, então marido da Ruth, pelo Tarcízio Diniz, psiquiatra e psicodramatista e por mim, médico-psicoterapeuta.
A ideia de formação deste grupo era complementar um trabalho que a Ruth,
Fátima Diógenes e eu realizávamos no Centro de Desenvolvimento
Humano, no qual tínhamos a participação dos pais no processo de tratamento de
seus filhos como uma das condições de sucesso. Naquele trabalho constatamos que
era sobre as mães que se concentrava o peso maior das responsabilidades em
lidar com as necessidades especiais destas crianças e que elas eram as
verdadeiras protagonistas no engajamento em atividades do tratamento. Tínhamos
ali grupos de apoio a elas, mas que não eram de cunho psicoterápico. Esta foi a
razão para eu criar aquele grupo terapêutico específico para aquelas mães e foi
isso que expliquei àquele marido ao telefone.
Mas minhas
explicações não o convenceram. Segundo ele “mulheres que se metiam nestas
coisas de psicologia viravam a cabeça e começavam a fazer confusão em casa,
criando problemas no casamento”. Argumentei que isso não procedia, mas não
adiantou. Diante de seu pedido para eu cancelar a inscrição de sua esposa,
respondi-lhe que só ela podia fazer isso e lhe disse que eu não tinha mais nada
a acrescentar, pedindo-lhe, então, licença para encerrar aquele
telefonema. Infelizmente, atitudes
machistas como essa, não eram raras em nosso trabalho.
O início das
atividades como psicoterapeuta era a abertura de uma nova frente em minha
atuação na medicina, a partir da conclusão da minha formação de três anos em
Gestalt Terapia com Gercilene Campos, Gestalt-Terapeuta, Mestra e Doutoranda em
Psicologia Clínica pela USP. Até ali minhas atividades como médico
concentravam-se no trabalho com pessoas com deficiências.
Os anos em que pratiquei a psicoterapia individual e de grupo deram-me
grande satisfação profissional e pessoal. Era muito gratificante perceber como
um processo psicoterápico bem conduzido podia ajudar pessoas a ampliarem sua
consciência sobre seu modo de sentir, perceber, pensar, agir e relacionar-se
consigo e com os outros. Claro que um processo psicoterápico não tem só flores;
tem também contratempos, obstáculos e fracassos. Mas o desejo de compartilhar
reflexões sobre minha experiência nesta atividade é assunto para outra
historieta.
Em paralelo ao
exercício das atividades profissionais e buscando caminhos para expressar minha
inconformidade com a situação social e política que encontrei ao chegar do
exílio, visualizei inicialmente a possibilidade de atuar no movimento médico,
que era muito ativo naquele início da década de 1980.
Minha primeira
aproximação com o meio médico ocorreu por meio das sociedades especializadas de
Pediatria, Neurologia, Psiquiatria e da ABENEPI – Associação Brasileira de
Neurologia e Psiquiatria Infantil. Nesta última, encontrei a mesma força de
liderança das mulheres que constatara nas organizações beneficentes de
atendimento a pessoas com deficiência. Neste caso, o protagonismo das
neurologistas infantis Sílvia Lemos e Irene Fortes foi além das fronteiras do
Ceará, quando elas assumiram o comando nacional da ABENEPI. Tive oportunidade
de testemunhar inúmeras manifestações de admiração e respeito que as duas
recebiam em vários estados brasileiros, quando presidi a Comissão de Divulgação
da entidade. Minha relação com as sociedades especializadas era de mão dupla:
eu aprendia muito dos saberes específicos de cada uma delas e contribuía com
meus conhecimentos em deficiência mental (à época eu era diretor nacional e
presidente do Capítulo do Ceará da ABDM – Associação Brasileira Para o
Estudo Científico da Deficiência Mental*) e as ajudava nas tarefas de organização,
mobilização e comunicação.
Dei mais um passo
de aproximação com o meio médico quando comecei a participar de ações unitárias
articuladas pelas entidades representativas da categoria. Esta participação foi
muito facilitada a partir de um convite do Professor Newton Gonçalves, um dos
fundadores da Faculdade de Medicina da UFC, para que eu fizesse uma exposição
sobre o ensino de medicina na Universidade de Colônia, onde eu me formara.
Apreciador da cultura alemã e do idioma alemão (que aprendera como autodidata),
ele queria compartilhar aquela experiência com alguns de seus colegas de
ensino, organizando para isso uma conversa informal em sua residência. Para
mim, aquele encontro, além do prazer da retomada de contato com alguns dos mais
renomados dos meus ex-professores, serviu de ponte de acesso a alguns líderes
da classe médica, pois o Centro Médico, uma das entidades de forte atuação
naquele momento, costumava ser presidido por figuras de destaque na profissão.
A título de exemplo, Paulo Marcelo Martins Rodrigues e José Aguiar Ramos, como
presidentes no começo do declínio da ditadura, abriram caminho na entidade para
jovens lideranças.
Saindo do opressivo
regime ditatorial que lhe impusera
constrangimentos de todo tipo em suas atividades e em sua dignidade, a
categoria médica estava unida na busca da ampliação de espaços democráticos, na
defesa dos seus direitos e da melhoria da saúde da população, no combate ao
clientelismo na gestão pública da saúde e na luta por eleições diretas para a
Presidência da República, promovendo atividades integradas por meio do Centro Médico, do Sindicato dos
Médicos, do Conselho Regional de Medicina e do Clube do Médico. Exemplo
eloquente desta união era o jornal Ceará Médico. unificando publicações do
Centro Médico (presidido por Lino Holanda) e do Sindicato dos Médicos (presidido
por Mariano Freitas).
Naquele momento, defensores da ditadura militar já não se manifestavam habitualmente no meio médico, assim como em outros espaços da sociedade. Exceção a isso era o jornalista Themístocles de Castro e Silva, que em certa ocasião resolveu atacar o Centro Médico pela realização de uma solenidade em homenagem aos deputados federais do Ceará que tinham votado a favor da eleição direta para a Presidência da República. Uma resposta lhe foi dada de imediato por meio de uma nota no espaço Opinião do Leitor, do Jornal O Povo de 22.05.84, em nome da Diretoria da nossa entidade, assinada por Lino Antônio C. Holanda, como presidente e por mim, como secretário geral.
As bandeiras
defendidas pela categoria médica pela melhoria da saúde da população e pelo
avanço do processo democrático deram um salto em 1986. Por um lado, com a
realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde, que aprovou proposta de criação
de um Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde, SUDS, precursor do SUS.
Pelo outro lado, a adoção pela AMB – Associação Médica Brasileira da realização
de uma constituinte, como sua principal reivindicação política. Pude acompanhar
de perto estes dois movimentos porque havia sido eleito naquele ano
vice-presidente para o Nordeste na chapa para a AMB, denominada CONSTITUINTE E
SAÚDE, presidida por Nelson Proença.
No que dizia respeito
à atividade legal de partidos políticos no Ceará naquele ano de 1980, o que
havia no campo da oposição era o MDB, partido de existência consentida pela
ditadura militar e que tivera altos e baixos no enfrentamento das
arbitrariedades do regime. Naquela
ocasião estava em estruturação no seu interior uma articulação de seus membros
mais combativos e ligados aos movimentos sociais, que se autodenominou
Tendência Popular. Este grupo era representado aqui pelo deputado federal Iranildo
Pereira, de quem me aproximei. Mas o relato da minha atuação na Tendência
Popular requer o espaço de uma outra historieta.
(*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial. Importante liderança universitária no tempo da ditadura de 64.
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