sábado, 13 de setembro de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 

Guaraciaba do Norte tem o 2º Melhor Prefeito do Ceará

Está funcionando, com pleno êxito a Feira mensal da Mulher Empreendedora de Guaraciaba do Norte, na primeira quinta feira de cada mês.na Praça de Eventos, ao lado do terminal rodoviário

 Apesar de ser restrita para mulheres ali residentes, fui informado do alto índice de frequência de pessoas da região, para comprar os produtos.

 Outro aspecto importante é o grande interesse despertado entre participantes. Está sendo necessário dividir em dois grupos que se alternam em cada mês. No total, quase 500 participantes.

 Tudo muitíssimo organizado. Ambiente muito bem iluminado. As vendedoras de alimentos vendem, praticamente, tudo que expõem.

                                      
Ainda em Guaraciaba do Norte, tive a oportunidade de participar do Desfile da Independência, realizado no sábado, dia 6, homenageado pela Escola municipal de Morrinhos e pela Escola Estadual Marina Soares.

 Foi a segunda vez que participei de um desfile. A primeira, como aluno, em 1954. A segunda, 71 anos depois, homenageado como Educador e como Autor.

 Certamente, foi o maior e melhor desfile estudantil realizado no município. A chuvinha fina não foi suficiente para tirar o entusiasmo de Professores e Alunos.

                                   

                                              

              O Prefeito Cefas Melo participou do Desfile e oi muito aplaudido. Impressionante a presença do publico aplaudindo fotografando e filmando. Altíssimo o índice de satisfação do povo.

 A propósito, nosso conterrâneo, ainda no primeiro semestre de sua gestão, foi escolhido segundo melhor Prefeito do Ceará. A comunidade vai comemorar este importante fato.

 Outras conquistas virão, visto que o Prefeito não para. Já nesta semana esteve em Brasília onde foi buscar recursos para o Complexo Esportivo Dep. José Maria Melo, em Várzea dos Espinhos.

 Sonhar não faz mal.  Sonho muito com o retorno do trem de passageiros entre Crateús, Sobral e Fortaleza. O mesmo também entre Fortaleza e Crato. Uma vitória para a população.

 Quem teve chance de viajar de trem, apesar dos atrasos e de desconfortos, deixou saudades. Era a grande oportunidade da população viajar e conduzir seus produtos para vender.

 Mas, como trem não consumia pneus e nem gasolina, a ditadura de 64 o tirou de circulação para agradar os patrões de outros países. Mas os tempos são outros e o Brasil é Soberano.

 A Galeria da Liberdade recebe a exposição itinerante do Memorial da Resistência de São Paulo, que celebra a força e a resistência das mulheres durante a Ditadura Civil-Militar.

 A abertura aconteceu sexta-feira, dia 12 de setembro, às 16h, com a presença de curadoras, artistas e ex-presas políticas.

 A mostra reúne 22 testemunhos na instalação "Partitura da Escuta", da artista Bianca Turner, revelando a luta incansável por Memória, Verdade e Justiça.

 A exposição também dialoga com a potência da historiadora e poeta negra Beatriz Nascimento, apresentando três de seus poemas escritos nos anos 1980.

 O dr. Mariano de Freitas, importante liderança estudantil no tempo da ditadura de 64, está pesquisando muito para escrever um livro sobre AÇÕES DA AÇÃO CATÓLICA.

 Ação Católica foi um importante movimento da Igreja Católica para envolver os leigos na ação pastoral. Os grupos eram formados conforme os segmentos a que pertencia,

 Estudantes, por exemplo, pertenciam à JEC – Juventude Estudantil Católica. Universitários integravam a Juventude Universitária Católica- JUC.

 Logo mais às 20 horas, na Praça da Matriz de Guaraciaba do Norte será exibido um documentário sobre o Artista Mestre Griô Márcio Pena que, há mais de 20 anos, compartilha sua experiência com crianças e jovens locais.

                                                   

GRATIDÃO, MESTRE! A VIDA E A ARTE DE MARCIO PENA é o título do documentário a ser exibido no anfiteatro da Praça da Matriz. Apoio dos Governos Federal e Estadual.

Logo mais à noite, em família, comemoraremos o aniversário da querida prima EDNA GOMES, casada com nosso sobrinho Kleber Gomes e  mãe de William e Letícia. Residem em Guaraciaba do Norte, onde sempre nos acolhem muito bem.

 


MEMÓRIAS DO RETORNO DO EXÍLIO

 

MULHERES PROTAGONISTAS

Dr. João de Paula Monteiro Ferreira  (*)

- Não faça isso com minha esposa, Dr. João de Paula.

         Foi o que ouvi no telefonema de um promotor de justiça, reclamando por eu ter aceitado a inscrição de sua esposa em um grupo psicoterápico para mães de crianças com deficiência.  Tratava-se de uma atividade do Centro de Vivências, clínica de psicoterapia e centro de atendimento em psicologia organizacional, criado pelo psicólogo César Wagner, então marido da Ruth, pelo Tarcízio Diniz, psiquiatra e psicodramatista e por mim, médico-psicoterapeuta.

A ideia de formação deste grupo era complementar um trabalho que a Ruth, Fátima Diógenes e eu realizávamos no Centro de Desenvolvimento Humano, no qual tínhamos a participação dos pais no processo de tratamento de seus filhos como uma das condições de sucesso. Naquele trabalho constatamos que era sobre as mães que se concentrava o peso maior das responsabilidades em lidar com as necessidades especiais destas crianças e que elas eram as verdadeiras protagonistas no engajamento em atividades do tratamento. Tínhamos ali grupos de apoio a elas, mas que não eram de cunho psicoterápico. Esta foi a razão para eu criar aquele grupo terapêutico específico para aquelas mães e foi isso que expliquei àquele marido ao telefone.

            Mas minhas explicações não o convenceram. Segundo ele “mulheres que se metiam nestas coisas de psicologia viravam a cabeça e começavam a fazer confusão em casa, criando problemas no casamento”. Argumentei que isso não procedia, mas não adiantou. Diante de seu pedido para eu cancelar a inscrição de sua esposa, respondi-lhe que só ela podia fazer isso e lhe disse que eu não tinha mais nada a acrescentar, pedindo-lhe, então, licença para encerrar aquele telefonema.  Infelizmente, atitudes machistas como essa, não eram raras em nosso trabalho.

                O início das atividades como psicoterapeuta era a abertura de uma nova frente em minha atuação na medicina, a partir da conclusão da minha formação de três anos em Gestalt Terapia com Gercilene Campos, Gestalt-Terapeuta, Mestra e Doutoranda em Psicologia Clínica pela USP. Até ali minhas atividades como médico concentravam-se no trabalho com pessoas com deficiências.

Os anos em que pratiquei a psicoterapia individual e de grupo deram-me grande satisfação profissional e pessoal. Era muito gratificante perceber como um processo psicoterápico bem conduzido podia ajudar pessoas a ampliarem sua consciência sobre seu modo de sentir, perceber, pensar, agir e relacionar-se consigo e com os outros. Claro que um processo psicoterápico não tem só flores; tem também contratempos, obstáculos e fracassos. Mas o desejo de compartilhar reflexões sobre minha experiência nesta atividade é assunto para outra historieta.

                  Em paralelo ao exercício das atividades profissionais e buscando caminhos para expressar minha inconformidade com a situação social e política que encontrei ao chegar do exílio, visualizei inicialmente a possibilidade de atuar no movimento médico, que era muito ativo naquele início da década de 1980.

               Minha primeira aproximação com o meio médico ocorreu por meio das sociedades especializadas de Pediatria, Neurologia, Psiquiatria e da ABENEPI – Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil. Nesta última, encontrei a mesma força de liderança das mulheres que constatara nas organizações beneficentes de atendimento a pessoas com deficiência. Neste caso, o protagonismo das neurologistas infantis Sílvia Lemos e Irene Fortes foi além das fronteiras do Ceará, quando elas assumiram o comando nacional da ABENEPI. Tive oportunidade de testemunhar inúmeras manifestações de admiração e respeito que as duas recebiam em vários estados brasileiros, quando presidi a Comissão de Divulgação da entidade. Minha relação com as sociedades especializadas era de mão dupla: eu aprendia muito dos saberes específicos de cada uma delas e contribuía com meus conhecimentos em deficiência mental (à época eu era diretor nacional e presidente do Capítulo do Ceará da ABDM – Associação Brasileira Para o Estudo Científico da Deficiência Mental*) e as ajudava nas tarefas de organização, mobilização e comunicação.

                Dei mais um passo de aproximação com o meio médico quando comecei a participar de ações unitárias articuladas pelas entidades representativas da categoria. Esta participação foi muito facilitada a partir de um convite do Professor Newton Gonçalves, um dos fundadores da Faculdade de Medicina da UFC, para que eu fizesse uma exposição sobre o ensino de medicina na Universidade de Colônia, onde eu me formara. Apreciador da cultura alemã e do idioma alemão (que aprendera como autodidata), ele queria compartilhar aquela experiência com alguns de seus colegas de ensino, organizando para isso uma conversa informal em sua residência. Para mim, aquele encontro, além do prazer da retomada de contato com alguns dos mais renomados dos meus ex-professores, serviu de ponte de acesso a alguns líderes da classe médica, pois o Centro Médico, uma das entidades de forte atuação naquele momento, costumava ser presidido por figuras de destaque na profissão. A título de exemplo, Paulo Marcelo Martins Rodrigues e José Aguiar Ramos, como presidentes no começo do declínio da ditadura, abriram caminho na entidade para jovens lideranças.

           Saindo do opressivo regime ditatorial que lhe impusera  constrangimentos de todo tipo em suas atividades e em sua dignidade, a categoria médica estava unida na busca da ampliação de espaços democráticos, na defesa dos seus direitos e da melhoria da saúde da população, no combate ao clientelismo na gestão pública da saúde e na luta por eleições diretas para a Presidência da República, promovendo atividades integradas  por meio do Centro Médico, do Sindicato dos Médicos, do Conselho Regional de Medicina e do Clube do Médico. Exemplo eloquente desta união era o jornal Ceará Médico. unificando publicações do Centro Médico (presidido por Lino Holanda) e do Sindicato dos Médicos (presidido por Mariano Freitas).

               Naquele momento, defensores da ditadura militar já não se manifestavam habitualmente no meio médico, assim como em outros espaços da sociedade. Exceção a isso era o jornalista Themístocles de Castro e Silva, que em certa ocasião resolveu atacar o Centro Médico pela realização de uma solenidade em homenagem aos deputados federais do Ceará que tinham votado a favor da eleição direta para a Presidência da República. Uma resposta lhe foi dada de imediato por meio de uma nota no espaço Opinião do Leitor, do Jornal O Povo de 22.05.84, em nome da Diretoria da nossa entidade, assinada por Lino Antônio C. Holanda, como presidente e por mim, como secretário geral.

            As bandeiras defendidas pela categoria médica pela melhoria da saúde da população e pelo avanço do processo democrático deram um salto em 1986. Por um lado, com a realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde, que aprovou proposta de criação de um Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde, SUDS, precursor do SUS. Pelo outro lado, a adoção pela AMB – Associação Médica Brasileira da realização de uma constituinte, como sua principal reivindicação política. Pude acompanhar de perto estes dois movimentos porque havia sido eleito naquele ano vice-presidente para o Nordeste na chapa para a AMB, denominada CONSTITUINTE E SAÚDE, presidida por Nelson Proença.

            No que dizia respeito à atividade legal de partidos políticos no Ceará naquele ano de 1980, o que havia no campo da oposição era o MDB, partido de existência consentida pela ditadura militar e que tivera altos e baixos no enfrentamento das arbitrariedades do regime.  Naquela ocasião estava em estruturação no seu interior uma articulação de seus membros mais combativos e ligados aos movimentos sociais, que se autodenominou Tendência Popular. Este grupo era representado aqui pelo deputado federal Iranildo Pereira, de quem me aproximei. Mas o relato da minha atuação na Tendência Popular requer o espaço de uma outra historieta. 

                  (*) Fui indicado para presidir o Capítulo do Ceará da ABDM pela professora Zuíla Moraes, que o havia fundado e presidido em Juazeiro do Norte, onde também fora pioneira em educação especial e criadora de uma APAE. O protagonismo de mulheres nesta área merece uma historieta específica.

                (*) Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial.                                          Importante liderança universitária no tempo da ditadura de 64.

ESTE LIVRO ESTÁ À VENDA NA LIVRARIA LEITURA, no Shopping Del Paseo, em Fortaleza.





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