SETEMBRO: MÊS
DA BÍBLIA
Encerrava meu Comentário da Semana passada,
fazendo algumas referências bíblicas que fundamentassem a tão criticada e
incompreendida Teologia da Libertação
que tem ocupado a mente e o ensinamento teológico de alguns estudiosos e
pregadores da Palavra de Deus, nestes últimos tempos.
Ao citar alguns expoentes dessa maneira de ensinar e divulgar tal modo de catequizar citei Dom Helder Câmara, entre outros, mundialmente, comprometidos, com este modo libertador de pregar e ensinar e veio-me à mente usar este espaço que me é oferecido, tão gentilmente, pelo colega Leunam, para, neste Mês de Setembro, tradicionalmente, dedicado à Bíblia, falar sobre ela.
No mês de agosto
refletimos em cada semana sobre os principais chamados que Deus nos faz para
exercermos funções, dentro da sociedade. Pensamos na vocação do Padre, do Pai
de Família, dos Religiosos e dos Leigos ou Catequistas. Agora, estamos no mês de
setembro, o mês da Bíblia. É também importantíssimo, pois, já chamados por
Deus para viver uma vida cristã, em setembro a gente é convidado a adquirir o
conteúdo para vivê-la, intensamente e, em outubro, para ensinar tudo o que
armazenou. Será o mês missionário. É uma sequência: recebe-se o chamado,
adquire-se o conteúdo e se repassa tudo ao povo. É a missão. E é claro: tem que
ser libertadora.
A Bíblia, adotada pela Igreja Católica,
tem duas partes bem distintas: o Antigo Testamento com 46 livros e o Novo
Testamento com 27, compondo a lista canônica dos 73 livros da tão famosa
coleção. Tanto na 1a, como na 2a partes, há uma
fundamentação para a nossa fé no Deus verdadeiro, enquanto se vai tendo a visão
política e social de cada época.
Os exemplos de fé são constantes,
permeando todas as narrações. Nomes como os de Abraão, Isaac, Jacó, Moisés,
Ester, Rute, dos Irmãos Macabeus ou da casta Suzana - só para citar alguns – do
Antigo Testamento; bem como pessoas do Novo, como Maria, José, Isabel, João
Batista - o Centurião e outros homens, a Cananéia e outras mulheres, que pedem
as mais variadas curas para as mais variadas carências, necessidades ou apegos
ao pecado, ao mau, vão--nos mostrando o quanto a fé em Deus é necessária para
se conseguir uma graça, para libertar-se do mau ou para se conquistar a vida
eterna. Quantas vezes Jesus disse: “a tua fé te salvou”?
Exemplos de Políticos ou de vida
pública, também são constantes, tanto no Antigo, como no Novo Testamentos, pela
presença de Governadores, Tetrarcas e Reis, entre eles, Abimeleque, Acaz,
Amaleque, Ben-Adade, Dario, Davi, vários Césares, os famosos Faraós, os
diversos Herodes, Hirão, Jeú, Joás, José do Egito, Nabucodonosor, Pilatos,
Quirino, a Rainha de Sabá, Salomão, Zedequias e tantos outros que poderão ser
apresentados em sua época e com sua história para comprovar o que, faz tempo,
afirmamos: a fé e a política podem andar juntas. Nós é que confundimos e
polarizamos tudo.
O mês da Bíblia é uma oportunidade que a Igreja nos oferece, cada ano,
para uma atualização maior de todos os cristãos, com a Palavra de Deus, com o conhecimento
dela e, com a sua aplicação em nossas vidas. Afinal de contas, pra que
conhecê-la sem vivê-la?
Todo o mês de setembro vai ser
utilizado para esse contato maior com essa palavra alimentadora de nossa vida e
condutora de nossa salvação. Além do mês, temos dentro dele - no último
domingo, 28 de setembro – o DIA DA BÍBLIA, e a Festa Litúrgica de São Jerônimo,
dia 30, como ocasiões propícias para celebrações comunitárias e festivas, em
torno da Palavra de Deus. E porque São Jerônimo entra nessa história?
Exatamente porque, diante de sua
rara inteligência e profundidade de estudos - durante sua existência, entre os
anos 342 e 420 - recebeu do Papa Dâmaso a missão de traduzir a Bíblia dos
originais: hebraico, aramaico e grego, para o Latim, a língua mais “vulgar” ou
popular da época, falada no Império Romano. Daí o nome de “Bíblia Vulgata”. São Jerônimo dedicou os últimos 35 anos de
sua vida à oração, á penitencia e ao estudo da Bíblia, já que ele era um homem
dinâmico e profundamente piedoso. Nada melhor do que encerrar o Mês da Bíblia
com uma festividade litúrgica em homenagem a esse homem. Pelo seu imenso,
demorado, sério e profundo trabalho de tradução da Bíblia, o seu dia litúrgico
é também reconhecido, civilmente, como o Dia do Tradutor.
Cada paróquia, cada comunidade
católica está aproveitando bem todo esse tempo para levar seu povo a melhor participar
dessas oportunidades, aprofundando mais a sua vocação, reabastecendo-se do
conteúdo que a Palavra de Deus lhe oferece e realizando a Missão que o Mês de
Outubro lhe vai estimular a praticar.
A Igreja do Brasil há 54 anos, sobretudo
depois do Concílio, tem celebrado o Mês da Bíblia, sugerindo temas para
reflexão e atividades para a divulgação da Palavra a todo o Povo de Deus. Neste
ano de 2025, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética
da CNBB está propondo o estudo da Carta aos Romanos 5,5, com destaque para o lema:
“a
esperança não decepciona”, sugerido ainda pelo Papa Francisco,
demonstrando uma maravilhosa convergência espiritual neste Ano Santo que
estamos celebrando. Este recurso, sem dúvida é essencial para todos os membros
de cada comunidade que se dedica a realizar o Mês da Bíblia.
A Igreja está fazendo a sua parte:
abrindo os olhos de todos para a realidade que nos rodeia, advertindo para
sabermos escolher o melhor para nos dirigir e governar; criando pastorais,
organizações populares, participação na vida comunitária, enfim, esclarecendo
para que ninguém seja enganado ou embarque na onda de espertalhões. Ninguém
melhor do que Jesus, o Filho de Deus, para nos mostrar como viver a união de fé
e política, em palavra e ação, dirigindo-se aos partidos da época,
compostos dos fariseus, dos saduceus, dos herodianos, a quem ele chamava de
hipócritas, de sepulcros caiados, enfrentando o próprio Rei Herodes,
chamando-o de raposa, ou a Pôncio Pilatos, desafiando-lhe a autoridade,
como proveniente de Deus; enfim Jesus colocou as bases para esse trabalho de
esclarecimento que todos nós devemos fazer, sem nenhum medo. Na Bíblia há 365
vezes: “não tenhais medo”; 18
delas, ditas por Jesus, que acrescentou: “felizes sois vós, quando
vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem toda espécie de mal
contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos porque grande é a
vossa recompensa nos céus”. Infelizmente,
muitos católicos têm medo, até de ouvir essa orientação. Preferem ficar do lado
do seu chefe político, ou debaixo de sua sombra, enganados, pensando em dias
melhores, que nunca lhe advirão. Ainda põem medo a quem esclarece pela
catequese libertadora, chamando-a de comunista para pôr dúvida na
cabeça dos menos avisados. Por que somos tão incrédulos diante dessa
orientação? Pense nisso e sua libertação o porá + perto de Deus.


Nenhum comentário:
Postar um comentário