Com São Vicente,
somos chamados a ser sinal de
esperança e caridade
No dia
25/08 - 30 dias antes da 8ª noite da Novena de S Vicente, em Bela Cruz - nosso
Pároco, Pe. Eudes, entrou em contato comigo, convidando-me a participar, ao
menos por uma noite, deste Novenário, fixando-a logo para 25 de setembro.
Aceitei com prazer. Antes dos festejos começarem, foi-me passada pela
secretaria paroquial, a programação: tema e subtemas, para que eu me
preparasse. Aqui estou: neste comentário antecipado e 5ª feira à noite.
Terei que provar para todas as pessoas ali presentes, neste dia 25, para os nossos ouvintes da Rádio Genoveva e para os tele participantes das Redes Sociais de nossa Paróquia, que, “com São Vicente somos chamados a ser sinal de esperança e caridade”, sob o lema, do Ano Santo já sugerido por Francisco e confirmado por Leão XIV, tirado de Romanos 5,5: “a esperança não decepciona”.
Queremos apresentar São
Vicente de Paulo, com Santa Luiza de Marilac e o Beato Frederico Ozanam como
exemplos concretos de colaboradores com a Providência Divina na realização de
suas Missões, conforme sugerem o Tema Geral de toda a Festa e o subtema desta
noite. Os três, respectivamente, instituíram a Congregação dos Padres
Lazaristas, as Irmãs, Filhas da Caridade e a Sociedade São Vicente de Paulo,
vivendo no Mundo só fazendo o bem, colaborando com o próprio Deus, através de
Jesus Cristo, para a salvação da Humanidade.
Já participei deste
Novenário, anteriormente, desde os meus 10 anos de Sacerdócio e, mais
efetivamente, nos últimos 20 anos, sempre lembrando a necessidade que a Providência
Divina mesma teve de contar com São Vicente, Santa Luíza de Marilac e com o
Beato Frederico Ozanam em suas ações missionárias no Mundo.
São Vicente de Paulo
trabalhou em consonância com Santa Luíza de Marilac e instituíram a Congregação
dos Padres da Missão ou dos Padres Lazaristas e a Congregação das Filhas da
Caridade. Lançaram as bases sólidas das duas congregações: uma masculina e outra
feminina, que se espalham por todo o mundo. Depois, surgiu um leigo famoso, o
Beato Frederico Ozanam para completar o sentido da missão da Igreja, deixada
por Jesus Cristo: unir religiosos e leigos na Ação Missionária.
Queremos mostrar que
Deus precisa não só de sacerdotes e de freiras, para a Missão, como precisa de
leigos também. Todos bem comprometidos com o trabalho missionário e
colaboradores com o plano de Deus no alcance da salvação de todos. É o que lhes
quero aprofundar mais, nesta noite, como já o fizeram, os colegas que
participaram das noites anteriores. Não é uma grande novidade, o que nos está
propondo a Paróquia. É somente o desejo de lembrar que Jesus fizera desde o
início: chamou os 12 Apóstolos, representando os Sacerdotes, até o fim dos
tempos. E aos 72 discípulos, que representavam a maioria da população, para se
espalharem por toda parte, ajudando-O na Missão, até o fim dos tempos. Não será
isto, uma prova concreta de que Deus precisa de todos nós, para tocar pra
frente seu trabalho?
Os Padres, Religiosos e
Religiosas, e os Leigos, motivados pelos Lazaristas, pelas Filhas da Caridade e
pelo grupo inicial da Sociedade Leiga de São Vicente, será que não nos estão
mostrando, cada vez mais, a necessidade da nossa participação no trabalho de
evangelização, iniciado por Jesus?
Jesus, como Deus,
poderia ter instituído um trabalho, sem nós. Ele não era Deus? Mas Ele quis
contar conosco, desde o princípio. Nós é que não O entendemos. Daí, o chamado
que esta festa de S. Vicente nos está lembrando.
Com as bases sólidas de trabalhos feitos por
padres, freiras e leigos vicentinos, na evangelização, tinha de levá-los à
prática. Daí terem organizado muitas obras de caridade, doando-se inteiramente,
aos mais necessitados. Nossos Santos eram considerados “pais dos pobres” e os
causadores de muitas mudanças na formação de muitos religiosos.
Preparados
esses agentes – padres e freiras – tinha de haver uma organização mais
abrangente para os leigos, isto é, para a maioria da população. Nasceram as
Conferencias Vicentinas; cresceram e se espalharam por todo o mundo sob a
inspiração de São Vicente, tendo mais tarde, Frederico Ozanam e seis
Companheiros, como os mais ardorosos articuladores, estando hoje espalhadas
pelo mundo inteiro. As regras e condutas que norteiam tais Conferencias estão
baseadas na própria orientação original de São Vicente: de amor aos pobres, aos
doentes e aos marginalizados, sempre respeitando os mais necessitados, sem
humilhá-los em hipótese alguma, mas fazendo-se igual a eles. E quem foi
Frederico Ozanam? Alguém fácil de ser manipulado? Um pobre analfabeto que
não teria como vencer na vida? Um
iluminado de Deus?
Dentre
tantas interrogações paro na última: +_um que é luz do mundo.
Nasceu
em Milão, na Itália, aos 23 de abril de 1813. Seus pais – o médico João
Antônio, e a assistente social Maria Ozanam – atendiam os doentes e indigentes,
com o mesmo cuidado e carinho reservados aos pacientes de alta condição social.
Frederico Ozanam, desde o nascimento, respirava o profundo espírito de
caridade, compartilhado pelos seus pais. Foi sempre um aluno brilhante, um
leitor insaciável e já aos 17 anos conhecia bem: grego, latim, francês,
italiano e estudava hebraico e sânscrito, apaixonado por seus estudos
filosóficos que o levaram a realizar grandes sonhos. Frequentava grandes
centros intelectuais e colaborava com jornais e revistas, sendo reconhecido por
todos não só pela sua profunda humanidade, como também pelo seu rigor moral,
sua imensa cultura, as suas opiniões atualizadas, seu catolicismo respeitoso e
consciente que o tornavam, rapidamente, uma personalidade respeitada e
relevante. Era excelente mediador em debates sobre religião e política onde
sempre se destacava pela defesa de sua fé católica. Tudo isso o levou à criação
de uma “Conferencia da Caridade” que seria “uma associação de beneficência
para a assistência dos pobres a fim de pôr em prática o nosso catolicismo”.
Com mais 06 companheiros, tornaram o embrião da “Conferencia da Caridade” em múltiplas Conferencias de São Vicente de
Paulo, usando toda a mística de São Vicente, justificando: “pela beleza
da formação acima de todos os sistemas políticos e filosóficos, de um grupo
compacto de homens decididos a usar todos os seus direitos como cidadãos, toda
a sua influência, todos os seus estudos profissionais, para honrar o
catolicismo em tempos de paz e defendê-lo em tempo de guerra”.
Em São Vicente de Paulo, Santa Luíza, Frederico Ozanam e em seus sucessores, encontramos o esquema completo para um trabalho de evangelização, segundo a vontade de Deus: parte de uma Igreja composta de cerca de 2.781 Sacerdotes Lazaristas; 12.300 Religiosas, Filhas da Caridade em 96 países: e de 800.000 leigos (confrades e consócias) em 150 países., quase 04 séculos depois da instituição vicentina.
Desde
a 5ª feira passada, dia 18, até este sábado, 27, estamos em Festa a São Vicente
de Paulo – sem esquecer Santa Luíza e o Bem-aventurado Frederico Ozanam – numa
capela dedicada ao Santo, antes mesmo que tivesse sido instalada aqui em Bela
Cruz, a Paróquia de N. Sra. da Conceição. A simplicidade do então Distrito, a
pobreza de seus habitantes e todas as dificuldades aqui vividas pelo povo,
fizeram com que homens de bem, católicos praticantes, informados sobre as S.S.V.P., pelo mundo afora, se unissem
e organizassem, aqui em Bela Cruz, a tão benfazeja instituição.
Nove
anos antes da instalação da Paróquia, o Padre Sabino de Lima Feijão, que era
Pároco de Acaraú e cuidava pastoralmente, da Capela de Bela Cruz, motivou um
grupo “de homens de bem, católicos
praticantes” para organizarem aqui, o que já existia, desde 20 de abril de
1833, espalhada por todo o mundo: a Sociedade São Vicente de Paulo.
Informava o zeloso Pároco: foi um grupo de 07 jovens universitários, em Paris,
na França, sob a coordenação de um deles: Antônio Frederico Ozanam, estudante
de Direito na Sorbone. Porque não nos organizarmos assim?
Todos se animaram e
surgiu o grupo. Também de sete: Pe. Sabino, o idealizador. Gabriel Florêncio,
Emílio Fonteles, Nicodemos Araújo, Vicente Lopes, Francisco das Chagas Silveira
e Mário Louzada. No dia 08 de setembro de 1932 fundaram uma Conferencia
Vicentina, escolheram a Diretoria, registraram 71 sócios, que, em
04 anos já eram 186. Motivados, organizados, imbuídos da espiritualidade de São
Vicente e praticando a orientação recebida de amor aos pobres, em 1938
iniciaram a construção da Igreja de São Vicente de Paulo. Sua bênção se deu a
19 de Julho de 1941 pelo mesmo Pe. Sabino, entregando à Comunidade uma
capelinha toda aparelhada com tudo o que fosse necessário para celebrar a
liturgia e com uma alegria enorme estampada no rosto de todo mundo. Isto aconteceu,
5 meses antes de criar-se a Paróquia.
A exemplo do que já se
fazia pelo mundo, instalara-se aqui em Bela Cruz a Sociedade São Vicente de Paulo, seguindo o mesmo roteiro das
irmãs, já existentes em toda parte: uma organização civil de leigos, homens e
mulheres, dedicada ao trabalho cristão da caridade. Foi incorporada à
já existente Conferencia Vicentina Nacional e Estadual, engrossando o número
dos 153
mil confrades e consócias, mantendo creches, escolas, projetos sociais,
lares de idosos que ajudam a cerca de 80 mil famílias necessitadas.
A nossa Conferência
Vicentina começou logo enfrentando um caso concreto. Unindo-se, rezando,
reunindo-se e trabalhando.
Quando a Paróquia de
Nossa Senhora da Conceição nasceu não encontrou dificuldades maiores, por não
haver Matriz. A Capelinha de S. Vicente cedeu seu espaço para as celebrações.
Ao recordar, tão
superficialmente, esta história, gostaria de encerrá-la com uma fundamentação
bíblica que justificasse para todos vocês que aqui se encontram, para os nossos
ouvintes que nos acompanham pela Genoveva FM e para os tele participantes que nos
vêem pelas Redes Sociais da Paróquia, e ainda os que me seguirão pelo blog ‘vemserprofessorcomprazer’ neste
sábado, dia 27, no próprio dia litúrgico de S. Vicente, texto do Evangelho de
Lucas, que foi lembrado em cada noite, inclusive nesta Missa, chamando-nos a
levar adiante, a sua mensagem: “Jesus
convocou os 12... e os enviou a proclamar o Reino de Deus... e disse-lhes: ‘não
leveis nada para o caminho: nem cajado nem sacola nem pão nem dinheiro nem
mesmo duas túnicas. Em qualquer casa onde entrardes, ficai aí e daí é que
partireis de novo... Estarei convosco...


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