sábado, 27 de setembro de 2025

COLUNA PRIMEIRO PLANO

 


A ESCOLA DEVE SER SEMPRE A PRINCIPAL ATRAÇÃO DOS ALUNOS.

                                                      EDIÇÃO DE 27 DE SETEMBRO

Minhas primeiras aprendizagens sobre os municípios da região norte, foi por meio das placas dos caminhões que passavam pela rodagem da minha cidade. Eram pouquíssimos e, por isto, viravam atrações para os meninos.

Por curiosidade e aprendendo a ler, logo procurava ver de onde vinham. Eram as placas que me diziam. E fui aprendendo. De Crateús, Independência, Boa Viagem, Tamboril, Pedra Branca, Monsenhor     Tabosa...

Traziam estrume de gado que vendiam nos engenhos para o adubo da cana e levavam carradas de rapaduras e muitas frutas. Pena que aquilo não era assunto das aulas, mas de conversas entre meninos.

“Passou um de Independência”.  “Eu vi um de Pedra Branca”. E assim íamos tentando descobrir onde ficavam aqueles lugares. Nós ouvíamos falar mais sobre os que ficavam perto.

A distância era sempre a mesma, mas o tempo de percurso era muito diferente. 23 quilômetros para Ipu e quatro horas para percorrê-los. A rodagem era só areia muita. Para São Benedito, a mesma coisa.

Esta foto rara, dos anos 50, é do Misto da família Paiva que realizava, diariamente, a viagem de ida e volta de São Benedito a Ipu. Ainda menino, lamentava não ter o nome de Guaraciaba do Norte. Levava e trazia passageiros que viajavam de trem.

Para Reriutaba, então Santa Cruz, a distância era, praticamente, a mesma, mas não havia estrada. Era só ladeira. Em tempo de seca, começavam a fazer a estrada para dar emprego aos cassacos. Com o inverno, parava,

Ainda hoje tenho o hábito de observar as placas, mesmo sabendo-as mais complicadas e sem os nomes dos municípios. Lamentavelmente. Soube que iriam voltar. Tomara.

Ontem, em Camocim, o Professor Historiador Carlos Augusto Pereira dos Santos lançou o II Volume do seu livro HISTÓRIA POLÍTICA DE CAMOCIM. O evento foi no Plenário Deputado Murilo Aguiar, da Câmara de Vereadores. 

                                              

 A Professora Doutoranda Muldiane Pedrosa, está indo muito bem com os cursos de graduação que tem levado a municípios do Ceará. Em Massapê, já vai abri a terceira turma, contando com muita credibilidade junto à comunidade.

No mês de outubro serão abertas turmas em Meruoca e Alcântaras. Nos três municípios conta com o apoio das Secretarias de Educação. A convite da Professora Muldiane que conheço há anos, deverei ir aos três municípios para encontro com os alunos.

A credibilidade do Grupo Nossa Faculdade e parceiras UNIFTB  e UNIFAMEC tem crescido muito graças à seriedade da atual equipe local, tendo à frente da Coordenação local a Professora Socorrinha Gomes, também Diretora da Escola da CNEC, em Massapê.   

         

Na segunda quinzena de outubro, terão início os festejos da Capela de Nossa Senhora da Saúde, no distrito de Sussuanha, em Guaraciaba do Norte. É um tradicional local de romarias, onde muitos fieis comparecem para pagar promessas.

Tenho um carinho especial pela Sussuanha, pois andava por lá desde menino. Ali meus pais se casaram quando ambos prestavam serviços às celebrações litúrgicas. Minha mãe como cantora da Igreja. Meu pai como integrante da Banda de Música.

No meu livro GUARACIABA DO NORTE, NOSSAS RUAS, NOSSA HISTÓRIA, à página 240, registro uma foto na criação do Coral Santa Cecilia, ali criado em 1946. E meus pais lá estão.

Nesta semana, no Ideal Clube, fui ao lançamento do livro CARTAS PRA VOCÊ, do amigo e ex colega na UVA/Sobral, Paulo de Tarso Pardal. nascido em Santana do Acaraú, é competente Professor, Músico que faz mágicas com seu cavaquinho.

Gilberto Kassab, presidente do PSD vai colocar muitos prefeitos em saia justa, decidindo que o partido deixará de apoiar Lula e vai apoiar um destes bolsonaristas: Tarcísio de Freitas, Ratinho ou o Eduardo Leite. Os três são pouquíssimos conhecidos no norte e nordeste.

Estas regiões trocariam o conhecido pelo desconhecido, só para atender ao, também desconhecido, Kassab?  E como os Prefeitos e Vereadores do PSD vão justificar a escolha de um desses candidatos?

Neste sábado, no nosso buffet privado da família e amigos, estaremos celebrando os aniversários do cunhado Edson Martins, casado com a Luciene e do seu irmão Milton Júnior.

Nas 4 oportunidades que ocupei a função de Secretário de Educação e duas vezes como assessor, jamais nos deparamos com atos de violência nas escolas. Agora, são frequentes. Há interferências externas.  É o caso de Sobral.

Quando a escola é atraente para os alunos, as atenções se voltam para a convivência com colegas e Professores e, naturalmente para o aprendizado participativo. Uma Escola sempre pode ser melhor. Basta que se avalie com frequência.

Vivemos excelentes experiências que estão em nosso livro PROFESSOR COM PRAZER. O título já diz bem da metodologia adotada. Foram todas experiênias de sucesso, com foco na participação e na aprendizagem.



MEMÓRIAS DO EXÍLIO E DO RETORNO

EM UMA SÓ CANOA,                                EM MUITOS PORTOS.

                                           

Dr. João de Paula Monteiro Ferreira (*)

- Um médico fumando; isto é uma incoerência. Largue isso.

Ao ouvir um dia essa frase de um amigo, tomei uma decisão. Para não ser incoerente, resolvi largar a medicina.

Isto era uma brincadeira que eu contava. quando alguém assistindo alguma das palestras que eu proferia Brasil afora, manifestava curiosidade em saber por que um médico se metera em assuntos como desenvolvimento sustentável, novas formas de gestão e de governança de organizações. Eu contava aquela história absurda, evidentemente, brincando, pois a rigor, médicos não costumam deixar de todo a medicina, sobretudo aqueles que tiveram uma formação humanista. Neste sentido, nós médicos, temos algo de parecido com padres, que usualmente mantêm o substrato de suas vocações, mesmo depois de deixarem as batinas. E assim é comigo ainda hoje, que continuo respondendo sim, àqueles comissários de bordo quando perguntam se tem algum médico no voo para atender a uma emergência de saúde, embora o faça sempre torcendo para que não se trate de um parto ou de uma parada cardíaca. Meus temores sobre ter que lidar com uma destas situações tem razões muito pessoais. Quanto a um hipotético parto, por nunca ter feito nenhum, mesmo tendo sido aluno de obstetrícia em três países, o que requer uma historieta específica para esclarecer; quanto à parada cardíaca, pelo fato de já ter morrido e saber da complexidade dos procedimentos requeridos, como narrei na historieta DE VOLTA À VIDA.

Por outro lado, fumar é uma praga para a saúde, que sempre precisa ser largada por quem foi alcançado por ela. Isto não vale, no entanto, para meus charutos, que só entraram em minha vida quando eu já tinha sessenta anos, depois de ler um artigo científico demonstrando que, por não se tragá-los, o maior problema que poderiam causar seria um câncer na região oral, após quarenta anos de intenso uso. Naquela ocasião, fiz umas contas e constatei que, como charuteiro moderado, o pior que poderia me acontecer seria um câncer aos 100 anos, idade em que já teria morrido ou já estaria num momento adequado para morrer.

Brincadeiras à parte, na historieta anterior, quando relatei que por um período estive tentando descer um rio em duas canoas. com um pé em cada uma delas, tive consciência de que aquilo não poderia durar e prometi contar como foi o desembarque de uma. É o que farei agora, procurando explicar o que aconteceu à medida em que eu fui sendo cada vez mais demandado por atividades relacionadas à psicologia organizacional. O fato é que, quando aquelas demandas começaram a ocorrer em outros estados da federação, criando dificuldades para o exercício da atividade psicoterápica, que é muito rigorosa em constância e pontualidade, configurou-se um impasse e tive que fazer uma escolha.

Então, decidi deixar a atividade de psicoterapeuta. E aquilo foi algo que senti muito e ainda sinto na forma de saudade, porque aquele período foi muito rico para mim do ponto de vista profissional e pessoal. A dedicação à terapia individual e a pequenos grupos terapêuticos, possibilitava-me o aprofundamento em vivências relativas ao âmago do ser humano, oportunizava-me lidar com dificuldades inerentes à sua existência, criando condições para que pessoas fizessem, suas descobertas e tomassem iniciativas sobre um melhor curso para suas vidas e, em consequência, ensejando também aprendizagens sobre meu modo de ser e de me comportar. Usando uma metáfora, eu sentia-me como se estivesse escavando um poço profundo, o que me dava muita satisfação, mas, ao mesmo tempo, a percepção de que só conseguia alcançar poucas pessoas. Minhas preocupações sociais atiçavam meu espírito, possivelmente por motivações mais remotas, tornando a escavação do “poço profundo” insuficiente para satisfazer todos meus anseios.

O que eu estava querendo mesmo era fazer “irrigação por aspersão”. Queria ampliar meu leque de ação, levar questionamentos a mais gente, provocar reflexões sobre conservação e mudança na sociedade, instigar discussões sobre o poder e suas aplicações em estruturas sociais, investigar novos conceitos e técnicas sobre gestão e governança de organizações, estimular estudos sobre  métodos inovadores de produção e distribuição de riquezas, enfim, buscar novas formas de melhorar as condições de vida para todos. Meu fundamento era e é a convicção de que os constructos sociais são obras humanas - sem desconsiderar aquelas mais rudimentares criadas por outros  animais. Levando isso em conta, sentia a necessidade de compreender a psicologia dos seres da nossa espécie em suas relações com as obras criadas. Na verdade, a procura daquelas alternativas, pelo menos inconscientemente, já deviam estar presentes quando eu decidira fazer uma segunda especialização, iniciando a formação em Psicologia Organizacional.

Àquela época, estava também claro para mim que alguns dos meus desejos precisavam ser tratados mais na esfera da política do que no âmbito da técnica, dizendo respeito mais ao cidadão do que ao profissional. Eu sabia distinguir isso e, em paralelo, estava buscando caminhos para o exercício da cidadania, depois que comprovara que a via eleitoral não atendia minhas aspirações. A experiência da candidatura a deputado estadual mostrara-me a vulnerabilidade social e política das populações mais pobres e eu adquirira a convicção que sem uma sociedade forte não teria como haver uma democracia estável, nem boa qualidade de vida para todos.

Preparei um plano para encerrar progressivamente as atividades de psicoterapia. A primeira medida foi recusar novos clientes. A segunda, fazer uma programação para o desligamento gradual dos que se encontravam em terapia, em conformidade com cada caso; alguns seguindo o processo natural que resultava em altas, outros por encaminhamento a colegas, quando havia consenso para isso.

Minhas atividades como consultor de organizações haviam sido iniciadas no próprio Centro de Vivências, onde criáramos um setor de Psicologia Organizacional. Sob orientação do César Wagner (que a Mariana chama de segundo pai), organizamos uma equipe de consultores que tinham sido formados no curso dado por ele; esta equipe passou a atuar em organizações públicas, em empresas e em organizações não governamentais de Fortaleza.

As atividades que comecei a desenvolver no plano nacional como consultor de organizações e como palestrante, assim como a militância que passei a ter em movimentos de cidadania, ficam para historietas futuras.

Dr. João de Paula Monteiro Ferreira, de Crateús, Médico e Consultor Empresarial. 
Influente liderança universitária na ditadura de 64.

PARA GOLPISYAS DE 8 DE JANEIRO






Nenhum comentário:

Postar um comentário

COLUNA PRIMEIRO PLANO

  LUIZIANE, A CAMINHO DO SENADO, SAI DO PT, MAS APOIARÁ LULA E ELMANO.                                        EDIÇÃO DE 04.04.26            ...