A
Doutrina Social da Igreja é um testemunho significativo do saber da fé a
serviço do ser humano.
Meu assíduo leitor deste
blog do comum amigo nosso, prof. Leunam, me continua a desafiar, com suas
interessantes perguntas, sempre desejando uma imediata resposta. Não é tão
imediata como gostaríamos, mas há um tempo suficientemente usado, para que nos
entendamos à distância. Aqui estou, meu caro, Dr. Mariano, mais uma vez. Agora,
para falar do Mês Missionário, que só está no início e que já era meu propósito
abordá-lo, devido ter preparado nos 02 últimos meses, a sequência: agosto, mês
vocacional; setembro, mês da Bíblia e outubro: Mês Missionário.
Você
me pergunta se o Pe. Francisco Manfredo Tomaz Ramos tinha alguma ligação
com a Ação Católica. Penso que, como militante, propriamente dito, ou como
assistente eclesiástico para tal missão,
não. Mas, como Teólogo, Filósofo, renomado professor, membro de Academias de
Letras, convidado para Palestras e aulas ou debates universitários, dentro e
fora do Brasil, disso ele tem um Curriculum, que, a mim, causa imensa
admiração. Valeria muito, dedicar várias páginas de estudo e reflexão sobre sua
importância pra Ciência.
No entanto, quero
referir-me ao tempo em que ele parou, especialmente, em Roma, para estudos e
especializações. Indo e voltando, deve ter passado uns 20 anos por lá; por
alguns momentos fomos contemporâneos. Também fora contemporâneo do Padre Lima
Vaz, ex-aluno Jesuíta, na Universidade Gregoriana, a mesma que o Padre Manfredo
frequentou. Àquela época, o Pe. Manfredo estudava com afinco, a Obra de Santo
Agostinho, tornando-se um dos maiores intérpretes do pensamento do Bispo de
Hipona.
A Tese do Pe. Manfredo
sobre Santo Agostinho, teve a apresentação do não menos Teólogo e Filósofo, Pe.
Lima Vaz, que assim se expressou: “na
imensa bibliografia Agostiniana faltava um estudo como o do Dr. Francisco
Manfredo Tomaz Ramos. Seu livro transcende os limites convencionais de uma tese
e apresenta-se doravante como obra fundamental de referência na biografia sobre
Santo Agostinho” (Como eu disse, é um bom tema a tratar).
Aceitei sua provocação,
amigo Dr. Mariano, mas vou voltar ao tema inicial a que me propus no começo: “falar do mês missionário”.
O Papa Leão XIV é
“binacional”: americano do norte, por nascimento e americano do sul, por opção
missionária. Como religioso da Ordem de Santo Agostinho, dedicou um terço da
sua vida à Missão no Peru.
Desde 08 de Maio de
2025 é o Pontífice Máximo da Igreja Católica. Nestes últimos 05 meses, a
completar neste 08 de outubro, tem mostrado a que veio. Tendo em vista o Mês
Missionário ele nos está convidando “a
cultivar uma Teologia baseada no encontro pessoal e transformador com Cristo e
que se esforce para encarnar-se nos eventos concretos da humanidade de hoje”.
O Santo Padre dirigiu
tais palavras aos participantes de um Simpósio da Pontifícia Academia de
Teologia, no Vaticano, ao encerrar um Encontro Internacional sobre Criação, Natureza, Ambiente para um mundo de
Paz.
Recordou que a
sustentabilidade ambiental e a custódia da criação são compromissos
inegociáveis para a sobrevivência do gênero humano e concluiu com estas
palavras: “qualquer esforço para melhorar
as condições ambientais e sociais do nosso mundo requer o compromisso de
todos”. E para concluir reiterou que “a Doutrina Social da Igreja é um testemunho significativo
do saber da fé a serviço do ser humano, em todas as suas dimensões e que a
Teologia é, diretamente, interpelada por isso, pois não basta uma abordagem,
exclusivamente ética no complexo mundo da I.A. (Inteligência Artificial)”...
Aliás, nesta área
digital, desde a sua posse, como Soberano da Igreja Católica, temos falado da
escolha pessoal do nome Leão XIV para mostrar a sua identidade com o pensamento
de seu predecessor Leão XIII, que havia escrito uma Encíclica Revolucionária, a
Rerum
Novarum, que o atual Papa, seu homônimo, já tinha em mente avançar
para Rerum
Digitalium, já que por Formação e Graduação em Matemática já iria
colocar seus conhecimentos científicos a serviço de necessárias adaptações no
Estado do Vaticano.
Entre os inúmeros
comentários que tenho feito nesses últimos 05 meses do Papado de Leão XIV há um
que fiz sobre suas pequenas férias em Castel Gandolfo, na 1ª quinzena de Junho,
que tem muito a ver com este Simpósio de que estamos falando na Pontifícia
Academia de Teologia no Vaticano.
Durante suas “pequenas férias” teve um contato com
estudantes, professores e pesquisadores do Observatório Astronômico Vaticano
que, em número de 24 jovens astrônomos, representando 22 países, analisavam as
descobertas dos três primeiros anos do Telescópio Espacial James Webb,
inaugurado no Natal de 2021. O Papa Francisco, antecessor e modelo do Papa
Leão, havia cedido o espaço onde o Vaticano tem um dos mais potentes
Telescópios do Mundo, para dar-lhe mais utilidade e mais socialização: ser uma
Escola Superior de Astronomia. Leão XIV, matemático e cientista que é, vai dar
todo o apoio e incentivo para um justo e reto uso desse equipamento.
Por causa dessa sua
formação matemática e científica, não foi difícil ao Santo Padre Leão XIV dar
apoio às pesquisas e estudos no Observatório Astronômico, criado e incentivado
por Francisco, porque já era da sua própria compreensão, seguir o esquema do seu
predecessor: usar o belo exemplo da Rerum Novarum, atualizando-a
em Rerum
Digitalium. Para isto, ele começou cedo a modernizar toda a
estrutura de suas Secretarias de Estado, de Arquivos Pontifícios e Dicastérios
do Estado Cidade do Vaticano. Não será isto, bem como o incremento dado ao
Observatório Astronômico, importantíssimo para uma melhor eficácia na Missão e
nas ações da Igreja?
Certamente, todos nós,
nunca exigimos de um Papa, a não ser “uma
melhor eficácia na Missão e nas Ações da Igreja”. Mas nós já nos deparamos
com um Papa que fosse cientista e matemático? E a gente poderia ter esperado
dele uma preocupação com os números quantitativos, lucrativos e, materialmente,
preocupantes com os seus resultados materiais? Será que a sua busca de
organização de escritórios, de estrutura bancária e econômica não deveriam
ocupar também a sua mente de Missionário, treinado por mais de 20 anos na
América Latina e que agora é um “Chefe de Estado” e que tem de esquecer que é
também um Matemático? Esta Ciência tem que ficar fora de sua Ação Pastoral e
Evangelizadora? Certamente, foi este desconhecimento da parte de seus
antecessores, que os fizeram confiar na administração de dados estatísticos a
pessoas inescrupulosas que desfalcaram tanto a Igreja.
Não estará chegando em
boa hora, a Rerum Digitalium ou a I. A. (Inteligência Artificial)
ou qualquer androide digital ou mesmo algoritmo?
De um Papa, talvez a
gente já saiba o que esperar. Citamos Mt.16,18 em outro comentário: Tu és Pedro e sobre esta pedra
construirei a minha Igreja mas não temos nada sobre o matemático. Não
está unida à Missão de Papa, a função de matemático. Este domina conceitos,
cálculos e técnicas com habilidades para aplicá-los em diversas áreas. Não é
preciso ser Papa pra isso. Mas Leão XIV acumula as duas funções. Vai ser melhor
para realizar seu trabalho.


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